Urbanismo de colina no Brasil: Salvador e São Paulo

Permanências do urbanismo de colina como tradição luso-brasileira: os casos de Salvador e de São Paulo

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Urbanismo de colina no Brasil: Salvador e São Paulo por Mind Map: Urbanismo de colina no Brasil: Salvador e São Paulo

1. Casos brasileiros

1.1. Salvador

1.1.1. Primeira capital

1.1.2. Cidade fundada com planejamento e estudo de implantação

1.1.3. Localização no interior de grande baía

1.1.4. Porto seguro com águas tranquilas

1.1.5. Fundação no alto de uma colina

1.1.6. Boas águas e bons pastos

1.1.7. Terras agriculturáveis

1.1.8. Área disponível para expansão urbana

1.2. São Paulo

1.2.1. Fundada cinco anos após Salvador

1.2.2. Primeiro núcleo urbano fora da orla marítima

1.2.2.1. Interesse de controlar as rotas de penetração do interior.

1.2.3. Mesmos critérios de localização em acrópole para o colégio dos jesuítas

1.2.4. Justaposta à zona do mercado

1.2.5. Junto ao Rio Tamanduateí

2. SALVADOR

2.1. Escolha do sítio e ocupação da colina

2.1.1. Primeiro núcleo urbano do Brasil fundado com o status de cidade.

2.1.1.1. 1549

2.1.1.2. Critério de escolha do sítio fundacional Regimento de Tomé de Souza

2.1.1.2.1. Paisagem

2.1.1.2.2. Ponto protegido junto à entrada da baía

2.1.1.2.3. Implantação de atracadouro

2.1.1.2.4. Não deveria se situar nas proximidades da Vila Velha

2.1.1.2.5. Mais para dentro da baía

2.1.1.2.6. Local de melhor defesa

2.1.1.2.7. Deveria abrigar uma fortaleza

2.1.1.2.8. Permitir grande expansão futura

2.1.2. Após detalhado reconhecimento da baía, optou-se por um promontório em que uma escarpa de 60 metros protegesse um tabuleiro elevado, também salvaguardado ao fundo pelo vale do Ribeirão das Tripas e dos lados pelas gargantas do Taboão e da Barroquinha

2.2. Da fundação à expulsão dos holandeses (1549 a 1654)

2.2.1. Construídas defesas pelos quatro lados do sítio fundacional

2.2.1.1. Norte

2.2.1.1.1. Portas de Santa Luzia (São Bento)

2.2.1.2. Sul

2.2.1.2.1. Portas de Santa Catarina (Carmo)

2.2.1.3. Duplas paliçadas na frente do mar, uma na cidade alta e outra na praia

2.2.1.4. Primeira igreja foi na parte baixa

2.2.1.4.1. Conceição da Praia, situada junto aos armazéns e oficinas na área portuária

2.2.1.5. Luís Dias

2.2.1.5.1. Mandou construir muros de pau a pique na parte alta

2.2.1.5.2. Definiu os arruamentos seguindo as traças trazidas de Lisboa

2.2.1.5.3. Iniciou a construção dos primeiros edifícios públicos

2.2.2. Nos primeiros tempos - duas as ligações da cidade alta com a cidade baixa:

2.2.2.1. Primeira

2.2.2.1.1. Ladeira da Conceição

2.2.2.2. Segunda

2.2.2.2.1. construída em 1550

2.2.2.2.2. Menos íngreme

2.2.2.2.3. Mais adequada ao trânsito de carros de boi

2.2.2.2.4. Partindo da atual praça Castro Alves e seguindo pelas atuais ladeiras da Gameleira e da Preguiça

2.2.2.3. O desnível de 60 metros - desde os primeiros tempos foram utilizados guindastes, rampas e contrapesos.

2.2.3. No alto da colina soteropolitana desenvolveu-se a parte mais nobre da cidade

2.2.3.1. Edifícios da administração pública

2.2.3.2. Sedes das ordens religiosas

2.2.3.3. Residências que abrigavam pessoas do clero, da administração pública, militares, e comerciantes

2.2.3.4. Muros defensivos

2.2.4. Momento seminal de expansão - até o final do primeiro século

2.2.4.1. limites da ocupação na colina eram delimitados pelo posicionamento das igrejas ao sul, norte, leste e oeste.

