Transição Demográfica e Epidemiológica
von Bruno Med 1
1. Conceito: A palavra transição tem como significado, comportamento, efeito ou uma forma de mover-se lentamente de um lugar, estado ou subordinado a outro. Refere-se ao conceito de passagem, caminho ou trajetória, destacando as características procedimentais a que o termo se refere e, portanto, as características do movimento. Ao se falar em transformação da saúde pública, diferentes movimentos transformacionais que perpassam a história da humanidade estão inseridos sob esse rótulo, criando "impressões" em cada configuração social específica.
2. Estágios das Transições Demográficas: Estágio 1: Uma sociedade pré-industrial típica, caracterizada por promover o crescimento por meio de taxas de natalidade e mortalidade extremamente altas (especialmente crianças). A população é lenta ("equilíbrio populacional"). Estágio 2: Conhecido como estágio intermediário, país típico em processo industrialização. Coeficiente de mortalidade se reduziu significativamente, mas a taxa de natalidade ainda é alta, causando desequilíbrio traduzido em um grande aumento da população. Estágio 3: Os números de natalidade inicia uma importante redução, ao mesmo tempo em que o coeficiente de mortalidade continua com uma tendência decrescente, iniciada no estágio 2. Por essa razão, o crescimento demográfico nesta terceira fase continua sendo relativamente alto. Estágio 4: Esta última fase é típica das sociedades pós-industriais e se caracteriza por coeficientes de mortalidade e natalidade reduzidos; consequentemente, o crescimento natural da população volta a alcançar um estado de equilíbrio. Esta última fase é típica das sociedades pós-industriais e se caracteriza por coeficientes de mortalidade e natalidade reduzidos; consequentemente, o crescimento natural da população volta a alcançar um estado de equilíbrio.
3. Esta última fase é típica das sociedades pós-industriais e se caracteriza por coeficientes de mortalidade e natalidade reduzidos; consequentemente, o crescimento natural da população volta a alcançar um estado de equilíbrio.
4. O comportamento da fecundidade/natalidade/mortalidade acarretou uma tendência de redução no ritmo de crescimento populacional durante a segunda metade do século XX. A taxa de crescimento da população brasileira, que se situava no nível de 2,94% em 1900, chegando a 3% no ano de 1950, reduziu-se para 1,5% ao ano em 2000. Estima-se que em 2050 estará no patamar de 0,24% e alcançará o “crescimento zero” por volta de 2062, quando passará a apresentar taxas de crescimento negativas.
5. Desde a segunda metade do século XIX, os países têm considerado seu desenvolvimento industrial o polo central da economia mundial e suas características epidemiológicas sofreram grandes mudanças. De um modo geral, essas mudanças são restringidas por dois fatores principais: 1. Mudanças na estrutura etária da população; 2. Mudanças de longo prazo Padrões de morbidade e mortalidade.
6. Apesar da relativa escassez de estudos voltados à questão nutricional-alimentar na população brasileira, no contexto da transição epidemiológica, já se pode caracterizar, em anos mais recentes, um processo de transição nutricional.
7. Crescimento Histórico (Exponencial): A população mundial estimada para os primeiros anos do terceiro milênio já atinge a casa dos bilhões de habitantes. Entretanto, esse contingente populacional levou séculos para atingir tal patamar e apresentou diferentes ritmos de crescimento através das diversas épocas históricas. No começo da era cristã (ano I d.C.) atingira o patamar de 300 milhões, sendo necessários 1237 anos para que esse valor fosse duplicado; assim, por volta de 1750, a população mundial chegava aos 800 milhões de habitantes. A partir daí, foram necessários aproximadamente 150 anos para que esse contingente dobrasse novamente, atingindo um milhão e 700 mil habitantes em 1900; e apenas 50 anos para nova duplicação, chegando a dois milhões e 500 mil habitantes, em 1950. Em 2000 a população mundial era de 6.085.572 habitantes (um crescimento de 2,5 vezes em 50 anos), com estimativa de um total 9.075.903 para o ano de 2050.
8. O “envelhecimento demográfico” ou “envelhecimento da população” é o acúmulo progressivo de maiores contingentes populacionais nas faixas etárias mais avançadas. Caracteriza-se pela redução da participação relativa de crianças e jovens, acompanhada do aumento proporcional dos adultos e, particularmente, dos idosos, na população.
9. A transformação dos perfis epidemiológicos no Brasil apresenta um caráter diferenciado que não se adequa necessariamente ao modelo de substituição das doenças infecciosas e parasitárias por doenças crônico-degenerativas, acidentes e violências. A análise do contexto brasileiro, como de toda a América Latina, mostra que a transição epidemiológica não tem seguido o mesmo processo verificado na grande maioria dos países industrializados centrais do capitalismo.
10. O Brasil apresenta uma situação paradoxal, considerando-se a existência de indicadores econômicos em níveis incompatíveis com os dos seus indicadores sociais, incluindo-se os de saúde, como, por exemplo, os coeficientes de mortalidade infantil e a expectativa de vida ao nascer. Ainda que seja observada uma tendência de melhoria de alguns indicadores de saúde no país, a diferença dessas tendências propicia a persistência, ou a ampliação, das desigualdades regionais.