Entendendo o método de pesquisa da Cartografia

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Entendendo o método de pesquisa da Cartografia par Mind Map: Entendendo o método de pesquisa da Cartografia

1. Textos base:

1.1. A cartografia como um mapa movente para a pesquisa em comunicação - Deleuze e Guattari.

1.2. O olhar cartográfico de Walter Benjamin: apontamentos para um método de pesquisa.

2. Significando:

2.1. O termo cartografia na tradução do latim quer dizer carta escrita.

3. Tipo de pesquisa:

3.1. Qualitativa.

3.2. Associada ao pensamento pós-estruturalista.

3.2.1. A diferença entre o estruturalismo e o pós-estruturalismo está na estabilidade, na dinâmica: enquanto o primeiro se interessava por estruturas estáticas e homeostáticas, o segundo buscava os momentos de ruptura e mudança.

3.3. Compreendida como metodologia, método ou procedimento metodológico, dependendo do uso, da intenção de quem pesquisa e da dimensão que ela ocupa no processo.

3.4. Perspectiva metodológica recente para a comunicação.

4. Ligação com os Rizomas:

4.1. Princípio e origem biológica. É uma estrutura de caule na qual o eixo principal da planta cresce horizontalmente ou logo abaixo do solo. Espécie de caule subterrâneo, o rizoma está presente em uma série de plantas.

4.1.1. Deleuze e Guattari (1995) apontam a cartografia como um dos princípios do rizoma, que apresenta as seguintes características (que são nomeadas “princípios”):

4.1.1.1. Conexão:

4.1.1.1.1. Sinaliza que o rizoma pode ser ligado em qualquer ponto. Não há uma hierarquia (com início, meio e fim), mas sempre um meio, ou seja, ele cresce em qualquer direção, por todos os lados. Que vão, de acordo com o percurso de cada pesquisador.

4.1.1.2. Heterogeneidade:

4.1.1.2.1. Indica que existem diferentes possibilidades de conexões. É o que faz cada pesquisa tão única e cada percurso tão afetado pelas pegadas do pesquisador que sintoniza tais conexões conforme a sua bagagem, o modo como organiza as informações e as suas limitações.

4.1.1.3. Multiplicidade:

4.1.1.3.1. Reforça a importância da diversidade de elementos que a construção rizomática proporciona. A multiplicidade rompe com o dualismo e a binaridade, propondo observar os elementos também por meio das suas singularidades e relações.

4.1.1.4. Ruptura a-significante:

4.1.1.4.1. O deslocamento do rizoma acontece por meio de suas linhas, conexões e rupturas. esse princípio assegura essa característica movente, afirmando que ele pode ser rompido em qualquer ponto.

4.1.1.5. Cartografia:

4.1.1.5.1. Se desdobra em um mapa construído a partir de múltiplas conexões e entradas (DELEUZE; GUATTARI, 1995).

5. Definindo:

5.1. Segundo Rosário, essa pesquisa irá sugerir “um trilhar metodológico que visa construir um mapa (nunca acabado) do objeto de estudo, a partir do olhar atento e das percepções e observações do pesquisador, que são únicas e particulares, que serão cruzadas com a memória do investigador.”

5.1.1. Essa definição traz dois pressupostos fundantes da cartografia: a multiplicidade e a subjetividade.

5.2. Rolnik acredita que a cartografia é um método que permite, a partir desse mapa, “detectar a paisagem, seus acidentes, suas mutações e, ao mesmo tempo, criar vias de passagem através deles” (1989, p. 6).

5.2.1. Ele defende que o mapa mutável é afetado por paisagens psicossociais e que o cartógrafo é um pesquisador com o corpo vibrátil, ou seja, que pode ser afetado pelas sensibilidades coletivas e pelos movimentos sociais, não podendo, assim, seguir protocolos normalizados previamente, uma vez que cada paisagem é única.

5.2.1.1. O pesquisador deve observar as suas repetições e, mais atentamente, as suas irregularidades, pois, é um “mapa movente”.

5.3. Guattari (1981) a entende como um modo de ir além das horizontalidades (igualdade) e das verticalidades (hierarquias) estabelecendo uma dimensão do fora sem determinar fronteiras e lidando, portanto, com diferentes semióticas (significantes e não significantes).

5.4. Fischer define a cartografia não como um método e/ou procedimento metodológico, “e sim como uma filosofia essencial para a reflexão metodológica e a articulação dos procedimentos para encaminhar cada problema de pesquisa” (2008, p. 222).

5.4.1. Seu cerne são as questões-problema.

6. A briga com a ciência moderna:

6.1. Existe uma contraposição aos princípios da ciência moderna que coloca em evidência a objetividade, o raciocínio lógico e a fixidez de modelos metodológicos. Porém, não há exito em eliminar a subjetividade que atravessa os processos que envolvem a investigação científica, desde a percepção, interpretação até a teorização dos fatos e fenômenos.