2.2.4.2. Encosta era utilizada como local de passagem

2.2.4.2.1. através de duas ladeiras e um plano inclinado, fazendo conexão com o porto e a cidade baixa.

2.2.5. Área conhecida hoje como Pelourinho

2.2.5.1. Traçado urbanístico já aparece nas reconstituições gráficas do século XVI

2.2.5.2. Convergência viária em direção a uma das sete portas da cidade, a do Carmo

2.2.5.2.1. Situada no mesmo local

2.2.5.3. Instrumento de punição de escravos localizado em praça pública

2.2.6. Cidade já apresentava indícios de expansão para o norte.

2.2.6.1. Em volta de 1580

2.2.6.2. Primeira cerca eliminada

2.2.6.3. Atraída pela igreja dos jesuítas e a Santa Casa

2.2.6.4. Chegando até o Carmo

2.2.6.5. Em rumo à Igreja de Santo Antônio; ao sul, pelas ruas Direita dos Mercadores (hoje Chile), da Ajuda, Pão de Lot (atual do Tesouro) e dos Capitães (hoje Rui Barbosa)

2.2.7. Bahia foi alvo de ataques dos holandeses

2.2.7.1. De 1599 até 1649

2.2.7.2. Foram elaborados os primeiros documentos cartográficos sobre a cidade

2.2.7.2.1. Em geral de autoria holandesa

2.2.7.3. Aparecem as construções mais antigas da cidade alta

2.2.7.3.1. Entre as quais se destacam as torres dos beneditinos (ao sul) e dos carmelitas (ao norte).

2.2.7.4. Na cidade baixa, armazéns da zona portuária e construções voltadas ao comércio

2.2.7.5. A encosta ainda permanece desocupada

2.3. Consolidação da cidade colonial

2.3.1. 1654 a 1808

2.3.2. Salvador vive seu apogeu enquanto maior porto do Atlântico Sul, polo de rendoso comércio entre Brasil, África e a Metrópole.

2.3.2.1. É também o apogeu da cidade alta e seus bairros centrais como:

2.3.2.1.1. Depositários da riqueza que o comércio

2.3.2.1.2. O açúcar e o ouro concentravam na capital da colônia

2.3.2.1.3. Sua posição começou a cair com a transferência da capital para o Rio de Janeiro no período pombalino (1763)

2.3.3. Segundo período rico em relatos e iconografias, como:

2.3.3.1. 1801 o frontispício de Salvador por Luis dos Santos Vilhena

2.3.3.2. Ilustrações do viajante François Froger (1698),

2.3.3.3. Relatos dos viajantes Francisco Coréal (1685), William Dampier (1699), Le Barbinais (1717),

2.3.3.4. Vistas elaboradas pelos engenheiros militares franceses João Massé (1715) e Amedée-François Frézier (1716)

2.3.4. O século XVIII

2.3.4.1. Salvador possuía seis mil casas

2.3.4.1.1. Duas entradas principais: uma ao norte e outra ao sul

2.3.4.2. Na cidade alta, uma área cercada dentro da qual se situava a Igreja Matriz, o Palácio Episcopal, a Igreja e o Colégio dos Jesuítas, a Igreja e o Convento de São Francisco, as Igrejas da Misericórdia, de Nossa Senhora da Ajuda e de São Pedro dos Clérigos.

2.3.4.2.1. Setor central compondo-se de seis bairros: o das Portas de São Bento, o de Nossa Senhora da Ajuda, o da Praça, o do Terreiro, o de São Francisco e o das Portas do Carmo.

