MESTRADO PROFISSIONAL EM LETRAS

Priscila de Souza Chisté Leite - Contribuições do materialismo histórico-dialético para as pesquisas em Mestrados Profissionais na área de ensino de humanidades

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1. SEMINÁRIO III

1.1. Disciplina: Elaboração de projetos Prof. Dr. Alaim Souza Neto Mestrandos: Giovani e Shirlley

1.2. Título: Contribuições do materialismo histórico-dialético para as pesquisas em Mestrados Profissionais na área de ensino de humanidades Autora: Priscila de Souza Chisté Leite

2. ARTIGO

2.1. Objetivo: Apresentar as contribuições do materialismo histórico-dialético para as pesquisas em mestrados profissionais na área de ensino de humanidades.

2.2. Estruturado em 4 seções:

2.2.1. 1. Inicialmente, revisa o conceito de materialismo histórico-dialético, trançando um paralelo entre pressupostos do método MHD e das pesquisas aplicadas (cunho participativo);

2.2.2. 2. Em seguida, contextualiza o surgimento dos mestrados profissionais no Brasil, evidenciando suas especificidades;

2.2.3. 3. Logo após, retoma e aprofunda os pressupostos do materialismo histórico-dialético para, depois, estabelecer um diálogo com as pesquisas do tipo participante;

2.2.4. 4. Por último, para exemplificar a abordagem, exibe algumas pesquisas desenvolvidas em um mestrado profissional, mais especificamente no IFES.

3. Pressupostos do Materialismo Histórico-dialético

3.1. Vázquez (1968):

3.1.1. • MHD: concepção/modelo de interpretação e de ação no mundo >> práxis revolucionária de transformação humana radical >> desvenda contradições >> evidencia mecanismos de dominação. • Conhecimento é social >> apropriação necessária >> constituição do sujeito.

3.2. Rodriguez (2014):

3.2.1. • MHD: realidade não pode ser explicada de infinitas formas >> essência do objeto não muda. • MHD: homem é o maior artesão da realidade >> se constitui a partir das relações que a humanidade estabelece entre si e entre a natureza. • Fatos sociais não estão isolados >> relação dinâmica e dialética entre o singular, o universal e o particular.

3.3. Martins (2006):

3.3.1. Dimensões do fenômeno (objeto de conhecimento): • expressão singular: o que é imediato; • expressão universal: suas complexidades, suas conexões internas e a sua totalidade histórico-social. • configuração particular: especificidades de uma dada realidade. Análise dialética das três dimensões >> construção do conhecimento objetivo >> indivíduos ou totalidade social.

3.4. Martins (2008):

3.4.1. Três passos >> alcançar o conhecimento do objeto >> desvelar a realidade: 1º - tomada de consciência das partes da totalidade a ser conhecida, abstraindo-as do todo; 2º - conhecimento detalhado dessas partes pelo processo da análise; 3º - superação da visão analítica, buscando conhecer as mediações que se estabelecem entre as partes, das partes com o todo e deste para as partes, de modo a produzir uma síntese da realidade, que reproduz no pensamento o concreto, o real, com todos os seus movimentos, suas determinações e significações, tornando-se um concreto pensado.

3.4.1.1. “[...] passa pela abstração do que empiricamente se apresenta de forma desorganizada, avançando para a análise das suas partes constituintes, decompondo o todo caótico, até chegar à síntese”. Martins (2008, p. 137)

3.5. • Concebe o objeto do conhecimento >> elemento dinâmico >> diacronia do tempo histórico >> múltiplas relações com o que está a sua volta. • Conhecimento >> realidade dinâmica >> processo incorporado >> realidade essencial (mais rica) e não aparente (ideia) >> transformação do mundo. • Uma abordagem teórica imprescindível no trato metodológico-investigativo >> impulsiona o pesquisador a analisar de modo aprofundado seu objeto de pesquisa >> visa transformar coletivamente (forma sútil e processual), a realidade.

