Análise linguística - eixo do processo de ensino de Língua Portuguesa

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Análise linguística - eixo do processo de ensino de Língua Portuguesa por Mind Map: Análise linguística - eixo do processo de ensino de Língua Portuguesa

1. Estudar análise linguística como um eixo estruturador do ensino de Língua Portuguesa exige, como ponto de partida, esclarecimentos sobre a própria expressão, em particular, sobre o contexto de seu surgimento na literatura especializada.

2. A expressão análise linguística circula no meio acadêmico brasileiro apontando para duas práticas de estudo linguístico.

2.1. A primeira refere-se ao ato de descrever aspectos da língua, fazer inerente a todo teórico da linguagem, ou seja, trata-se de um conceito próprio do estudo científico da língua, a respeito de suas diversas unidades (o fonema, a palavra, o sintagma, a frase, o texto e o discurso), que se desenvolve com base em estudos descritivos de diversas tendências teóricas, desde o estruturalismo até tendências funcionalistas atuais, passando por teorias gerativistas, semânticas e textual- -interativas, por exemplo.

2.2. A segunda prática de análise linguística se interessa pela descrição, mas com fins didáticos.

2.2.1. Com esse significado, foi introduzida na produção acadêmica na década de 1980, e tem suas raízes teóricas nas reflexões sobre a historicidade da linguagem, de inspiração bakhtiniana, divulgadas no Brasil a partir da década de 1970.

2.2.1.1. De acordo com esse modo de pensar, no trabalho dos sujeitos mediado pela linguagem distinguem-se três tipos de ações que se entrecruzam e se materializam nos recursos expressivos.

2.2.1.1.1. Ações que os sujeitos fazem com a linguagem, ações que fazem sobre a linguagem e ações da linguagem reveladas no agenciamento dos recursos expressivos e sistemas de referência pelos sujeitos (Geraldi, 1993, p. 16).

3. A análise lingüística apresentada na década de 1980 remete à redação escolar e à análise gramatical, tomando a reflexão epilinguística como ponto de apoio, num movimento de idas e vindas ao texto do aluno, como atestam os exemplos (1) e (2), que representam orientações para o trabalho de reflexão com textos de alunos de quinta série.

4. Na década de 90 (séc. XX), registra-se mudança no conceito de análise linguística, influenciada por teorias linguísticas divulgadas no contexto acadêmico brasileiro (linguística de texto, sociolinguística, semântica argumentativa e análise do discurso, por exemplo). A mudança reforça a reflexão epilinguística sobre as configurações textuais, afastando-se do foco da frase isolada – com o intuito de ser refeita para atender à norma padrão – e aproximando-se da formulação do texto, considerando as relações interlocutivas nele envolvidas.

5. Geraldi sistematiza novas dimensões para a prática de análise linguística, como uma atitude de reflexão sobre a linguagem. Como metodologia recomenda um ciclo de reflexão, que se inicia com o texto do aluno e se encerra com o retorno do texto reescrito; passando pela comparação de textos com o objetivo de levar à compreensão de múltiplas configurações textuais e variedades linguísticas e, no interior destas, à aprendizagem de novas configurações textuais e construção da variedade padrão da língua.

6. A análise linguística circunscrita simplesmente à prescrição gramatical, enfatizando a palavra e a frase, cede espaço para o texto e se constitui um recurso para a reflexão sobre leitura, escrita e o próprio fenômeno linguístico.

7. O conceito de análise linguística enquanto eixo procedimental do ensino de língua portuguesa se altera segundo a filiação teórica do pesquisador: trata-se de uma reflexão epilinguística sobre fatos de língua em uso, para desenvolvimento da leitura e da escrita; ou de uma reflexão metalinguística, que leva o aluno ora a (re)conhecer o sistema e as normas da língua, por meio de uma classificação e nomenclatura, ora a questionar essa classificação e nomenclatura, que não estejam suficientes para descrever fatos da língua.