1. George Berkeley (1685-1 753)
1.1. George Berkeley nasceu e foi educado na Irlanda. Homem profundamente religioso, foi ordenado diácono da Igreja Anglicana aos vinte e quatro anos de idade
1.2. Pouco depois, publicou duas obras filosóficas que iriam ter influência sobre a psicologia: An Fssay Towards a New llieoiy of Vislon (Ensaio para uma Nova Teoria da Visão) (1709) e A Treatise Concerning the Principies of Hwnan Knowledge (Tratado Acerca dos Princípios do Conhecimento Huma no) (1710). Com esses dois livros, terminou a sua contribuição à psicologia.
1.3. Fez muitas viagens pela Europa e ocupou alguns postos na Irlanda, incluindo o de professor no Trinity Coliege, de Dublin. Conseguiu a independência financeira ao receber uma significativa doação em dinheiro de uma mulher que ele conhecera numa festa.
1.4. Visitou os Estados Unidos, tendo passado três anos em Newport, Rhode Island, e doou sua casa e biblioteca à Universidade Yale quando partiu. Nos últimos anos de sua vida foi bispo de Cloyne. Ao morrer, seu corpo foi deixado na cama, segundo as suas instruções, até começar a se decompor. Berkeley acreditava que a putrefação era o único indício seguro de morte, e não queria ser enterrado antes da hora.
1.5. Berkeley concordava com Locke que todo conhecimento do mundo exterior vem da experiência, mas discordava da distinção lockeana entre qualidades primárias e secundárias.
1.5.1. Berkeley também empregou a associação para explicar a percepção em profundidade.
2. David Huine (1711-1776)
2.1. David Hume, filósofo e historiador, estudou Direito na Universidade de Edimburgo, na Escócia, mas não se graduou. Dedicou-se a uma carreira comercial, mas, como não a achou do seu agrado, viveu com sua pequena renda durante três anos de estudo autodidático no campo da filosofia na França.
2.2. Mudou-se para a Inglaterra e escreveu A Treatise of Huínan Nature (Tratado sobre a Natureza Humana) (1739), seu trabalho de maior importância para a psicologia. Seguiram-se outros livros, e ele alcançou considerável fama como escritor, enquanto trabalhava como secretário, bibliotecário, juiz-advogado de uma expedição militar e tutor de um lunático de berço nobre. Ocupou também vários cargos governamentais e foi muito bem recebido na Europa.
2.2.1. Hume apoiou a noção lockeana da combinação de idéias simples em idéias complexas, e desenvolveu e tornou mais explícita a teoria da associação. Concordou com Berkeley que o mundo material não existe para o indivíduo até ser percebido,
2.2.1.1. aboliu a mente como substância, dizendo que ela, tal como a matéria, é uma qualidade secundária. A mente só é observável por meio da percepção e não passa do fluxo de idéias, sensações e lembranças.
2.2.1.1.1. Estabeleceu uma distinção entre duas espécies de conteúdo mental: impressões e idéias. As impressões são os elementos básicos da vida mental, assemelhando-se à sensação e à percepção na terminologia de hoje. As idéias são as experiências mentais que temos na ausência de objetos estimulantes; seu equivalente moderno é a imagem.
3. David Hartley (1705-1757)
3.1. David Hartley, filho de um ministro religioso, preparava-se para uma carreira eclesiástica , mas voltou-se para a medicina por causa de dificuldades doutrinais.
3.1.1. Em 1749, publicou Observations on Man, His Frame, His Duty, and Hís Expectations (Observações sobre o Homem, sua Consti tuição, seu Dever e suas Expectativas). Essa foi sua obra mais importante, considerada por muitos a primeira exposição sistemática da associação.
3.1.1.1. A lei fundamental de associação de Hartley é a contiguidade, com a qual ele tentou explicar os processos da memória, do raciocínio, da emoção, bem como da ação voluntária involuntária
3.1.1.1.1. Hartley foi primeiro a aplicar a doutrina da associação para explicar todos os tipos de atividade mental
4. John Stuart Miii (1806-1873)
4.1. James Mili aceitou o argumento de Locke de que a mente humana, ao nascer, é como um papel em branco, uma folha vazia que a experiência vai preencher.
