1. Determinar as condições da conservação nas sociedades
1.1. Se nas sociedades pré-industriais, as pessoas eram unidas pela conciência coletiva comum, o que unem os indivíduos das sociedades industriais?
2. O que é?
2.1. Fenômeno antigo mas que foi percebido recentemente. (página 1)
2.1.1. Por ser uma lei que afeta tanto os organismos quanto a sociedade, é contemporânea ao advento da vida no mundo. (pag 3)
2.2. A indústria moderna seguindo o sentido da extrema DST enquanto que a indústria agrícola é "arrastada" pelo mov. geral. Os comércios esforçam em seguir a diversidade das empresas industriais. (paginas 1 e 2)
2.3. Os economistas escrutam suas causas e apreciam seus resultados e proclamam sua necessidade. Veem nela uma lei superior das sociedades humanas e a condição do progresso.
2.3.1. Não se dá, apenas, no ramo econômico: está na política, na administração, no judiciário, nas artes e na ciência.
2.4. A lei da DST aplica-se tanto aos organismos como às sociedades. Diz que a filosofia biológica encontrou tal generalidade que os economistas não suspeitaram (pag.
2.4.1. "Um organismo ocupa uma posição tanto mais elevada na escala animal quanto mais as suas funções forem especializadas".
2.5. Não é apenas uma instituição social, mas um fenômeno de biologia geral, cujas condições precisam ser buscadas nas propriedades essenciais da matéria organizada. Uma lei, que nasceu bem antes da sociedade e que arrasta num mesmo sentido todo o mundo vivo.
2.6. A DST varia na razão direta do volume e da densidade das sociedades, e, se ela progride de uma maneira contínua no curso do desenvolvimento social, é porque as sociedades se tornam regularmente mais densas e, em geral, mais volumosas. (pág. 258)
2.7. A divisã do trabalho une ao mesmo tempo que opõe; faz convergir as atividades que diferencia; aproxima aqueles que separa. Já que a concorrência não pode ter determinado essa aproximação, é necessário que esta última tenha preexistido; é necessário que os indivíduos entre os quais a luta se trava já sejam solidários e o sintam, isto é, pertençam a uma mesma sociedade. É por isso que, onde esse sentimento de solidariedade é fraco demais para resistir a influência da dispersiva da concorrência, esta gera efeitos bem diferentes da divisão do trabalho. Os habitantes, em vez de se especializarem, retiram-se definitivamente ou provisoriamente da sociedade: eles emigram para outras regiões. (Página 275)
2.7.1. Com isso, não pretendemos dizer simplesmente que os indivíduos devem aderir materialmente uns aos outros mas é necessário que exista entre eles vínculos morais. Se nenhum poder moderasse o conflito dos interesses individuais, seria um caos de que não poderia sair nenhuma nova ordem.
3. O que provoca?
3.1. Afeta profundamente nossa constituição moral pois o desenvolvimento do homem se fará em dois sentidos de todo diferentes, conforme nos entreguemos a esse movimento ou resistamos a ele.
3.1.1. Qual devemos desejar?
3.1.1.1. Procurar tornar-se um ser acabado e completo, um todo autossuficiente
3.1.1.2. Ou, não mais ser do que a parte de um todo?
3.2. A DST ao mesmo tempo que lei da natureza, também é uma regra de conduta moral humana? E se tem esse caráter, em que medida?
3.2.1. Não importa pensar sobre isso pois a medida em que ela se desenvolve, todos sentem que ela é e se torna uma das bases fundamentais da vida social.
3.2.1.1. A opinião social se inclina a tornar a DST uma regra imperativa de conduta, a impô-la como um dever.
3.2.1.1.1. Os que nela se furtam, são criticados. Queremos que a atividade, em vez de se dispersar numa ampla superfície, se concentre e ganhe em intensidade o que perde em extensão. Parece-nos que esse estado de distanciamento e de indeterminação tem algo de anti-social.
3.2.1.1.2. O ideal moral, de uno, de simples e de impessoal que era, vai se diversificando cada vez mais. Já não achamos que o dever exclusivo do homem seja realizar em si as qualidades do homem em geral; mas cremos que, nada obstante, ele é obrigado a ter as de sua função.