2.4. Intervenções sobre a estrutura colonial

2.4.1. 1808 a 1912

2.4.1.1. Forte crescimento populacional

2.4.1.1.1. Em 1800 sua população era de aprox.50 mil habitantes

2.4.1.1.2. Em 1900 havia quadruplicado, dando origem a diversos núcleos de povoação nos arrabaldes

2.4.1.2. Grande ampliação da área urbanizada

2.4.2. O perfil econômico da cidade mudou com a extinção do tráfico de escravos, em 1850

2.4.2.1. O capital mercantil começa a se diversificar e a indústria prospera

2.4.2.2. Salvador continha o maior parque industrial do país por volta de 1870

2.4.2.3. Obras de retificação viária, saneamento, implantação de infraestruturas de transporte e iluminação, embelezamentos urbanos, ajardinamentos de praças, e a organização e expansão da cidade baixa pautaram as intervenções oitocentistas

2.4.3. Região do Pelourinho

2.4.3.1. Norte da cidade alta

2.4.3.2. Passou por significativas mutações.

2.4.3.3. Abrigou residências senhoriais mais suntuosas com sobrados de diversos andares

2.4.3.4. Com as mudanças na economia e a abolição, foi empobrecendo e chegou ao final do século com muitos casarões já ocupados por cortiços

2.4.4. O foco das intervenções foi para a cidade baixa

2.4.4.1. A área da encosta voltada para a baía passou a ser mais intensamente ocupada,

2.4.4.2. Construídos o elevador hidráulico Lacerda (na Praça do Palácio), a Ladeira da Montanha, o elevador do Taboão e os planos inclinados de Gonçalves e do Pilar.

2.5. Deslocamento da centralidade dominante e deterioração do centro histórico

2.5.1. 1912 a 1992

2.5.2. Uso de intervenções urbanísticas saneadoras e modernizadoras

2.5.2.1. Nova remodelação urbana com objetivo:

2.5.2.1.1. Enfrentar problemas sanitários

2.5.2.1.2. Implantar novas infraestruturas

2.5.2.1.3. Ordenar as construções

2.5.2.1.4. Ampliar o sistema viário

2.5.2.1.5. Modernizar os portos

2.5.2.1.6. Gerar uma nova imagem para a cidade

2.5.2.2. Quarteirões centrais de ruas estreitas e edifícios coloniais arrasados para viabilizar políticas modernizadoras, dando lugar a ruas alinhadas e alargadas, avenidas, praças, centros cívicos e edifícios modernos.

2.5.3. Teve obras de modernização, conduzidas pelo governador José Joaquim Seabra (1912-1916)

2.5.3.1. Remodelou o bairro da Sé

2.5.3.2. Abriu a Avenida Sete de Setembro (unindo a Praça Castro Alves ao Farol da Barra e viabilizando a expansão da cidade no rumo sul)

2.5.3.3. Modernizou o porto e ampliou a área comercial na cidade baixa

2.5.4. Cidade sofreu impactos da descoberta do petróleo no Recôncavo Baiano.

2.5.4.1. População triplicou em trinta anos

2.6. Recuperação e polêmica

2.6.1. 1992 a 2012

2.6.2. Recebeu críticas de urbanistas e especialistas em preservação

2.6.2.1. 1 - Unidade de intervenção abrangendo a quadra, tendo que demolir as edículas e supressão das divisas, transformando miolos de quadra em áreas de lazer e estacionamento, desconfigurando o parcelamento original e a implantação das construções no lote

2.6.2.2. 2 - Procedimentos de recuperação e restauro não consideraram parâmetros aceitos internacionalmente

2.6.2.3. 3- População de baixa renda que ocupava o casario foi desalojada sem o apoio de um programa de reinserção habitacional

2.6.3. A política voltada à mercantilização do patrimônio cultural apresentou desde cedo: negócios voltados ao turismo fechados, ações de animação cultural incentivadas pelo governo diminuindo e a segurança retraída.

2.6.3.1. De progressiva retomada desse espaço pela população moradora do entorno – visível na instalação de bares e lojas voltadas à população de baixa renda.

2.6.4. Atualmente, Pelourinho mostra os sinais de insustentabilidade e de falência de suas políticas turístico-culturais

2.6.4.1. restaurantes de luxo, livrarias, lojas de moda, joalherias e ateliês de arte fecharam suas portas e cederam lugar a outros serviços de apoio ao morador das imediações, como bares, barbearias, comércio popular etc.

