OLIGODENDRÓCITOS

Começar. É Gratuito
ou inscrever-se com seu endereço de e-mail
Rocket clouds
OLIGODENDRÓCITOS por Mind Map: OLIGODENDRÓCITOS

1. A ALIMENTAÇÃO NO PROCESSO DE MIELINIZAÇÃO

1.1. Os transtornos mentais em seus diversos níveis, como depressão, esquizofrenia, mal de alzheimer, esclerose múltipla, demência, entre outros têm causas motivadas por fatores fisiológicos e/ou psicológicos. Um destes fatores está relacionado à mielinização das células neuronais, que quando apresenta deficiência em sua composição fosfolipídica pode alterar o funcionamento do neurônio e consequentemente causar alterações nos processos psicológicos.

1.1.1. A alimentação, principalmente as gorduras de boa qualidade, têm um papel importante para o bom funcionamento cerebral, já que as necessidades biomoleculares são, muitas vezes, supridas através da nossa alimentação. Sendo assim, 75% da composição mielínica é feita de gordura e na sua formação é altamente dependente da ingestão nutricional de alguns ácidos graxos conhecidos como essenciais, pois nosso organismo não tem a capacidade de sintetizá-los, e devem ser obtidos através da dieta.

1.1.2. Ômega-3 e ômega-6 são ácidos graxos essenciais que devem ser consumidos.Os ácidos ômega-3 são encontrados nos peixes de água fria, sementes de linhaça, sementes de chia, óleo de canola, óleos de peixe, nozes e folhas verdes, como o espinafre e mostarda. Já os ácidos graxos ômega-6 são abundantes na natureza e podem ser encontrados no óleo de algodão, óleo de prímula, óleo de soja, óleo de açafrão e óleo de milho. Os fosfolipídios, podem ser formados de ácidos graxos ômega - 6 e 3, e são as biomoléculas fundamentais para a formação da bainha de mielina. E é neste sentido que o ácido graxo tem contribuição significativa, não só para a formação, mas também para a manutenção da qualidade da mielina.

2. FUNÇÃO

2.1. Os oligodendrócitos , são os formadores de mielina do SNC, que por si formam BAINHAS DE MIELINA ao redor dos axônios. Um axônio pode ser mielinizado por vários oligodendrócitos, e um oligodendrócito pode fornecer mielina para múltiplos neurônios. Na substância branca, eles são encontrados envolvendo os axônios de alguns neurônios, quanto maior o calibre do axônio, mais voltas do prolongamento são dadas.

2.1.1. Bainha de mielina

2.1.1.1. A bainha de mielina é um revestimento descontínuo do axônio, uma membrana rica em substância lipofílica, fosfolipídica e abundante em colesterol. Feita de mielina que é uma substância isolante, que envolve-se em torno dos axônios de vários neurônios. Sua função é permitir maior velocidade aos potenciais de ação por impedir a dissipação da energia elétrica, agindo como um isolante, e possibilitando uma condução muito mais acelerada do impulso nervoso. Os impulsos ocorrem aos saltos ao longo do axônio, através dos nódulos de Ranvier. A velocidade que o potencial de ação percorre o axônio está relacionada ao diâmetro da fibra nervosa e a sua mielinização. A Bainha de mielina desempenha papel crucial no sistema nervoso.

2.2. O tecido nervoso é responsável por diversas funções, entre elas controlar todos os estímulos e atividades dos corpos. Esse tecido é composto majoritariamente, por neurônios, que tem função a propagação dos impulsos nervosos, e as células da glia (ou neuroglia), ou seja, o tecido nervoso compreende basicamente dois tipos de células: os neurônios e as células glias

2.2.1. Descritas há 161 anos, em 1858, as células glia foram chamadas pelo patologista alemão Rudolf Virchow (1821-1902), como nervenkitt (cimento de nervo), traduzida como neuroglia. Nessa época, Virchow atribuiu a única função as células como suporte, ou cola, das células neuronais. Posteriormente, com o avanço dos estudos, descobriu-se que essas células tinham muito mais funções e atividades.

2.2.2. Neuroglia (células glias) pode ser classificada como dois grandes grupos distintos morfológico e funcionalmente de acordo com a origem embriológica: a microglia, responsável pela função de defesa imune do sistema nervoso central (SNC) e a macroglia, compreende síntese de mielina, revestimento e crescimento.

2.2.2.1. Micróglia: Essas são as menores células da glia, ficam dispersas no sistema nervoso central. Os prolongamentos do citoplasma são em forma de ondas e ramificados. Elas são capazes de fagocitar e também estão envolvidas na defesa do sistema nervoso central.

2.2.2.1.1. As células da macroglia, variam em forma e função e divididas em 3 tipos principais:

2.2.2.1.2. Astrócitos: Esses são células maiores, apresentam o núcleo em forma de esfera e no meio da célula, esse tipo de célula possui vários prolongamentos do citoplasma, uma espécie de “estrela”.

2.2.2.1.3. Oligodendrócitos: Os oligodendrócitos possuem o corpo menor que os astrócitos, e possuem bem poucos prolongamentos, quando existem são finos. Eles são responsáveis pela formação, e manutenção das bainhas de mielina dos axônios, no SNC (sistema nervoso central)

2.2.2.1.4. Células Ependimárias: Esse tipo de célula reveste a cavidade do encéfalo e da medula. Elas formam uma camada de células cúbicas, com microvilosidades e cílios, isso favorece a função que ela está associada, a de secreção, movimentação e absorção de líquido cefalorraquidiano, que é um líquido importante para o metabolismo do tecido nervoso, além de proteger de traumatismos externos.

