1. Toxicidade dos quimioterápicos
1.1. Os quimioterápicos não agridem seletiva ou exclusivamente as células tumorais, pois não são especificos.
1.2. Em função da agressão às células normais também, se dá a toxicidade ou efeitos colaterais dos quimioterápicos.
1.3. Incide sobre o tecido hematopoiético (medula óssea).
1.4. Hematológica
1.4.1. Sua consequência imediata é a incapacidade da medula óssea de repor os elementos figurados do sangue, causando a leucopenia, a trombocitopenia e a anemia.
1.5. Gastrintestinal
1.5.1. Se manifesta em náuseas e vômitos, mucosite, anorexia, diarreia e constipação intestinal. A intensidade varia entre leve, moderada e severa, podendo ainda sobrepor-se ou seguir-se umas às outras.
1.5.2. Sua ocorrência é devido à estimulação do centro controlador do vômito (centro emético) localizado no sistema nervoso central.
1.5.3. A mucosite pós-quimioterapia é devido a destruição das células de revestimento de todo o trato gastrintestinal.
1.5.4. Esta agressão pode manifestar-se como ulcerações da mucosa oral, retal e anal e torna o paciente susceptível a infecções, necrose e sangramento.
1.5.5. Mudanças na musculatura e mucosa do estômago e intestino delgado retardam o processo digestivo, dando a sensação de saciação.
1.6. Cardíaca
1.6.1. Esta manifestação pode ser aguda, ocorrendo logo após as primeiras aplicações, mas é rara.
1.6.2. Caracteriza-se por insuficiência cardíaca congestiva e falência cardíaca.
1.7. Hepática
1.7.1. Está associada à utilização de vários quimioterápicos em graus variados, desde elevações transitórias de enzimas hepáticas até cirrose e fibrose hepáticas.
1.7.1.1. As alterações leves e moderadas revertem-se com a interrupção temporária do uso da droga, enquanto as graves podem ser irreversíveis.
1.8. Pulmonar
1.8.1. As lesões (fibrose pulmonar intersticial, inflamação nodular, hialinização) são infrequentes.
1.8.1.1. A manifestação pode ser aguda ou crônica e em ambos os casos aparecem tosse não produtiva, dispnéia, cianose, fadiga, confusão mental, o que pode levar a óbito.
1.9. Neurológica
1.9.1. As alterações podem ocorrer em nível central e periférico e são específicas para determinadas drogas.
1.9.1.1. As alterações centrais são as são mudancas mentais, ataxia cerebelar e convulsõe.
1.9.1.2. As periféricas são neuropatias periféricas e cranianas, aracnoidite e irritação meníngea.
1.10. Disfunções reprodutivas
1.10.1. Os danos decorrentes podem ainda ser temporários ou permanentes.
1.10.2. Estas disfunções manifestam-se através da supressão gonadal e dos efeitos teratogênicos das drogas usadas.
1.10.2.1. Pode ser temporária ou permanente, traduz-se por oligoespermia ou azoospermia, diminuição da libido e impotência sexual, irregularidades do ciclo menstrual e amenorreia
1.10.3. Efeitos teratogênicos: uso dos mesmos durante a gravidez traz risco real de abortos e malformações fetais.
1.10.3.1. Após o término do tratamento quimioterápico, a possibilidade de gestação é uma questão delicada.
1.11. Renal e vesical
1.11.1. Lesões renais sao muito importantes, pois os metabólitos das drogas e restos tumorais, são eliminados via aparelho urológico. Não havendo eliminação efetiva destes restos e metabólitos, a toxicidade quimioterápica fica aumentada.
1.11.2. As lesões renais mais importantes são a necrose tubular, a pielonefrite e a disfunção glomerular, que podem levar a quadros potencialmente fatais de insuficiência renal aguda.
1.11.3. Irritação e descamação do tecido de revestimento da bexiga urinária. Esta manifestação pode levar a quadros de cistite hemorrágica aguda.
1.12. Dermatológica
1.12.1. Pode ser local ou sistêmica
1.12.1.1. Sistemica
1.12.1.1.1. Formação eritomatosa e urticária, hiperpigmentação dérmica e de leitos ungueais, fotossensibilidade, recidiva de reação cutânea pós-radioterapia, e alopecia. São pouco graves e reversíveis.
