1. Toxicodinâmica
1.1. Compreende a interação entre as moléculas do toxicante e os sítios de ação, específicos ou não, dos órgãos e, consequentemente, a alteração do equilíbrio homeostático.
1.2. A fase da toxicodinâmica é caracterizada pela presença, em sítios específicos, do agente tóxico ou dos produtos da biotransformação, que ao interagirem com as moléculas orgânicas constituintes das células produzem alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais que caracterizam o processo de intoxicação.
1.3. Nessa etapa podem ocorrer interações de adição, sinergismo, potenciação e antagonismo entre as substâncias. Essas interações poderão aumentar ou diminuir os efeitos tóxicos:
1.3.1. Adição – quando o efeito induzido por dois ou mais compostos é igual à soma dos efeitos de cada agente isolado.
1.3.2. Sinergismo – o efeito induzido por dois ou mais compostos juntos é maior do que a soma dos efeitos de cada agente.
1.3.3. Potenciação – quando um agente que primariamente é desprovido de ação tóxica aumenta a toxicidade de um agente tóxico.
1.3.4. Antagonismo – o efeito de um agente é diminuído, inativado ou eliminado quando combinado com outro agente.
2. Clínica
2.1. É a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda, alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo.
3. Intoxicação é um processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas, caracterizado por desequilíbrio fisiológico, consequente das alterações bioquímicas no organismo.
4. Exposição
4.1. É a fase em que as superfícies externa ou interna do organismo entram em contato com o toxicante.
4.2. considerar nessa fase a via de introdução, a frequência e a duração da exposição, as propriedades físico-químicas, assim como a dose ou a concentração do xenobiótico e a suscetibilidade individual.
4.3. Disponibilidade química do agente toxicante:
4.3.1. DOSE: quantidade do AT introduzido no organismo, expressa em unidade de massa por peso (mg/kg).
4.3.2. CONCENTRAÇÃO: exposição do indivíduo a uma determinada quantidade do AT.
4.4. Duração ou frequência da exposição:
4.4.1. Exposição a curto prazo (aguda): contato de curta duração e absorção do AT é rápida (não superior a 24 horas);
4.4.2. Exposição a médio prazo: exposição pode ocorrer num período de até um mês (subaguda) ou de uma a três meses (subcrônica);
4.4.3. Exposição a longo prazo (crônica): exposições se repetem por um longo período de tempo (meses, anos ou a vida toda).
5. Toxicocinética
5.1. Inclui todos os processos envolvidos na relação entre a disponibilidade química e a concentração do agente nos diferente tecidos do organismo. Intervém nessa fase a absorção, a distribuição, o armazenamento, a biotransformação e a excreção das substâncias químicas.
5.2. As propriedades físico-químicas dos toxicantes determinam o grau de acesso aos órgãos-alvos, assim como a velocidade de sua eliminação do organismo.
5.3. Fases de Toxicocinética:
5.3.1. Absorção é quando o agente tóxico passa de um meio externo para um meio interno, ou seja, é introduzido no organismo e vai para a circulação sistêmica.
5.3.1.1. A via dérmica é a porta de entrada mais frequente das intoxicações por agrotóxicos.
5.3.1.2. Vias respiratórias: o fluxo sanguíneo contínuo exerce uma boa ação de dissolução e muitos agentes químicos podem ser absorvidos rapidamente a partir dos pulmões.
5.3.1.3. Absorção via oral, digestiva ou trato gastrintestinal: No trato gastrintestinal (TGI) um agente tóxico poderá sofrer absorção desde a boca até o reto.
5.3.2. Na distribuição, o agente tóxico é transportado para o resto do organismo, podendo deslocar-se para diversos tecidos e células.
5.3.3. Biotransformação: para reduzir a possibilidade de uma substância desencadear uma resposta tóxica, o organismo apresenta mecanismos de defesa que buscam diminuir essa quantidade que chega de forma ativa ao tecido alvo, assim como reduzir o tempo de permanência em seu sítio de ação.
5.3.4. A excreção pode ser vista como um processo inverso ao da absorção, pois os fatores que interferem na entrada do xenobiótico no organismo, podem dificultar a sua saída.