Plágio

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Plágio by Mind Map: Plágio

1. Definição principal

1.1. Plágio

1.1.1. apropriação indevida e não autorizada de criação literária, que viola o direito de atribuição de crédito ao autor e a expectativa de sinceridade no leitor

2. Tipos de plágio

2.1. Plágio-pastiche

2.1.1. O pastiche é uma técnica da arte e da literatura que movimenta partituras entre criadores.

2.1.1.1. Seriam uma releitura do texto, com alterações do original para definir uma identidade própria.

2.1.2. O pastiche literário é um tormento vizinho à confusa sobre posição entre paráfrase e citação literal

2.1.2.1. Em vez de fazer uma citação literal, o pseudoautor encobre a rota de sua influência alterando palavras, conectivos ou a ordem das orações.

2.2. Plágio-cópia

2.2.1. É o plagiador que copia integralmente os trechos ou uma obra inteira

2.2.2. O plágio-cópia é a expressão banal da ferramenta "copia e cola" dos processadores de texto.

2.2.2.1. Pode ser extenso ou minimalista, isto é, reproduzir um molde textual ou partes dele; porém, não abandona a integralidade do molde repetido com outra assinatura.

2.2.3. O plágio-cópia é a expressão mais ingênua da preguiça intelectual ou do mutismo autoral.

2.2.4. Também conhecido como aquele que se resume a dois dedos e dois cliques (control+C e control+ V)

3. Assinaturas

3.1. Nem todos os textos têm uma assinatura de autor, tampouco todas as assinaturas que acompanham um texto são de autores.

3.2. Pensar a função do autor importa para entender o plágio

3.2.1. Na comunicação acadêmica, a assinatura é um atestado de verdade, mas também um registro da sinceridade da criação.

3.3. Foucault também se preocupou com a definição de quem é o autor de um texto

3.3.1. A tese de Foucault é que o conceito de autor seria um acontecimento recente na história das ideias, um momento em que se singularizou a criatura que transforma narrativas em texto.

3.4. Há uma função classificatória no nome de um autor, diz Foucault (2006).

3.4.1. Por classificação entende-se um amplo grupo de registros que permitem aos leitores identificar um discurso em relação a outros e seguir as rotas de seus autores fortes - olhar, estilo ou argumento são algumas pistas

3.4.1.1. O plagiador perturba a função classificatória deixada por um autor

3.5. O plagiador busca publicar, mas não se comporta como um escritor.

3.5.1. Ele é um sujeito sem voz; um personagem que admira a propriedade do texto com sua assinatura, mesmo que seja uma assinatura falsa.

3.5.1.1. A função do autor para o plagiador é uma farsa que garante a propriedade de um bem que não lhe pertence, mas não porque tenha havido roubo; simplesmente porque as palavras não foram criações suas.

3.6. O Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos propôs três condições a serem cumpridas na definição de quem seria autor de uma peça acadêmica:

3.6.1. 1) Contribuição substancial à concepção e ao desenho de um projeto de pesquisa e participação no levantamento ou na análise e interpretação dos dados;

3.6.2. 2) Participação no rascunho do artigo ou na revisão crítica do conteúdo;

3.6.3. 3) Aprovação final da versão para publicação.

3.6.4. Pelas condições da ICMJE, é preciso que um pesquisador participe da etapa metodológica da pesquisa, discuta os dados levantados e, por fim, seja ativo na escritura do artigo.

3.7. Autores fantasmas

3.7.1. Os autores fantasmas são aqueles personagens que participam ativamente de uma pesquisa ou mesmo da elaboração de um texto, mas foram esquecidos na assinatura final.

3.8. Autoplágio

3.8.1. A publicação repetida também é conhecida como "autoplágio".

3.8.2. O CNPq definiu autoplágio como uma infração ética "[...] apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores".