3.6. MHD

4. Materialismo histórico-dialético e as pesquisas participantes

4.1. Pesquisa participante:

4.1.1. • Origem marxista >> abordagem dialética. • Surge à margem das universidades e de seu universo científico. (BRANDÃO, 2015); via estudantes e professores ativistas de causas sociais >> militantes da educação popular. • América Latina, década de 1960, manteve-se ligada a ideias e ações sociais de tendência emancipatória; instrumentalizavam a educação popular, a teologia da libertação e os movimentos sociais populares. • Década de 1980, acompanharam o movimento de redemocratização do país. • Retorno de Paulo Freire >> eventos em educação >> Conferência Brasileira de Educação >> discussões sobre métodos de pesquisa participativos >> sistematização de produções importantes. (p. 853)

4.2. Fals Borda (1984, p. 43):

4.2.1. • Refere-se à pesquisa da ação voltada às necessidades de populações >> classes mais carentes nas estruturas sociais contemporâneas >> considerando suas aspirações e potencialidades de conhecer e agir. • Metodologia >> aquisição de conhecimento e consciência >> determinado grupo assume (crítica e autônoma) seu papel de protagonista e ator social >> transformação. • MHD influenciou a sistematização desse método de investigação; • Metodologias de pesquisas participantes – de participação coletiva – favorecem o desvelamento do real >> contribuem com o seu processo de transformação.

4.3. Como se faz?

4.3.1. Falz Borda (1984), princípios metodológicos: 1. compreender o espaço intelectual e técnico do pesquisador apresentando o seu compromisso com a causa popular; 2. evitar copiar tendências sem levar em conta o meio cultural em que a pesquisa está inserida; 3. ouvir as bases de forma organizada e sem arrogância intelectual; 4. sugerir o que será investigado de modo participativo; 5. promover o conhecimento teórico e metodológico contribuindo para a independência das lideranças na realização de outras pesquisas; 6. observar no campo investigado as aplicações concretas dos princípios da pesquisa, mantendo ação e reflexão constantes no trabalho de campo; 7. utilizar técnicas de produção de dados que promovam o diálogo, rompendo com a assimetria das relações sociais geralmente impostas por alguns pesquisadores; 8. ter em mente que os problemas sociais contemporâneos exigem, para explicação e solução, níveis complexos de análise que ultrapassam qualquer área especializada.

4.3.1.1. Ambos propõem caminhos que visam empoderar os participantes, dando-lhes oportunidades de ampliar suas consciências.

4.3.2. Freire (1984), passos essenciais: 1. analisar os estudos já realizados sobre o tema; 2. delimitar a pesquisa; 3. visitar o campo a ser investigado; 4. apresentar proposta de pesquisa para a comunidade e lideranças; 5. em caso de aceite, explicar detalhadamente a pesquisa; 6. reunir lideranças da comunidade parceira e demais representantes populares para dar encaminhamento à proposta; 7. apresentar, após as discussões, documento com os problemas elencados; 8. convidar especialistas para ajudar a compreender o discurso popular; 9. organizar um pré-projeto em colaboração com os grupos populares; 10. implementar o projeto; 11. realizar novas pesquisas analisando o projeto implementado

4.3.2.1. “[...] visam nortear as ações do pesquisador para que ele se distancie de perspectivas investigativas que colocam em evidência relações dicotômicas e opressoras entre sujeito-objeto. Ao se aproximarem das prerrogativas do materialismo histórico-dialético devido, principalmente, ao foco que possui na transformação social, as pesquisas de cunho participativo, a partir do viés que estamos apresentando, reafirmam-se como um caminho investigativo que visa empoderar os participantes dando-lhes a oportunidade de ampliar suas consciências de modo a agirem sobre o mundo desvelando-o a contrapelo.” (pág. 853)

5. Iniciando a discussão...

5.1. MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO

5.1.1. • É material, porque parte da realidade; • É histórico, porque parte dos fatos; • É dialético, porque sintetiza sujeito e objeto, ou seja, supera a dicotomia antes posta pelos gregos e pelos modernos (objetividade x subjetividade).

