Dengue

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Dengue por Mind Map: Dengue

1. Diagnóstico

1.1. Nos primeiros 2 dias: detecção do RNA viral no sangue através de PCR

1.2. A partir do início dos sintomas até o 3º dia: teste rápido (detecção do antígeno não estrutural 1 - NS1); perde sensibilidade após o 3º dia (pode dar falso negativo)

1.3. Sorologia: a partir do 7º dia (IgM por ELISA ou IFI). Sensibilidade > 95%

1.3.1. Em situação de epidemia, pode ser feito diagnóstico clínico-epidemiológico de acordo com as orientações da VE.

2. Quadro clínico

2.1. PI: 4-7 dias

2.2. Viremia: 2-3 dias após o contágio

2.3. Manifestações clínicas após o 4º dia: inicialmente com febre e depois os demais sintomas

2.4. Formas oligossintomáticas inespecíficas são muito frequentes

2.5. DENGUE CLÁSSICA

2.5.1. Forma clínica mais comum

2.5.2. Benigna e autolimitada

2.5.3. Febre, cefaleia (ppte retro-ocular), mialgia frequentemente lombar, artralgia de grandes articulações, exantema maculopapular, náuseas e vômitos. *Manifestações hemorrágicas menores podem ocorrer na dengue clássica.

2.5.4. CASO SUSPEITO: febre com evolução de 2 a 7 dias, associado a pelo menos 2 sintomas relacionados em área e momento epidemiológico compatíveis com dengue.

2.5.5. Sinais de alerta

2.5.6. Hemorragias (petéquias, gengivorragia, epistaxe, hematêmese, melena e metrorragia) + manifestações de dengue clássica = suspeita de FHD

2.5.6.1. Tendem a aparecer por volta do 7º dia, no final do período virêmico e no início da fase inflamatória (geralmente após a defervescência)

2.5.6.2. Critérios confirmação FHD (devem estar todos presentes): febre até 7 dias + plaquetopenia < 100.000 + manifestação hemorrágica (prova do laço ou qualquer sangramento) + sinais de extravasamento de plasma (aumento de 20% no HT em relação ao inicial ou queda de 20% após reposição com cristaloide e/ou derrame cavitário).

2.5.6.2.1. Esta classificação tem fins epidemiológicos e não deve limitar a observação do paciente, visto que existem casos de dengue complicados que não se enquadram nos critérios de FHD e ainda assim podem evoluir de forma desfavorável

2.6. FHD

2.6.1. Grau I: apenas prova do laço +

2.6.1.1. DEVE SER REALIZADA OBRIGATORIAMENTE EM TODO CASO SUSPEITO (NÃO É EXCLUSIVA PARA DENGUE: INDICA PLAQUETOPENIA E FRAGILIDADE CAPILAR - OUTRAS VASCULITES PODEM APRESENTAR - EX- LEPTOSPIROSE)!!!!

2.6.1.1.1. Quadrado 2,5 cm no antebraço/medir a PA/calcular o valor médio (PAS+PAD/2)/insuflar o manguito até o valor médio e manter por 5' (ou 3' em crianças) ou até o aparecimento de petéquias/contar o número de petéquias (+ se mais de 20 em adultos ou mais de 10 em crianças)

2.6.2. Grau II: prova do laço + hemorragias leves (petéquias, epistaxe, gengivorragia)

2.6.3. Grau III: hemorragias graves e/ou sinais de evolução para choque (pulso fino e rápido, hipotensão ou PA convergente) - CIVD

2.6.4. Grau IV: SCD (choque com PA e pulso indetectáveis)

2.6.5. Sintomas iniciais indistinguíveis da dengue clássica, contudo o final da fase virêmica é marcada por sinais de hipoperfusão, como cianose, sudorese, pele e extremidades frias e irritabilidade

2.6.6. Aumento da permeabilidade vascular

2.6.6.1. Hemoconcentração

2.6.6.2. Hipoalbuminemia

2.6.6.3. Derrames pleurais (até 80% dos casos), ascite, SARA (líquido na membrana alvéolo capilar)

2.6.7. Além da hipovolemia, pode haver disfunção miocárdica pela ativação inflamatória sistêmica, o que contribui para o choque.

