- Capítulo IV - O padrão marxiano

Ivo Tonet. Método científico: uma abordagem ontológica. Capítulo IV

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1. Perspectiva ontológica marxiana: cisão entre filosofia e ciência desaparece.

1.1. Unitariedade do ser impõe uma relação íntima entre esses dois momentos do saber intrinsecamente articulados, que, sem perder a sua especificidade, constituem uma unidade indissolúvel no processo de produção do conhecimento científico. (pág. 92-93)

1.2. "[... ] o ser social tem como ponto de partida o trabalho, síntese de teleologia e causalidade e, como tal, ato ontologicamente fundante do ser social." (pág. 121).

2. Marx representa o 3º momento; além de continuidade – concepção de mundo mais ampla: razão de ser – há ruptura com padrões anteriores.

2.1. Surge atrelado à emergência da sociedade burguesa: acumulação de capital; capacidade humana de compreensão e transformação de mundo. (pág. 80)

2.2. 1º momento: greco-medieval: detinha a produção; trabalho escravo.

2.2.1. Períodos escravagista (grego) e servil (feudalismo).

2.3. 2º momento: moderno: classe trabalhadora; proletariado.

2.3.1. Fim do feudalismo à atualidade.

2.3.2. O sujeito do conhecimento é o indivíduo singular.

3. Concepção de mundo oriunda de pensadores burgueses: humanismo; historicismo concreto; razão dialética.

3.1. Marx é herdeiro, porém com abordagem crítico-superadora (pág. 80)

3.2. Funda a centralidade da subjetividade: o indivíduo singular; divisão social do trabalho (manual X intelectual); compra-e-venda de força de trabalho.

4. Compreensão científica da realidade social.

4.1. Realidade social é resultado integral da interatividade humana ao longo do processo histórico. (pág. 82)

5. Ontologia: teoria geral do ser social .

5.1. Condição prévia para a resolução das questões relativas ao conhecimento.

5.2. Condição imprescindível para, em interação com a ciência, produzir um conhecimento adequado da realidade social.

5.3. Construção teórica um; a tradução ideativa, demandada pela classe trabalhadora, de uma realidade efetivamente existente. (pág. 83)

6. PROCEDIMENTO MARXIANO

6.1. Questionamentos:

6.1.1. A priori, o que é o ser social? Quais são as suas determinações essenciais?

6.1.2. A posteriori, o que é o conhecimento?

6.1.2.1. Apenas uma das dimensões da totalidade que é o ser social. Logo, apreender-se-iam origem, natureza e função social se, proporcionalmente, conhecem-se as determinações mais gerais e essenciais do ser e identifica-se o lugar que o conhecimento ocupa na produção e reprodução do ser social como totalidade: na práxis social. (pág. 90)

6.1.2.2. Produto construído historicamente/socialmente pela coletividade.

6.2. Parte da gênese do ser social, do ato que funda a sociabilidade. É na análise desse ato que ele descobrirá a origem, a natureza e a função social essenciais do conhecimento científico. (pág. 90)

6.2.1. Centralidade da Objetividade

6.2.1.1. Relação entre sujeito e objeto; o polo regente é o objeto; não se descarta a importância da subjetividade. (pág. 94)

6.2.2. Sujeito do conhecimento é constituído pelas classes (elemento fundamental) e pelos indivíduos singulares. (pág. 113)

6.2.3. A considerar a sua relação de interioridade com o objeto (realidade social), o próprio sujeito é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto do conhecimento. (pág. 129)

7. DIALÉTICA DE MARX

7.1. Método está rigorosamente colado na ontologia; não existe método sem ontologia. (pág. 92-93)

7.2. Realidade como ela é, não aparente; desdobramento da ciência ao longo da história.

8. MATERIALISMO

8.1. O homem é determinado pelas condições materiais e, por esta razão, não há neutralidade uma vez que o ser é impregnado de determinados valores.

9. MÉTODO

9.1. Em tese, pretende reproduzir a realidade; por sua vez, a realidade objetiva indica os procedimentos metodológicos.

10. TRABALHO

10.1. Relação entre homem e natureza.

10.2. "[...] é a mediação através da qual o homem transforma a natureza, adequando-a aos seus fins e, ao mesmo tempo constrói a si mesmo." (pág. 121)

11. Em síntese...

11.1. A partir da historicidade da problemática do método científico, toda abordagem das questões relativas ao conhecimento pressupõe, implícita ou explicitamente, uma determinada concepção de mundo: uma ontologia. (pág. 157)

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