3.3. Nisso, existe uma contradição. Ao mesmo tempo em que a opinião pública manda os homens se especializarem, sempre parece temer que se especializem demais. (pg.6)
3.3.1. A máxima que nos manda especializar-nos é, em toda parte, como que negada pela máxima contrária, que nos manda realizar, todos, um mesmo ideal e que está longe de ter perdido toda a sua autoridade.
3.3.1.1. A vida moral, como a do corpo e do espírito, corresponde a necessidades diferentes e mesmo contraditórias; logo, é natural que seja feita, em parte, de elementos antagonicos que se limitam e se ponderam mutuamente.
4. Como apreciá-la?
4.1. Não como os moralistas com seu método ordinário que exprime apenas a maneira como o moralista representa a moral. Traduz necessidades que nunca são mais que parciais. Portanto, não se poderia referir-se a elas como critérios objetivos que permitam apreciar a moralidade das práticas. (página 8, 9)
4.2. A única maneira de chegar a aprecisar de manera objetiva a DST é estudá-la primeiro em si mesma, de uma maneira totalmente especulativam investigar a que ela serve e de que depende, formar a seu respeito a noção mais adequada possível. Feito isso, estaríamos em condições de compará-la com os outros fenômenos morais e de ver que relações ela mantém com eles.
4.3. 3 fases: (pág. 9)
4.3.1. Procurar, primeiro, saber qual a função da divisão do trabalho, isto é, a que necessidade social ela corresponde;
4.3.2. Determinar as causas e as condições de que depende
4.3.3. Enfim, uma vez que ela não teria sido objeto de acusações tão graves se realmente não se desviasse com maior ou menor frequencia do estado normal, procuraremos classificar as principais formas anormais que ela apresenta, a fim de evitar que sejam confundidas com as outras
4.4. Para saber o que é objetivamente a divisão do trabalho, não basta desenvolver o conteúdo da ideia que dela temos, mas é preciso tratá-la como um fato objetivo, observar, comparar, e veremos que o resultado dessas observações muitas vezes difere daquele que o sentido íntimo nos sugere.
5. Quais são as causas que explica os progressos da divisão do trabalho?
5.1. A divisão do trabalho desenvolve-se a medida em que a estrutura segmetária se retrai. O arranjo segmentário é, para a divisão do trabalho, um obstáculo insuperável que precisa desaparecer, pelo menos parcialmente para que ela possa aparecer.
5.2. O aumento da divisão do trbalho se deve, pois, ao fato de que os segmentos sociais perdem sua individualidade, que as paredes que os separam se tornam mais permeáveis, numa palavra, que se produz entre eles uma coalescência que torna a maéria social livre para entrar em novas combinações.
5.2.1. E isso se dá por uma razão: que dele resulte uma aproximação entre indivíduos que estavam separados, ou, pelo menos, uma aproximação mais íntima do que antes (página 252)
5.3. É o adensamento social que deriva a divisão social do trabalho. E os progressos da DST devem-se aos progressos do adensamento social, quaisquer que sejam suas causas. (pág 256).
5.3.1. Se o adensamento da sociedade produz esse resultado é que ela multiplica as relações intersociais. Quanto mais o número de membros aumentar, ou seja, se ela compreender mais indivíduos ao mesmo tempo em que estes se acham mais intimamente em contato, o efeito será necessariamente fortalecido. Portanto, o volume social, tem sobre a divisão do trabalho a mesma influencia da densidade.
5.3.1.1. Difereça entre Volume e Densidade: volume é a quantidade de espaço que um corpo ocupa (1l = 1.000 cm³. Densidade é a quantidade de massa dentro de um volume, por exemplo, a cada 1 cm³ de uma garrafa, temos 1g de água. Entaõ, volume de uma cidade, é o seu tamanho e a densidade seria a quantidade de pessoas ocupando um volume.
5.3.1.1.1. As sociedades são mais volumosas a medida em que são mais avançadas e, por conseguinte, quanto mais dividido é o trabalho.
