Cuidados após o nascimento

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Cuidados após o nascimento por Mind Map: Cuidados após o nascimento

1. Puerpério/pós-parto

1.1. Podem surgir problemas de saúde ainda relacionados à gravidez;

1.2. Portanto, deve ser realizada um consulta até 42 dias após o final da gestação;

1.3. O puerpério dura em torno de 6 semanas, sendo dividido em:

1.3.1. Imediato: 1º ao 10º dia;

1.3.2. Tardio: 10º ao 45º dia;

1.3.3. Remoto: > 45º dia.

2. Ações relacionadas à puérpera

2.1. Anamnese

2.1.1. 1. Verificar caderneta da gestante para evitar perguntas desnecessárias;

2.1.2. 2. Interrogar: queixas, condições do pré-natal e do parto (intercorrências?), uso de medicamentos, realização de testes rápidos e vacinas, alimentação, higiene corporal e íntima, dificuldades na amamentação.

2.2. Exame físico

2.2.1. Geral

2.2.1.1. EG, hidratação, temperatura, mucosas, FR, FC, PA;

2.2.2. Avaliação clínico-ginecológica

2.2.2.1. Palpação do útero

2.2.2.1.1. 12h após o parto espera-se que a AU esteja ao nível da cicatriz umbilical;

2.2.2.1.2. Ainda pode haver atividade contrátil: dolorosa (cólicas) ou não dolorosa;

2.2.2.1.3. O útero regride 1 cm/dia a partir do 2º dia do puerpério;

2.2.2.2. Lóquios

2.2.2.2.1. Corrimento vaginal (sangue, muco e tecidos do útero) do puerpério;

2.2.2.2.2. A quantidade variável e o aspecto muda conforme o passar dos dias pós-parto:

2.2.2.2.3. Cerca de 500 mL de lóquios são expelidos nas primeiras 48h, diminuindo progressivamente.

2.2.2.3. Inspeção do Períneo e orientações

2.2.2.3.1. Verificar os genitais externos e atentar para sinais de infecção;

2.2.2.3.2. Autorizar banho caso o parto não tenha apresentado complicações (proibir duchas vaginais);

2.2.2.3.3. Bolsas de gelo podem reduzir a dor e o edema no local da episiotomia ou no reparo das lacerações;

2.2.2.4. Exame das mamas e orientações

2.2.2.4.1. Inspecionar, orientar massagem das mamas, esvaziamento completo, alternância dos seios nas mamadas, uso de sutiã confortável e tentar estabelecer agenda regular nas mamadas.

3. Ações relacionadas ao RN

3.1. Verificar a Caderneta de Saúde da Criança;

3.2. Conferir informações sobre o peso, o comprimento, o Apgar, a IG e as condições de vitalidade;

3.3. Observar e orientar a mamada;

3.4. Realizar avaliação detalhada e definir se há critérios para alta ou não;

3.4.1. Inspeção geral: peso, postura, atividade espontânea, padrão respiratório, hidratação, AM, pele (palidez, icterícia, cianose), crânio, orelhas, face, pescoço, tórax, abdome, coto umbilical, genitália, membros e coluna vertebral.

3.4.1.1. ICTERÍCIA

3.4.1.1.1. < 24 horas de vida (precoce): patológica, avaliação rigorosa;

3.4.1.1.2. > 24 horas de vida (tardia) e área acometida restrita à face e ao tórax: pode tratar-se de icterícia fisiológica.

