TEORIAS BIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS DO SUICÍDIO

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TEORIAS BIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS DO SUICÍDIO por Mind Map: TEORIAS BIOLÓGICAS E PSICOLÓGICAS DO SUICÍDIO

1. Propensão biológica ao suicídio

1.1. Genética e biologia molecular

1.1.1. O comportamento suicida é, em parte, hereditário. A estimativa da influência da hereditariedade na propensão para suicídio chega a 55%. A taxa de concordância para suicídio entre gêmeos monozigóticos é 17 vezes maior do que a observada entre gêmeos dizigóticos

1.1.2. Experiências traumáticas na infância alteram a arquitetura genética que aumenta de forma independente, a propensão tanto para a depressão quanto para o comportamento suicida.

1.1.3. A propensão biológica que contribui para determinar alguns suicídios não é específica. Ela encontra-se associada a outras manifestações do binômio agressividade/impulsividade e fomentada pela presença de transtornos mentais.

1.2. Função serotoninérgica

1.2.1. O ato suicida pode envolver agressividade e impulsividade. Essa observação, no passado, fortaleceu a suposição de um instinto de morte, que impulsione ou sujeitas a autoextermínio.

1.2.2. A partir de um estudo, uma concentração de um metabólito da serotonina, ou o ácido 5-hidroxi-indolacético (5-HIAA), encontrado em níveis inferiores do esperado no líquido cefalorraquidiano de indivíduos que tentaram ou suicídio. Esse foi associado a um provável desempenho deficiente do sistema serotoninérgico. Os mesmos níveis baixos de 5-HIAA repetidos em estudos subsequentes realizados em outros subgrupos de pessoas: suicidas, homicídios e índices com história de impulsividade / agressividade.

1.2.3. No diz respeito a impulsividade/agressividade e ao nível baixo de 5-HIAA, nos dias atuais essa relação mantém-se estável ao longo da vida adulta, e é herdada, sendo encontrada nos indivíduos que sofreram privação materna ou abuso físico na infância e observada tanto em casos de suicídio quanto em casos de tentativa de suicídio com alta letalidade que implicam em risco de suicídio cinco vezes maior

2. Aspectos psicológicos envolvidos no comportamento suicida.

2.1. Psicodinâmica

2.1.1. A escola psicodinâmica refere-se ao suicídio como fantasias inconscientes de imortalidade, vingança, busca por uma resposta desejada de parte da pessoa amada, reencontro após a morte com um objeto perdido, e expiação. O ato suicida pode vir em resposta ao abalo da invulnerabilidade narcísica, com intolerância à dor da perda ou da derrocada da onipotência. Pode haver, ainda, fantasias de controle onipotente

2.1.2. Menninger acredita que menos de três componentes podem ser diferenciados no comportamento suicida: o desejo de matar, o desejo de morrer e o desejo de morrer.

2.2. Simbiose e individuação

2.2.1. Na primeira fase do desenvolvimento do psiquismo, não se distingue como representação de criança e mãe - é uma fase simbólica, vinculada a uma ligação fusional e ambivalente com a mãe

2.2.2. Na segunda fase, o auto e o objeto (eu e o não eu) já são diferenciados - fase de individuação.

2.2.3. Nessa vertente de entendimento psicanalítico, o comportamento suicida é concebido como uma tentativa de passagem de uma fase simbólica para uma fase de seleção (individuação). Tal conflito leva ou individual a relacionamentos em que o parceiro é tratado como parte de si mesmo, e não como um objeto (objeto) distinto. Como as relações interpessoais são marcadas por esse símbolo simbólico, a partir do conceito freudiano de escolha narcísica do objeto

2.3. Ato-dor

2.3.1. Pacientes que sobreviveram a uma tentativa de suicídio quase letal, se comunicam usando uma espécie de alheamento, como se nada de muito importante ocorresse. Eles não conseguem explicar o que aconteceu, podem impossibilitar a aproximação de suas motivações mais profundas. Simplesmente não são palavras e transmitem uma anestesia emocional.

2.3.2. Em situações traumáticas, a capacidade de retenção da memória é substituída por uma condição em que o que se passa no psiquismo não é retido, há a ausência de memória. O traumático é experimentado no escuro representativo. Por isso, a dor não consegue ser processada em sentimentos e palavras.

2.4. Cognitivo comportamental

2.4.1. No entendimento da teoria comportamental, o suicídio é concebido como uma forma extrema de comportamento esquivo. A fim de evitar uma situação de dor significativa, uma pessoa é levada a tirar uma vida própria.

2.4.2. Quando comparadas a outras pessoas, as que tentam o suicídio tendem a apresentar estratégias de coping (enfrentamento de crises) mais pobres e inadequadas. São mais sensíveis a estímulos que sinalizam fracassos e rejeições, constroem distorções cognitivas no sentido de se sentirem frequentemente ­enganadas, sem escapatória, e não conseguem antecipar cenários positivos. Apresentam maior dificuldade na resolução de problemas pessoais e interpessoais, com rigidez cognitiva e pensamento dicotômico.

2.4.3. A tentativa de suicídio pode ser percebida como uma forma de comunicação relacionada com o poder (perder/ganhar) dentro da matriz familiar. Envolve a utilização do próprio corpo como meio de retomar o poder. Também pode ser concebida como metacomunicação, ao denunciar a distorção ou a ausência de comunicação na família.

2.4.4. O comportamento suicida está intrinsecamente relacionado à ativação de funcionamento da família. O que acontece em uma geração, muitas vezes, será repetido a seguir, ocorrendo uma transmissão de pautas familiares, com geração de mitos e prejuízos na vinculação