A ARTE DE REDUZIR AS CABEÇAS

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A ARTE DE REDUZIR AS CABEÇAS por Mind Map: A ARTE DE REDUZIR AS CABEÇAS

1. o traço característico da chamada época “pós-moderna”, sociedade “antropofágica” que tudo consome, é a redução das mentes.

2. O capitalismo atual não se interessa mais só pelos bens e por sua capitalização, não se contenta mais com um controle social dos corpos, mas visa também, sob a aparência de liberdade, a uma profunda reestruturação das mentes.

3. Assim, assistiu-se à destruição do sujeito crítico, neurótico e ideológico, essa morte programada do sujeito concomitante à mutação do capitalismo em sua fase tardia denominada neoliberalismo,

4. Nessa nova sociedade, de economia neoliberal, o trabalho não é mais a base da produção do valor. O capital não é mais essencialmente constituído pela mais-valia (Mehrwert, em Marx) originada da superprodução apropriada no processo de exploração do proletário.

5. Como foi possível a liquidação do sujeito tão rapidamente na sociedade ultraliberal?

6. Trabalhando na interface lingüística, estética e psicanálise, extrai conseqüências da teoria dos discursos de Jacques Lacan, em particular do quinto discurso,

7. nomeado o discurso do capitalista, um discurso tão astucioso que anda muito bem, anda rápido demais, consome tudo e acabará por consumir a si próprio.

8. Este capitalismo tardio que vigora na sociedade contemporânea, subjugando tudo, consome tudo: os recursos, a natureza e até os indivíduos que lhe servem, pois são reduzidos ao estado de produtos de consumo.

9. Para efetivar essa redução de espíritos e instalar-se um novo sujeito, um sujeito “pós-moderno”, o capitalismo operou a destruição do duplo sujeito que teve origem na modernidade,

10. o sujeito crítico (kantiano) e o sujeito neurótico (freudiano) – a que se deve acrescentar também a do sujeito marxiano.

11. O processo de quebra simultânea do sujeito moderno, o sujeito crítico kantiano, que surgiu nos anos 1800, e o sujeito neurótico de Freud, nascido nos anos 1900 , sujeitos instalados em uma posição transcendental e referência para pensar

12. nosso ser-no-mundo, tornam-se agora fluidos assim como o sujeito marxiano, sujeito da ideologia que situava uma referência ideal.

13. Dufour aponta que essa mutação foi possível pela dessimbolização do mundo. O mundo como alteridade radical se opõe ao sujeito, se o mundo como alteridade – o Outro social, se altera, o sujeito também se transforma, pois ele não é causa de si, mas se enlaça e se constitui a partir do Outro.

14. NEOLIBERALISMO: ocupado em desfazer todas as formas de trocas que prevaleciam e substituindo-as por um referencial que as avalize o absoluto ou metassocial das trocas, em síntese: na atualidade, a troca mercadológica tende a dessimbolizar o mundo.

14.1. O capital aposta cada vez mais nas

14.2. atividades de alto valor agregado (pesquisa, engenharia genética, Internet, informação, mídia…), que dispensam em grande parte o trabalho assalariado, e

14.3. centra-se numa economia virtual que consiste, essencialmente, em criar muito

14.4. dinheiro com quase nada, vendendo muito caro o que ainda não existe,correndo o risco de criar

14.5. impérios de papel prontos a desabar de modo brutal.

15. Dufour indica que o ser humano vive constantemente sob duas formas de domínio: a dominação política ou social tal como definida por Marx (o conjunto de meios pelo qual um grupo exerce poder sobre outros e pelo qual ele dissimula seus próprios interesses a fim de manter a dominação) e a dominação simbólica ou semiótica.

15.1. O sujeito moderno que, para viver na cultura, tinha muitas vezes que renunciar ao desejo, foi substituído por subjetividades, o que pode ser considerado mais libertário e menos controlável pelas ainda existentes instituições de poder.

16. O Outro da pós-modernidade – o Mercado – se utiliza de práticas, verdadeiras práticas de socialização que mantêm uma verdadeira servidão voluntária através do fetichismo da mercadoria presente nas presentes práticas discursivas que norteiam a relação entre os socius

17. Dufour sublinha que o Homo sapiens está sendo transformado pela indústria cultural em Homo zapiens, referindo-se ao hábito de “zapear” a TV com o uso do controle remoto, no qual tanto as crianças como os adultos permanecem longas horas do dia, e está transformando a humanidade num bando de carneiros, cuja única capacidade é consumir.

18. Por essa lógica, ser cidadão é ser consumidor e ser sujeito é ser feliz, isto é: poder ter tudo que sua vontade aspira, num equívoco que a satisfação da demanda equivale a do desejo.

19. O autor baliza suas conclusões retomando a tese do mal-estar na civilização de Freud, postulando que na sociedade atual há um só mal-estar na civilização: o discurso capitalista, porque essa nova modalidade de gozo apresentada aos sujeitos na sociedade contemporânea rejeita a castração e a eleição forçada do sujeito do inconsciente, constituindo uma subjetividade absoluta, que se impõe como vontade no mundo, sem que nada que a limite, nem nada que a divida em sua verdade.