EDUCAÇÃO E INTERCULTURALIDADE by Vera Maria Candau

EM ENTREVISTA, A PEDAGOGA, PESQUISADORA E PROFESSORA VERA MARIA CANDAU APRESENTA OS PRINCIPAIS CONCEITOS NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO VOLTADA PARA A INTERCULTURALIDADE.

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EDUCAÇÃO E INTERCULTURALIDADE by Vera Maria Candau por Mind Map: EDUCAÇÃO E INTERCULTURALIDADE by Vera Maria Candau

1. EM ENTREVISTA, A PEDAGOGA, PROFESSORA E PESQUISADORA VERA MARIA CANDAU APRESENTA OS PRINCIPAIS CONCEITOS DA EDUCAÇÃO VOLTADA PARA A INTERCULTURALIDADE.

2. Identidade cultural

2.1. A expressão nos remete a nossa maneira de ser. Somos culturalmente construídos, mas essa construção é um processo dinâmico que vai sendo mobilizado a partir dos processos de identificação que vamos tendo ao longo da vida.

3. Ações afirmativas

3.1. São medidas, políticas ou projetos voltados para grupos marginalizados visando sua inserção na sociedade. Em geral, têm caráter transitório.

4. Cultura

4.1. Na perspectiva antropológica, são os modos de vida de um grupo social. A cultura cria redes dinâmicas de significados por meio das quais enxergamos o mundo.

5. Branquitude

5.1. Ser branco é uma identidade construída socialmente. É importante refletir sobre o que representa ser branco e construir relações mais igualitárias com os diferentes sujeitos etnorraciais.

6. Educação intercultural

6.1. É um processo que valoriza as diferenças e promove o diálogo. Está orientado para a construção de justiça, que visa articular igualdade e diferença na construção de uma democracia onde os diferentes sujeitos e os diferentes saberes sejam reconhecidos.

7. Globalizações

7.1. O termo é no plural porque existem dois modelos de globalização: um, de cima para baixo, da colonialidade, que busca a homogeneização cultural na linha da eurocentrismo e do euro-USA-centrismo. Mas há outro, de baixo pra cima, que nasce das pessoas, da sociedade civil, da organizações sociais e que é contra-hegemônico, na luta pela construção de uma sociedade mais igualitária.

8. Igualdade e diferença

8.1. É uma tensão fundamental no mundo atual. O importante é articular essas duas dinâmicas. O desafio é promover a igualdade, combatendo todas as desigualdades, mas respeitando e valorizando as diferenças, questionando a homogenização e a padronização.

9. Intraculturalidade

9.1. É o reconhecimento, a valorização, a potencialização da nossa própria identidade cultural. É preciso valorizar a própria cultura para ter mais capacidade de dialogar com as outras, de modo a fazer com que estas reconheçam nossa própria cultura. A intraculturalidade deve estar articulada com a interculturalidade.

10. Multiculturalismo

10.1. Há três dimensões: a assimilacionista (percebe que a sociedade é plural, mas impõe a cultura comum, hegemônica), a diferencialista (reconhece a pluralidade de grupos e de culturas, mas quer cada um no seu espaço próprio) e a interacionista (reconhece a pluralidade e visa promover a relação entre as diferentes culturas, na perspectiva da interculturalidade crítica).

11. Interculturalidade

11.1. É uma palavra polissêmica com três perspectivas: a relacional (relação interpessoal com sujeitos de culturas diferentes), a funcional (conectada ao sistema com objetivo de diminuir os elementos de conflitos sociais) e a crítica (que coloca em questão as relações de poder construídas na sociedade, que privilegia determinados sujeitos e saberes em detrimento de outros).

12. Tradução intercultural

12.1. Não é uma tradução linguística, é entender determinados sentidos de uma cultura e de outra cultura e procurar pontes e sinergias entre as palavras e expressões, sabendo que uma não é sinônimo da outro.

13. Descolonização x decolonialidade

13.1. Descolonização é o processo político e jurídico pelo qual um país deixa de ser colônia de outro. Decolonialidade está voltada para construir uma lógica mais plural, em contraposição à imposição da matriz hegemônica do colonizador.

14. Ecologia dos saberes

14.1. Visa reconhecer que no mundo existe uma pluralidade de saberes que não são produzidos pelo conhecimento científico de tradição Ocidental e sim por muitos grupos socioculturais. É importante que os dois tipos de saberes dialoguem.

15. Daltonismo Cultural

15.1. Apresentado por pessoas que não conseguem reconhecer o arco-íris cultural que compõe o mundo. Ocorre com frequência nas escolas.

16. Colonialidade

16.1. É a introjeção da matriz cultural do colonizador no colonizado, mesmo depois de muito tempo que o processo político e jurídico da colonização já tiver acabado.

17. Euro-USA-centrismo

17.1. Modelo único de trajetória histórica de conceber os conhecimentos. Visa reconhecer que nós valorizamos mais uma tradição que tem sua matriz na Europa e nos EUA, colocando todos as demais regiões na condição de segunda categoria.

18. Empoderamento

18.1. São processos sociais que ajudam pessoas ou grupos sociais a descobrirem sua potência, seu poder de intervenção, de mobilizar projetos transformadores e serem sujeitos plenos, engajados nas práticas sociais.

19. Homogenização cultural

19.1. Processo ligado à globalização hegemônica, que tende a promover um único padrão cultural, impondo-o como o melhor, inclusive na escola. O interessante é que a homogenização cultural promove resistências e insurgências de grupos que afirmam outras lógicas culturais.

20. Justiça cognitiva

20.1. Visa o reconhecimento dos diferentes saberes que são produzidos no mundo, por diferentes grupos sociais. A justiça também tem uma dimensão epistemológica e cognitiva, o que é fundamental para os processos de educação intercultural.

21. Políticas de reconhecimento e de redistribuição

21.1. As duas políticas devem estar articuladas para permitir a construção de uma sociedade mais democrática. É necessário reconhecer e valorizar os diferentes grupos e culturas e atuar para que haja uma redistribuição de forma a alcançar a igualdade de oportunidades.

22. Relativismo cultural

22.1. É você não olhar o culturalmente diferente a partir de seu próprio parâmetro, fazendo juízo sobre ele a partir de suas concepções. É tentar se aproximar do outro, culturalmente diferente, procurando olhar a realidade a partir dele e não de nosso próprio referente.

23. Subalternidade

23.1. Na perspectiva da interculturalidade, são processos de inferiorização de determinados grupos sociais, considerados dependentes, sem capacidade própria e cuja presença na sociedade é inferiorizada em todos os sentidos. É algo que tem que ser problematizado e superado.

24. Universalismo

24.1. É próprio da cultura ocidental, que considera que só a nossa cultura é universal e só ela tem valor. Nessa perspectiva, acredita-se que só existe um modo de entender a vida e a realidade, e que apenas esta é válida e verdadeira e, portanto, deve ser difundida.