Como o consumo consciente afetou a tomada de decisão do consumidor de roupas

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Como o consumo consciente afetou a tomada de decisão do consumidor de roupas por Mind Map: Como o consumo  consciente afetou a  tomada de    decisão do consumidor  de roupas

1. Mudanças geradas pelo consumo consciente

1.1. Compra em Brechós físicos e online

1.1.1. Os brechós ganharam as graças dessa amostra devido a versatilidade e economia, além de oferecem peças exclusivas, essa modalidade de comércio trabalha com preços mais acessíveis, estimula a reciclagem e o não-encerramento de ciclo de uso de uma peça.

1.1.1.1. "Eu ainda defendo que os brechós são uma ótima forma de ir contra a produção em massa da indústria da moda que causa tanto estrago no meio ambiente."

1.1.2. A compra em brechós com o advento das redes sociais e suas páginas passaram a ter maior ênfase na forma Online.

1.1.3. Além da compra em páginas de redes sociais passaram a surgir plataformas de marketplaces como enjoei e OLX. que facilitam a compra e venda de roupas usadas.

1.2. Doação de Roupas

1.2.1. Outra forma de dar continuidade ao ciclo de uso de uma roupa é através da doação, a maior parte dos entrevistados afirmou que praticam a doação de suas roupas, seja para bazares beneficentes, igrejas ou até parentes.

1.2.1.1. Perguntada sobre o que faz com roupas que não usa mais a entrevistada respondeu: "Geralmente doadas ou vendidas para algum brechó, mas particularmente gosto de doar para algum projeto social para ajudar pessoas necessitadas."

1.3. Compra na região local

1.3.1. Essa mudança foi impulsionada principalmente pela pandemia da COVID-19, com a quarentena e isolamento social, alguns entrevistados ficaram com receio de frequentar grandes lojas e shopping centers.

1.3.2. Essa migração surgiu como oportunidade para conhecer o comércio local e passar a comprar de pequenas lojas e pequenos produtores.

1.3.2.1. "Então essas compras de Natal e não fui nenhuma vez no shopping eu comprei tudo no aqui na rua e tem umas três, quatro lojas daqui ao redor que são boas e que… eu fui ali"

1.4. Pesquisas antes da compra

1.4.1. O consumo consciente traz a preocupação com a procedência das roupas, assim foi preciso pesquisar marcas e lojas para entender sua cadeia de produção e se estas são sustentáveis ou não.

1.4.1.1. "[...]eu fiz algumas pesquisas e eu acabei descobrindo lugares que eu achava que era sustentáveis que eram corretos e não eram e eu acabei falando isso inclusive em redes sociais(...)"

2. Pontos negativos

2.1. Preços altos

2.1.1. Um dos pontos fortes negativos observados é o valor auto das roupas que são do nicho mais sustentável, fator que interfere bastante na decisão de compra.

2.1.1.1. " [...] Muitas vezes as pessoas procuram por esses movimentos mas acabam deixando de lado por conta do preço, tudo que envolve a parte legal da sustentabilidade é super mais caro, desanimador"

2.2. Falta de visibilidade

2.2.1. Um ponto recorrente levantado pelos entrevistados foi a falta de visibilidade sobre o consumo consciente na moda, alguns disseram que já ouviram falar sobre mas que não é amplamente divulgado.

2.2.2. Parte dos entrevistados acredita que essa modalidade de consumo não seja tão praticada por não ser um assunto divulgado ou colocado em pauta.

2.2.2.1. "Mas é algo que deveria ser visto por todo mundo, pra que realmente faça um impacto e uma diferença maior na vida das pessoas."

3. Influenciar o consumo consciente em terceiros

3.1. Além de adotarem o estilo do consumo consciente de roupas, os consumidores buscam influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo, preferencialmente aquelas que estão inseridas em seus círculos sociais como amigos ou parentes.

3.2. Essa influência pode ser feita através da abordagem de temas sobre o consumo consciente como notícias sobre grandes marcas impactantes (negativamente) em conversas informais ou debates.

3.3. Ou ainda, através de indicações de marcas e lojas pelas redes sociais, sendo o principal canal de influência utilizado o Instagram, principalmente através do mecanismo de "Stories".

3.3.1. "[...] no meu Instagram por exemplo sempre indico brechós e bazares, sempre incentivo amigas a comprarem de brechós, ou de procurarem por marcas que valorizam a sustentabilidade e apoiam a causa..."

