ÉTICA
von Nayhh Silvahh
1. A REFLEXÃO ÉTICA GREGA
1.1. Na Grécia Antiga, a ética estava intrinsecamente ligada à política, ou seja, à administração da pólis. Tratava-se, no entanto, de um campo reservado apenas aos homens livres.
1.2. Enquanto isso, na vida privada prevaleciam a desigualdade e a ausência de liberdade, já que mulheres e escravos estavam destinados a manter a subsistência da vida humana em atividades relacionadas ao corpo: a mulher pela procriação e o escravo pelo trabalho manual.
2. ARISTÓTELES: A VIRTUDE
2.1. Aristóteles (c. 384 - 322 a.C.) aprofundou a discussão a respeito das questões éticas. Na obra Ética a Nicômaco, refletiu sobre o fim último de todas as atividades humanas, uma vez que tudo o que fazemos visa alcançar um bem - ou o que nos parece ser um bem. Ao examinar os bens desejáveis, como os prazeres, a riqueza, a honra, a fama, o filósofo observa que estes não são fruídos por si mesmos, mas visam sempre a outra coisa.
2.2. Pergunta-se, qual seria o sumo bem, aquele que é um fim em si mesmo, e não um meio para o que quer que seja, e encontra resposta no conceito de "boa vida", de "vida feliz".
2.3. Mesmo que reservasse ao filósofo o exercício mais complexo da racionalidade, Aristóteles reconhecia que as pessoas comuns também aspiram ao saber e se deleitam com ele, satisfeitas por esclarecer dúvidas ou compreender melhor algo que antes lhes parecia confuso.
2.4. A vida humana não se resume ao intelecto e encontra sua expressão na ação, em uma atividade bem realizada. Para Aristóteles, o bem é a ação exercida de acordo com sua excelência ou virtude.
2.5. A função própria de um homem é a atividade de sua alma em conformidade com um princípio racional. Aristóteles dá os exemplos de um tocador de lira e de um bom tocador de lira: embora genericamente ambos desempenham a mesma função, um bom tocador de lira realiza sua atividade com excelência.
2.6. É por isso que a vida moral não se resume a um só ato moral, mas a repetição do agir moral.
3. JUSTIÇA E AMIZADE
3.1. C
3.2. A justiça pode ser uma virtude moral ou política.
3.3. Aristóteles explica a justiça em termos de proporção e igualdade.
3.4. Tratar as pessoas com justiça consiste em distribuir os bens em sua devida proporção.
3.5. A justiça deve ser também distributiva, quando são consideradas as diferenças entre as pessoas.
3.6. No caso, a justa distribuição de bens, direitos e responsabilidades.
3.7. Aristóteles diz sobre a amizade: a amizade é a coroação da vida virtuosa, possíveis apenas entre os prudentes e justos.
3.8. Amar a si e aos amigos de maneira generosa e desinteressada.
4. DIVERSIDADES DE TEORIAS ÉTICAS
4.1. Por que estudar as diferentes teorias éticas?
4.2. Ao estudá-las percebemos que a discussão sobre ética é muito mais rica e complexa do que suspeitamos.
4.3. Nossas argumentações alcançariam rigor maior se recorrêssemos aos pensadores que nos antecederam, não para segui-los cegamente, mas para refletirmos com mais propriedade e autonomia.
5. PLATÃO: ÉTICA E SABEDORIA
5.1. Em inúmeros diálogos, Platão (c. 428 - 347 a.C.) descreve as discussões de Sócrates a respeito das virtudes e da natureza do bem, nos quais ressalta a convicção de que a virtude se identifica com a sabedoria, e o vício, com a ignorância. A virtude, portanto, pode ser aprendida.
5.2. Na célebre passagem de A República em que Platão descreve a alegoria da caverna, reaparece essa ideia: o sábio é o único capaz de se soltar das amarras que o obrigavam a ver apenas sombras e, ao dirigir-se para fora, pode contemplar o Sol, que representa a ideia do bem. Portanto, "alcançar o bem" depende da capacidade de "compreender bem".
6. MORAL E ÉTICA
6.1. Os conceitos de moral e ética, ainda que diferentes, são com frequência usados como sinônimos.
6.2. Moral: é o conjunto de regras que determinam o comportamento dos indivíduos em um grupo social. Em um primeiro momento, o sujeito moral é o que age bem ou mal ao atacar ou transgredir as regras morais admitidas em determinada época ou por um grupo de pessoas. No entanto, essa definição é incompleta, por isso mais adiante voltaremos a ela para complementá-la. A moral refere-se à ação moral concreta, quando nos perguntamos: o que devo fazer? Como devo agir nessa situação? O que é certo? O que é condenável.
6.3. Ética ou filosofia moral: é a reflexão sobre as noções e princípios que fundamentam a vida moral. Esses princípios e noções dependem da concepção de ser humano tomada como ponto de partida. Por exemplo, à pergunta "O que são o bem e o mal?", respondemos diferentemente caso o fundamento da moral esteja na ordem cósmica, na vontade de Deus, na natureza humana ou em nenhuma ordem exterior à própria consciência.
7. O JUSTO MEIO
7.1. A moral não é uma ciência exata, pois depende de elementos irracionais da alma, como os afetos fortes das paixões humanas, a fim de submetê-los à ordem de razão.
7.2. A propósito, Aristóteles desenvolveu a teoria da mediana- ou justo meio-, pela qual toda virtude é boa quando é controlada no seu excesso e na sua falta.
7.3. Em outras palavras, agir virtuosamente é encontrar a mediania entre dois extremos, que são chamados "vícios".
7.4. Exemplos:
7.5. - A virtude da coragem torna-se excessiva quando é temeridade ( audácia excessiva), e deficiente quando é covardia.
7.6. - "Gastar dinheiro" pode significar a virtude da generosidade, da prodigalidade, enquanto seus extremos são a dissipação ou a avareza.
7.7. - A virtude de temperança é o meio-termo entre voluptuosidade e insensibilidade.
7.8. - No trato com os outros, a virtude é a afabilidade, enquanto seus extremos são a subserviência e a grosseria.
7.9. E Aristóteles conclui que a virtude é uma espécie de mediania, já que ela visa ao meio-termo.