Psicanálise/técnicas psicanalíticas
von alexandra junqueira
1. A livre associação foi um método utilizado por Freud, em substituição à hipnose. “Diga, pois, tudo que lhe passa pela mente". A simples mecânica do falar já era parte do alívio da tensão psíquica; e, em termos de conteúdo, aquilo que está associado conscientemente dá indícios do que está oculto, ao que o “desejo” manifesta no inconsciente.
2. repetição/compulsão à repetição: Muitas vezes, aquilo que foi esquecido e recalcado, ao invés de ser reproduzido como recordação, é repetido como ação. A compulsão à repetição substitui o impulso para recordar.
3. Transferencia : Quando o paciente passa a se interessar por tudo o que se relaciona com a figura do analista, atribuindo a isso por vezes maior importância do que a que demonstra por suas próprias questões, parece se desviar de sua própria doença. É este tipo de relação muito especial que sustenta o trabalho de análise. O que garante efetivamente a situação analítica não são tanto os dispositivos proporcionados pelo setting, dos quais Freud tratou em recomendações aos Médicos que Exercem a Psicanálise (Freud, 1912b) e em Sobre o Início do Tratamento (Freud, 1913), mas a posição simbólica assumida pelo analista no percurso de uma análise.
4. A contratransferência se trata das emoções e sensações que o terapeuta vive ao longo de uma sessão. Trata-se de uma reação interna resultante da relação com o seu paciente e da forma como o terapeuta é impactado pelas histórias dele. Desse modo acontece uma identificação pessoal, consciente ou não, sentida intimamente pelo próprio analista com o seu analisado.
5. Recordação: Para Freud, o objetivo da cura analítica era tornar conscientes as recordações psíquicas precoces recalcadas.O paciente deve recordar determinadas vivências e as moções emocionais correspondentes, pois somente assim se convencerá de que a realidade aparente nada mais é, na verdade, que o reflexo de um passado esquecido (1920, 16f). O que é recordado não são os acontecimentos ou fatos em si, e sim sua transformação e seu processamento psíquico
6. Elaboração: Deve-se dar ao paciente tempo para conhecer melhor essa resistência com a qual acabou de se familiarizar, para elaborá-la, para superá-la, pela continuação, em desafio a ela, do trabalho analítico, segundo a regra fundamental da análise. Só quando a resistência está em seu auge é que pode o analista, trabalhando em comum com o paciente, descobrir os impulsos recalcados que estão alimentando a resistência; e é este tipo de experiência que convence o paciente da existência e do poder de tais impulsos. O médico nada mais tem a fazer senão esperar e deixar as coisas seguirem seu curso, que não pode ser evitado nem continuamente apressado (FREUD, 1914/1996, p. 202).
7. atenção flutuante: técnica e coaduna com o método psicanalítico na medida em que do lado do analista se espera uma disponibilidade psíquica para que a escuta acompanhe as associações do analisante naquilo que Freud chamou de “ocorrências”, ou seja, naquelas “[...] ocorrências involuntárias, geralmente sentidas como pensamentos que atrapalham e que, por isso, sob condições normais seriam afastados, pois costumavam atravessar o contexto de uma apresentação [Darstellung] intencionada” (FREUD, 2017/ 1904 [1905], p. 53).
8. Resistência: conceito que se refere, principalmente, a obstáculos localizados no decorrer do tratamento e que são formas do sujeito defender o seu sintoma.A resistência configura-se como um obstáculo à regra fundamental de modo que o sujeito não se coloca em associação livre e deixa de dizer aquilo que vem a sua cabeça no decorrer das sessões. No texto Recordar, repetir e elaborar (FREUD, 1914/1996), Freud afirma que o sujeito encontra-se sob resistência quando ele paralisa suas associações porque seus pensamentos estão direcionados para a figura do analista.
9. Freud desenvolveu uma arte da interpretação, que tem o mérito de, a partir dos minérios das ocorrências involuntárias, representar o teor de metal dos pensamentos recalcados.trata-se de uma série de regras obtidas empiricamente, mostrando como, a partir de ocorrências, pode-se construir o material inconsciente, bem como instruções acerca de como entender quando as ocorrências do paciente falham, além de experiências sobre as resistências típicas mais importantes que aparecem no decorrer de um tratamento deste tipo” (FREUD, 2017/1904 [1905], p. 55, grifo do autor).
10. fim de Analise: considerações acerca da eficácia e do final de análise são, portanto, o principal aspecto discutido por Freud em seu texto Análise terminável e interminável. Ele defendeu que, no final da análise, o analisando tanto pode aceitar e consentir com um modo de satisfação pulsional que, até então, ele havia rejeitado, quanto, também, pode renovar essa rejeição e produzir um novo recalque, mais bem sucedido (Freud, 1937/1980). Nesse último caso, não há, entretanto, garantia de que, diante de novas situações e exigências pulsionais, o recalcado não retorne.
10.1. As considerações acerca da eficácia e do final de análise são, portanto, o principal aspecto discutido por Freud em seu texto Análise terminável e interminável
10.2. As considerações acerca da eficácia e do final de análise são, portanto, o principal aspecto discutido por Freud em seu texto Análise terminável e interminável