A morte pode esperar? Clínica psicanalítica do suicídiopor Alyce Köhler
1. Aprisionado a este determinismo que faz suas escolhas diante da vida e da morte.
2. Escolhe repetir o traumático.
3. O suicida pode ser considerado o sujeito da tiquê, que é uma forma de repetição, na qual o sujeito repete sempre a mesma falha, mas trazendo um algo novo.
4. O sujeito que escolhe morrer, via de regra, está submerso em uma angústia avassaladora.
5. A angústia é sempre angústia de castração, portanto angústia de quem está vivo, angústia do homem, no corpo, na vida. A morte não é a causa da angústia, mas uma forma de exterminá-la.
6. O suicídio neurótico é, muitas vezes, um acting out,um ato no qual o sujeito cria a cena e participa dela, como se fosse autor, ator e diretor da obra, cuja finalidade é alcançar o Outro, daí seu aspecto de mostração.
7. Já na psicose, a foraclusão do nome-do-pai faz do grande Outro, um Outro sem a barra, consistente, sem furo. O que foi rechaçado no simbólico volta no real, sob a forma dos fenômenos elementares, como alucinações auditivas, visuais e principalmente como fenômenos de linguagem.
8. Freud caracteriza o melancólico como o sujeito que, de tão identificado ao objeto, ao perde-lo, culpa-se e pune-se por isso.
9. Para Lombotte, o discurso do melancólico é um discurso desprovido de afeto, sem representações, com palavras desvitalizadas, nas quais tanto o sentido como a verdade remetem à aniquilação, em uma sucessão de ideias sem pontuação, sem especificação, afeto ou sentido.
10. A autora indica a necessidade de um cuidado nesta clínica, pois a queda dos ideais que seria o caminho da cura para os neuróticos, pode “expor brutalmente a falha narcísica do sujeito, podendo provocar uma passagem ao ato suicida”.
11. Quando o paciente diz “quero morrer”, está expressando seu desejo? Freud relaciona morte à pulsão, pulsão de morte. “O sujeito que não tem mais tempo para viver escolhe a morte, não porque a deseje, visto que o inconsciente não a reconhece, mas porque dela pretende tirar alguma satisfação”.
12. “Somente a transferência poderá levar o sujeito a abrir mão dessa condição de objeto e interrogar sobre seu ato, sua existência seu desejo e seu gozo”.
13. Suicídio é uma manifestação humana.
14. É quando a vida se torna insuportável.
15. Um modo de lidar com a dor de existir.
16. O ser falante é o único ser vivo que faz da morte uma escolha.
17. O falasser, inscrito na linguagem, paga o preço de determinismo inconsciente à cadeia significante.
18. O que o neurótico faz é recobrir a falta do significante falo com um objeto, objeto causa de seu desejo. Ao usar um objeto para preencher a falta do falo, não há garantia de sucesso. Assim, a fantasia pode ser abalada. A autora enfatiza a importância clínica da fantasia na clínica do suicídio, na identificação dos tipos de neurose, obsessiva ou histérica, em função da posição que ocupam na fantasia.
19. Quando se suicida é, ou para sair da condição insuportável de objeto de gozo do Outro, ou para obedecer a uma ordem que vem do Outro, de que se mate.
20. É raro perversos buscarem uma análise. A causa do suicídio para esta estrutura é também a perda de gozo, ocasionada por algo da realidade que mexa em seu status, denegrindo sua imagem.
21. Carvalho, com base em sua experiência, ressalta a importância de, na clínica do suicídio, deixar o sujeito falar sobre sua dor, sem qualquer julgamento ou interpretação.
22. Referencia: FREITAS, Geísa. A morte pode esperar?: Clínica psicanalítica do suicídio. Stylus (Rio de Janeiro), n. 31, p. 215-222, 2015.