DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM JEAN PIAGET

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DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM JEAN PIAGET por Mind Map: DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM JEAN PIAGET

1. Formação: a curiosidade de Piaget acerca das origens da cognição humana está atrelada à observação de seus próprios filhos. Dado o nome de Epistemologia Genética, sua teoria está baseada na metodologia da observação, para entender o modo como somos capazes de conhecer.

2. Objeto de estudo: o foco de apreciação da teoria piagetiana está na forma como conhecemos, ou seja, é um estudo de como começamos a conhecer enquanto sujeitos epistêmicos.

3. Como concebe o desenvolvimento: Piaget considera em seu estudo o desenvolvimento intelectual, que considera dois lados, um aspecto cognitivo e outro afetivo do sujeito, outras características particulares são:

3.1. O desenvolvimento depende de várias variáveis, é vitalício, dependente do contexto ao qual o indivíduo está imerso, é multidirecional e flexível.

3.2. Se dá a partir da ação do sujeito sobre o mundo, ao construir a ideia do objeto e se reconstruir a partir desta.

3.3. Se constrói de maneira progressiva, de modo que cada estrutura de raciocínio equilibrada lança a base para novos desequilíbrios dentro de assimilações do sujeito.

3.4. Tem lógicas e formas de pensar particulares de cada estágio.

3.5. Tem um caráter fortemente construtivista.

4. Principais características

4.1. A inteligência existe na ação - sujeito ATIVO do conhecimento.

4.2. Os seres humanos têm prontidão para a aprendizagem.

4.3. As diferenças individuais são consideradas como características e componentes particulares dentro de um processo universal (base biologicista).

4.4. Consideração da maturação física como abertura às possibilidades de desenvolvimento.

4.5. Os espaços de estimulação das crianças são importantes para seu desenvolvimento.

5. Teoria da Equilibração: devido à sua base como biólogo, Piaget desenvolveu um conteúdo em relação a maneira como apreendemos conceitos de modo a conservar a ideia de um equilíbrio homeostático do organismo, de modo que o indivíduo busque sempre a permanência deste.

5.1. Equilíbrio: estado em que o indivíduo se encontra em conformação entre suas Estruturas de Raciocínio e as experiências a que ele age sobre.

5.2. Desequilíbrio: estado em que há um excesso de informação (perturbação exógena) geradora e busca a adaptação. Esquemas: representação mental de conceitos.

5.3. Assimilação: processo em que o indivíduo adere novas experiência a esquemas de representação já existentes.

5.4. Acomodação: processo em que o indivíduo altera esquemas preexistentes ou passa pela criação de novos esquemas para representar conceitos novos.

5.5. Adaptação: modo pelo qual o indivíduo molda e se adequa às situações ambientais dado às mudanças endógenas fruto de assimilações e acomodações ocasionadas por perturbações exógenas.

6. Estágios do Desenvolvimento Cognitivo: o desenvolvimento cognitivo faz referência a Estruturas de Raciocínio que o indivíduo desenvolve a medida em que o conhecimento dele, a partir de sua interação com o ambiente, acumula. Os estágio do desenvolvimento cognitivo podem ser divididos em 4 estágios:

6.1. Sensório-Motor (0-2 anos): o estágio sensório-motor se caracteriza pela resposta do indivíduo a estimulação com reflexos inatos no indivíduo, no qual será constituído as primeiras representações mentais, são a primeira forma de cognição e expressão, é dividido em 6 subestágios:

6.1.1. Subestágio I (0 - 1 mês): esse período corresponde apenas a comportamentos reflexos inatos do indivíduo.

6.1.2. Subestágio II (1 - 4 meses e meio): os comportamentos reflexos começam a entrar em desequilíbrio, fazendo emergir esquemas de ação e coordenação dos esquemas disponíveis. A ação é o que cria o mundo, tendo como característica as reações circulares primárias, voltadas ao próprio corpo, em que o comportamento é conservado pela repetição.

