"O MÉTODO DE TRABALHO DO SOM DIRETO: MANUAL PARA CAPTAÇÃO DE SOM DIRETO EM PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS"

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"O MÉTODO DE TRABALHO DO SOM DIRETO: MANUAL PARA CAPTAÇÃO DE SOM DIRETO EM PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS" por Mind Map: "O MÉTODO DE TRABALHO DO SOM DIRETO: MANUAL PARA CAPTAÇÃO DE SOM DIRETO EM PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS"

1. Configuração Técnica e Constituição da Equipe

1.1. Captação de imagem com Câmeras cinematográficas

1.1.1. Double System.

1.1.1.1. Som e imagem gravados em suportes independentes.

1.1.1.2. Possibilita a independência em relação a câmera.

1.1.1.3. Equipamentos presos ao corpo do técnico de som. Alta portabilidade.

1.1.1.3.1. Podem ser estruturados num arranjo compacto, com os aparelhos presos ao corpo do técnico de som direto, buscando o máximo de portabilidade.

1.1.1.4. Equipamentos instalados em plataforma fixa ou em um carrinho de som. Baixa portabilidade.

1.1.1.5. EXEMPLO:

1.1.1.5.1. Na realização de longas-metragens ficcionais é empregada a configuração double system com os equipamentos de som, com menor portabilidade .

1.1.2. Obrigatoriamente o registro de som deve ser realizado com um gravador independente, ou seja em outro suporte.

1.2. Captação de imagem em Vídeo digital

1.2.1. Single System

1.2.1.1. Microfones conectados diretamente à câmera de vídeo.

1.2.1.2. Som e imagem gravados no mesmo suporte.

1.2.1.3. Microfones conectados a um mixer portátil que se conecta à câmera de video.

1.2.1.4. EXEMPLO:

1.2.1.4.1. A realização de matérias jornalísticas para a televisão tem como premissa a configuração single system em função da maior rapidez no processo de finalização.

1.2.2. opção entre registrar a imagem e o som no mesmo suporte.

2. Som Direto

2.1. É o som captado e registrado em sincronia com as imagens em uma realização audiovisual.

2.2. Profissional do Som Direto

2.2.1. Na equipe especialista sonora, o técnico de som direto tem a responsabilidade de determinar os procedimentos que objetivam o alcance de registros sonoros com características técnicas e estéticas que permitam complementar a trilha sonora finalizada.

2.2.2. A configuração dos equipamentos e as atividades desenvolvidas pelo técnico de som direto devem ser entendidas como rotinas de um método de trabalho que tem em vista se adequar as condições orçamentárias e a proposta estética da obra.

2.2.3. O trabalho do técnico de som direto pressupõe opções de estratégia, iniciativa, invenção e arte que se somam a uma base comum.

3. Método de trabalho

3.1. Pré- produção

3.1.1. Leitura com olhar técnico

3.1.1.1. O profissional, no caso do áudio, define suas necessidades da quantidade de microfones e seus tipos, de acordo com a análise do roteiro. Como por exemplo:

3.1.1.1.1. Cenas com som direto

3.1.1.1.2. Diálogos em ambientes

3.1.1.1.3. Mais complexas como musicais ou coreografias

3.1.1.1.4. Situações mais específicas como o áudio no interior de um carro

3.1.2. Elaboração de estratégias

3.1.2.1. Perceber como aspectos externos podem influenciar na captação do áudio (ou vice e versa) e redirecciona-los em benefício dos dois. Aspectos externos da própria produção como:

3.1.2.1.1. Na fotografia

3.1.2.1.2. Na arte e cenografia

3.1.2.1.3. No figurino

3.1.2.1.4. Na produção do set

3.1.3. Evitar obstáculos

3.1.3.1. O técnico do som direto pode criar melhores condições (aumentar o isolamento sonoro e diminuir a reverberação do espaço) para essa captação através de:

3.1.3.1.1. vidros atirruídos

3.1.3.1.2. Fechamento de vãos para o meio externo

3.1.3.1.3. Manutenção de portas e janelas

3.1.3.1.4. Borrachas para vedar as frestas de ar que possam causar sons fora da gravação

3.1.3.1.5. Construção de grids para a sustentação de mantas acusticamente asorventes

3.1.4. Análise da locação

3.1.4.1. Avalia as condições acústicas do local antes das gravações. Sendo elas:

3.1.4.1.1. O nível de ruído amiente

3.1.4.1.2. E o grau de reverberação

3.1.4.2. Caso não seja o local mais adequado o técnico de som direto deve se opor ao local escolhido, até por ser um desrespeito a sua profissão.