2.6.4.2. pontos de influxo turístico ainda persistem, como aqueles situados nas imediações das igrejas de São Francisco e do Carmo, após a transformação do mosteiro desse último em hotel de alto luxo de uma rede internacional.

2.6.4.3. Local parece voltar a ser apropriado pela população baiana que residem nos bairros próximos

2.6.5. Hoje

2.6.5.1. Governo estadual da Bahia parece direcionar suas atenções para outras localidades

2.6.5.1.1. Região do litoral sul baiano

2.6.5.1.2. Praias do litoral norte, ao longo da Linha Verde

3. Primeiros padrões urbanísticos, perfil da ocupação e marcos construídos

3.1. Meio século após a fundação, a ocupação ultrapassou o núcleo murado entre as valas, espraiando-se por sobre o restante do topo da colina.

3.2. A localização dos conventos reproduzia a situação privilegiada do colégio jesuítico.

3.3. Religiosos contavam com terrenos amplos, a cavaleiro das encostas, facilmente defensáveis, ao lado das principais vias de comunicação que levavam à vila, dispondo ainda de generosas áreas para pomares e hortas, e acesso direto aos cursos dágua no sopé da colina.

3.4. Nos desenhos atribuídos a Massaï, a vila é representada ao término do Caminho do Mar, após a travessia dos rios e das pontes sobre o Tamanduateí, onde surge um conjunto de seus principais edifícios, esmiuçando detalhes e curiosidades.

3.5. Currais similares surgem fora da vila, cercados por altos muros .

3.6. Do núcleo irregular inicial, surgiu uma série de ruas retas, estritamente paralelas ou perpendiculares, traçadas por profissionais habilitados, sem formar uma quadrícula.

3.6.1. Em 1640, proibiu-se edificação sem arruamento prévio em 1687

3.6.2. Em 1642, desapropriaram-se casas que comprometiam o espaço central da vila

3.7. Consolidaram-se ruas sobre caminhos existentes: a via rumo ao caminho de Pinheiros, tornou-se Rua do Governador (depois do Ouvidor, atual José Bonifácio);

3.7.1. A sudeste surgiu a futura Rua das Flores (atual Silveira Martins), paralela à Rua do Carmo criada sobre o principal acesso à vila

3.7.2. A sudoeste, as ruas que se chamariam de São Gonçalo (hoje lateral da Praça da Sé), da Esperança e do Quartel (atual Onze de Agosto)

3.7.3. A oeste, a partir da Misericórdia, a rua Direita para Santo Antônio adotou traçado retilíneo, e a rua criada entre São Bento e São Francisco, outra importante via processional, seguiu diretriz perpendicular àquela, gerando um cruzamento em ângulo reto: os "quatro cantos"

3.7.4. O trecho inicial do caminho do Guaré tornou-se Rua do Rosário (atual XV de Novembro); ruas menos importantes foram as da Cruz Preta (atual Quintino Bocaiúva), do Jogo da Bola (atual Senador Feijó) e do Comércio (atual Álvares Penteado); havia ainda travessas, becos e azinhagas

3.8. A paisagem urbana era dominada pelos edifícios religiosos.

3.8.1. Visualmente

3.8.2. Espacialmente

3.8.3. Funcionalmente

3.9. Vila não tinha ainda maior expressão política, não havia praças como a que marcava, em Salvador, o lócus do poder colonial.

3.9.1. A posição de São Paulo, o sucesso das bandeiras e a decadência de São Vicente levaram à transferência da sede da capitania para o planalto

