GERENCIAMENTO DE IMPRESSÃO E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE EM ENTREVISTA DE SELEÇÃO

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GERENCIAMENTO DE IMPRESSÃO E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE EM ENTREVISTA DE SELEÇÃO por Mind Map: GERENCIAMENTO DE IMPRESSÃO E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE  EM ENTREVISTA DE SELEÇÃO

1. Introdução

1.1. O capitalismo flexível é apontado por (Harvey, 1996) como responsável pelas transformações e conversões das mais diversas formas de Gestão de produção e politicas de Recursos Humanos

2. GERENCIAMENTO DE IMPRESSÃO: geral e específico em entrevista de seleção de pessoal

2.1. História

2.1.1. A análise do tema deu-se pelo sociólogo e antropólogo americano Goffman em 1959 (Leary, 1995). Aprentada em sua em sua obra "Representação do eu na vida cotidiana".

2.1.2. Por meio do GI, as pessoas tendem a propagar aos outros noções sobre si mesmas, o que pode se dar de 3 formas distintas.

2.1.2.1. 1ª. Auto-apresentação autêntica: É justa e imparcial pois tem medo de ser desconceituada;

2.1.2.2. 2ª. Auto-apresentação cínica: É desmasiada e conta inverdades, temem uma repulsa dos demais;

2.1.2.3. 3ª. Auto-apresentação excludente: Burla sua identidade e faz uma edição da auto-apresentação, esconde informações.

2.2. Estratégias e Táticas (Ralston e Kirkwood, 1999).

2.2.1. Os estratégicos são comportamentos que influenciam, diretamente, impressões de longo prazo.

2.2.1.1. Estratégias de GI mais usadas. Fonte: Baseado em Schlenker (1980); Jones e Pittman (1982); Leary (1995); Rosenfeld (1997)

2.2.1.1.1. Autopromoção: Transmite uma imagem de competência, destacando habilidades.

2.2.1.1.2. Exemplificação: Transmite uma imagem de virtudes morais como honestidade, lealdade, ética.

2.2.1.1.3. Insinuação: Aparenta ser amigável e simpático. Não é um desejo espontâneo de agradar aos demais, mas de algo feito para se atingir um objetivo.

2.2.1.1.4. Suplicação: Mostra uma imagem de necessidade de ajuda, visando gerar, no outro, uma resposta de proteção e auxílio

2.2.1.1.5. Intimidação: Mostra uma imagem de ameaça e de agressão, tanto física como verbal.

2.2.2. Os táticos afetam comportamentos e impressões a curto-prazo

2.2.2.1. Táticas de GI mais usadas. Fonte: Baseado em Leary (1995).

2.2.2.1.1. Autodescrição: Forma direta de comunicar algo sobre si, através de descrições verbais, face a face ou por escrito.

2.2.2.1.2. Exclusão: Omite certas informações, por julgar que possam gerar uma má impressão.

2.2.2.1.3. Exposição de Atitudes: Omite certas informações, por julgar que possam gerar uma má impressão.

2.2.2.1.4. Justificativa: Assume a responsabilidade do comportamento, porém busca apresentar motivos que amenizem seus aspectos negativos.

2.2.2.1.5. Atribuições públicas: Toma para si a causa de um evento particular.

2.2.2.1.6. Comportamento não-verbal: Inclui a aparência física, gestos e movimentos, e se refere também às expressões emocionais, ocultando-as, exagerando ou fingindo de acordo com a impressão que deseja causar.

2.2.2.1.7. Associações sociais: Associa-se a pessoas, fatos e objetos positivos, e dissocia-se dos negativos, seguindo o ditado “diga-me com quem andas e direi quem és”.

2.2.2.1.8. Concordância: Concorda com os demais, a fim de não ser rejeitado pelo grupo, ou segue os outros como guia, por não saber como agir ou para ter um desempenho mais efetivo.

2.2.2.1.9. Ambiente físico: Utiliza objetos decorativos, como móveis e diploma, dentre outros, como meios que oferecem elementos para serem construídas impressões a seu respeito.

