1. 1958 a 1960
1.1. Ocorre a lenta gestação que prepara os anos 60 em termos de Educação de adultos. Conta com a participação do governo, da esquerda marxista e da igreja católica como forças mais expressivas.
2. 1960
2.1. MAIO
2.1.1. Movimento de Cultura Popular em Pernambuco (MCP)
2.1.2. Valorizava o trabalho educativo com o homem e não para o homem. Trazia dentro de si um grande projeto de alfabetização de adultos, sendo o primeiro movimento a produzir um livro específico para alfabetização de adultos. O objetivo principal é "concientizar as massas através da alfabetização e educação de base (...) e incorporar à sociedade os milhares de proletários e marginais do Recife".
2.1.3. Esse movimento retoma as bases da riqueza artesanal e folclórica de Pernambuco, e começa a trabalhar tudo isso através da música, teatro e artesanato. É também considerado o laboratório da criação do sistema de alfabetização de Paulo Freire.
2.1.4. Com o tempo o MCP diversificou seu campo de ação e novos tipos de contatos com a massa se foram forjando.
3. 1961
3.1. FEVEREIRO
3.1.1. Campanha “De pé no chão também se aprende a ler”
3.1.2. Surge de uma iniciativa de extensão da Educação primária para a população da periferia de Natal, e com a influência de Paulo Freire se desdobra para uma campanha de alfabetização, que mais tarde mobiliza toda a cidade na tentativa de alfabetizar o máximo de moradores, permitindo que estes se despertem para um mundo do qual eram excluídos.
3.2. MARÇO
3.2.1. Movimento de Educação de Base
3.2.2. Foi lançado pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil em convênio com o Governo federal. Atua inicialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, expandindo-se posteriormente para outras regiões. O posicionamento do MEB toma como base a ideia de que a educação deveria ser considerada como comunicação a serviço da transformação do mundo, sendo definido como um movimento engajado com o povo nesse trabalho de mudança social, comprometido com esse povo e nunca com qualquer tipo de estrutura social ou qualquer instituição que pretendia substituí-lo. Para este movimento, a conscientização permeia a própria educação, pois significa ajudar alguém a tomar consciência de si, do que são os outros e do que é o mundo.
3.2.3. Com o golpe de estado, em 1966 o movimento de educação popular em questão perde as suas características fundamentais e torna-se uma forma tardia de educação fundamental.
3.3. ABRIL
3.3.1. Centro Popular de Cultura
3.3.2. É um dos movimentos mais inovadores e expressivos da época, e por isso mesmo o mais discutido. É filho do Teatro de Arena, de São Paulo, e nasceu no Rio de Janeiro em 1961 por meio de um grupo de intelectuais ligado à UNE, União Nacional de Estudantes. O CPC tinha como propósito a arte revolucionária, colocando-se ao lado do povo, assim trazendo um canal aberto para a divulgação de filmes, peças de teatro, músicas, livros e cartazes de promoção de debates, estabelecendo pela primeira vez o contato direto da liderança estudantil com as bases universitárias, operárias e camponesas de todo o Brasil. Isso significou uma revolução nos métodos de atuação política tradicionais no meio estudantil.
3.3.3. Este movimento a princípio traz muito uma experiência voltada para o catolicismo. Ele também esteve muito próximo à campanha De Pé no Chão, promovendo palestras e debates nos acampamentos escolares e no centro de formação de professores.
3.4. OUTUBRO
3.4.1. O programa do Premier Tancredo Neves, da República Parlamentarista, é identificado como tendo os seguintes objetivos a serem alcançados em cinco anos: a expansão e o aprimoramento da rede escolar comum; a recuperação dos analfabetos e insuficientemente alfabetizados para a nação; a extensão dos benefícios da cultura a todos os brasileiros; e o incentivo a criação artística, intelectual e científica.
3.5. DEZEMBRO
3.5.1. Ocorre a promulgação da lei 4.024, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que culmina no amplo debate sobre a escola pública e a democratização da cultura.
4. CONCLUSÃO
4.1. Na abertura dos Anos 60 foi demonstrado, por parte do poder público brasileiro, uma grande preocupação em conhecer a realidade e um manifesto ânimo de transformá-la. No entanto, este processo foi interrompido com o golpe de Estado, que tinha os movimentos populares e a busca pela promoção de uma educação voltada para o povo e para seus direitos e interesses como divergentes dos ideais que pretendiam instaurar no país.