3.2. Filmagem

3.2.1. É aqui onde serão postas em prática as estratégias criadas na fase de pré-produção. Ou seja, não tendo uma boa estratégia criada na pré-produção, põe em risco a filmagem.

3.2.2. Com uma equipe composta por:

3.2.2.1. Técnico de som

3.2.2.1.1. Sua função já começa antes das gravações orientando seus integrantes para a execução do trabalho.

3.2.2.2. Microfonistas

3.2.2.2.1. auxilia o técnico na implementação da estratégia de captação,é ele também que garante o uso do direccional suspenso pelo boom.

3.2.2.3. Assistente

3.2.2.3.1. Monta, desmonta e organiza os equipamentos do set.

3.3. Controle do som direto

3.3.1. Perspectiva do som

3.3.1.1. Segundo Tomlinson Holman, “nenhum sistema é capaz de ‘capturar’ o som de fontes sonoras reais em sua total complexidade espacial”

3.3.1.1.1. Por isso o técnico tenta achar o melhor modo de captação do áudio

3.3.2. Modos usados para captação de áudio

3.3.2.1. Microfone direcional sustentado pelo boom por cima da cabeça dos atores ou abaixo da cabeça dos atores

3.3.2.1.1. Mais preferível, por soar mais natural nas falas dos atores.

3.3.2.2. Microfone direcional fixo

3.3.2.2.1. que fica"plantado" em uma área das gravações

3.3.2.3. Microfone de lapela

3.3.2.3.1. bem conhecido aos leigos de captação, preso ao corpo dos atores

3.4. Relações no set

4. Apresentação

4.1. critérios sonoros que são necessários:

4.1.1. Registro de voz claramente inteligível;

4.1.2. Ocupação de um plano sonoro compatível com a imagem correspondente ou que seja adaptável na pós-produção para alcançar a verossimilhança;

4.1.3. Em casos que houver uma sequência, ter a continuidade de timbre e adequação com o espaço fílmico representado é de suma importância;

4.1.4. Fornecimento dos elementos necessários para a edição de som, incluindo também os ambientes próprios das locações, os planos sonoros de cobertura e os ruídos de características especiais, difíceis de serem recriados na pós-produção.

5. A rotina de trabalho do som direto no set

5.1. Montagem, checagem e configuração dos equipamentos

5.1.1. É o início de tudo, chegando no trabalho o técnico tem que testar aparelho por aparelho para que a qualidade seja garantida

5.1.1.1. Ao testar é aproveitado para escutar algum ruído eletrico

5.1.2. Organiza as entradas dos mics, tomadas se for preciso

5.1.3. configura os dispositivos de contagem de tempo e envia o sinal de time code para a câmera

5.2. Posicionamento do equipamento

5.2.1. Encontrar local estratégico para que o microfonista e todos da equipe trabalhem de forma prática e segura

5.3. Avaliação das condições acústicas do set

5.3.1. Localiza as fontes sonoras indesejáveis

5.3.1.1. objetos de cena ruidosos (geladeiras, computadores, mesas e cadeiras)

5.3.2. Checa-se

5.3.2.1. refletores ou reatores elétricos utilizados na iluminação da cena

5.3.2.2. sistema de ar condicionado

5.3.2.3. o posicionamento do gerador de energia elétrica

5.4. Controlar ruído da equipe

5.4.1. Mesmo a equipe sabendo que precisa ter silêncio nas cenas, é necessário até silêncio em suas movimentações para não causar ruídos

5.5. Controle dos ruídos pelos atuantes

5.5.1. Sempre com a finalidade de um áudio de excelência, os movimentos e certas falas precisam ser monitoradas pelo técnico de som

5.5.1.1. Como ele pode "monitorar" os movimentos?

5.5.1.1.1. Uma batida de porta, por exemplo pode sair mais suave se colocado algo para amenizar.

5.5.1.1.2. a ação não irá ser retirada da cena por motivos de grande ruído, somente amenizada.

