E-Learning no ensino secundário

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E-Learning no ensino secundário por Mind Map: E-Learning no ensino secundário

1. Criar um ambiente virtual de aprendizagem, mesmo que este funcione apenas como complemento ao ambiente presencial é uma tarefa que requer uma reflexão profunda sobre o trabalho a desenvolver: é necessário competências que se situam não só ao nível pedagógico, mas também técnico.

2. Ponto de Partida e Evolução

2.1. A utilização de ferramentas e estratégias de ensino ao nível de e-learning, têm aumentado significativamente ao longo dos anos, acompanhando não só a evolução tecnológica que vem permitindo o uso de ferramentas diferentes e cada vez mais aprimoradas para este propósito, mas também a evolução e mudança das necessidades demonstradas pelos alunos em termos de graus motivacionais e principalmente no processo de ensino-aprendizagem.

2.2. É certo que o uso de ferramentas e-learning no ensino secundário ainda não está completamente solidificado, ou pelo menos, não tanto como no ensino superior. No entanto, cada vez mais se verificam momentos e situações que fazem constantemente repensar o potencial uso destas ferramentas, como por exemplo a atual pandemia da Covid-19 que obrigou muitas escolas, professores e alunos a reinventarem completamente o processo ensino-aprendizagem e as metodologias associadas ao mesmo.

2.2.1. Vários estudos que remontam à volta do ano de 2007 demonstram o receio e a reticência dos professores ao uso da tecnologia, por ser algo novo e algo que não lhes é muito intuitivo, ao contrário dos alunos que se motivam ainda mais, uma vez que para eles já é algo natural.

2.2.1.1. Um desses estudos que investiga o uso de ferramentas e-learning no ensino secundário recorrente, refere mesmo que " Verificamos que os alunos já têm um certo espírito cibernauta o que proporcionou um maior poder de manipulação/utilização do ambiente de aprendizagem." Maria Mesquita, 2007

2.2.1.1.1. Em 2009 já se verificava um pequeno salto. Ao estudar e implementar b-learning a uma turma de 10º ano, João Lopes concluiu que a utilização de um sistema de b-Learning se revelou uma aposta claramente positiva, visto que ficou empiricamente demonstrado que a utilização da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem trouxe o aumento da motivação dos formandos e do professor, personalização do ritmo de trabalho, aumento do trabalho colaborativo e o incremento da comunicação assíncrona).

2.2.1.2. Assim percebe-se que nessa altura os professores não poderiam passar apenas por uma alteração à sua perspetiva em relação à tecnologia, mas sim também por uma alteração ao método de trabalho e à dinâmica de ensino para permitir o encaixe na mesma do uso de ferramentas tecnológicas para o contexto de b-learning. (Valdemar Dias, 2007)

2.2.1.2.1. Isto leva-nos a outro artigo que apontava imensas falhas nessa altura, aquando a tentativa de implementação de e-learning neste contexto:

2.2.1.2.2. Falhas a nível do produto (Design e infraestrutura tecnológica); aluno (falta de motivação, de tempo ou literacia tecnológica) e organizacional (falta de suporte e de sistema de recompensas). (Vítor Gonçalves, 2007)

2.2.1.2.3. Assim, começa a perceber-se aos poucos as vantagens do uso de ferramentas e-learning e ao mesmo tempo, que teria de ser encarado de forma diferente, alterando metodologias e a forma de ver o ensino.

2.2.1.3. Ou seja, relativamente aos alunos, tal como demonstrado noutro estudo mencionado acima, estes demonstram respostas e perspetivas mais positivas e de acordo com o uso de ferramentas tecnológicas, não só ao nível do uso da ferramenta em si (devido ao seu maior conforto em relação aos professores) mas também relativamente à metodologia de ensino e à sua relação com o professor. (Valdemar Dias, 2007)

2.2.1.3.1. Este estudo realizado por Valdemar Dias (2007), é talvez o que mais nos demonstra a perspetiva de partida para se vincar o uso do e-learning no ensino secundário, sendo que o seu intuito era essencialmente discutir e explorar possíveis respostas às exigências que eram encontradas na sociedade, "com o intuito de aumentar a eficácia pedagógica no processo ensino-aprendizagem", explica o autor.

3. O impacto na aprendizagem

3.1. O E-learning demonstra ter diversos impactos na aprendizagem, entre eles: • Processo de aprendizagem mais apelativo e aliciante e motivante; • Aprendizagem mais autónoma; • Aprendizagem torna-se mais fácil e conteúdos mais acessíveis; • Aprendizagem mais flexível; • Aprendizagem fortemente personalizada, ou seja, de acordo com as necessidades e interesses do aluno.

3.1.1. Com base nos artigos analisados é possível verificar que de uma maneira geral os impactos do e-learning na aprendizagem são positivos apresentando de forma clara melhoramentos no aproveitamento escolar por parte do aluno.