6. Como ocorre a DST?
6.1. Há um intercâmbio de movimentos entre partes da massa social que, até então, não se afetavam mutuamente. Quanto mais o sistema alveolar (conceito biológico) é desenvolvido, mais as relações em que cada um de nós está comprometido se encerram nos limites do alvéolo a que pertencemos. Há como que vazios morais entre os diversos segmentos. Esses vazios vão se preenchendo à medida que esse sistema se nivela.
6.1.1. Desse processo resulta que a vida social se generaliza, as relações sociais se tornam mais numerosas, pois se estendem de todos os lados, além de seus limites primitivos.
6.1.1.1. Por conseguinte, a divisão do trabalho progride tanto mais quanto mais houver indivíduos suficientementee em contato para poderem agir e reagir uns em relação aos outros.
6.1.1.1.1. Os progressps da divisão do trabalho são diretamente proporcionais à densidade moral ou dinâmica da sociedade. Mas essa aproximação moral só é produzida com a aproximação dos indivíduos. Ou seja, aumenta na proporção da densidade material.
7. Como ocorre a condensação das sociedades?
7.1. As sociedade inferiores estendiam-se sobre áreas imensas. Entre os povos avançados a população vai se concentrando cada vez mais. Dá o exemplo de nômades, caçadores e pastores como atividades que dependiam de mais espaço. A agricultura como um meio-termo. E a cidade que viu suas casas ficando mais próximas das outras.
7.2. As formações das cidades e o seu desenvolvimento. Dela, sempre resulta da necessidade dos individuos a manterem constantemente o contato mais íntimo possível uns com os outros; elas são como pontos em que a massa social se contrai com mais força que em outras partes. Portanto, elas não podem se multiplicar e se entender, a não ser que a densidade moral aumente.
7.2.1. Elas se recrutam pela imigração que só é possível na medida em que a fusão dos segmentos sociais é avançada.
7.2.1.1. Desenvolvimento dos centros urbanos: a aceleração regularmente crescence desse desenvolvimento demonstra que, longe de constituir uma espécie de fenômeno patológico, ele rediva da própria natureza das espécies sociais superiores. Supondo-se, pois, que tenha hoje atingido proporçoes ameaçadoras para nossas sociedades (acredito que ele esteja falando das dificuldades encontradas nos centros urbanos da época, como pauoerrismo, doenças, violencia, etc) que talvez já não tenham flexibilidade suficiente para se adaptar a ele, ele movimento não deixará de continuar, seja através delas, seja depois delas e os tipos sociais que se formarão depois dos nossos se distinguirão verossimilmente por uma regressão maos rápida e mais completa ainda da civilização agrícola (255)
7.3. Há. então, a quantidade e a rapidez das vias de comunicação e de transmissão. Suprimindo ou diminuindo os vazios que separam os segmentos sociais, elas aumentam a densidade da sociedade. Cresce e se perfeiçoa quanto mais elevado é o nível da sociedade.
8. Como a densidade e volume social aceleram a DST?
8.1. Instável por natureza, toda massa homogênea se torna necessariamente heterogênea, quaisquer que sejam suas dimensões; contudo, ela se diferencia mais completamente e mais depressa quando é mais extensa.
8.2. "Quando uma comunidade, tornando-se bastante populosa, se difunde sobre uma grande extensão territorial e aí se estabalece, de tal modo que seus membros vivem e morrem em seus distritos respectivos, ela mantém suas diversas seções em circunstâncias físicas diferentes e, então, essa seções não podem mais permanecer iguais por suas ocupações. As que vivem dispersas continuam a caçar e a cultivar a terra; as que se estendem à beira-mar se dedicam a ocupaçõem marítimas; os habitantes de uma certa localidade, escolhida, talvez por sua posição central, como ponto de reuniões periódicas, tornam-se comerciantes e uma cidade é fundada.... Uma diferença do solo e do clima faz que os habitantes dos campos, nas diversas regiões do país, tenham ocupações em parte especializadas e se distingam por produzirem bovinos, carneiros ou trigo."
8.2.1. A variedade dos meios em que os indivíduos estão situados produz nestes últimos aptidões diferentes, que determinam sua especialização em sentidos divergentes e, se essa especialização cresce com as dimensões da sociedads, é porque essas diferenças externas crescem ao mesmo tempo.