5.6. Definição da estratégia de captação

5.6.1. Depende de:

5.6.1.1. Condições acústicas do set

5.6.1.2. miise-en-scene

5.6.1.3. Enquadramento

5.6.2. Microfonista e técnico de som definem como será feita a implementação do microfone direcional (boom)

5.6.2.1. Eles definem:

5.6.2.1.1. Melhor posicionamento

5.6.2.1.2. Movimentação e angulação

5.6.2.1.3. Cobertura e deslocamento

5.6.2.2. Se for necessário reposicionamento das peças do cenário, devem negociar com direção de arte e direção de fotografia.

5.7. Colocação de microfones de lapela

5.7.1. Se necessários, o técnico de som deve comunicar a assistência de direção

5.7.1.1. A assistência irá determinar quando serão instalados no ator

5.7.1.2. O técnico deve informar a necessidade e pedir colaboração

5.7.1.2.1. POR QUE?

5.7.1.3. A instalação deve ser feita com cuidado, e o transmissor afixados firmemente e colocados com muito respeito.

5.7.1.3.1. Deve-se evitar sempre que fique coberto por tecidos pesados e tenha atrito com roupa.

5.8. Realização de ensaios

5.8.1. Técnico de som realiza ensaios antes da tomada da cena para avaliar se a estratégia de captação é adequada.

5.8.1.1. Por que é tão importante fazer antes?

5.8.1.1.1. A condição de silêncio do set é parecida com a da cena. Isso possibilita ao técnico uma avaliação em que ele observará se há alguma fonte sonora indesejada.

5.8.1.1.2. É o momento que o microfonista irá conhecer:

5.9. Checagem do nível de ruído do ambiente

5.9.1. O técnico de som antes de iniciar a gravação irá analisar durante alguns segundos o nível de ruído do ambiente e se pode de fato iniciar gravação.

5.10. Captação monofônica dos diálogos

5.10.1. Captação de diálogos é monofônica

5.10.1.1. Não há interesse na criação de uma representação de localização da posição da fonte sonora no espaço, pois isso é feito na pós-produção.

5.11. Relato dos problemas de captação

5.11.1. Se há problema:

5.11.1.1. Direção é informada

5.11.1.2. é anotado no relatório

5.11.1.3. Técnico de som explicará causas e trará soluções.

5.12. Captação de "coberturas de diálogos"

5.12.1. Se algum trecho de diálogo for comprometido o técnico de som irá indicar necessidade da cobertura.

5.12.1.1. A cobertura de diálogos será feita na edição, substituindo pelos trechos com problema.

5.13. Captação de ruído de fundo

5.13.1. Gravação do ruído de fundo (room tones) para edição de diálogos

5.13.2. serve de matéria prima para construção de paisagens sonoras que acompanham diálogo

5.14. Captação de ruídos particulares

5.14.1. Gravação de ruídos de objetos ou máquinas na cena que possam ter interesse narrativo/dramático.

5.14.1.1. Proporciona à edição de som:

5.14.1.1.1. timbre genuíno e espacialidade coerente com vozes captadas

5.14.1.1.2. matéria-prima para montagem de som e imagem

5.14.1.1.3. traz pertencimento do local gravado

5.14.1.1.4. traz economia na hora da edição

5.15. Confecção de relatório de som

5.15.1. Durante tomadas de cena o técnico de som registra em boletins impressos:

5.15.1.1. Informações sobre o processo de captação que orientarão equipe de montagem e edição.

5.15.1.2. Mas o que são esses "boletins de som"?

5.15.1.2.1. são mapas de gravação que trazem as principais informações sobre som captado.