4. O papel do aluno e do professor

4.1. O professor:

4.1.1. O professor é considerado um tutor, pela pela função de orientação de um percurso de aprendizagem e é também um moderador, pois deverá levar a discussão e o trabalho ao fim pretendido. A inexistência de contacto presencial não é impedimento para o estabelecimento de uma relação e para o desenvolvimento de comunicação.

4.1.2. O professor assume diferentes papéis, começando por ser um designer do ambiente virtual e gestor para assumir o papel de moderador e orientador de aprendizagens.

4.1.2.1. Cabe-lhe estabelecer objetivos precisos e conceber o curso de tal forma que seja possível aos alunos atingir as metas propostas.

4.1.2.2. Precisa de conhecer bem a plataforma usada e todas as ferramentas disponibilizadas por esta, de maneira a criar as unidades de aprendizagem e atividades vantajosas ao desenvolvimento de um bom ambiente de aprendizagem e à aquisição de conhecimentos.

4.1.3. Através dos relatórios e estudos lidos concluímos que os professores não se sentem seguros com este tipo de método de ensino, uma vez que não têm formação suficiente para tal, apesar de acharem que os alunos estão mais atentos e motivados quando as aulas têm a componente tecnológica.

4.2. O aluno:

4.2.1. Apesar de cada professor necessitar de adotar uma postura mais flexível e desenvolver novas competências, também o aluno terá de alterar o seu papel radicalmente.

4.2.1.1. O uso de tecnologia não será de todo um fator de preocupação, mas atingir o sucesso num ambiente virtual depende muito do nível de motivação e de organização. Há novas normas a aprender como é o caso da netiqueta de uma plataforma, ou mesmo o modo de escrita num fórum em contexto educativo.

4.2.1.2. Palloff e Pratt (2003) referem que as características de um aluno virtual podem ser categorizadas em sete grandes áreas:

4.2.1.2.1. Acesso à informação através de computador pessoal, ligação à Internet e competências para lidar com o software;

4.2.1.2.2. Abertura face à necessidade de partilhar detalhes pessoais sobre a sua vida, trabalho e experiências educacionais;

4.2.1.2.3. Competências comunicativas que lhe permitam interagir mesmo sem ter contacto visual com o interlocutor, sendo capaz de lidar com questões emocionais em forma textual e de criar uma presença online através da personificação da comunicação;

4.2.1.2.4. Desenvolvimento no curso dedicando-lhe o tempo necessário ao desenvolvimento do trabalho e à consecução dos objetivos;

4.2.1.2.5. Colaboração com outros membros da comunidade, quer na prossecução dos objetivos quer na construção de um todo coerente através da partilha de opiniões e saberes;

4.2.1.2.6. Reflexão sobre todo o processo de ensino e aprendizagem que possa funcionar como uma avaliação formativa sobre o seu desempenho e sobre a forma como o curso está estruturado, permitindo futuros ajustes e melhoramentos

4.2.1.2.7. Flexibilidade e adaptabilidade perante novas formas de aprendizagem e adoção do conceito de lifelong learner.

4.2.2. Estes têm um à vontade maior com as tecnologias o que é uma grande vantagem para a aprendizagem dos vários módulos lecionados. Apesar disso, é importante uma grande organização e controlo para continuarem motivados e atentos à aula, mesmo que não conheçam o professor pessoalmente.

5. Ferramentas mais usadas

5.1. A partir do estudo realizado por Faustino (2010), podemos confirmar que o Moodle já em 2010 era a ferramenta de LMS (Learning Management System) mais usada no Ensino Secundário Português, complementando o ensino presencial. O autor refere uma utilização de 98% pelas escolas, embora reconheça também que nem todas as disciplinas estejam preparadas para a implementação de ferramentas LMS.

5.1.1. No website stats.moodle.org é possível observar que Portugal conta com 1.815 instâncias do Moodle registadas (. Embora não sendo possível filtrar os resultados por sistema de ensino, nota-se efetivamente um crescimento positivo desta plataforma.

5.1.1.1. Nas restantes instituições de ensino secundário onde não tenha sido implementado qualquer sistema LMS, os estudos de caso exploraram as diversas ferramentas TIC (Tecnologias da informação e comunicação) disponíveis, tal como o uso das redes sociais para bate-papo, Youtube para publicação de vídeos, ou uso de ferramentas de edição de texto (Manuela, 2012), ou até mesmo o uso de podcasts como alternativa aos apontamentos e retenção de matéria (Moura, 2009).

5.1.1.1.1. Através dos estudos de caso e artigos analisados, podemos confirmar que a ferramenta Moodle é ferramenta de e-learning mais usada nas escolas secundárias que foram alvo de estudo.

5.2. Tejedor et al. (2012) partilha da mesma opinião, obtendo 87,9% de respostas num inquérito realizado a 339 docentes de escolas secundárias do Norte de Portugal, os quais referem o Moodle como ferramenta LMS disponível na escola onde lecionam.