4.1.1. Quando seu filho Johi nasceu, Miii resolveu que determinaria as experiências que iriam preencher a mente do menino, e empreendeu o que pode ser considerado o mais rigoroso exemplo de educação particular registrado.
4.1.1.1. registrado. Todos os dias, por até cinco horas, ele ensinava ao filho grego, latim álgebra, geometria, lógica, história e economia política, questionando-o repetidas vezes até que ele desse as respostas corretas.
4.1.1.1.1. Aos três anos de idade, John Stuart Miii lia Platão no original em grego. Aos onze escreveu seu primeiro artigo acadêmico e, aos doze, já dominava o currículo universitário padrão da época. Aos dezoito, ele descreveu a si mesmo como uma “máquina lógica” , com 21 anos sofreu um grave colapso mental, com intensas sensações de depressão. Foram necessários vários anos para que recuperasse seu senso de valor pessoal.
5. René Descartes ( 1596-1650)
5.1. Nasceu na França em 1596
5.1.1. De 1604 a 1612 Foi aluno de um colégio jesuíta
5.1.1.1. 1617, tornou-se cavalheiro voluntário dos exércitos da Holanda, da Bavária e da Hungria atitude estranha para alguém de natureza tão contemplativa.
5.1.1.1.1. 1635, deu à luz a uma filha. Descartes adorava a criança e ficou arrasado quando ela morre aos cinco anos de idade. Ele descreveu essa perda como o mais profundo sofrimento da sua vida
5.1.1.1.2. Descartes tinha profundo interesse em aplicar o conhecimento a questões práticas. Pe:
5.1.1.1.3. quisou técnicas que evitassem o embranquecimento do cabelo e realizou experimentos sobre
5.1.1.1.4. uso de cadeiras de roda por pessoas fisicamente deficientes.
5.1.1.1.5. Em novembro de 1619, ainda no exército, Descartes teve uma série de sonhos q modificaram a sua vida.
5.1.1.1.6. Vendeu as propriedades herdadas do pai e mudou-se para o interior da Holanda em 1628.
5.2. Quase todas as suas obras mais importantes foram escritas durante os seus anos na Holanda, onde a liberdade de pensamento era garantida. No entanto, foi vítima de certa perseguição religiosa. Num dado momento, os livreiros foram proibidos de vender suas obras,
5.2.1. Dentre as contribuições do matemático e filósofo francês René Descartes à psicologia estão a doutrina das idéias inatas, a noção da ação reflexa e uma teoria da interação mente-corpo.
5.3. 11 de fevereiro de 1650. Morre de pneumonia
5.3.1. Descartes encontrou apoio para a sua interpretação mecânica do funcionamento do corpo humano no campo da fisiologia. Em 1628, o médico inglês William Harvey descobrira os fatos
5.3.1.1. Depois de Descartes, foi rápido e prolífico o desenvolvimento da ciência moderna em geral e da psicologia em particular. Por volta da metade do século XIX, o longo período da psicologia pré-científica tinha chegado ao fim.
5.4. O Mecanismo Mente-Corpo O mais importante trabalho de Descartes em favor do progresso da psicologia é sua tentativa de resolver o problema mente-corpo, objeto de controvérsia durante séculos
5.4.1. (Lowry, 1982). A mente é como o manipulador, movimentando os cordões do corp Descartes aceitou essa posição dualista.O
6. Mecanicismo
6.1. Científico (Boorstin, 1983). Os relojoeiros foram os primeiros a aplicar teorias da física e da mecânica à construção de máquinas.
6.1.1. Os relógios e figuras mecânicas do século XVII influenciaram a direção que a nova psicologia seguiria em quase toda a sua existência.
6.1.1.1. Em 1748 Julien de la Mattrie afirmou: Temos a coragem de concluir que o homem e maquina
6.2. Relógio mecânico
6.2.1. Mãe da epoca
6.2.2. Avida foi regularizada e se tornou mais organizada
6.2.3. Metáfora perfeita para o espirito da época
6.3. Influencias principais
6.3.1. O pato mecânico
6.3.2. 1739-Paris - Jacques de Vaucanson
6.3.3. Gançava como um pato
6.3.4. Esticava a perna para se levantar
6.3.5. Esticava seu pescoço para pegar milho com seu bico e o engolia
6.3.6. Depois excretava
6.4. passaram a considerar o universo “um grande relógio” (Boorstin, 1983,
7. (Robinson, 1981,). O conhecimento derivado da metafísica e da teologia devia ser rejeitado; só o conhecimento produzido pela ciência era considerado válido.