9. Essa diversidade tem relação com a DST, mas ela a constitui?
9.1. Não. As diferenças funcionais nem sempre se reduzem. Elas são tão nítidas qie os indivíduos entre os quais o trabalho é dividido formam como que igual número de espécies distintas, e até mesmo, opostas. Dir-se-ia que eles conspiram para se afastarem o mais possível um dos outros
9.1.1. Porém, mesmo onde as circunstâncias externas inclinam mais fortemente os indivíduos a se especializarem num sentido definido, elas não bastam para determinar essa especialização.
9.1.1.1. Por sua constituição (BIOLOGIA!!!), a mulher é predisposta a levar uma vida diferente do homem, no entanto, há sociedades em que as ocupações dos sexos são sensivelmente as mesmas. Por sua idade, pelas relações de sangue que ,amtém com seus filhos, o pai é indicado para exercer na família as funções dirigentes constitui o pátrio poder. No entanto, na família materna, não é a ele que cabe essa autoridade.
9.2. Se, de fato, essas diferenças tornam possível a divisão do trabalho, não a requerem.
9.2.1. Para que delas resulte uma especialização da atividade, é necessário que sejam desenvolvidas e osganizadas, e esse desenvolvimento depende de outras causas que não a variedade das condições exteriores.
10. Porque os homens se especializam?
10.1. Se os homens se especializarem, farão no sentido assinalado por essas diferenças naturais, porque é dessa maneira que farão menos esforço e terão o maior proveito.
10.1.1. Spencer não explica os motivos que a produz, mas admite que a felicidade aumenta com a força produtiva do trabalho. Portanto, todas as vezes que é dado um novo meio de dividir ainda mais o trabalho, parece-lhe impossível que não o adotemos. Mas sabemos que as coisas não acontecem dessse modo.
10.1.1.1. Na realidade, esse meio só tem valor para nós se dele ´precisarmos e, como o homem primitivo não tem necessidade alguma de todos esses produtos que o homem civilizado aprendeu a desejar e que uma organização mais completa do trabalho tem por efeito, precisamente, fornecer-lhe, não podemos compreender de onde vem a especializaçãol crescente das tarefas a não ser que saibamos como essas novas necessidades se contituíram.
11. De onde surgem essas necessidades de especializar-se
11.1. O trabalho se divide mais à medida em que as sociedades se tornam mais densas e volumosas porque a luta pela vida é mais ardente.
11.1.1. Porém, existem circunstâncias em que funções distintas entram em concorrência. Em tempos difíceis as funções vitais são obrigadas, para se manterem, a garantir a sua subsistência em detrimento das funções menos essenciais. Mas esse é um caso patológico.
11.1.2. Cita Darwin para dizer que, em espécies análogas, que perseguem os mesmos objetivos, a concorrênca é maior. Mas se forem diferentes, cada um tem seus objetivos e seu ganho não incomoda o do outro e vice e versa, reduzindo os conflitos. Ele diz que os homens são sujeitos a essa mesma lei.
11.1.2.1. As profissões similares situadas nos diferentes pontos do território movem-se uma concorrência tanto mais acirrada quanto mais são semelhantes, contanto que a dificuldade das comunicações e dos transportes não restrinja seu círculo de ação.
11.1.2.2. Ou seja, com as redes de comunicação e o transporte, a luta diminiu pois podem disputar em outros espaços. (pág 266)
11.1.2.2.1. Numa concorrência pela satisfação das necessidades, empresas semelhantes contêm umas as outras e limitam-se mas como dividem um mercado mais vasto, dividem o campo. As concorrentes inferiores devem ceder o campo em que atuam pois não podem competir. Então têm que desaparecer ou transformar-se, criar uma nova especialização. Pois se apenas mudar de especialização, para uma que já existe, vai criar concorrência com empresas que já estão na especialização.