2.6.8. Hipoperfusão = aumento ácido láctico = acidose metabólica e disfunção de múltiplos órgãos

3. Caso o paciente receba suporte volêmico adequado e precoce, a vasculopatia tende a resolver-se espontaneamente em 2-3 dias e o quadro e resolvido sem sequelas

4. Avaliação laboratorial

4.1. Pedir hemograma em todos os casos suspeitos

4.1.1. Leucopenia e plaquetopenia aumenta a suspeita

4.1.2. Acompanhamento do hematócrito

4.2. Albumina

4.2.1. Extravasamento de plasma: hipoalbuminemia

4.3. Transaminases

4.3.1. Elevação discreta

4.4. Bilirrubinas

4.4.1. Aumento de transaminases sem hiperbilirrubinemia ajuda na diferenciação com febre amarela

4.5. Casos mais graves (sinais sugestivos de hipovolemia/hipoperfusão)

4.5.1. Função renal

4.5.2. Gasometria venosa

4.5.3. Lactato

5. Tratamento

5.1. Não há terapia viral específica

5.2. Sintomáticos + hidratação precoce e vigorosa

5.2.1. Paciente suspeito, com hemograma OK e prova do laço negativa e ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas ou outros sinais de alerta podem ser tratados no ambulatório e hidratados por via oral.

5.2.1.1. Adultos: 60-80 ml/kg/d (1/3 de solução salina). Crianças calcular conforme idade e peso.

5.2.1.2. Manter hidratação até desaparecimento da febre, momento em que o paciente deve retornar para reavaliação (FHD)

5.2.2. Analgésicos, antitérmicos, antieméticos

5.2.2.1. AINES e salicilatos contraindicados (plaquetas)

5.2.2.2. Anti-histamínicos se exantema pruriginoso.

5.3. Prova do laço positiva ou sangramento sem repercussão hemodinâmica: coleta imediata de hemograma e iniciar hidratação oral. Se hemograma tiver apenas alterações discretas, pode tratar ambulatorialmente, com 80 ml/kg/d e retorno em 24 horas

5.3.1. Alterações significativas no HMG: HT >42 em crianças, 44 em mulheres e 50 em homens e/ou plaquetopenia <50.000 = hidratação parenteral com SF 80 ml/kg/d (1/3 nas primeiras 4-6 horas). Reavaliar hemograma após hidratação (pode liberar o paciente se HT cair pelo menos 10%, com orientação de hidratação vigorosa e retorno em 24 horas). Se não houver melhora ou surgirem sinais de alarme ou plaquetopenia <20.000 - INTERNAÇÃO.

5.3.1.1. Pacientes que internam devem, obrigatoriamente, coletar sorologia.

5.4. Manifestações hemorrágicas e/ou sinais de hipoperfusão ou choque, ou qualquer sinal de alerta deve ser prontamente internado, com início imediato de hidratação parenteral vigorosa.

5.4.1. Coletar hemograma, bioquímica, gasometria e investigar derrames cavitários (RX de tórax e USG de abdome)

5.4.1.1. Hematócrito de 4/4 horas para reavaliação do volume de infusão e plaquetas de 12/12 horas. Monitorização do débito e densidade urinários.

5.4.2. Pacientes que não melhoram com hidratação (instabilidade hemodinâmica ou HT em ascensão) devem receber expansores plasmáticos coloides.

5.4.3. Se necessário: transfusão de CH, plaquetas e PFC

5.4.4. Com a resolução da vasculopatia e o restabelecimento da permeabilidade vascular normal, inicia-se a reabsorção do plasma anteriormente extravasado. Nesse momento reduzir a velocidade de hidratação e manter monitorização hemodinâmica, pelo risco de hipervolemia (ICC/EAP).

5.4.5. Critérios de alta

5.4.5.1. Ausência de febre por 24 horas sem antitérmicos

5.4.5.2. Melhora visível do quadro clínico

5.4.5.3. Hematócrito normal e estável por 24 horas

5.4.5.4. Plaquetas em elevação

5.4.5.5. Derrames cavitários em absorção

5.4.5.6. Estabilização hemodinâmica por pelo menos 48 horas

6. Prevenção

6.1. Vacina 9-45 anos (para os soropositivos para dengue)

6.2. Controle do vetor

6.2.1. LIRA (levantamento rápido do índice de infestação por Aedes aegypti): divide-se o município em 9.000 a 12.000 domicílios com características semelhantes e são avaliados a cada 450 domicílios. Se a quantidade de criadouros for menor que 1% OK. Entre 1 e 3,9% alerta e > 4% grande risco de epidemia de dengue naquela região.

