Mecanismos de ação dos antimicrobianospor Juliany Cabral
1. Vários são os possíveis alvos para os agentes anti microbianos. O conhecimento dos mecanismos de ação destes agentes permite entender sua natureza e o grau de toxicidade seletiva de cada droga.
2. inibição da tradução
2.1. São geralmente bastante seletivos. Correspondem a um dos principais grupos de agentes antimicrobianos, uma vez que a síntese protéica corresponde a processo altamente complexo, envolvend várias etapas e diversas moléculas e estruturas.
2.2. Estreptomicina e gentamicina: ligam-se à subunidade ribossomal 30S, bloqueando-a e promovendo erros na leitura do mRNA. Interferem com a formação do complexo de iniciação.
2.3. Tetraciclina: liga-se à subunidade ribossomal 30S (sítio A), impedindo a ligação do aminoacil-tRNA.
2.4. Cloranfenicol: liga-se à subunidade ribossomal 50S e inibe a ligação do tRNA e da peptidil transferase, inibindo a elongação.
2.5. Eritromicina: liga-se à subunidade ribossomal 50S e inibe a elongação.
3. Antagonismo metabolico
3.1. Geralmente ocorre por um mecanismo deinibição competitiva.
3.2. Sulfas e derivados: inibição da síntese do ácido fólico, pela competição com o PABA.
3.3. Trimetoprim: bloqueio da síntese do tetrahidrofolato, inibindo a dihidrofolato redutase.
3.4. Isoniazida: afeta o metabolismo do NAD ou piridoxal, inibe a síntese do ácido micólico - "fator corda".
4. Como evitar a resistência aos antimicrobianos?
4.1. nunca use antibióticos sem a indicação do médico ou dentista;
4.2. use a dose que foi prescrita e nos horários corretos (usar doses maiores não acelera a cura);
4.3. nunca pare o tratamento antes do prazo indicado, mesmo que os sintomas tenham melhorado;
4.4. não use antibióticos fora do prazo de validade (podem não fazer efeito e causar resistência bacteriana);
4.5. evite guardar sobras de antibióticos em casa, pois a quantidade geralmente não é suficiente para um novo tratamento.
5. Ligação à Membrana Citoplasmática
5.1. São agentes antimicrobianos que muitas vezes exibem menor grau de toxicidade seletiva.
5.2. Polimixinas: Ligam-se à membrana, entre os fosfolipídeos, alterando sua permeabilidade (detergentes). São extremamente eficientes contra Gram negativos, pois afetam tanto a membrana citoplasmática como a membrana externa.
5.3. Ionóforos: Moléculas hidrofóbicas que se imiscuem na membrana citoplasmática, permitindo a difusão passiva de compostos ionizados para dentro ou fora da célula.
6. Inibição da síntese de ácidos nucléicos
6.1. Seletividade variável.
6.2. Novobiocina: se liga a DNA girase, afetando o desenovelamento do DNA, impedindo sua replicação.
6.3. Quinolonas: inibem a DNA girase, afetando a replicação, transcrição e reparo.
6.4. Rifampicina: ligação à RNA polimerase DNA-dependente, bloqueando a transcrição.
7. Inibição da síntese da Parede Celular
7.1. Estes agentes antimicrobianos correspondem aos mais seletivos, apresentando um elevado índice terapêutico.
7.2. Penicilinas, ampicilina e cefalosporinas: contém em sua estrutura um anel b-lactâmico, que interage com proteínas denominadas PBPs (Penicillin Binding Protein), inibindo a enzima envolvida na transpeptidação, responsável pela ligação entre as cadeias de tetrapeptídeos do peptideoglicano. Com isso, há o impedimento da formação das ligações entre os tetrapeptídeos de cadeias adjacentes de peptideoglicano, ocasionando uma perda na rigidez da parede celular. Acredita-se também que tais drogas podem atuar promovendo a ativação de enzimas autolíticas, resultando na degradação da parede.
7.3. Bacitracina: interfere com a ação do carreador lipídico que transporta os precursores da parede pela mebrana. Resulta na não formação das ligações entre o NAM e NAG.
7.4. Vancomicina: liga-se diretamente à porção tetrapeptídica do peptideoglicano. É ainda a droga de escolha para linhagens resistentes de S. aureus.
8. Peça sempre orientação ao profissional de saúde!
8.1. alguns antibióticos são mais bem tolerados quando tomados com as refeições; outros devem ser tomados com o estômago vazio. O profissional de saúde orientará sobre a melhor maneira de usá-los para que a cura ocorra com o mínimo de efeitos colaterais;
8.2. certas pessoas têm alergia a alguns tipos de antibióticos, por isso, lembre-se sempre de contar ao profissional de saúde sobre as alergias que já teve;
8.3. a maioria dos casos de dor de garganta, gripe e diarréia não necessita de tratamento com antibióticos, pois geralmente são causados por vírus.