3.9.1.1. provisoriamente, em 1682

3.9.1.2. definitivamente, em 1709

3.9.1.3. Foi elevada a cidade em 1711

4. SÃO PAULO

4.1. As fundações de São Paulo e o papel da acrópole

4.1.1. Nasceu sobre uma colina

4.1.1.1. Poderia ser vista como compêndio de elementos e soluções do gênero, encontrados em nossa urbanização colonial

4.1.1.2. Desenvolveu-se sobre sítio elevado dominando os arredores

4.1.1.3. Escolha por uma fundação em acrópole não foi imediata.

4.1.2. A história de São Paulo

4.1.2.1. Expedição de Martim Afonso de Souza em 1530

4.1.2.2. complexo estuarino de ilhas e manguezais

4.1.2.2.1. Onde portugueses traficavam com cativos indígenas.

4.1.2.2.2. Eram terminais da rede de caminhos conhecida como Peabiru, que ligava o litoral aos domínios incas

4.1.3. Martim Afonso resolveu investir na ocupação da área de São Vicente

4.1.3.1. Concedido capitania hereditária (1534-1536)

4.1.3.2. Ponto estratégico nas disputas entre castelhanos e portugueses.

4.1.3.2.1. De Limítrofe à linha de Tordesilhas

4.1.3.3. precisou controlar costa e caminhos do planalto

4.1.3.3.1. Como acesso às riquezas do altiplano

4.1.3.3.2. Como ponto de partida para a escravização

4.1.3.3.3. Catequização das tribos indígenas do planalto

4.1.4. O porto de São Vicente, superado pelo estuário de Santos

4.1.4.1. Criado em 1536

4.1.4.2. Outro extremo da mesma ilha litorânea

4.1.4.3. Recebendo foral de vila em 1546

4.1.4.4. Piratininga desapareceu sem deixar vestígios

4.1.4.4.1. Não há consenso entre os historiadores a respeito de onde se situava

4.1.5. Tomé de Souza assumiu o Governo-Geral do Brasil em 1549

4.1.5.1. nova política para a colônia

4.1.5.1.1. o cultivo de cana-de-açúcar iniciado em São Vicente e Pernambuco

4.1.6. Tomé de Souza proibiu aos portugueses de São Vicente subir ao planalto.

4.1.6.1. Subindo a serra em fevereiro de 1553, o governador-geral expediu ordem de se reunir na Borda do Campo, sob o comando de João Ramalho.

4.1.6.1.1. Nóbrega já tinha ideia de levar o projeto jesuítico aos sertões do Sul, após escrever para o governador e para o provincial da Companhia de Jesus em Portugal, não obter autorização para criar uma casa no planalto.

4.1.7. Percorreu o planalto por um mês, encontrou João Ramalho e Tibiriçá. ,

4.1.7.1. Nomeação como provincial da Companhia de Jesus no Brasil

4.1.7.1.1. Consolidar por conta própria o núcleo de catequese no planalto pela criação de uma casa de meninos

4.2. O núcleo primitivo

4.2.1. 1554 a 1600

4.2.2. Muros de taipa, apoiada em estudos anteriores de Teodoro Sampaio e Nuto SantAna,

4.2.2.1. O núcleo protegido não superaria oito hectares, e corresponderia à área entre o Pátio do Colégio e a matriz , chegando apenas à altura do início da futura rua do Rosário

4.2.2.2. Poderia estar na saída do caminho do Guaré, futura Rua do Rosário, via de comunicação com a aldeia de Tibiriçá. Porta importante conduzia ao litoral

4.2.3. As ladeiras menos acentuadas teriam uma declividade máxima de até 10% ou 12%

4.2.3.1. Vários dos primeiros acessos abertos em São Paulo

4.2.3.1.1. Adotaram a criação de ladeiras diagonais às curvas de nível, mais longas e com menor declividade

4.2.3.2. Manejável por carroças ou carros de boi.

4.2.4. A implantação da vila em acrópole reproduziu a situação do território dos Campos de Piratininga no planalto, e acentuava o percurso de elevação espiritual coroado pela escola dos jesuítas.

4.2.5. O trabalho escravo e o sistema das sesmarias permitiram o florescimento de grandes propriedades rurais no entorno da vila.

