1. O Ensino de História e Geografia
1.1. Diversos estudiosos do ensino de História e de Geografia – casos de Bittencourt (1997, 2011), Fonseca (2003), Castrogiovanni (2003a, 2003b), Callai (2005), Silva e Fonseca (2007), Straforini (2004), Pinsky (2010) – têm procurado apropriar-se e fazer usos didáticos das contribuições teórico-metodológicas de suas respectivas disciplinas, com o propósito de reescrever e reapresentar novas maneiras de conhecer e aprender, com destaque para as relações entre tempos e lugares, indivíduos e sociedades, identidades e alteridades, local/regional e nacional/mundial.
2. O problematização do cinema no âmbito escolar
2.1. Partindo dessa problematização, Duarte e outros estudiosos da temática (FABRIS, 2008, NASCIMENTO, 2008; RICARTE; CARVALHO, 2011) têm enfatizado que o cinema imprime marcas profundas na maneira de ser e de existir das pessoas. Desta maneira, os materiais audiovisuais podem ser considerados partes integrantes do processo de constituição da “consciência histórica” dos sujeitos – conforme a abordagem epistemológica proposta por Jörn Rusen (2001) –, na medida em que potencializam a dimensão narrativa e podem reorientar as ações humanas e seus projetos futuros (SCHMIDT; BARCA; MARTINS, 2010; CERRI, 2011).
2.1.1. Por tudo isto é que professores envolvidos com o ensino de História e de Geografia devem conhecer a linguagem do cinema para usá-la de forma competente em suas práticas educativas.
2.1.1.1. Carvalho, por exemplo, ao abordar as interfaces entre cinema, história e educação, ressaltou a importância de se pensar o cinema, simultaneamente, como recurso didático e fonte histórica para a qualificação da formação inicial e continuada de professores de História:
2.1.1.1.1. .] Deste modo, o vídeo pode se transformar em um importante recurso pedagógico, visto que a experiência audiovisual exerce uma função informativa alternativa, tornando a realidade mais próxima à medida que permite exemplificar conceitos abstratos, ampliar concepções e pontos de vistas, simplificar a compreensão da realidade e estimular a reflexão sobre fatos/ acontecimentos a partir do contato com imagens [...] Isso nos permite afirmar que todo filme é passível de ser utilizado enquanto documento da história [...] consideramos que o valor documental de um filme está não apenas no olhar daquele que o produz, mas também naquele que o interpreta, um filme diz tanto quanto for analisado e questionado... não só em uma área de conhecimento específico, mas também em relacionar esse conhecimento com as questões sociais mais amplas. (CARVALHO, 1998, p. 121-123)
3. Novo Tópico
4. A curta-metragem na escola:
4.1. Nesse âmbito, o curta-metragem traduz esforço para construir conhecimento autônomo, crítico e significativo, tendo em vista que é acompanhado de reflexões acerca do histórico do livro didático no Brasil, da importância de se abordar de maneira dialética a localidade e de se problematizar a realidade pertencente ao próprio aluno, o que permite dotar tal experiência de “alegria e esperança”, do “reconhecimento de ser condicionado” e da “convicção de que a mudança é possível” (FREIRE, 2000).
5. Walter Benjamin
5.1. Novo Tópico
5.2. houve uma clara mudança na maneira do homem se posicionar diante da obra de arte, ao deixar de tratá-la como objeto de culto e passar a relacionar seu valor à noção de exposição, o que explicaria a importância desempenhada pelo cinema.
6. Mídias no âmbito escolar:
6.1. Um dos principais aspectos desta globalização cultural é, sem dúvida, o papel das mídias no cotidiano escolar e extraescolar (BELLONI, 2001). Maria da Graça Setton (2010), por exemplo, em sua obra “Mídia e Educação”, chega a alçar as mídias (TV, rádio, internet) à condição de “agentes da socialização”, posto que assumem – ao lado da família, religião e escola – um papel educativo na sociedade contemporânea: segundo a autora, “elas funcionam como instâncias transmissoras de valores, padrões e normas de comportamentos e também servem como referências identitárias” (SETTON, 2010, p. 8).
6.1.1. Nesse sentido, surgem então duas questões: parafraseando Kenski (1996), “como” ensinar, adequadamente, História e Geografia numa sociedade repleta de tecnologias? Como formar, “adequadamente”, professores de Geografia e História num contexto no qual as mídias apresentam-se como “agentes de socialização”, “instâncias transmissoras de valores, padrões e normas de comportamentos” e “referências identitárias”?
6.1.1.1. O uso de materiais audiovisuais no ensino não garante, por si só, uma nova maneira de educar, pois depende (e muito) dos saberes aprendidos e mobilizados por professores e alunos na utilização das tecnologias em situações de aprendizagem.
7. Ensinos de História e de Geografia: experiências na produção cinematográfica:
7.1. Novo Tópico
7.1.1. o projeto de pesquisa intitulado “Tempo e espaço em evidência: a produção de curtas-metragens envolvendo aspectos da cidade de São José do Rio Preto como prática do ensino de história e de geografia”, cooordenado e desenvolvido, desde 2010, pelo Prof. Humberto Perinelli Neto junto aos alunos do curso de Pedagogia da Unesp/Ibilce/São José do Rio Preto nas disciplinas “Conteúdos e Metodologia do Ensino de História” e “Conteúdos e Metodologia do Ensino de Geografia” (PERINELLI NETO, 2011).