O Processo Psicoterápico e a Versão de Sentidopor Mariane Mantoani
1. Encontraram questões como: 1. O sentido não tem “versão”; 2. A VS não dá acesso ao que de fato aconteceu. Assim foram inscritas em um modo positivista de fazer ciência (que considera somente os fatos observáveis), enquanto a proposta dos autores é fenomenológica.
2. O eu e o outro na VS: A VS é primeiramente a vivência de seu autor. Mas também remete ao sentido da relação.
3. Tentativa de definição: “Como produção, uma VS é a fala, o mais autêntica possível, que toma como referência intencional um encontro vivido, pronunciada logo após sua ocorrência” (p. 95). “Como produto, uma VS será um texto expressivo da experiência imediata, escrito ou gravado por iniciativa própria da pessoa, ou solicitado por um interlocutor” (p. 95).
4. Constatações dos psicólogos e pesquisadores sobre as VS: - É uma forma de contato vivo com o sentido de um encontro; - A VS aponta para um sentido atual; - Ela tem o poder de transportar o vivido de forma condensada; - Ela pode ser reescrita pelo seu autor; - A VS pode ser utilizada em um trabalho de supervisão; - A VS busca descrever fenomenologicamente um processo psicoterapêutico; - A VS é algo que se vai aprendendo a fazer.
5. A Versão de Sentido (VS): é uma forma de registro do atendimento feito ao cliente da psicoterapia.
6. Psicoterapia Centrada no Cliente (1951). Uma cliente atendida por Carl Rogers tomou a iniciativa de escrever suas impressões sobre os encontros. Ao final de oito sessões, entregou ao terapeuta seus relatos escritos, nos quais era possível observar os significados que a cliente conferia aos encontros terapêuticos.
7. Para uma fundamentação teórica: As palavras reúnem simbolizações: reorganizam, reestruturam simbolizações. A fala “[...] leva adiante a experiência, desdobrando significados” (p. 98). A fala reúne pessoas, reúne passado, presente e futuro, buscando por uma síntese significativa. A fala reúne espaços: o lá e o aqui. “Meus modelos de relacionamento aprendidos em outras relações, por exemplo, tendem a se fazer presentes nesta” (p. 99). “Uma VS ‘traz’ para o novo contexto de interlocução (o aqui) o vivido anterior (no lá)” (p. 99).
8. Se trata de um relato livre, que não tem a pretensão de ser um registro objetivo do que aconteceu, mas sim de ser uma reação viva a isso, escrito ou falado imediatamente após o ocorrido, e como uma palavra primeira. Consiste assim a uma fala expressiva da experiência imediata de seu autor, face a um encontro recém-terminado.
8.1. A VS tenta nos dar uma visão de conjunto – primeiramente da sessão propriamente dita – mas, em um segundo momento, do processo psicoterapêutico, como um todo. Para Amatuzzi, o que faz sentido registrar é o sentido vivo, presente no próprio ato de escrever.
9. O surgimento da VS se deu com um grupo de professores e alunos do curso de Psicologia da USP, entre os anos de 1989 e 1990. Eles buscavam algo mais que um registro mecânico dos relatos dos pacientes. Tomaram por base a proposição de que “o sentido que interessa é sempre o presenta”, e passaram a experimentar modos de registro que se ocupassem mais do significado das vivências do cliente do que dos acontecimentos propriamente.
10. Para solicitar a VS precisa de logo após a atividade em questão, escreva, o mais espontânea e sinceramente possível, baseando-se em seus próprios sentimentos, o que lhe parece ter sido o essencial desse encontro que acabou de acontecer”