4. Hipóteses

4.1. O plágio deve ser abordado de maneira pedagógica no ambiente acadêmico e não sob a ótica punitiva (ou jurídica)

5. Recursos

5.1. Para o exercício da repetição, o autor acadêmico tem basicamente dois recursos textuais

5.1.1. a citação literal

5.1.1.1. se o texto é uma reprodução, cabe citação literal

5.1.1.2. A cópia literal sempre pede licença para fazer parte de outro texto, fazendo uso das aspas.

5.1.1.2.1. As aspas são a materialização textual da autoridade da palavra. Sem elas, o leitor espera que o texto seja sempre uma criação de quem o assina, quer na forma de paráfrase, quer na de escritura original.

5.1.2. a paráfrase

5.1.2.1. se o texto é uma menção à leitura, cabe paráfrase.

5.1.2.2. A paráfrase não é uma propriedade do autor original, mas uma criação do leitor que transmigrou do texto lido para o escrito.

5.1.2.3. O parafraseador deve ser transparente em relação ao texto original, mesmo quando se lança como um opositor às ideias que reproduz.

5.1.2.3.1. Em uma matriz de virtudes, a transparência pode ser entendida como um gesto honesto e uma postura responsável:

5.1.2.4. A paráfrase é um ato autoral de leitura, contração e escrita de quem analisa outra fonte.

5.1.3. Apud

5.1.3.1. O Apud é um recurso de intertextualidade fossilizado de um tempo em que o acesso à informação era escasso.

5.1.3.2. Um leitor tomava conhecimento de uma obra por meio de uma citação literal ou paráfrase feita por outro autor.

5.1.3.2.1. Sem acesso ao original, optava por citar a paráfrase do autor intermediário.

5.2. Se escrever sem recorrer a um deles para referenciar suas fontes, correrá o risco de ser acusado de plágio.

6. Definições

6.1. ...dicionário

6.1.1. Plágio

6.1.1.1. [Do gr. plagius, "trapaceiro"; "oblíquo", pelo lat. tard. plagiu.] S.m. Ato ou efeito de plagiar; plagiato. [CF. plagio, do v. plagiar.]

6.2. ...arqueologias

6.2.1. Uma extensa literatura define o plágio em termos jurídico-penais:

6.2.1.1. crime

6.2.1.2. estupro

6.2.1.3. roubo

6.2.1.4. sequestro

6.2.1.5. pilhagem

6.2.1.6. furto

6.2.1.7. falsificação

6.2.1.8. pirataria

6.2.1.9. fraude

6.2.1.10. empréstimo clandestino

6.2.2. É muito comum a confusão entre plágio e violação da propriedade intelectual

6.2.2.1. Porém, assim como nem toda violação de propriedade intelectual envolve plágio, nem todo plágio infringe direitos autorais.

6.2.3. Uma obra passa a ser considerada de domínio público SETENTA anos após a morte de seu autor.

6.2.4. As orientações divulgadas pela CAPES endossam as recomendações de uma proposição anterior do Conselho Federal da OAB, que visava estimular a conscientização sobre a propriedade intelectual e coibir o plágio entre estudantes e pesquisadores, além de problematizar o comércio de trabalhos prontos.

6.3. ...papéis

6.3.1. Uma reflexão sobre o plágio deve ser condição para a iniciação ao posto de neófito pesquisador

6.3.2. Há uma falsa crença de que os interditos sobre o plágio são devidamente conhecidos por todos aqueles que ingressam no ambiente acadêmico.

6.3.3. A ambição do professor é que os jovens naturalizem a ética acadêmica.

6.3.4. Os estudantes devem aprender como ser íntegros no teatro acadêmico e, por isso, conhecer precocemente as sanções para o plágio: atividades pedagógicas ingênuas, se plagiadas, serão reprimidas.

7. Software

7.1. Para os software caçadores de plágio, sete palavras (em inglês) ou nove (em português) em sequência e idênticas a um original acendem a luz amarela da cópia indevida.

7.2. As máquinas não analisam, apenas vasculham semelhanças.

7.3. O grupo de Daria Sorokima (2006) levantou 677 pares de estudos em ciências exatas com, pelo menos, quatro frases com sete palavras idênticas em sequência.

7.3.1. A ideia do algoritmo proposto pela equipe de Sorokima é a de que um texto suspeito de plágio teria frases com um número determinado de palavras coincidentes, excluídos os lugares-comuns da redação acadêmica e cópias consentidas, como a citação literal.