6. O uso de ferramentas e-learning no ensino secundário

6.1. O uso de ferramentas e-learning no ensino secundário é algo pouco comum devido às condições oferecidas pelas próprias escolas secundárias aos seus alunos.

6.1.1. Uma das causas mais verificadas ao longo deste trabalho foram as fracas possibilidades das escolas secundárias em implementarem ferramentas e-learning na sua atividade letiva, as escolas com poder económico mais reduzido chegam a ter um número insuficiente de equipamentos informáticos para todos os alunos e por vezes fracas ligações à internet na própria escola.

6.1.2. Adicionalmente existe por parte das escolas secundárias uma pobre estratégia de integração e desenvolvimento das ferramentas e-learning no contexto letivo o que torna a sua implementação no ensino secundário bastante limitada.

6.1.3. É também de salientar que muitos dos professores do ensino secundário consideram não ter acesso à formação necessária para implementar de forma mais eficaz estas ferramentas nas suas aulas acabando os mesmos por se manterem por um estilo de ensino mais "tradicional".

6.1.3.1. Após a analise de diversos artigos e trabalhos de investigação foi então possível verificar que as escolas secundárias revelam bastantes dificuldades tanto na implementação das ferramentas e-learning no ensino secundário como na utilização das mesmas nas suas atividades letivas.

6.1.4. A exceção a esta generalidade ocorre no ensino secundário recorrente onde os alunos recorrem mais frequentemente às ferramentas e-learning e onde estas estão melhor integradas de forma a poder oferecer a estes alunos uma melhor oportunidade de acompanharem os conteúdos lecionados.

7. Vantagens do uso de ferramentas e-learning no ensino secundário

7.1. É da opinião comum de todos os autores que realizaram estudos de caso em escolas do ensino secundário, que as ferramentas de e-learning trazem vantagens tanto a docentes como a alunos, sendo sempre ferramentas que podem ser complementadas ao ensino presencial.

7.1.1. No estudo de caso de Elias (2009), numa escola secundária de ensino recorrente, a investigadora observou a facilidade com que os alunos se familiarizaram com as ferramentas tic e ferramentas de e-learning, sendo que os alunos apontaram a facilidade na retenção de matéria, entrega de trabalhos, recolha de informação e até interação entre colegas de turma e professores.

7.1.1.1. Reis (2011) também identifica múltiplas vantagens das ferramentas de e-learning na sua investigação, referindo a dinamização do trabalho em equipa, troca de informação, e partilha / colaboração de documentos entre professores. Acrescenta também que a possibilidade de usar ferramentas de e-learning em metodologia de b-learning permite a adoção de práticas de ensino centradas na aprendizagem do aluno, permitindo ao mesmo ter uma melhor qualidade de aprendizagem e desenvolver competências de aprendizagem.

7.1.1.1.1. Tanto alunos como docentes esforçam-se para aprenderem a dar uso às ferramentas de e-learning, embora os docentes sintam necessidade de maior formação na área das LMS no sentido de poderem interagir melhor com as ferramentas.

7.1.2. Já Tejedor et al. (2012) reconhecem as diversas vantagens da implementação de ferramentas de e-learning do ponto de vista dos docentes e no seu complemento à formação presencial, embora destacando a falta de formação nas ferramentas de e-learning e tic como limitação ao desenvolvimento nesta área. O complemento das ferramentas de e-learning ao ensino presencial também é partilhado por Moura (2009), referindo que os podcasts não substituem um professor, e que o seu uso deve ser exclusivamente como um complemento enriquecedor ao ensino presencial.

7.1.3. No estudo da ferramenta Moodle desde 2006 a 2014 podemos encontrar uma comparação entre o Moodle e o Edmondo. Neto (2017) através das entrevistas ao corpo docente, refere que o Edmondo era mais fácil de usar comparativamente ao Moodle, o que tornou a implementação difícil e interesse de aprendizagem pelos docentes não foi a mais efetiva, uma vez que não havia soluções de formação existentes durante esse período. Embora o Moodle tivesse melhorado com cada atualização, tornando-se eventualmente mais fácil de usar que o Moodle, devido à falta de soluções de formação e de uma gestão pouco eficiente do horário de aulas, não foi possível a grande parte dos docentes poderem inteirar-se do Moodle.

7.1.4. Dias (2008), no seu estudo de caso reconhece que o uso das ferramentas de e-learning no ensino, poderá potenciar mais e melhor informação e conhecimentos pedagógicos para a realidade dos alunos e dos professores, reconhecendo também a naturalidade com que os alunos usam as ferramentas e na motivação cada vez maior dos mesmos em aprender a usar este tipo de tecnologias. O autor também destaca a reticência dos professores no uso da ferramenta Moodle devido a ser uma nova tecnologia e algo que não lhes é natural, sugerindo a que os professores tenham a proatividade em querer saber mais acerca das ferramentas LMS.