7.1. Outras idéias no campo da filosofia sustentavam o positivismo antimetafísico. Os estu diosos adeptos do materialismo acreditavam que todas as coisas podiam ser descritas em termos físicos e compreendidas à luz das propriedades físicas da matéria e da energia. Eles pensavam que a consciência também podia ser explicada nos termos da física e da química. As considerações materialistas dos processos mentais privilegiavam o aspecto físico, isto é, as estruturas anatômicas e fisiológicas do cérebro.
7.1.1. Um terceiro grupo de filósofos, os defensores do empirismo, estava voltado para o modo como a mente adquire conhecimento. Eles alegavam que todo conhecimento é derivado da experiência sensorial.
7.1.1.1. Dentre essas três orientações filosóficas, coube ao empirismo o principal papel na configuração das primeiras etapas do desenvolvimento da nova ciência psicológica. O empi rismo estava voltado para o desenvolvimento da mente, para o modo como ela adquire conhecimento. Segundo a concepção empirista, a mente se desenvolve por meio do acúmulo progressivo de experiências sensoriais. Essa idéia se opõe à perspectiva nativista exemplificada por Descartes, que afírma que algumas idéias são inatas. Vamos considerar alguns dos princi pais empiristas britânicos: John Locke, George Berkeley, David Hume, David Hartley, James Miii e John Stuart Mil.
8. John Locke (1632-1704)
8.1. Filho de um advogado, John Locke estudou em universidades em Londres e Oxford (Inglaterra); e recebeu o grau de bacharel e em 1656 o de mestrado
8.1.1. em 1667, foi para Londres para ser secretário do Conde de Shaftesbury
8.1.2. Em 1681, depois de participar de uma conspiração contra o rei Carlos II, fugiu para a Holanda. Embora Locke não se tivesse envolvido na conspiração, seu relacionamento com o conde o deixou sob suspeita, levando-o a fugir também para a Holanda. Vários anos depois, ele voltar à Inglaterra, onde se tomou Comissário de Apelações e escreveu tratados sobre a educação, a religião e a economia. Locke tinha particular interesse pela liberdade
8.1.3. Seus escritos lhe conferiram muita fama e influência, e ele foi louvado por toda a Europa como defensor do liberalismo no governo.
8.1.4. Sua principal obra de importância para a psicologia é An Fssay Concerning Human Understanding (Ensaio Acerca do Entendimento Humano) (1690), que foi o ponto culminante de quase vinte anos de estudo e reflexão. Esse livro, que até 1700 teve quatro edições e foi traduzido para o francês e para o latim, assinalou o início formal do empirismo britânico.
8.2. Para Locke, o conhecimento é adquirido por meio da experiância. Todo conhecimento tem base empírica. Ele escreveu: Suponhamos, pois, que a mente seja, como dizemos, um papel em branco, desprovido de todos os caracteres, sem quaisquer idéias. Como ele vai ser preenchido? De onde há de vir esse vasto estoque que a fantasia humana, ativa e ilimitada, pintou nele com uma variedade quase infinita? De onde ele retira todos os elementos da razão e do conhecimento? A isso respondo, em uma palavra: da experiência. Nela está fundado todo o nosso conhecimento; e dela deriva, em última análise, o próprio conhecimento (Locke, 1690/1959).
8.2.1. Locke também distinguia entre idéias simples e idéias complexas. As idéias simples podem advir da sensação e da reflexão, sendo recebidas passivamente pela mente. São elemen tares e, por isso, não podem ser analisadas nem reduzidas a idéias mais simples.
8.2.2. Essas idéias derivadas são o que Locke denominou idéias complexas, que são formadas a partir de idéias simples advindas tanto da sensação como da reflexão. As idéias complexas se compõem de idéias simples, razão por que podem ser analisadas ou decompostas em idéias simples.
8.2.3. Outra doutrina proposta por Locke, relevante para a psicologia, é a noção de qualidades primárias e secundárias aplicada a idéias sensoriais simples. As qualidades primárias existem no objeto quer as percebamos ou não. O tamanho e a dimensão de um edifício são qualidades primárias, ao passo que a sua cor é uma qualidade secundária