1. 1. Contribuições de Bentano/Husserl/Merleau-Ponty
1.1. Brentano
1.1.1. • Psicologia do Ato O nome de Brentano está associado a psicologia do Ato, a psicologia deve estudar os atos ou processos mentais e não os conteúdos mentais de estados conscientes.
1.1.2. • Teoria da Percepção A percepção dos fenômenos psíquicos (interna, adequada, infalível, evidente) e fenômenos físicos (externa, inadequada, sujeita a erros)
1.1.3. • Método empírico Ao observar um fenômeno, tomo um único caso e vejo o que nele é essencial, aquilo em que consiste, sem o qual não é. A Essência do fenômeno.
1.1.4. • Brentano publicou ''Psicologia do ponto de vista empírico'' Em 1874, ''Psicologia do ponto de vista empírico'' foi considerada sua principal obra psicológica. A partir desta obra que nasceu a fenomenologia.
1.2. • Brentano tomou dos escolásticos a noção de intencionalidade e reinterpretou. A consciência é intencional, consciência é sempre consciência de alguma coisa.
1.3. Husserl
1.3.1. • Husserl foi atraído por Brentano para a filosofia Foi a intuição de Brentano sobre o caráter essencialmente intencional de todo ato da consciência que deu a Husserl a chave para superar a dicotomia kantiana noumeno(a coisa-em-si)-fenômeno.
1.3.2. • Husserl vai além de Brentano Husserl ultrapassa a psicologia descritiva de Brentano propondo um novo caminho: a fenomenologia.
1.3.3. • Husserl propõe uma terceira via: a do retorno às coisas mesmas ou intuição originária. Uma via que, antes de todo raciocínio, nos colocaria no mesmo plano da realidade, ou das coisas mesmas.
1.3.4. • Análise descritiva do campo da consciência na correlação sujeito-objeto na intuição originária da vivência Conduz Husserl a definir a fenomenologia com a ciência descritiva das essências da consciência e de seus atos.
1.3.5. • Análise intencional Análise intencional leva a redução ou abstenção fenomenológica (epockhé).
1.4. Merleau-Ponty
1.4.1. • Homem e mundo O tema fundamental das suas investigações foi a relação entre o homem e o mundo ou a relação entre consciência e natureza.
1.4.2. • Fenomenologia da Percepção Inspira-se na fenomenologia de Husserl corrigindo-a no sentido do existencialismo. A consciência é sempre a consciência de um eu ''consagrado ao mundo''.
1.4.3. • Conceito central Conceito de corpo. O corpo constitui a inserção da consciência no mundo. A linguagem como palavra é a revelação do Ser ou da nossa ligação com o ser.
1.4.4. • Psicologia de inspiração fenomenológica M. Ponty propõe que seja uma ciência humana, estrutural, dialética, transcendental ou simbólica e existencial.
2. 2. Objetivos do método fenomenológico
2.1. • Realizar o exame da consciência com o objetivo de atingir o conhecimento das coisas.
2.2. • Encontrar a essência dos fenômenos da consciência.
2.3. • Compreender o mundo vivencial do indivíduo, e para que isso aconteça, a consciência precisa fazer uma redução ou abstenção (Epockhé), se contendo a descrever os fenômenos como se apresentam à consciência.
2.4. Intervenções fenomenológicas que contribuem na atuação clinica
2.4.1. • A noção de intencionalidade: A consciência é consciência de alguma coisa, estando dirigida para um objeto.
2.4.2. • Ênfase sobre o presente: A fenomenologia se debruça no aqui e agora, e esta é a única experiência possível para a mesma, mesmo que não negue o passado, este só é significativo no aqui e agora.
2.4.3. Valorização do como (processo) sobre o porquê (causa):
2.4.3.1. • O ‘’como’’ nos leva a compreensão da causa, permitindo compreender o fenômeno em sua totalidade. Já o ‘’porque’’ se fundamenta na causa, explicando o fenômeno em termos de causalidade.
2.4.3.2. • Nova visão do fenômeno: Abandona a dualidade entre sujeito e objeto, consciência e mundo, interior e exterior, proporcionando a integração de todos esses conceitos.
3. 3. A relação estabelecida na clínica: aplicação ou implicação?
3.1. • Fenomenologia no domínio da clínica: assume uma posição sempre atenta ao que se apresenta na experiência fenomenológica.
3.1.1. • As noções filosóficas devem emergir a medida que a experiência se apresenta, e não serem postas como uma reflexão anterior.
3.1.2. • Trata-se de uma implicação em direção à consideração das experiências trazidas pelo paciente.
3.1.3. • Lugar de inquietude e questionamento.
3.1.4. • Estar implicado significa estar engajado, questionar-se e inquietar-se.
3.1.5. • Importância de formular questões precisas para que o paciente revele-se.
3.1.5.1. • Estar implicado -> estar disponível e aberto a possibilidade de reformular seus conceitos.
3.1.5.2. • Relação entre a teoria fenomenológica e sua prática -> entrelaçamento desses aspectos, relação de implicação, não de aplicação.
3.1.5.3. • Permissão da abertura de possibilidades a partir da escuta, como subjetividade ou possibilidade de subjetividade.
3.1.5.4. • É preciso ir além do sintoma é alcançar o fenômeno se SER global do paciente.
3.1.5.4.1. • Distanciamento do uso da teoria fenomenológica como técnica, não há APLICAÇÃO.
3.1.5.4.2. • Uma abordagem que não faz julgamentos a priori.
3.1.5.4.3. • Técnica como ferramenta que permite intervenções e facilitações no processo clínico (implicação).
3.1.5.4.4. • Não há delimitação clara entre teoria e prática -> clínica fenomenológica.
3.1.5.4.5. • Trabalho que encontra-se na interseção da psicopatologia fenomenológica e da clínica, construída pela experiência do paciente.