6. A monitoração do som direto

6.1. Técnico irá avaliar por equipamentos (principalmente fone de ouvido) se há qualidade do registro sonoro.

6.1.1. O fone de ouvido deve oferecer:

6.1.1.1. uma resposta plana ao longo do espectro de frequências da audição humana

6.1.1.2. forte isolamento acústico do mundo circundante

6.1.2. O registro sonoro deve ter fidelidade ao fenômeno acústico que representa + inteligibilidade da voz + grau de estabilidade.

6.1.2.1. Ele é checado durante a tomada da cena.

6.1.2.2. Se houver problemas, devem ser explicitados e o técnico deve dar alternativas para resolvê-los.

7. As relações no set

7.1. Para que haja um ótimo registro de som, é necessário estabelecer relações de trabalho que conquistem o apoio da equipe técnica.

7.2. O técnico de som precisa desenvolver estratégias que não comprometam a captação de som nem a fotografia e direção de arte.

7.2.1. Ele deve sempre anteceder situações problemáticas e resolve-las antes do set estar pronto para filmar.

7.3. O som direto é influenciado e depende de todas as outras áreas para sua efetivação. A atividade de realização cinematográfica é uma ação coletiva!

8. A OPÇÃO PELO SOM DIRETO

8.1. O som direto, por mais que deixe o set mais complexo e demorado, tem inúmeras vantagens estéticas e orçamentárias.

8.2. Para que seja alcançada a qualidade do registro, é necessário condições apropriadas.

8.3. Nunca deve-se esquecer que é uma atividade coletiva e que o técnico de som não é um obstáculo para o cronograma.

8.4. A sobreposição das falas

8.4.1. Se durante tomadas dos planos individuais (com diálogo em campo e contracampo) houver sobreposição de fala será um PROBLEMA.

8.4.1.1. Por que?

8.4.1.1.1. Isso irá restringir os pontos de corte para a montagem da sequência. Essa é a preocupação do técnico de som.

8.4.1.2. O que fazer para que não ocorra?

8.4.1.2.1. Durante a tomada de cena, o ator que está de costas para a camera movimenta a boca sem emitir som, e o que está enquadrado emite fala.

8.4.1.2.2. A sobreposição será forjada durante a montagem: eles irão inserir trechos do áudio do enquadramento frontal no plano de imagem que o ator está de costas.

8.4.1.3. Caso a direção opte pelo acavalamento das vozes, o técnico deve cuidar que as falas sejam captadas com a mesma presença.

8.5. Figuração silenciosa

8.5.1. Figuração simula conversas convincentes de forma SILENCIOSA.

8.5.1.1. Na tomada da cena o técnico de som grava o diálogo "limpo", obtendo relação adequada entre sinal direto e ruído de fundo.

8.5.1.2. Na montagem, os ruídos de conversa serão adicionados.

8.5.2. Os atores devem falar como se realmente estivessem em um ambiente barulhento.

8.5.3. Alguns diretores não acham a figuração silenciosa convincente e optam por não faze-la (o que pode comprometer a qualidade do som direto).

8.6. Ações potencialmente ruidosas

8.6.1. O que seriam essas ações?

8.6.1.1. Cenas de cotidiano doméstico que personagens estão preparando comida por exemplo. Essas cenas tem muito ruído e são muito barulhentas.

8.6.2. Se houver cenas potencialmente ruidosas, deve ter PLANEJAMENTO das áreas técnicas para que possam SOLUCIONAR.

8.6.3. Soluções possíveis:

8.6.3.1. Decupagem adequada.

8.6.3.2. Atenção dos atores na escolha dos objetos na hora que vão falar.

8.6.3.3. Atenção dos atores em suas ações na hora de falar.

9. O ESPAÇO DE TRABALHO DO SOM DIRETO

9.1. Há dependência entre o som direto e as demais áreas técnicas.

9.2. Somente trabalho em conjunto irá possibilitar a solução de problemas.

9.3. O conflito original da captação de som direto é insuperável.

9.3.1. Por isso a direção deve:

9.3.1.1. Escolher locações silenciosas

9.3.1.2. Fazer decupagem adequada para que haja inteligibilidade da palavra falada.