12. A divisão do trabalho torna as pessoas mais felizes?
12.1. Saint-Simon e Spencer dizem que sim. Durkheim diz que a maior intensidade da luta implica novos e penosos esforços, que não são de natureza a tornar os homens mais felizes. Tudo acontece mecanicamente. Uma ruptura de equilíbrio na massa social suscita conflitos que só podem ser resolvidos por uma divisão do trbalaho mais desenvolvida: este é o motor do progresso.
12.1.1. A divisão do trabalho é, pois, um resultazdo da luta pela vida. Graças a ela, os rivais não são obrigados a se eliminarem mutuamente, mas podem coexistir uns ao lado dos outros. Por isso, a medida que se desenvolve, ela fornece um maior número de indivíduos que, em sociedades mais homogêneas, seriam condenados a desaparecer, os meios para se manterem e sobreviverem.
13. De onde vem as exigências por mais ou melhores produtos?
13.1. Toda nova especialização tem porresultado aumentar e melhorar a produção. Se essa vantagem não é a razão de ser da divisão do trabalho, é sua consequência necessária. Por conseguinte, um progresso só se pode estabelecer de uma maneira duradoura se os indivíduos sentirem realmente a necessidade de produtos mais abundantes ou de melhor qualidade.
13.1.1. Essas exigências são um feito da mesma causa que determina os progressos da divisão do trabalho. Ora, uma luta mais violenta é inseparável de um maior emprego das forças e, por conseguinte, das maiores fadigas. Quanto mais o ambiente está sujeito a mudança, maior se torna o papel da inteligência na vida, pois só ela pode encontrar as novas condições de um equilíbrio que se rompe sem cessar e restaurá-lo. Portanto a vida cerebral se desenvolve ao mesmo tempo que a concorrência se torna mais acesa, e na mesma medida. (Pág 271 e 272)
13.1.1.1. Enfim, mais do qe todas as outras, as necessidades propriamente intelectuais aumentam: explicações grosseiras já não podem satisfazer aos espíritos mais apurados. Novas clarezas são reclamadas e a ciência entretém essas aspirações ao mesmo tempo que as satisfaz. Portanto, todas essas mudanças são produzidas mecanicamente por causas necessárias. Se nossa inteligência e nossa sensibilidade se desenvolvem e se aguçam, é porque somos forçados a tanto pela maior violência da luta que temos de travar. Eis como, sem ter desejado, a humanidade se encontra apta a receber uma CULTURA mais intensa e variada (pag 272) *me lembrou a aula passada de Marx, sobre o trabalho que engendra cultura
13.1.1.1.1. Entretanto, se outro fator não interviesse, essa simples predisposição não seria capaz de suscitar por si mesma os meios de se satisfazer. Mesmo quando somos levados em direçãp a um objeto por um impulso hereditário muito forte, só podemos desejá-lo depois de termos entrado em relaçao com ele. (Ou nos termos Hegelianos, identificar-se)
14. A sociedade surgiu antes ou depois da cooperação?
14.1. Portanto, foi erradamente que se viu, por vezes, na divisão do trabalho o fato fundamental de toda vida social. Elas só se podem produzir no âmbito de uma sociedade e sob a pressão de sentimentos e necessidades sociais; é o que as fazem serem essencialmente harmoniosas. Portanto, há uma vida social fora de toda divisão do trabalho, mas que esta supõe.
14.1.1. Por isso, Spencer está mais uma vez incorreto e Comte correto. Spencer considera que é a cooperação que origina a sociedade. Mas Comte diz que a sociedade forma-se primeiro que a cooperação. Durkheim vai dizer que são causas mecânicas e impulsivas que ligam os homens, antes da cooperação (página 277)
14.1.1.1. Associação e cooperação sã dois fatos distintos, e se o segundo, quando é desenvolvido, reage sobre o primeiro e o transforma, se as sociedades humanas se tornam cada vez mais grupos de cooperadores, a duaidade dos dois fenômenos não desaparece com isso. (pág 278)
15. A gênese da sociedade como individualista e autônoma
15.1. Erro decorrente da maneira como eles concebem a gênese da sociedade. Supõem, na origem, indivíduos isolados e independentes, que, por conseguinte, só podem relaciona-se para cooperar, poruqe não têm outra razão para vencer o intervalo vazio que os separa e para se associarem.