3. HISTÓRIA

3.1. Em 1872, o anatomista italiano Camillo Golgi (1843-1926) aceitou o emprego em um hospital como cirurgião, mas, devido ao seu interesse pela pesquisa, montou um laboratório histológico em sua cozinha, onde trabalhava à noite. Ele fixou fragmentos de tecido nervoso em uma solução de bicromato de potássio por um longo período e depois os mergulhou em nitrato de prata. A prata impregnou algumas células, destacando-as contra um fundo claro. A sua reazione nera (reação negra) corava adequadamente as células do tecido nervoso, permitindo o seu estudo. Ele próprio descreveu uma célula glial do cerebelo, um astrócito modificado atualmente denominado célula do tipo radial de Bergmann.

3.1.1. O neuro-histologista espanhol Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), usando o método de Golgi e o método de ouro-cloreto mercúrico (ouro-sublimado), detalhou a citoarquitetura do tecido nervoso: os neurônios e os astrócitos. Pelo trabalho pioneiro no sistema nervoso, Golgi e Cajal dividiram o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1906.

3.1.1.1. Estudante de Cajal, Pio del Rio Hortega (1882-1945) conseguiu identificar microglia entre 1919 e 1921, colorindo as células com carbonato de prata. Seu método de coloração também levou à descoberta da oligodendroglia em 1921, com a qual ele e Penfield agora são creditados. No entanto, foi Rio Hortega quem nomeou as células.

3.1.1.1.1. Pío del Río Hortega nasceu em Portillo, Valladolid, em 5 de maio de 1882. Ele estudou localmente e se qualificou para praticar medicina em 1905. Ele obteve seu doutorado na Universidade de Madrid, pesquisando a patologia dos tumores cerebrais. Em 1913, ele foi financiado para estudar histologia de pesquisa na França e na Alemanha, mas a eclosão da guerra entre eles forçou-o a voltar para a Espanha.

3.1.1.1.2. Suas descobertas em 1920 criaram problemas com Ramón y Cajal, que liderou o laboratório, já que ele havia ganhado anteriormente o prêmio Nobel. Em 1931, del Río Hortega liderava o instituto de câncer da Espanha, mas ele deixou o país quando a guerra civil começou em 1936.

3.1.1.1.3. A guerra se espalhando pela Europa o encontrou em Paris no Hospital Pitié-Salpêtrière antes de ele ir para a Universidade de Oxford para trabalhar com o neurocirurgião britânico Hugh Cairns. O bombardeio da Grã-Bretanha pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial o levou para a Argentina. Sua fuga foi financiada pelo Instituto Cultural Espanhol, que continuou a apoiá-lo quando criou seu próprio laboratório em 1942. Rio Hortega morreu em Buenos Aires, em 1º de junho de 1945, vítima de uma neoplasia maligna.

4. PESQUISAS RECENTES

4.1. Em 2004, Prabakaran e colaboradores analisaram amostras de córtex frontal de pacientes com esquizofrenia e identificaram alterações em proteínas relacionadas à mielinização e a regulação das taxas de oxigênio sangue arterial em várias regiões cerebrais diferentes, como por exemplo a proteína básica da mielina (MBP) e a proteína proteolipídica da mielina (PLP1), descobriu-se que estas alterações são capazes de danificar os oligodendrócitos durante os estágios do neurodesenvolvimento e afetarem os neurotranmissores glutamatérgicos e GABAérgicos.

4.1.1. Em um estudo publicado em 2017 por neurologistas foi avaliado que células precursoras da glia como astrócitos e oligodendrócitos em pacientes com esquizofrenia apresentaram comprometimento da maturação glial in vitro e uma hipomielinização (diminuição da mielina); O estudo baseou-se na divisão de crianças com esquizofrenia(grupo amostral) e um grupo controle de crianças sem dustúrbios. A partir disso foi feita uma diferenciação celular in vitro das células torácicas dessas crianças .

4.1.2. E então após a coleta das células, elas foram enxertadas em cérebros de camundongos de duas raças (selvagem e shiverer), depois de algumas semanas foi verificado que os camundongos da raça selvagem apresentaram comportamentos relacionados à psicose. Como: Inibição do sobressalto acústico, labirinto elevado (aumento da ansiedade) e Anedonia (depressão), além disto também apresentaram uma hipomielinização celular, verificada através de exames de imagem.

5. RELAÇÕES COM A PSICOLOGIA

5.1. Esquizofrenia: Enquanto a medicação neuroléptica pode reduzir os sintomas e prevenir recaídas psicóticas. O apoio psicoterapêutico e o treinamento de estratégias de enfrentamento e manejo de situações da vida o ajudam a adaptar-se ao ambiente. Atualmente, é utilizada a abordagem cognitivo-comportamental para o tratamento individual dos sintomas psicóticos

5.1.1. Esclerose Múltipla: Para o tratamento são prescritos corticoides para amenizar os sintomas de uma crise aguda. Outros tipos de medicamentos podem ser administrados para controlar sintomas específicos como incontinência e depressão. A psicoterapia é um tratamento de extrema importância e pode auxiliar o portador e os familiares na adaptação á nova realidade.

5.1.2. Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um transtorno mental caracterizado por dois elementos: obsessões e compulsões. O tratamento psicoterapêutico tem um formato individual e também pode ser aplicado como um grupo. O principal objetivo da intervenção é reduzir os sintomas. E também aumentar a atividade funcional do paciente, estimulando-o a realizar atividades de seu interesse.