6.1.3. Subestágio III (4 meses e meio - 8/9 meses): começo do aparecimento das reações circulares secundárias, ou seja, voltadas aos objetos, no qual a ação sobre o objeto gera um efeito observável, trazendo uma primeira noção de causalidade, ainda que muito rudimentar.

6.1.4. Subestágio IV (8/9 meses - 11/12 meses): ainda dentro das reações circulares secundárias, a criança começa a utilizar-se de coordenação de esquemas secundários, além de uma imitação de respostas não pertencentes a ela. Começa a atribuir aos objetos e às pessoas uma atividade própria e a noção de tempo começa a se efetivar fora do sujeito.

6.1.5. Subestágio V (11/12 meses - 18 meses): começo das reações circulares terciárias na exploração de objetos com esquemas já aprendidos e novos, atrelados à novidade. Inicia o reconhecimento de que objetos podem causar fenômenos, tornando o objeto como foco, não sua ação em si, com presença ainda apenas da relação perceptiva direta. A relação com o tempo é estendida pela memória em um espaço que une objeto e sujeito.

6.1.6. Subestágio VI (18 meses- 24 meses): ocorre a transição entre a inteligência sensório-motora para a representativa, passando as descobertas ao nível de representações mentais. O objeto do mundo está constituído, capacidade rudimentar de procurar causas apenas com os efeitos, passando por uma reconstrução mental. A relação com o tempo se estende aos acontecimentos lembrados.

6.2. Pré-Operacional (2-7 anos): a criança é capaz de evocar imagens mentais, atribuindo características de suas relações particulares com o mundo ao objeto evocado por ela, trazendo uma inteligência representativa marcada pela função simbólica, muito caracterizada na linguagem. Outras características desse período são:

6.2.1. Entre 2 e 5 anos a criança adquire a linguagem e a forma não como conceitos, mas como representação de experiências evocadas pela criança, tornando claro um egocentrismo intelectual.

6.2.2. Entre 5 e 7 anos, dá-se lugar a um período “intuitivo”, que torna a criança mais capaz de generalizar, trazendo a capacidade de seriar e classificar eventos de modo mais amplo.

6.2.3. Pensamento simbólico: a capacidade de fantasiar da criança por meio de vários modos de expressão.

6.2.4. Animismo: a capacidade de atribuir “vida” a objetos inanimados.

6.2.5. Centralização: limitação em relação à Atenção Alternada, que faz com que a criança seja capaz de focar em um único alvo.

6.2.6. Egocentrismo: a criança evoca sua relação particular com o mundo, sendo incapaz de compreender as visões diferentes do mundo.

6.2.7. Foco na aparência: ainda considera apenas os eventos diretamente perceptíveis dos objetos.

6.2.8. Raciocínio estático: a incapacidade de entender a mudança, já que sua relação com o mundo é o que de fato é a realidade para ela.

6.2.9. Irreversibilidade: a criança é incapaz de entender o contrário de algo ou algo que não é.

6.3. Operatório Concreto (7 anos - 11/12 anos): a aquisição da reversibilidade lógica é uma das principais características desse período, auxilia na aquisição de invariantes cognitivas de natureza representativa. São estruturas cognitivas mais estáveis, sólidas e abertas quanto ao equilíbrio. A ideia de conservação é fortalecida. Capacidade de classificação (relações entre as classes e a inclusão de classes). Tem uma atividade interiorizada, regulada por certas regras lógicas.

6.3.1. A ideia de conservação é um das mais importantes características desse período, haja vista que, permite o permanência de certos atributos quantitativos, dando base às noções de tempo, espaço, ordem, velocidade e reversibilidade.

6.4. Operacional Formal (11 anos em diante): ocorre uma nova mudança na natureza dos esquemas, torna-se possível representação de representações em estruturas equilibradas, tendo acesso a um raciocínio hipotético-dedutivo, dando possibilidade de operar com operações, trazendo novos invariantes cognitivos. Diferentemente dos estágios anteriores que tem estruturas de natureza concretas, nesse estágio as operações se desligam progressivamente do plano da manipulação concreta. Traz-se a experiência lógico-matemática.

7. Aluno: Raimundo Rafael de Araújo e Lucena - 1921020009