5. 1962
5.1. MAIO
5.1.1. Mobilização Nacional contra o Analfabetismo
5.1.2. Na sua instituição, fala-se em um entrosamento dos propósitos de alfabetização e educação de base com problema de Desenvolvimento Social e econômico do Brasil, mas a mesma não chegou a ser realizada. Sua proposta é, no entanto, retomada com o Programa de Emergência.
5.2. SETEMBRO
5.2.1. Programa de Emergência para o Ensino Primário e Ensino Médio
5.2.2. Ao contrário da "Mobilização Nacional Contra o Analfabetismo", foi inteiramente realizado, aplicando recursos e executando o financiamento de bolsas de estudo do ensino médio.
5.2.3. Este programa trazia a ideia do município como núcleo operativo em que se processa a ação educacional, atuação do governo federal continua acontecer devido à determinadas situações (inflação, tentativas de golpes militares, alteração do sistema educativo pela LDB, entre outras).
5.2.4. O foco do Programa de Emergência é o compromisso com a implantação de métodos de planejamento da educação e investimento nos mesmos, trazendo-a distribuição gratuita de material didático como parte da busca pela democratização da educação, diante das desigualdades sociais existentes.
6. 1963
6.1. FEVEREIRO
6.1.1. Plano Nacional de Educação
6.1.2. Este emerge com a proposta de ser, segundo Anísio Teixeira, um plano diretor para as administrações Estaduais de ensino e as respectivas administrações municipais, diante das quais os recursos da educação serão aplicados, sem duplicação ou desperdícios, no esforço comum da educação primária obrigatória e da Educação de nível médio e superior.
6.2. JUNHO
6.2.1. Comissão de Cultura Popular
6.2.2. Criada junto ao gabinete do Ministro da Educação, visando implantar o sistema de Paulo Freire em Brasília, através de um plano piloto e das normas estabelecidas pelo MEC
6.2.3. A implementação desse sistema seguiria três etapas: o I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular; o Seminário Nacional de Cultura Popular; e o Plano Nacional de Alfabetização.
6.3. SETEMBRO
6.3.1. I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular
6.3.2. Este foi promovido pelo MPA. Este encontro foi proposta a educação para o desenvolvimento e a cultura para a libertação. Seus objetivos eram propiciar o intercâmbio de experiências de todos os movimentos de alfabetização de adultos e cultura popular, assim como estudar a possibilidade de que esses movimentos se coordenem nacionalmente.
6.3.3. Neste encontro afirmou-se que eram condenadas ligações com entidades não identificadas com as camadas autenticamente populares, ou que sejam contrárias aos interesses nacionais.
6.4. O movimento dos Centros Populares de Cultura, vinculado à UNE, se consolida a nível nacional.
7. 1964
7.1. JANEIRO
7.1.1. Seminário Nacional de Cultura Popular
7.1.2. Foi realizado no Rio de Janeiro, procurou definir a coordenação nacional dos movimentos de alfabetização e cultura popular de todo Brasil. O seminário conseguiu propor a criação da "Comissão Nacional de Cultura Popular", que prestaria contas sobre os projetos e a liberação de verbas, prevendo-se que a execução do programa seria feita através de acordos com instituições oficiais ou universitárias, estando prevista tembém a criação de comissões regionais.
7.1.3. A Comissão Nacional de Cultura Popular não chegou a ser reconhecida pelo MEC, coincidindo a sua proposta com o lançamento do Plano Nacional de Alfabetização.
7.1.4. O Plano Nacional de Alfabetização
7.1.5. É criado como fruto da Comissão Nacional de Alfabetização. Este plano previa que o governo federal entraria com recursos financeiros e assistência técnica, e a operacionalização ficaria a cargo de sindicatos e entidades estudantis.
7.1.6. O MEC, no entanto, deixa para se a tarefa de estender a todo o país a experiência do Plano-Piloto de Brasília, visando alfabetizar 5 milhões de brasileiros, até 1965, pelo sistema Paulo Freire, promovendo a incorporação desses 5 milhões de brasileiros ao colégio eleitoral antes das próximas eleições presidenciais. O PNA ou chegou a ser realizado em forma de "teste" em alguns estados do Brasil.
7.2. ABRIL
7.2.1. O PNA foi extinto pelo Decreto 53.886, 14 dias após o golpe de estado.
7.2.2. O CCP, como tantos organismos desta época, foi extinto violentamente nos primeiros dias de abril de 1964, deixando de existir sem que seus sócios fossem ouvidos, ou fosse convocada uma sessão onde pelo menos dois terços dos componentes do seu Conselho Deliberativo votassem a favor da dissolvição do mesmo.