1. Personagens
1.1. •Teodorico Raposo: Protagonista, homem de duas faces, uma de malandro e outra de beato (santinho). Também conhecido como Raposão, é ele que narra a história. Este personagem é capaz do melhor e do pior. •Dona Maria do Patrocínio: Tia de Teodorico, rica, católica e muito severa. Criou o sobrinho seguindo os ensinamentos de um amigo padre. Sempre incentivava o sobrinho aos estudos e à religiosidade. •Crispim: Melhor amigo de Teodorico desde os tempos da escola. No futuro será também cunhado do amigo. •Adélia: Primeira paixão de Teodorico Raposo, mas que o abandona, pois ele a deixa para obedecer a tia e estudar Direito em Coimbra. •Topsius: Outro amigo do Raposão. Este é um estudioso e historiador que estava em Alexandria quando Teodorico se encaminhava para Jerusalém. Este estudioso escreveu um livro e inclusive colocou Teodorico como um dos personagens. •Miss Mary: Mulher inglesa e amante do nosso protagonista. Vivem noites de volúpia e entrega a ele como presente sua camisola para que guarde de lembrança.
2. Comparação
2.1. A Relíquia X Brás Cubas. Em a Relíquia é criado um “narrador-autor” de suas memórias, um tanto cético, prepotente, orgulhoso de sua “carreira”, sem o peso do trabalho nas próprias costas, dado aos desejos mundanos e à boa vida burguesa, logo Associamos ao Brás Cubas, protagonista das “Memórias póstumas de Brás Cubas “obra maior do Realismo brasileiro, escrita por Machado de Assis, publicada em 1881, que conta as história de um defunto autor, ou seja, Brás Cubas já morto conta histórias de sua vida através de numa narrativa A Relíquia, de Eça de Queirós, em muitos aspectos se assemelha com As memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis. Ambas são construídas sob a forma de narrativas memorialistas e são permeadas de ironia oriunda de narradores maduros que olham para trás e destrincham o próprio passado.
3. Realismo fantástico
3.1. Trata-se de uma obra que associa à narrativa de viagem um olhar bem-humorado sobre a condição de adaptação humana, em seus interesses de posse e em suas ilusões sociais e afetivas, por meio de negociações íntimas, por vezes conflitivas, entre o sacrifício e a recompensa. Do mesmo modo, o autor desenvolve as reflexões do protagonista em um constante diálogo entre a verdade e a fantasia, como anuncia em uma famosa epígrafe editada junto ao título: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”.
4. Inutilidade da hipocrisia; Busca por ascensão social; Ambição desmedida; Culto das aparências e convencionalismo social
4.1. Romance de segunda fase, A Relíquia, de Eça de Queirós, publicado em 1887, nos dá uma visão pessimista do autor, de um Portugal demasiadamente conservador de que Titi é a principal representante; há também uma crítica ferina, contundente e cruel desta mesma sociedade portuguesa, ressaltando-se aí os defeitos do clero, o que já fora anteriormente feito em O Crime do padre Amaro (que faz também parte da segunda fase do autor). Desta vez, no entanto, a crítica é muito mais aguda e mostra as criaturas que fariam qualquer coisa por um pouco de dinheiro. Principalmente neste romance o autor hostiliza os que ostentam o mundo de aparências; a própria D. Patrocínio, tão beata e tão piedosa, mas que, por discordar do modo de viver de um sobrinho “pecador’, deixa-o morrer doente, sem atender-lhe os pedidos. A Relíquia é um romance que consegue atingir seu objetivo principal de criticar a sociedade lisboeta através de sua temática principal da inutilidade da hipocrisia. Esta é vista como juízo moral que parece prevalecer por um curto período na memória do próprio narrador, que acaba deixando-se levar pela força desagregadora da moral e da índole para afirmar que lhe faltou por um único momento o heroísrno de pregar mais uma mentira carregada de convicção para que tivesse obtido sucesso em sua suma hipocrisia. E essa crença na mentira que parece conduzir toda uma sociedade ao declínio e que representa nitidamente o estado de decadência da sociedade lusíada da segunda metade do século XIX. Ao contrário dos romances da terceira fase de Eça de Queirós, nos quais percebe-se um certa esperança vinda do interior, esse romance é marcado por um forte pessimismo, já que nem mesmo o declínio pelo qual passou, serviu profundamente ao protagonista de lição moral. Seu verdadeiro arrependimento não decorre de sua ação imoral tornada objetivo de vida, mas de não ter tido a coragem de continuar a mentir no momento que sua farsa foi revelada. Ao descortinar a verdade que se escondia por trás da falsa beatice de Teodorico, Eça revela mais do que a falsidade, o cinismo e a hipocrisia do personagem, mas uma sociedade moralmente desgastada e em rápido ritmo de declínio, urna vez que estabelece o interesse econômico como fundamental ao respeito e ao cumprimento dos desejos de uma beata seca e mal amada, porém rica.
5. Características
5.1. Movimento literário
5.1.1. Romance realista de 1887 publicado na cidade do Porto, em Portugal, A RELÍQUIA chegou para o leitor brasileiro por meio de folhetins publicados na Gazeta de Notícias, periódico que circulou no Rio de Janeiro, de 1875 a 1942. Em seu formato atual está distribuído em cinco capítulos, antecedidos por um prólogo explicativo do narrador-personagem. Carrega todas as características do Realismo de um Eça de Queirós severo e sarcástico, em relação aos moldes sociais determinados por valores católicos, em seu tempo. A Relíquia é considerada uma obra do Realismo crítico e pertence à segunda fase da produção de Eça de Queirós. Nessa fase também estão situadas as obras clássicas O crime do Padre Amaro e o Primo Basílio.
5.2. Autor
5.2.1. Eça de Queirós foi um dos grandes nomes da literatura portuguesa. O escritor participou de um período de mudança, em que o romantismo dava lugar ao realismo. Na primeira fase da sua carreira, produziu obras com influência romântica. O realismo aparece nas narrativas da segunda fase. Na terceira e última, Eça apresenta textos mais imaginativos, testando os limites do estilo literário. “O Crime do Padre Amaro” e “O Primo Basílio” são duas de suas obras mais importantes. Com temática crítica, o autor causou polêmica na sociedade portuguesa da época e foi condenado pela Igreja Católica. Eça de Queirós trabalhou como jornalista, como muitos autores do período, advogado e cônsul. Mas ficou mais conhecido pela atuação na literatura. Os textos do autor apresentam o nascimento do realismo português e são objeto de análise até hoje. O escritor português escreveu os primeiros textos com características românticas. A segunda fase, no entanto, foi marcada pelo realismo. Eça de Queirós foi um dos responsáveis pelo início do realismo em Portugal. Apresenta uma visão mais crítica da sociedade, diferente do romantismo que precedeu o movimento. Eça de Queirós fugiu do estilo clássico de escrita, apostando em uma maior liberdade na elaboração do texto.