5.2. SUJEITO E OBJETO

5.2.1. Por que sintetizar? Porque é no confronto que esses polos criam uma nova realidade.

5.2.1.1. “Sujeito e objeto são dois aspectos de uma mesma realidade em contradição e em unidade indissolúvel dos opostos. [...] Processo dialético parte da análise de polos contraditórios que em um confronto superam o momento anterior, produzindo, através da própria ação sobre a realidade, uma nova realidade pensada. Essa realidade encontra-se em movimento e é constituída por contradições.". (pág. 847).

5.2.2. Para que sintetizar? Para não cair em reflexões superficiais que desconsideram as contradições da sociedade e propõem soluções que negam a luta de classes.

5.2.2.1. “A fragmentação e o isolamento do objeto de conhecimento, deslocando-o da realidade concreta multifacetada. [...] a desvalorização da memória histórica e do conhecimento socialmente construído e acumulado” (pág. 848)

6. Mestrados profissionais brasileiros na área do ensino

6.1. Historicidade da educação profissional:

6.1.1. • Treinar uma parcela da população para o desempenho de atividades manuais consideradas de nível intelectual inferior; • Atender às demandas da indústria e beneficiar os grupos sociais desfavorecidos economicamente; • Contemplar os níveis mais básicos do ensino; • Recentemente, chega ao nível superior/stricto sensu >> mestrado profissional.

6.2. Criação dos mestrados profissionais:

6.2.1. • Influência internacional; • Estrutura norte-americana de pós-graduação; • Aplicação e extensão de conhecimentos • Fins profissionais/vocacionais • Regulamentações de agências internacionais de financiamento.

6.3. Em 1995, instituição Bird:

6.3.1. • Doc. “O ensino superior: as lições derivadas da experiência”; • Implementação de programas de cooperação interinstitucionais e pós-graduações à distância; • Aproximação da Universidade e setor produtivo; • Prioridade: cursos stricto sensu >> dinâmica de mercado.

6.4. No Brasil, em 1995:

6.4.1. • Criação dos mestrados profissionais • Portaria nº 47 Capes (institui) e Portaria nº 80/1998 MEC (regulamenta).

6.4.1.1. Argumentos: “[...] respalda-se na necessidade de flexibilização do modelo de pós-graduação stricto sensu diante das demandas sociais oriundas das mudanças tecnológicas, das transformações econômico-sociais e do aumento da procura por profissionais com perfis de especialização distintos dos tradicionais.”. (pág. 849)

6.5. Mestrado acadêmico VS mestrado profissional

6.5.1. Ribeiro (2005): • Principal diferença >> resultado almejado. • Acadêmico: imersão na pesquisa >> um pesquisador >> a longo prazo. • Profissional: externo à academia >> utilizar a pesquisa agregando valor a suas atividades pessoais ou sociais >> formação especializada para profissionais “em serviço”.

6.5.2. Barros, Valentim e Melo (2005): • Gestão, produção e aplicação do conhecimento >> pesquisa aplicada >> solução de problemas >> proposição de novas >> aperfeiçoamento tecnológico. • Alvo: capacitação de recursos humanos >> prática profissional e transformadora >> preserva vínculo ensino VS pesquisa.

6.5.3. Ostermann e Rezende (2009): • Relação teoria e prática (indissociável) • Acadêmico: forma pesquisadores e docentes. • Profissional: qualifica para o mercado de trabalho. • Dicotomia: os que pensam X os que executam.

6.6. Práxis >> concepção marxiana

6.6.1. • Uma prática sempre fundamentada teoricamente; • Desenvolvimento da prática, necessita da teoria, precisa ser iluminada por ela. • Atividade material humana, transformadora do mundo e do próprio homem: real, objetiva - simultaneamente - ideal, subjetiva e consciente (Vázquez, 1968). • Teoria origina-se da prática.