15.1.1. De que modo o homem, se nasceu individualista, conforme se supõe, ter-se-ia podido resignar a uma existência que ofende de maneira tão violenta sua inclinação fundamental?
15.1.1.1. Da individualidade autonoma, não se pode sair nada que não seja individual e, por conseguinte, a própria cooperação, que é um fato social, subemtido a regras sociais, não pode nascer delas.
15.1.1.1.1. A vida coletiva não nãsceu da vida individual, mas, ao contrário, foi a segunda que nasceu da primeira. É apenas sob essa condição que se pode explicar como a individualidade pessoal das unidades sociais pôde formar-se e crescer sem desagregar a sociedade. (pág 279)
16. As dicotomias da organização social têm diferentes consequências para o entendimento e a experiência do dualismo da natureza humana e, por implicação, do homem em oposição a mulher. (Syde, pag 13 e 14)
16.1. A natureza biológica egoísta do homem é contrastada com sua natureza moral e intelectual. A realização do dualismo, em termos das estruturas sociais e regulação normativa, difere de acordo com o nível de solidariedade social e dos sexos do indivíduo.
16.1.1. O progresso da solidariedade mecânica para a orgânica pode ser demonstrada na discussão sobre a evolução do casamento e das relações familiares (pág. 17)
16.1.1.1. A família moderna conjugal que Durkheim define como "o marido, a mulher e o filho de menor e solteiro" é o resultado da contração progressiva das relações familiares e da crescente regulação das relações maritais pela sociedade na forma de regulamentos políticos e legais.
16.1.1.1.1. Enquanto as mudanças na família ocorrem a medida que a divisão do travalho aumentam na sociedade em geral, mudanças no casamento parecem reverter o processo. Além disso, as mudanças tanto nas relações familiares e maritais têm diferentes consequências para ambos os sexos, o que leva a posição contraditória que Durkheim é forçado a adotar em relação às mulheres quando as consequências negativas da família conjulgal são examinadas em seu estudo sobre suicídio.
16.1.1.2. A separação em grupos pequenos dos grandes e indiferenciados clãs, ocorre com a progressão da sociedade de solidarieda mecânica para a orgânica. O clã representa o "comunismo familiar" uma associação em que as propriedades são partilhadas em comum. Esse tipo de família gradualmente contrai em tamanho, junto com a propriedade comunista, até que na modernidade "a família conjulgal possua apenas vestígios do comunismo".
16.1.1.2.1. Na fase conjulgal, a solidariedade familiar é transformada e é baseada em dois fatores, pessoas e coisas.
16.1.1.2.2. "Nós estamos ligados a nossa família porque somos ligados a pessoas que a compõe. Mas também somos ligados porque não podemos viver sem as coisas materiais, e sob o regime de comunismo familiar é a família que possui essas coisas.".
16.1.2. "A história da família, a partir da sua origem, é só um movimento inisterrupto de dissociação no curso da qual diversas funções, a princípio indivisa e confusas umas com as outras, foram sendo pouco a pouco separadas, constituídas afastadas, repartidas entre parentes com relação a sexo, idade, relações de dependência, num modo a fazer cada de cada um, um funcionário especial da sociedade doméstica".
17. Divisão SEXUAL do trabalho
17.1. As mulheres ficam com as tarefas internas, privadas e afetivas enquanto que o homens fica com as externas, públicas e instrumentais.
17.1.1. As mulheres são governadas pelos impulsos naturais e biológicos e sua capacidade mental é menos desenvolvida que o dos homens. Sendo assim, elas são feitas para satirfazer-se no seu papel doméstico. Mas a domesticidade causa tristeza nas mulheres. Esse problema representa uma contradição. Porque a mulher, que está restrita a esfera doméstica não sente seus efeitos positivos. Mas o homem sente na família conjugal um antídoto importante da anomia que o ameaça na sua vida pública. (página 33)
17.1.1.1. Como solução ao problema da anomia feminina, ele sugeriu que as capacidades femininas devem ser desenvolvidas de modo que complemente as masculinas. Desse modo, os diferentes efeitos do casamento iriam desaparecer e o casamento não seria mais favorável a um em detrimento de outro.
