1. Paciente crítico é aquele que se encontra em risco de perder a vida ou a função de um órgão ou um sistema do corpo humano.
2. Triagem Nutricional: Devem ser utilizadas em até 24hrs da admissão hospitalar. Sugestão: NRS-2002 (APACHE II), NUTRIC (APACHE II + SOFA) e se risco, realizar avaliação especifica. Todo paciente a mais de 48hrs na UTI está em risco desnutrição.
3. Avaliação Nutricional: Para diagnóstico de desnutrição, a BRASPEN recomenda usar a ASG para diagnóstico, mas também pode ser feito uma anamnese, relato de perda de peso não intencional, exame físico, avaliação geral de composição corporal, massa magra e força.
4. Necessidades Nutricionais: É recomendado o uso da calorimetria indireta para determinação das necessidades, em que = fase aguda inicial (hipocalórica) após a fase inicial (nutrição isocalórica progressivamente), e após o 3º dia (80 – 100% GEB). Se a calorimetria indireta não estiver disponível: • uso de equações preditivas com cautela, uso do VO2 (consumo de oxigênio).
5. Terapia Nutricional: Se possivel iniciar entre 24 e 48 hrs da admissão. Uso preferencial da NE em relação da NP. Oferta energética ideal: de início = 15 a 20 Kcal/Kg/dia; após progredir = 25 a 30 Kcal/Kg/dia após o 4º dia de recuperação. Oferta proteica ideal: de 1,5 a 2,0 g/Kg/dia de proteína, e 1,3 g/Kg/dia progressivamente. A atividade física (exercícios resistidos) pode melhorar os efeitos benéficos da terapia nutricional.
6. Dividida em: Fase Aguda= Ebb e Flow e Fase Pós Aguda= Reabilitação, principalmente na fase aguda, pode ser presente uma instabilidade hemodinâmica caracterizada pela baixa pressão arterial, acidose metabólica, baixa perfusão periférica e hipoxemia e aumento das drogas vasoativas.
6.1. As drogas vasoativas são indicadas para restabelecer a perfusão tecidual em estados de choque ou para otimização hemodinâmica e as principais usadas em condições criticas são: catecolaminas, vasodilatadores e hormônio anti-diurético.
7. Condições Especiais
7.1. Obesidade: Mais susceptível a complicações associadas a superalimentação. Recomendada dieta isocalórica e hiperproteica para minimizar essas complicações e auxiliar no anabolismo. • Se não houver calorimetria indireta: 25 a 30 Kcal/Kg para super alimentação e Harris-Benedict para imprecisa. É de extrema importância monitorar: hiperglicemia; hiperlipidemia; hipercapnia; balanço hídrico; esteatose hepática.
7.2. COVID-19: Sonda preferencialmente em posição gástrica. Infusão contínua é preferível à em bolus. Meta inicial de lípides na NP é de 0,7 g/kg/dia. Risco de Síndrome de Realimentação: Maior risco ocorre nas primeiras 72 horas. A terapia nutricional não deve ser iniciada se P, K e Mg estiverem reduzidos. Posição prona: estratégia em síndrome do desconforto respiratório agudo para melhorar a hipoxemia - Suspender a NE 1 hora antes de “pronar” o paciente e reiniciar a NE 1 hora após “pronar” o paciente, mantendo a cabeceira da cama elevada (10 a 25º). Segundo a BRASPEN, necessidade calórica 15-20 kcal/kg/dia e recomenda-se não utilizar CI pelo risco de disseminação da doença.
7.3. Sepse: Fase inicial da sepse - 500 kcal/dia ou 10 a 20 kcal/hora. Em sequência progredir gradativamente; ao final da 1ª semana 80% das necessidades. Proteínas: 1,2 a 2,0 g/Kg/dia.
7.4. Trauma: Para traumatismo grave administrar glutamina via NE (doses adicionais (0,2 a 0,3 g/Kg/dia) podem ser administradas nos primeiros 5 dias com NE). Em caso de cicatrização prejudicada, pode ser administrada por um período de 10 a 15 dias.
7.5. Grandes Queimaduras: Hipermetabolismo: tem grau e duração muito maior do que os demais pacientes críticos. Recomendado iniciar NE nas primeiras 12 horas de internação. Energia: calorimetria sempre como primeira opção, mas se não houver disponibilidade para adultos usar Equação de Toronto e para crianças Equação de Schoffield. Proteína de 1,5 a 2,0g/Kg/dia e > 20% de área de superfície corporal queimada administra-se glutamina (0,3 a 0,5 g/Kg/dia) via NE de 10 a 15 dias. E como terapia não nutricional: temperatura ambiente; excisão; cobertura precoce da ferida e propanolol e oxandrolona.
7.6. SDRA: Devem receber fórmulas enterais com perfil lipídico anti- inflamatório, ômega-3 (EPA) e com antioxidantes: nível A de recomendação; sem consenso da dose ideal e a proporção dos imunonutrientes.