1. Problema da fundamentação moral
1.1. Interrogar o fundamento da moral é interrogar:
1.2. Teoria do bem/valor: leva-nos a perguntar qual é o bem último, isto é, uma coisa que valorizamos por si mesma.
1.2.1. Mas qual é o bem último? Segundo Kant o bem último é a boa vontade que consiste no cumprimento do dever por puro respeito e não por inclinação/obrigação.
2. Boa vontade
2.1. É boa em si mesma, independentemente das consequências que daí surgiram.
2.1.1. Consiste na vontade de cumprir o dever pelo dever.
2.1.1.1. É uma vontade que age de acordo com regras ou máximas que podem ser seguidas por todos.
3. Objeções
3.1. OBJEÇÃO: Não resolve conflitos entre deveres absolutos.
3.1.1. De acordo com a teoria deontológica de Kant existem dever absolutos, isto é, jamais é eticamente permissível fazer o que estes deveres proíbem. Exemplo: Roubar intencionalmente.
3.1.1.1. Sendo que ambos os deveres são absolutos, somos induzidos a um conflito irresolúvel entre eles, sem ter nenhuma forma de os categorizar e de relacionar prioridades entre eles. Exemplo: Mentir/enganar/coagir uma pessoa em prole de outra.
3.1.1.2. OBJEÇÃO: Não é consistente com o facto de existirem máximas imorais universalizáveis.
3.1.1.2.1. Os críticos de Kant têm tentado comprovar que existem máximas universalizáveis. Por exemplo, a máxima :"Mata qualquer pessoa que te estorve", uma ação imoral, demonstra resistir ao teste do imperativo categórico, visto que não é autocontraditória.
4. A lei moral
4.1. Defende que "Deves em qualquer. circunstância cumprir o dever pelo dever".
4.1.1. A lei moral, segundo a ética de Kant, expressa como cumprir os deveres, qual a forma correta de os fazer cumprir, isto é, de forma imparcial/desinteressada e por puro respeito de fazer cumprir o dever de forma moralmente correta.
4.1.1.1. A Lei moral ordena- cumprir o dever por puro respeito pelo dever- é uma obrigação que tem a forma de um imperativo categórico.
5. Deontologia
5.1. É uma ética que defende deveres morais absolutos, por isso, não admite exceções, desvinculada da Felicidade
5.1.1. O valor moral das ação depende unicamente da sua intenção (forma como o dever é cumprido por nós).
6. Ação feita por dever
6.1. São ações que cumprem o dever por puro respeito ao dever (forma desinteressada), não sendo praticadas como um meio para atingir um fim. A intenção desta ação é cumprir o dever por uma boa vontade pois o facto de esta ação ser realizada já é um fim por si mesmo. Exemplo: O António nunca chega atrasado ao trabalho apenas para cumprir a obrigação moral.
7. Ações contrárias ao dever
7.1. São ações que violam/ não cumprem o dever. Exemplo: Roubar, mentir, matar,...
8. Ações que estão de acordo com o dever
8.1. São ações em conformidade ao dever.
8.2. Ações que cumprem o dever, mas por interesse pessoal.
8.3. Ações sem valor moral porque o cumprimento do dever não é o seu fim. A intenção subjacente à ação é egoísta.
8.4. Exemplo: O Francisco dá esmola a um mendigo para ficar bem visto por quem vê esta ação.
9. Imperativo categório
9.1. É uma obrigação absoluta e condicional (faz A).
9.2. Exige que seja uma vontade autónoma, isto é, uma vontade unicamente determinada pela razão com desejos e interesses, o que ordena é um fim em si.
9.3. Exemplo: Vai estudar!
10. Imperativo hipotético
10.1. É uma obrigação condicional, ou seja, a ação que praticamos condiciona diretamente aquilo que queremos obter (faz A se quiseres B).
10.1.1. O que ordena é um meio para atingir um fim. A vontade é heteronomia sendo que é determinada por algo que lhe é exterior (interesse /desejo).
10.1.1.1. Para que uma ação tenha valor moral a máxima associada à mesma tem de ser um imperativo categórico, visto que só esta cumpre o dever como um fim intrínseco.
10.1.1.1.1. Exemplo: Tens de fazer o exame de matemática se queres entrar na faculdade de medicina.
11. As duas mais importantes formulações do imperativo categórico ou lei moral
11.1. Fórmula da lei universal (" Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal").
11.1.1. De acordo com esta fórmula, o dever moral básico é praticar exclusivamente as ações que todos considerem que possa ser um modelo positivo.
11.1.1.1. Posto isto, a máxima "Rouba sempre que isso for do teu interesse" não se pode converter numa lei universal, logo não é um bom exemplo para os outros visto que roubar é moralmente incorreto e irá promover a realização de ações moralmente incorretas
11.1.1.1.1. Fórmula da humanidade ("Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas (meramente) como meio".