3.4.1.1.3. Sinais de alerta

3.5. Identificar o RN de risco ao nascer;

3.6. Realizar o teste do pezinho e registrar o resultado na Caderneta da Criança;

3.7. Verificar imunização;

3.8. Agendar as próximas consultas: 2º, 4º, 6º, 9º, 12º, 18º e 24º meses de vida.

4. Desvio do puerpério normal

4.1. Febre;

4.2. Sangramento vaginal exagerado;

4.3. Dor, hematoma e sinais inflamatórios nas áreas operadas (cesárea ou episiotomia);

4.4. Tonturas frequentes;

4.5. Mamas doloridas e com outros sinais inflamatórios;

4.6. Alterações de humor;

4.7. Corrimento com odor fétido;

4.8. Parada de lóquios / lóquios com odor fétido;

4.9. Níveis pressóricos elevados;

5. Planejamento familiar

5.1. Informar sobre os métodos contraceptivos que podem ser utilizados no pós-parto;

5.2. Explicar o método da LAM (amenorreia da lactação), que deve seguir os critérios básicos de:

5.2.1. Amenorréia;

5.2.2. Lactente < 6 meses;

5.2.3. Amamentação exclusiva.

5.3. Se a mulher não deseja ou não pode usar a LAM, ajude-a na escolha de outro método;

5.3.1. Condon (Preservativo)

5.3.2. DIU

5.3.2.1. Pode ser feito logo após o parto (apesar de haver grande chance de expulsão do dispositivo no pós-parto imediato) ou após 6 semanas;

5.3.3. ACO com Progesterona

5.3.3.1. Tempo mínimo de 6 semanas após o parto para iniciar uso;

5.4. As relações sexuais podem ser restabelecidas, com proteção e cuidado, por volta de 20 dias após o parto, quando já tiver ocorrido a cicatrização;

5.5. Caso haja desejo de outro filho futuramente, orientar intervalo de 2 anos.

6. Sofrimento mental no puerpério

6.1. O puerpério é o momento de maior vulnerabilidade psíquica na mulher;

6.2. A puérpera adolescente é a mais vulnerável;

6.3. Atentar ao "Baby blues" no puerpério imediato e seus diagnósticos diferenciais: depressão e transtorno psicótico puerperal;

6.3.1. Baby blues

6.3.1.1. Alteração psíquica leve e transitória;

6.3.1.2. Prevalência: 50% a 80%;

6.3.1.3. Inicia-se no 3º até o 4º dia do puerpério;

6.3.1.4. Choro, flutuação de humor, irritabilidade, fadiga, tristeza, insônia, dificuldade de concentração, ansiedade relacionada ao bebê.

6.3.1.5. Remissão espontânea em 1 semana a 10 dias.

6.3.2. Depressão puerperal

6.3.2.1. Transtorno psíquico moderado a severo, início insidioso;

6.3.2.2. Prevalência: 10% a 15%;

6.3.2.3. Inicia-se na 2ª a 3ª semana do puerpério;

6.3.2.4. Tristeza, choro fácil, desalento, abatimento, labilidade, anorexia, náuseas, distúrbios de sono, insônia inicial e pesadelos, ideias suicidas, perda da libido;

6.3.2.5. O prognóstico está relacionado ao diagnóstico precoce e às intervenções adequadas.

6.3.3. Transtorno psicótico puerperal

6.3.3.1. Distúrbio de humor psicótico: perturbações mentais graves;

6.3.3.2. Prevalência: 0,1% a 0,2%;

6.3.3.3. Inicia-se abruptamente na 2ª ou 3ª semana do puerpério;

6.3.3.4. Confusão mental, alucinações ou delírios, agitação psicomotora, angústia, pensamentos de machucar o bebê, comportamentos estranhos, insônia: sintomas que evoluem para formas maníacas, melancólicas ou até mesmo catatônicas;

6.3.3.5. Pode evoluir para depressão. O prognóstico depende da identificação e intervenção precoces.

7. Idade gestacional

7.1. MÉTODO DE CAPURRO

7.1.1. Simples. Limitações: melhor correspondente em bebês termos, mais preciso se realizado com <6h de vida. Pode ser de dois tipos:

7.1.1.1. SOMÁTICO - avalia 5 parâmetros físicos;

7.1.1.2. SOMÁTICO-NEUROLÓGICO - avalia dos 4 parâmetros físicos e 2 parâmetros de maturidade neurológica.

7.1.1.2.1. EXCLUI-SE a avaliação do mamilo e adiciona-se a avaliação dos parâmetros neurológicos (sinal do xale e posição da cabeça);

7.1.2. Parâmetros físicos

7.1.2.1. Forma das orelhas

7.1.2.1.1. chata, disforme, pavilhão não encurvado;

7.1.2.1.2. borda superior parcialmente encurvada;

7.1.2.1.3. borda superior completamente encurvada;

7.1.2.1.4. pavilhão totalmente encurvado.