4.2.6. Carência de pedra e de madeiras de lei

4.2.6.1. Construções eram todas de taipa, principalmente de pilão

4.2.6.1.1. Taipa de mão em paredes internas e obras menos importantes

4.2.6.1.2. Muros foram feitos de taipa

4.3. Consolidação da ocupação em acrópole

4.3.1. 1711 a 1808

4.3.2. Segunda metade do século XVIII

4.3.2.1. Realizado o primeiro levantamento da cidade

4.3.2.1.1. Gestão do Morgado de Mateus (1765-1774)

4.3.2.1.2. Origem a uma planta que conhecida por meio de cópia pouco posterior, hoje no Arquivo Histórico Militar do Rio de Janeiro

4.3.3. Planta da Restauração

4.3.3.1. Revelou a ocupação urbana existente no terceiro quartel do século XVIII

4.3.3.1.1. Destacando-se a Rua da Boa Vista, aberta em cotovelo, provavelmente no início do século, em trecho da acrópole adjacente à encosta do Tamanduateí.

4.3.4. Após o mandato do Morgado de Mateus

4.3.4.1. Capitania entrava em novo período de prosperidade graças à cana-de-açúcar e ao comércio de tropas.

4.3.4.2. Era preciso melhorar as vias de transporte e aparelhar os centros urbanos.

4.3.4.3. Novo quartel

4.3.4.3.1. Abriu-se a Rua Nova de São José, atual Líbero Badaró

4.4. Acrópole introvertida

4.4.1. 1808 a 1850

4.4.2. Multiplicou-se levantamentos censitários e estatísticos, levantamentos do território, mapas da capitania e plantas da cidade

4.4.2.1. Engenheiro Bresser (1841 e 1842)

4.4.2.2. A de Carlos Rath (1855)

4.4.2.3. De 1868

4.4.2.4. Na planta de 1881, a cidade já é substancialmente outra.

4.4.3. Maquete da cidade circa 1840, diretor do Museu Paulista, em 1920

4.4.3.1. Encomendada por Affonso dEscragnolle Taunay

4.4.3.2. Vistas ao centenário da Independência

4.4.3.3. Realizada pelo modelador holandês Hendrik Bakkenist

4.4.3.4. Exposta no museu atualmente

4.4.4. Plantas cadastrais do engenheiro Bresser

4.4.4.1. de 1841 e 1842

4.4.4.2. presença do arruamento concentrado no topo da colina

4.4.4.3. ruas de pouca declividade, quase planas

4.4.4.4. ladeiras apresentavam declividade considerável

4.4.5. O arruamento se organiza em torno de pontos de articulação viária, com profusão de entroncamentos.

4.4.6. Ruas paulistanas tendiam a convergir

4.4.6.1. formato triangular da acrópole

4.4.6.2. evolução urbana

4.4.6.3. caminhos e ruas surgiam demandando pontos de interesse

4.4.7. Relação entre cidade e colina continua marcada pelos traços originais

4.5. Transformações posteriores

4.5.1. Após 1850

4.5.2. Iniciaram uma série de intervenções

4.5.2.1. ganhou-se ímpeto crescente

4.5.2.2. modificaram irremediavelmente o primitivo sítio paulistano

4.5.2.3. substituiram sucessivamente as edificações

4.5.2.4. alargaram-se as ruas

4.5.2.5. Alterando traçados

4.5.2.6. Criando novos espaços livres e acessos

4.5.3. A legislação especial limitou as alturas para manter a vista desimpedida a partir do sítio da fundação da cidade

4.5.3.1. Encosta leste, sobre o Tamanduateí foi preservada por terrenos públicos

4.5.3.1.1. (a antiga horta dos jesuítas, depois jardim do palácio do governo, hoje sem uso definido)

4.5.3.2. Desnível abrupto definiu a escolha do sítio e o nascimento da São Paulo em acrópole.

4.5.4. Beco do Colégio, viela que desce a encosta entre a Casa n. 1 – antigo Palácio Episcopal, e a casa da Marquesa de S. Alterado e restaurado várias vezes ao longo do século XX; mas pelo menos aí temos remanescentes nítidos dos traçados, implantação e morfologia originais

4.5.5. Mesmo com o virtual desaparecimento da ocupação em acrópole de matriz luso-brasileira que presidiu a paisagem paulistana por trezentos anos, podemos considerá-la como marco fundamental na evolução de São Paulo e de sua área central. Sem compreensão acurada dessa região e seus primeiros traços, não podemos identificar adequadamente seus remanescentes, nem propor uma reincorporação, ainda que parcial, da presença da colina na cidade.