6.2.2. Educação sanitária

6.2.3. Manipulação genética do vetor

7. Arbovírus da família Flaviridae

8. Doença infecciosa (viral),febril aguda.

8.1. 4 sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV3 E DENV-4*

8.1.1. Imunidade sorotipo específica permanente

8.1.2. Imunidade cruzada temporária

8.1.3. Não há diferenças clínicas/prognósticas entre os sorotipos

8.1.4. A infecção sequencial (outro sorotipo) aumenta o risco de formas graves

8.1.4.1. A amplificação da resposta inflamatória no 2º episódio exacerba os mecanismos fisiopatológicos da doença

9. Geralmente de curso benigno, mas pode evoluir para Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e Síndrome do Choque da Dengue (SCD)

10. Arbovirose: transmitida pelo Aedes aegypti

10.1. Eventualmente pelo Aedes albopictus (florestas)

10.2. Mosquito de tamanho pequeno, cor marrom médio e por nítida faixa curva branca de cada lado do toráx. Nas patas, apresenta listras brancas.

10.3. Ciclo antroponótico: de ser humano a ser humano através de um vetor (sem necessidade de reservatório não humano)

10.4. Extremamente adaptável ao ambiente urbano; grande capacidade de reprodução em criadouros artificiais

10.5. Vida média de 1 a 4 semanas (permanece em ambientes domiciliares próximos ao criadouro de origem). Hábitos diurnos e vôos curtos (até 800 m)

11. Arbovírus: todos aqueles transmitidos por artrópodes (insetos e aracnídeos)

12. Transmissão

12.1. Fêmea pica indivíduo em fase viêmica, tornando-se infectada e é iniciada a multiplicação viral no vetor (incubação extríseca): DURAÇÃO DE 1 A 2 SEMANAS

12.2. Após a incubação extrínseca, todos os repastos seguintes podem transmitir o vírus (a fêmea pica várias vezes ao dia, até o final de sua vida)

12.3. Transmissão durante todo o ano, com aumento do número de casos nos meses chuvosos (criadouros + altas taxas de umidade prolongam a vida média do mosquito + calor encurta o período de incubação extrínseca)

12.4. O ovo pode sobreviver por até 450 dias, mesmo em ambiente seco.

13. Fisiopatogenia

13.1. Após a picada por um mosquito infectado, o vírus replica em LN regionais por 2-3 dias.

13.2. A seguir, dissemina-se por via hematogênica para vários tecidos, onde infecta macrófagos, monócitos, e em menor escala, linfócitos T e B.

13.3. Resposta imune inata ocorre por ativação de células dendríticas, que vão apresentar os antígenos para os linfócitos T-helper, mudando a resposta inata para adaptativa específica, ativando um grande número de citocinas

13.3.1. Resposta inflamatória sistêmica, com liberação de IL-8, alfainterferona e óxido nítrico: LESÃO ENDOTELIAL DIFUSA = aumento da permeabilidade vascular (derrames cavitários, hipoalbuminemia)

13.3.1.1. CHOQUE

13.3.2. Liberação de fatores ativadores de plaquetas + exposição ao endotélio lesado = agregação e sequestro plaquetário = PLAQUETOPENIA

13.3.3. Mal estar e fadiga típicos

13.3.4. Infiltrado inflamatório muscular e infecção de células da MO = mialgias e dores musculoesqueléticas/citopenias

13.3.5. Exantema: vasculite desencadeada pela presença do vírus + vasodilatação imunomediada

13.4. Tropismo viral pelo fígado: necrose hepatocelular (hepatite médio-zonal) = aumento de transaminases

13.5. Manifestações neurológicas secundárias à alterações metabólicas/perfusionais/hemorrágicas ou encefalite viral.

13.6. Elevação títulos de anticorpos neutralizantes no decorrer da infecção: inativação viral e reversão das lesões.

13.7. Após a picada por um mosquito infectado, o vírus replica em LN regionais por 2-3 dias.