7.1.2.2. Tamanho das glândulas mamárias

7.1.2.2.1. ausência de tecido mamário;

7.1.2.2.2. diâmetro < 0,5 cm;

7.1.2.2.3. diâmetro entre 0,5 e 1 cm;

7.1.2.2.4. diâmetro > 1cm.

7.1.2.3. Formação do mamilo;

7.1.2.3.1. mamilo pouco visível, sem aréola;

7.1.2.3.2. mamilo visível, aréola lisa, diâmetro < 0,75 cm;

7.1.2.3.3. mamilo puntiforme, aréola de bordo não elevado, diâmetro > 0,75 cm;

7.1.2.3.4. mamilo puntiforme, aréola de bordo elevado, diâmetro > 0,75 cm.

7.1.2.4. Textura da pele

7.1.2.4.1. fina, gelatinosa;

7.1.2.4.2. fina, lisa;

7.1.2.4.3. lisa, discreta descamação superficial;

7.1.2.4.4. grossa, sulcos superficiais, descamação de pés e mãos;

7.1.2.4.5. grossa, apergaminhada, sulcos profundos.

7.1.2.5. Sulcos plantares

7.1.2.5.1. ausentes;

7.1.2.5.2. marcas mal definidas na metade anterior;

7.1.2.5.3. marcas bem definidas e sulcos na metade anterior;

7.1.2.5.4. sulcos na metade anterior;

7.1.2.5.5. sulcos em mais da metade anterior.

7.1.3. Parâmetros neurológicos

7.1.3.1. Sinal do Xale (posição do cotovelo)

7.1.3.1.1. na linha axilar do lado oposto;

7.1.3.1.2. entre a linha axilar e a linha média contralateral;

7.1.3.1.3. ao nível da linha média;

7.1.3.1.4. entre a linha axilar e a linha média ipsilateral;

7.1.3.2. Posição da cabeça ao levantar o RN;

7.1.3.2.1. totalmente deflexionada;

7.1.3.2.2. Â entre 180 e 270º;

7.1.3.2.3. Â = 180º;

7.1.3.2.4. Â < 180º.

7.1.4. IG em semanas = (somatório dos pontos + 204)/7

8. Coto umbilical

8.1. Inicialmente gelatinoso

8.1.1. Seca progressivamente, mumificando-se ao 3-4º dia de vida. Desprende-se entre o 6º e o 15º dia.

8.2. Circulação

8.2.1. O cordão umbilical apresenta duas artérias e uma veia. A presença de artéria umbilical única pode estar associada a anomalias renais ou a problemas genéticos (trissomia do 18).

8.3. Pesquisar

8.3.1. Secreções na base do coto umbilical, odor fétido ou eritema da pele ao redor da implantação umbilical.

8.4. Higiene

8.4.1. A higiene da região umbilical com álcool a 70% é um importante fator de proteção contra infecção. Imediatamente após a limpeza pode-se observar hiperemia transitória da pele, o que não apresenta risco para o RN.

8.5. Secreção purulenta na base do colo com edema, hiperemia da parede abdominal e formação de um triângulo na parte superior do umbigo indicam onfalite de alto risco.

9. Visita domiciliar

9.1. A Rede Cegonha preconiza a “Primeira Semana de Saúde Integral” (PSSI): realização de atividades na atenção à saúde da puérpera e do RN.

9.2. A maternidade deve informar à equipe de atenção básica informações sobre a alta da mãe e do bebê, a fim de que a equipe se prepare para a visita domiciliar em tempo oportuno.

9.3. A visita domiciliar deve ocorrer em até 1 semana após o retorno do binômio para casa.

9.3.1. RN de alto risco: visitar em até 3 dias!

9.4. Na visita, deve-se:

9.4.1. Avaliar o estado de saúde da mulher e do RN;

9.4.2. Orientar e apoiar a família para a amamentação;

9.4.3. Orientar os cuidados básicos com o RN;

9.4.4. Avaliar a interação da mãe com o recém-nascido;

9.4.5. Identificar e conduzir situações de risco ou intercorrências;

9.4.6. Orientar o planejamento familiar;

9.4.7. Agendar consulta de puerpério até 42 dias após o parto.