17.1.1.1.1. Jogando um shade nos "feminist" da época, Durkheim diz que a igualdade jurídica não pode ser alcançada com desigualdades psicológicas tão gritantes. E que reduzindo as desigualades psicológicas, ainda assim, não reduziria as fisiológicas mas que poderia pelo menos diminuir os efeitos do casamento indissolúvel.
17.1.2. Durkheim é incapaz de explicas as diferenças entre os sexos de forma sociológica e recorre a biologia. Dentro da lóDurkheim é incapaz de explicas as diferenças entre os sexos de forma sociológica e recorre a biologia. Dentro da lógica da divisão do trabalho, a mulher é uma anomalia que a divisão do trabalho irá resolver.gica da divisão do trabalho, a mulher é uma anomalia que a divisão do trabalho irá resolver.
17.1.2.1. No futuro, a mulher poderia ter um papel mais ativo e importante do que o que já desempenha. Um papel peculiarmente seu e que o torna-rá ainda mais diferente do homem. E essas diferenças torna-se-ão de maior funcionalidade social.
17.1.2.1.1. Durkhiem sugere que as mulheres fiquem com as ocupações mais artísticas e os homens com as "funções úteis". A divisão entre essas funções é paralela a divisão entre a natureza sensorial, impulsiva e organiza a cultura racional e regulada.
17.2. Isso tem consequencias diferentes para os homens, qye estão envolvidos na vida social em comparação a da mulher, que é restrita a vida doméstica.
17.2.1. A visão de família como "o centro da moralidade, da energia, da doçura, uma escola de dever, de amor e de trabalho" só pode ser sentida pelo marido e pelos filhos, mas muito dificilmente, pelas mulheres.
17.2.1.1. Durkheim pontua que a felicidade é relativa e que não se pode afirmar que a felicidade auemnta junto com a divisão do trabalho. Contrario a isso, ele descobriu que a tristeza, medida peos níveis de suicídio, aumentam com a divisão do trabalho e o progresso da civilização, especialmente nos homens.
17.2.1.1.1. As mulheres tem menos participação na civilização que o homem além de possuir características de natureza primitiva. Então, apenas 1/4 dos suicídios são femininos. Sua investigação também apontou que a sociedade é problematica para as mulheres a medida em que se torna proveitosa aos homens, mas que não existe nada que se possa fazer por isso (página 25).
17.2.1.1.2. Já os homens, envolvidos na vida econômica, sofrem os efeitos de uma anomia econômica, que é quando a economia deixa de ser um meio para um fim e passa a ser o fim.
17.3. O grupo que Durkheim acredita ser possível de vencer a anomia e o egoísmo, é o grupo corporativo, já que os indivíduos estão envolvidos nas mesmas tarefas e nos mesmos objetivos, criando solidariedade. Com uma reorganização, da vida ocupacional para abranger mais ainda o trabalhador, acarretaria num maior isolamento e marginalização das mulheres na esfera doméstica. Deixando-as mais porpensas ao suicídio.
18. O desenvolvimento das sociedades numa escala evolutiva
18.1. Como a sociedade vai evoluindo de um tipo mais simples ao mais complexo, por sua vez, elas trazem consigo vestígios do tipo que vem diretamente abaixo, e assim por diante. Encontramos entre os povos mais avançados vestígios da organização social mais primitiva.
18.1.1. Portanto, o volume social não pode deixar de aumentar, pois cada espécie é constituída por uma repetição de sociedades, da espécia imediatamente anterior.
18.1.1.1. Mas há exceções. Nem todas as sociedades mais volumosas, são as mais desenvolvidas. De fato, o aumento do volume não é necessariamente um sinal de superioridade, se a densidade não aumenta ao mesmo tempo e na mesma proporção.
18.1.1.2. Se a quantidade de pessoas tem influencia sob a divisão do trabalho é somente porque ela aumenta a quantidade das relaçoes sociais. Não basta que a sociedade conte muitos sujeitos, mas é preciso que eles estejam em contato bastante íntimo para poderem agir e reagir sobre os outros.