1.12.1.2. Local
1.12.1.2.1. Ação irritante ou vesicante dos quimioterápicos no vaso e tecidos vizinhos ao local de sua aplicação.
1.12.2. Reações locais imediatas ou tardias
1.12.2.1. Dor, queimação, eritema, urticária, trombose venosa, fibrose venosa.
1.13. Alérgicas e anafilaxia
1.13.1. Locais
1.13.1.1. Caracterizam-se por eritema, urticária, queimação e prurido no local da punção e ao longo do trajeto venoso.
1.13.2. Sistêmica
1.13.2.1. Caracterizam-se por urticária, agitação, náusea, hipotensão, desconforto respiratório, edema facial, cólica abdominal, prurido, eritema cutâneo, tontura, tremores, constrição do tórax e/ou laringe, e cianose.
2. Tipos da quimioterapia e finalidades da quimioterapia
2.1. Adjuvante
2.1.1. Feira após a retirada cirúrgica completa do tumor ou após radioterapia curativa e na ausência de metástases detectáveis.
2.1.1.1. O objetivo é acabar com células cancerosas que possam ter restado durante o processo cirúrgico.
2.2. Neoadjuvante
2.2.1. Prévia ou citorredutora é indicada antes da cirurgia ou radioterapia.
2.2.1.1. Tem a finalidade de reduzir o risco de metástases ou promover a redução de tumores possíveis de tratamento locorregional.
2.3. Curativa
2.3.1. Finalidade de cura ou paliativa que visa o controle de sintomas.
2.3.2. Sistêmica.
2.3.2.1. Aplicada endovenosamente, ou "regional", quando é introduzida dentro de fluidos orgânicos específicos.
2.3.2.1.1. Tem a finalidade de atingir espaços que a quimioterapia sistêmica não conseguiu.
2.4. Altas dose
2.4.1. Emprego de grandes doses de uma droga no início da doença.
2.4.2. O número de células tumorais eliminadas está diretamente relacionado à dose da droga administrada, podendo ou não matar a célula cancerosa.
2.5. Poliquimioterapia
2.5.1. Utilização de mais de um agente citostático em combinação.
2.5.1.1. Finalidade de retardar o mecanismo de resistência do tumor.
2.5.2. Sinergismo ou efeito ativo aditivo
2.5.2.1. Somatória dos benefícios obtidos com o emprego isolado e a possibilidade do uso de dose menores das drogas usadas.
3. Classificação das drogas antineoplásicas
3.1. Agentes alquilante
3.1.1. Capazes de causar alterações nas cadeias do DNA celular, impedindo sua replicação em qualquer fase do ciclo, mantendo a célula em repouso.
3.2. Antimetabólitos
3.2.1. Estruturalmente se assemelham aos metabólitos naturais, principalmente ao funcionamento celular.
3.2.1.1. Incorpora-se à célula e transmite mensagens errôneas, bloqueando assim a produção de enzimas necessárias à síntese de substâncias fundamentais ou interpondo-se às cadeias do DNA e RNA.
3.3. Antibióticos antitumorais
3.3.1. Agentes resultantes da fermentação de fungos que possuem propriedades citotóxicas.
3.3.1.1. Interfere na síntese de ácidos nucleicos, impedindo a duplicação e separação das cadeias de DNA e RNA nesta fase específica do ciclo celular.
3.4. Nitrosuréiais
3.4.1. Ação similar à dos agentes alquilantes.
3.4.1.1. São lipossolúveis, passando assim pela barreira hematoliquórica.
3.4.1.1.1. Algumas atuam em fases específicas do ciclo celular e outras não, agredindo células tanto em repouso como em processo de divisão ativa.
3.5. Alcalóides da vinca
3.5.1. Inibidores mitóticos.
3.5.1.1. Atuam especificamente sobre células em fase de mitose, impedindo a formação dos microtúbulos.
3.6. Miscelânia
3.6.1. Agentes antineoplásicos com mecanismos de ação variados, com características e toxicidades diversas entre si.
3.7. Agentes hormonais
3.7.1. Deter crescimento tumoral.
4. Mecanismos de ação
4.1. Drogas aniquilantes.
4.1.1. Destroem neoplasmas, células malignas.
4.1.2. Consiste no emprego de substâncias químicas, isoladas ou em combinação.
4.1.3. Evitam ou inibem o crescimento e a disseminação de tumores.
4.1.4. Tratamentos: primário, paliativo, adjuvante e neoadjuvante.
4.1.5. Atua em nível celular, interferindo no ciclo celular, contudo sem especificidade, destruindo não seletivamente ou exclusivamente as células tumorais.