6.6.1.1. "[...] prática, na medida em que a teoria, como guia da ação, molda a atividade do homem - e teórica, na medida em que essa relação é consciente.". (pág. 850)

6.6.2. Pesquisas aplicadas (participação coletiva): • Método MHD - campo das metodologias de pesquisa - colabora com a ação do pesquisador, orienta a sua atividade de pesquisa >> novo sentido à prática.

6.6.2.1. "[...[ entendimento epistemológico que abarca as investigações sobre práticas e espaços educativos, pois suas dimensões ontológicas, axiológicas e gnosiológicas integram uma filosofia da transformação que visa, por meio da análise histórica e dialética da realidade, alcançar sínteses que retomem, em outra dimensão, o conhecimento inicial e que visem, em última estância, a transformação social e coletiva.". (pág. 850)

7. Pesquisas desenvolvidas em um mestrado profissional na área de ensino de humanidades

7.1. Diálogo entre materialismo histórico-dialético e pesquisas participantes:

7.1.1. • Mestrado Profissional >> Ensino de Humanidades >> Instituto Federal Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. • Proposta de formação docente >> Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação na Cidade e Humanidades (Gepech) >> criado em 03/2016. • Estudos urbes >> temática no campo da educação/ensino >> práxis do professor >> compreensão de aspectos históricos, políticos, sociais, culturais, filosóficos e econômicos >> desenvolvimento contraditório e dialético do fenômeno urbano.

7.2. Objetivos do Gepech:

7.2.1. 1. Discutir relações entre a cidade e a educação a partir de áreas do conhecimento ligadas às humanidades; • Ações: alinhamento teórico com autores MHD >> atividades de ampliação do conhecimento dos participantes: visitas a espaços educativos da cidade, entrevistas com estudiosos da área e discussões sobre teóricos de base marxiana.

7.2.2. 2. Planejar, executar e avaliar formações de professores da educação básica que contribuam com reflexões sobre os espaços da cidade; • Ações: sistematização de formações de professores >> pesquisas em desenvolvendo de mestrandos >> descrição da formação.

7.2.3. 3. Sistematizar materiais educativos que discutam e apresentem propostas contra-hegemônicas de se conhecer, em especial, as cidades do Estado do Espírito Santo. • Ações: discutir e avaliar materiais produzidos durante o curso.

7.3. “Educação na Cidade: estudos sobre o processo de modernização de Vitória”

7.3.1. Curso em si: • público-alvo professores dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, licenciados nas áreas de Arte, Filosofia, Geografia, História e Sociologia; • na modalidade semipresencial no período de 16-05-2017 a 04-07-2017; • com 60 horas de atividades; • encontros de estudos presenciais; • atividades não presenciais por intermédio da Plataforma Moodle; • visitas mediadas a espaços da cidade de Vitória; • apresentação de relatos de experiências de atividades pedagógicas desenvolvidas na escola a partir dos estudos realizados no curso.

7.3.1.1. Execução: • discutiram e avaliaram três materiais educativos produzidos pelos mestrandos e seus respectivos orientadores; • planejaram, executaram e avaliaram de forma conjunta os momentos do curso de formação de professores.

7.3.1.2. Resultado: • acesso ao conhecimento crítico sobre o processo de modernização da cidade de Vitória; • desvelamento das contradições que não poderiam ser percebidas sem as lentes do materialismo histórico-dialético; • conhecimento da história da cidade de Vitória a partir de um viés contra-hegemônico.

7.3.1.3. Avaliação: • refletir sobre as ações de modo a reorganizar os caminhos trilhados e definir novas rotas a partir das experiências vivenciadas; • utilizar técnicas de produção de dados que estimulassem o diálogo entre os professores participantes e os organizadores do curso, com vistas a evidenciar o conhecimento de todos os envolvidos.

8. Em síntese...

8.1. A considerar a indissociabilidade entre teoria e prática, a pesquisa participante - sob o viés do materialismo histórico-dialético - constitui-se um método contra-hegemônico uma vez que amplia consciências e visa transformação social.