PSICOPATOLOGIA

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PSICOPATOLOGIA por Mind Map: PSICOPATOLOGIA

1. CONCEITO

1.1. Campbell (1986) define a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental, suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ele e suas formas de manifestação.

1.2. Em uma acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano.

1.3. Tem suas raízes na tradição médica, que propiciou nos últimos dois séculos, a observação prolongada e cuidadosa de um grande número de doenças mentais.

1.4. Em outra vertente, nutre-se de uma tradição humanística que sempre viu na “alienação mental”, no páthos do sofrimento mental extremo, uma possibilidade de conhecimento de dimensões humanos que sem o fenômeno “doença mental” permaneceria desconhecidas.

1.5. Karl Jaspers (1883-1969) afirma que esta é uma ciência básica, que serve de auxílio à psiquiatria que é, por sua vez um conhecimento aplicado a uma prática profissional e social concreta.

2. SURGIMENTO DA CLÍNICA

2.1. A Origem da medicina moderna.

2.2. Baseia-se no encontro entre a pessoa que se queixa e a que a atende.

2.3. A palavra clínica vem do grego klinus – que significaria, então, estar ao leito, assistir o doente na cama, no dia-a-dia de sua evolução, escutar sua história, para buscar soluções.

2.4. Reorganização da instituição hospitalar --- o hospital deixou de ser uma hospedaria de indigentes, uma instituição filantrópica, de exercício da caridade religiosa, parasse tornar uma instituição médica.

2.5. Redefinição do estatuto social do doente -- O ideal de igualdade para o individuo exercer sua liberdade no interior de uma nação fraterna, implicava um home que deveria ser produtivo.

2.6. Um novo uso da linguagem científica --- Partia da experiência vivida pelo paciente, isto é seus sintomas, seus sentimentos e buscava os processo patológicos do funcionamento humano e dos “distúrbios” localizados nos órgãos

2.7. Uma nova forma de sistematizar o saber através da experiência do observador. – Ver mais a doença do que o sujeito que sofria

3. HOSPITAIS

3.1. O Hospital Geral tinha, como objetivo principal, recolher os pobres e era uma terceira esfera de repressão, junto com a polícia e a justiça.

3.2. O novato Hospital Geral hospedava todo tipo de gente. Servia de hospedaria aos indigentes, miseráveis, pobres de todo gênero.

3.3. Hospedava a todos que, por alguma razão, não se ocupavam do trabalho.

3.4. Ao contrário de uma hospedaria comum, o Hospital Geral hospedava, na maioria das vezes, compulsoriamente. Servia, portanto, como um mecanismo de controle do Estado sobre a população.

3.5. O hospital deveria cuidar daqueles que a sociedade não queria ou não podia fazê-lo.

4. REFORMA PSIQUIÁTRICA

4.1. “ O alienista”, de Machado de Assis > pioneiro na crítica ao saber e às instituições psiquiátricas no Brasil (e talvez no mundo − “Enfermaria no 6”, de Anton Tchekhov, é de 1892).

4.2. Brandão fez severas críticas ao primeiro hospício no país, o D. Pedro II, no Rio de Janeiro.

4.3. Machado questiona a ideia de ciência como produtora de verdade e sua pretensão de se apresentar como um saber neutro e desinteressado.

4.4. Pinelà ciência dedicada ao estudo da alienação mental.

4.4.1. Reconhecido como o pai da psiquiatria, uma enorme quantidade de hospitais psiquiátricos em todo o mundo leva seu nome; nome esse que também virou sinônimo popular e pejorativo de “louco” em muitos países.

4.5. Em 1978, eu (PAULO AMARANTE) e mais dois colegas plantonistas do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, decidimos denunciar uma série de violações aos direitos humanos das pessoas lá internadas.

4.6. Nasceu aí o movimento de trabalhadores da saúde mental que, dez anos mais tarde, transformou-se no movimento de luta antimanicomial, ainda hoje o mais importante movimento social pela reforma psiquiátrica e pela extinção dos manicômios.

