Influencia de Gregório de Matos no gênero sátira

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1. A sátira tem como característica principal a forte carga de ironia e sarcasmo. Embora nem sempre ela tem como objetivo induzir ao riso, geralmente, este estilo literário se aproxima da comédia. Trata-se, portanto, de uma crítica social feita às pessoas e aos costumes de maneira caricata. Por este motivo, muitas sátiras têm como alvo os políticos, artistas e pessoas de relevância social. Assim, ela é usada como instrumento para expor ideias e ainda, como ferramenta lírica. Nesse sentido, a sátira nada mais é que uma poesia usada para ridicularizar costumes, figuras públicas, instituições, etc.

2. Entre os autores que empregaram o gênero satírico no Brasil, o baiano Gregório de Matos Guerra é, certamente, o de maior destaque. O autor, que nasceu em 1636, nunca publicou nada durante sua vida. Tudo foi escrito à mão porque na época em que viveu era proibida a imprensa e a universidade. A edição de livros estava restrita à Lisboa ou Coimbra. O autor viveu a maior parte da vida em Portugal, mas foi na Bahia que seus dons satíricos foram ressaltados. Na poesia satírica, Matos revelou suas marcas de preconceito recebendo o apelido de “Boca do Inferno”.

3. Triste Bahia Triste Bahia! ó quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante. A ti tricou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando e, tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante.

4. A DESPEDIDA DO MAO GOVERNO QUE FEZ ESTE GOVERNADOR. Senhor Antão de Sousa de Meneses, Quem sobe a alto lugar, que não merece, Homem sobe, asno vai, burro parece, Que o subir é desgraça muitas vezes. A fortunilha autora de entremezes Transpõe em burro o Herói, que indigno cresce Desanda a roda, e logo o homem desce, Que é discreta a fortuna em seus reveses. Homem (sei eu) que foi Vossenhoria, Quando o pisava da fortuna a Roda, Burro foi ao subir tão alto clima. Pois vá descendo do alto, onde jazia, Verá, quanto melhor se lhe acomoda Ser home em baixo, do que burro em cima.

5. A MESMA MARIA VIEGAS SACODE AGORA O POETA ESTRAVAGANTEMENTE, PORQUE SE ESPEYDORRAVA MUYTO. Dizem, que o vosso cu, Cota, assopra sem zombaria, que parece artilharia, quando vem chegando a frota: parece, que está de aposta este cu a peidos dar, porque jamais sem parar este grão-cu de enche-mão sem pederneira, ou murrão está sempre a disparar. De Cota o seu arcabuz apontado sempre está, que entre noite, e dia dá mais de quinhentos truz-truz: não achareis muitos cus tão prontos em peidos dar, porque jamais sem parar faz tão grande bateria, que de noite, nem de dia

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GOMES, João Carlos Teixeira. [Gregório de Matos e a visão grotesca do mundo].In: Gregório de Matos: o boca de brasa. (um estudo de plágio e criação intertextual). Rio de Janeiro: Vozes, 1985. p.356-70. Gregório de Matos. Crônica do Viver Baiano Seiscentista: Obra Poética Completa. Códice James Amado. Notas de Emanuel Araújo. 4.ed. Rio de Janeiro: Record, 1999, 2 vols. MACIEL, Lívila Pereira . Aspectos da Cultura Popular na Sátira de Gregório de Matos. Brasília: Cadernos da Católica Série Letras Universidade Católica de Brasília, Brasília - DF, v. 01, n. 01, 1995 (Texto de natureza didática que foi escrito e apresentado oralmente na II Semana de Letras da UCB).

7. O carnaval e a cultura popular A cultura geralmente era da praça pública, feita do povo para o povo, com muitos espetáculos, feiras e festas carnavalescas. As obras que permutavam o povo possuíam diferentes naturezas: parodias, escritas verbais e orais, feitas em latim culto e vulgar, isso porque a camada popular era a que mais participava dos eventos da sociedade, como igrejas, feiras, festas, etc. Além de que essas obras geralmente possuíam uma linguagem acessível, familiar e grotesca, com uso de palavrões e erotismos. O aspecto carnavalesco tinham um importante fator social no qual invertia os papeis hierárquicos da sociedade. Encontra-se muitas características de uma peça teatral no carnaval, em que ela dá uma segunda vida baseada no riso para o povo; ignora a distinção de espectadores e atore