6.1.1. O trabalho pode ser atravessado pelos afetos de quem pesquisa, mas precisa apre-sentar uma condução reflexiva adequada, consistente.

6.1.1.1. Apesar das mudanças e da subjetividade, um elemento necessário é o roteiro base e o propósito da pesquisa.

7. A não rigidez metodológica:

7.1. Embora na perspectiva cartográfica a ciência não seja generalizante e construída sobre a rigidez – o rigor científico deve ser preservado.

8. Simplificando e exemplificando:

8.1. A ideia mais próxima de um mapa/rizoma que possamos ter talvez seja a imagem que conhecemos dos neurônios cerebrais exemplos dados por Deleuze e Guattari (1995) e é assim, que a pesquisa cartográfica caminha.

8.2. O trabalho do registro das topologias do solo do cartógrafo/geógrafo é parecido com o processo cartográfico do cartógrafo/pesquisador: ambos passam pela observação detalhada do ambiente/território que querem investigar, exploram caminhos que se multiplicam em busca das especificidades, das diferenças, averíguam as formas que se repetem e as que destoam e, por fim, fazem a descrição cuidadosa do lugar, que vive em transformação.

8.3. Obras de Benjamin, do segundo texto, são como uma espécie de mapeamento ou cartografia da decadência da modernidade. uma leitura crítica da modernidade passa pela observação atenta dos detalhes do ambiente urbano.

9. Dificuldades:

9.1. É desafiador para o pesquisador cartografar, construir o seu próprio mapa/rizoma – um mapa que está em constante movimento, já que a cartografia não oferece regras definidas por antecedência, um roteiro definido e fixo ou um método estabelecido de trabalho.

10. Benjamin e as metáforas:

10.1. Limiar e fronteira:

10.1.1. Benjamin chama a atenção para a necessidade de se diferenciar bem os conceitos de limiar e fronteira: Enquanto a fronteira designa uma demarcação abrupta e evidente, limiar é uma área de transição.

10.2. A deambulação:

10.2.1. Extrapola a noção de “andar sem rumo”, sendo utilizado como um sinônimo da ação de flanar a pé pela cidade com os sentidos aguçados, observando os detalhes inusitados. O flâneur é um personagem emblemático da burguesia urbana do final do século XIX,

10.3. A arqueologia:

10.3.1. A ciência que se interessa pelo estudo dos objetos da cultura que se encontram adormecidos sob os escombros da história à espera de escavadores interessados em reconstruir, no presente, narrativas de tempos remotos. Reconstruir uma narrativa em função de ruínas. Tomadas como fragmentos usualmente ignorados pelo discurso dominante, essas ruínas adquirem um novo potencial interpretativo, enquanto nem que revelam narrativas ocultas pelas camadas do tempo.

10.4. a montagem:

10.4.1. procedimento de junção entre fragmentos com a intenção de provocar um novo sentido interpretativo. Assim, a montagem não deve ser compreendida somente como uma mera organização de peças: propõe arrancar os objetos de seus contextos habituais para provocar outras interpretações quando os inserimos em relações inesperadas. O choque provocado pela montagem está intimamente relacionado ao conceito de “imagens dialéticas”, proposto por Benjamin (2009, p515) para provocar um lampejo, é necessário o embate de elementos, a junção de peças que se encontram isoladas temporalmente.

11. Possibilidades e usos:

11.1. Diversas, pois, pode se mesclar e pode contribuir com outras pesquisas pelas possibilidades encontradas durante o estudo.

11.1.1. Nas pesquisas de comunicação ainda é pouco utilizada e se apresenta por vieses distintos, conforme observa Aguiar (2011). Nota-se que há trabalhos em que a cartografia se configura apenas como um mapeamento, um modo de levantar os dados ou realizar a pesquisa exploratória; outros pesquisadores assumem a cartografia só quando apresentam os resultados, como uma maneira de organizar as informações reunidas ao longo da investigação; há quem faça uso da cartografia como procedimento metodológico para análise do corpus; há aqueles que a aplicam para a coleta de dados de coletivos humanos e, finalmente, poucos a entendem como um modo de pensar e conduzir a pesquisa, aproximando-a de um método (ROSÁRIO, 2016a).

12. O papel do pesquisador e do pesquisado:

12.1. Aqui a construção é com os participantes e não o conhecimento a partir deles.

12.1.1. Uma de suas funções é a de provocar um deslocamento no próprio cartógrafo-pesquisador. Por isso a postura questionadora do cartógrafo em relação ao ambiente em que se insere é fundamental para experimentar a diferenciação.