4.7. Franco Basaglia, o psiquiatra italiano que fundou o Movimento da Psiquiatria Democrática > extinção dos manicômios, criando uma nova rede de serviços e estratégias para lidar com as pessoas em sofrimento mental e cuidar delas.

4.8. Experiências de desmontagem de estruturas manicomiais passaram a ser implantadas pelos quatro cantos do país.

4.9. As visitas de Basaglia são motivo de grande mobilização, principalmente entre os técnicos mais jovens.

4.10. A aprovação da lei 180 é recebida com entusiasmo por essa nova geração de técnicos brasileiros.

5. NAPS

5.1. Criadas oficinas de trabalho para geração de renda dos ex-internos.

5.1.1. além de cooperativas de trabalho e de diversos projetos culturais de inserção social, entre os quais merece destaque o Rádio e TV Tam Tam.

5.2. O primeiro Núcleo de Atenção Psicossocial nasce em setembro de 1989.

5.3. O projeto foi elaborado após a criação do serviço, e fundamentasse em determinados autores, a começar por Basaglia, do qual é tomada a noção de utopia para pensar a ação prática de transformar a realidade, entendendo que “abrir o manicômio não é apenas abrir as suas portas, mas ao abri-las, abrir as nossas cabeças para a realidade de vida dos pacientes” (Basaglia apud Nicácio et al., 1990, 02).

5.4. O NAPS tem como eixo “a desconstrução do manicômio”.

5.5. Manicômio como lugar de violência, sua desconstrução implica uma ética que permeia o trabalho.

5.6. Projeto terapêutico, que envolve o "cuidar de uma pessoa", "fazer-se responsável", "evitar o abandono", "atender à crise", e "responsabilizar-se pela demanda ", através de diferentes instrumentos técnicos.

5.7. Abertura do debate aos cidadãos, no dialogar com a comunidade através das associações, Sindicatos, Igrejas.

5.8. A proposta do NAPS é de funcionamento integral, isto é, de funcionamento de 24 horas, 07 dias na semana, com um conjunto de recursos que incluem a existência de seis leitos.

6. NORMAL E PATOLÓGICO

6.1. Onde termina a saúde e começa a doença? O que é normalidade?

6.2. Os critérios para classificar o que é normalidade dependem de opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas.

6.2.1. Normalidade como ausência de doença.

6.2.2. Normalidade ideal.

6.2.3. Normalidade estatística.

6.2.4. Normalidade como bem-estar.

6.2.5. Normalidade funcional.

6.2.6. Normalidade como processo.

6.2.7. Normalidade subjetiva.

6.2.8. Normalidade como liberdade.

6.2.9. Normalidade operacional.

6.3. Canguilhem (2006) faz a distinção entre anomalia e estado patológico, e observa que, normalmente atribui-se a indivíduos comuns, a responsabilidade de identificar outros seres como normais ou não.

6.4. “Distinguindo anomalia de estado patológico, variedade biológica de valor vital negativo, atribui-se, em suma, ao próprio ser vivo, considerado em sua polaridade dinâmica, a responsabilidade de distinguir o ponto em que começa a doença”. (CANGUILHEM, 2006 p.134).

6.5. O normal deve ser coercitivo e coletivo para estabelecer-se como tal, então caso um fato tido na sociedade como normal fuja dessa regra, tornando-se flexível e aplicável à situações individuais, logo, torna-se complexo identificar o que é normal e o que é patológico.

6.6. O indivíduo, ao avaliar as situações por ele vividas, tem sua consciência totalmente comprometida no processo, porque será ele que irá avaliar se é ou não capaz de exercer o tipo de tarefa que lhe é imposta...

6.7. Os fenômenos patológicos se identificam como reações constantes, modificadas dos fenômenos normais...

6.7.1. ...ou seja, a anormalidade de uma regra, da norma e, eles não se interligam, pois a partir dos fenômenos patológicos não se pode tirar conclusões a respeito da normalidade.