3. MODOS DE SUBJETIVAÇÃO CONTEMPORÂNEOS

3.1. História

3.1.1. Os modos de subjeção contemporâneos são resultados das associações de sujeito/mundo. Logo visa indicar as maneiras de sentir, amar, perceber, imaginar, sonhar, fazer, bem como de habitar, vestir-se, embelezar-se, dentre outras (Fonseca, 1995; Grisci, 2000, Pelbart, 2000).

3.1.2. Segundo Rolnik (1996), o capitalismo contemporâneo produz modos de subjetivação que geram “toxicômanos de identidade” que são os sujeitos que buscam, no consumo de kits de perfis-padrão ditados pelo mercado, minimizar a sensação de vazio e o medo da exclusão

3.1.3. Como resultado tem-se transformações sofridas no cotidiano do trabalho em que a habilidade de gerenciar impressões parece tornar-se imprescindível.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.1. Literatura Brasileira

4.1.1. Mendonça, Vieira e Espírito Santo, 1999.

4.2. Entrevista de seleção

4.2.1. Apresentam controvérsias, quer seja quanto ao seu impacto sobre a decisão do selecionador (Anderson, 1999), quer seja por questões éticas (Ralston e Kirkwood, 1999).

4.3. Exploratória

4.3.1. Levantamento do tema pouco conhecido sistematizado (Vergara, 2000), e maior familiaridade com o problema e o aprimoramento de idéias (Gil, 1991).

4.4. Os sujeitos

4.4.1. A pesquisa contou com trinta candidatos a cargos de gerência intermediária, participantes de entrevistas de seleção em duas empresas de consultoria de Recursos Humanos, e quatro selecionadoras que conduziram as entrevistas de seleção que foram objeto de observação direta para a pesquisa.

4.4.1.1. Os candidatos assim se caracterizaram: idade entre 26 e 43 anos, 22 do sexo masculino, 19 casados, 19 com curso superior completo e 11 desempregados à época da coleta de dados. As quatro selecionadoras que conduziram os processos seletivos observados, duas de cada uma das empresas de consultoria de RH, assim se caracterizaram: idade entre 26 e 38 anos, formação em Psicologia e experiência em seleção de pessoal entre 08 meses a 18 anos

4.5. Coleta de dados

4.5.1. A pesquisa foi realizada em duas empresas de consultoria de Recursos Humanos, escolhidas de acordo com o critério de acessibilidade e localizadas em Porto Alegre (RS).

4.5.1.1. Os dados foram coletados através de observações diretas das entrevistas de seleção, de entrevistas individuais semi-estruturadas, e consultas a fontes documentais.

4.5.1.1.1. As entrevistas de seleção e tiveram duração aproximada de 60 minuto

4.6. Análise dos Dados

4.6.1. Por meio da ótica de sob a ótica de Guattari e Rolnik (1996).

4.6.1.1. Foram considerados como material de análise os dados provenientes das transcrições das entrevistas individuais, das folhas de registro das observações diretas das entrevistas de seleção e das fontes documentais consultadas que traziam orientações diretas sobre como os candidatos deveriam se comportar na entrevista de seleção.

4.6.1.1.1. Dos olhares e dizeres provenientes da análise propiciada pelo referencial teórico, conectou-se os achados da pesquisa com a obra intitulada Ejército en trânsito, do artista paraguaio Fredi Casco, presente na III Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2001), que se mostrou de grande valia no sentido de ilustrar modos de subjetivação dos quais o GI faz parte.

5. RESULTADOS DA PESQUISA

5.1. Além de não ser abundante na literatura acadêmica brasileira (Mendonça, Vieira e Espírito Santo, 1999), a temática do GI, tal como abordada por este estudo, torna-o um campo rico para futuras pesquisas, envolvendo não apenas o processo seletivo, ou demais atividades desenvolvidas pela área de Recursos Humanos, mas o contexto organizacional de modo geral.

5.2. Destaca-se a importância do desenvolvimento de novas pesquisas que indiquem a presença de singularidades e resistências por parte dos sujeitos diante dos modelos hegemônicos que lhes são impostos.