4. Pontos positivos

4.1. Valorização da produção local

4.1.1. Com o consumo de roupas consciente a valorização da produção local fica mais forte (brechós , pois os pequenos consumidores são mais notados do que grande marcas/lojas

4.1.1.1. "Então... as lojas de comércio mais simples aqui ao redor…. foi porque por causa da dos lockdowns, do distanciamento fiquei com medo de ir no shopping quero era o meu o principal local de compra daí eu me vi na necessidade entre aspas né mas para dar uma olhada no redor a pé e daí eu mudei por causa disso, comecei a olhar esses outros estabelecimentos"​

4.2. Sustentabilidade

4.2.1. Os consumidores tem a consciência da importância dessa causa mas acabam não lutando por ela

4.2.1.1. "No geral, a principal importância é saber a diferença que uma compra consciente pode fazer a longo prazo, e também aquilo que eu falei de pensar no coletivo, sozinhos não fazemos diferença, mas quando várias pessoas se juntam por uma causa, ela têm um impacto. Se várias pessoas deixam de comprar daquela marca que compactua com a poluição e passa a comprar da marca que levanta a bandeira da sustentabilidade, no futuro a marca que adota a sustentabilidade será muito maior e o meio ambiente vai agradecer muito!"

4.3. Diminuição da poluição do meio ambiente

4.3.1. Com a produção local o impacto do meio ambiente diminui,

4.3.1.1. "Realmente é para ajudar o meio ambiente, ajudar a preservar o nosso planeta, que a gente consiga usar realmente só que a gente precisa, eu acho que o consumo consciente vem para isso, para trazer uma nova visão que a gente utiliza muita coisa que é desnecessário, que a gente é influenciado pelo marketing, pela propaganda a comprar coisas que a gente não precisa."​

4.4. Rotatividade das roupas

4.4.1. As roupas sustentáveis tem um tempo de vida maior, sendo assim, possuem maior rotatividade pois os consumidores tendem a repassar suas roupas para pessoas proximas.

4.4.1.1. "A gente passa para frente, primeiro passo para parentes para ver se tem algum parente que quer na maioria das vezes acaba que não vai para lugar nenhum, vai direto ou para minha irmã para minha mãe, mas no último caso daí a gente doa."​

5. Brechós vs Lojas de Departamento

5.1. Dentro das preferências dos entrevistados temos um embate entre Brechós e Lojas de Departamento, essas duas modalidades comerciais foram citadas como sendo os principais locais de compra de roupas, sobretudo pelos preços baixos que oferecem

5.2. O termo "Brechó" foi citado 55 vezes durante toda a pesquisa, sejam eles online ou físicos os brechós têm grande participação na amostra, não somente o preço mas peças únicas, reciclagem, *garimpo de roupas, reutilização, extensão do ciclo de uso e sustentabilidade são atributos que conquistam os entrevistados.

5.2.1. *O termo "garimpo" se refere ao ato de procurar por peças de roupa em brechós, consumidores desses comércios podem passar horas "garimpando" para encontrar a "peça perfeita".

5.3. As lojas de departamento também não ficam atrás, marcas como Renner, C&A, Riachuelo, Marisa e Zara estão entre as preferidas dos entrevistados, algumas dessas conhecidas pelo modelo fast-fashion estão se adequando ao sustentável como a reciclagem, a grande vantagem dessas lojas é a versatilidade em atender diferentes estilos de se vestir.

5.3.1. "[...]Grandes fast-fashion como a C&A, trabalham com peças feitas a partir de materiais recicláveis, inclusive jeans, a Renner também já tem várias peças inclusive que vêm identificadas com etiqueta de material reciclado, então é muito bacana essa iniciativa e é uma forma de aderir a causa(...)."

6. Mudanças geradas pelo consumo consciente em outras áreas além da moda

6.1. Dentro da amostra analisada, foi identificada uma área modificada pelo consumo consciente além da moda, esta área foi a da alimentação.

6.2. Com as tendências sustentáveis e eco-friendly, houve uma procura por alimentos que não são de origem animal e práticas veganas.

6.2.1. "Eu comecei a, a não consumir mais alimentos de origem animal, então isso também é uma questão de, de olhar um pouco mais pra esse consumo, consciente (...)"

7. Percepção sobre marcas que defendem causas sociais e sua contribuição para a sociedade

7.1. Perguntados sobre sua opinião respeito a marcas que apoiam causas sociais, parte dos entrevistados relataram que é algo positivo pois grandes marcas têm poder de disseminar a mensagem ao consumidor.

7.2. A questão sobre genuinidade dessas marcas também foi colada em pauta, é passível de que seja apenas uma estratégia para atrair consumidores e gerar lucratividade para as empresas, como a prática do *greenwash.

7.2.1. *Discursos, propagandas e publicidade com intuito de passar uma visão "sustentável" de marca, porém essa postura eco-frinedly fica apenas nas aparências, pois não é feita na prática.

7.3. Mesmo que a publicidade de apoio social seja com finalidade financeira, os entrevistados acreditam que de certa forma essas marcas podem beneficiar a sociedade através da conscientização e práticas contributivas como pautas sociais, culturais e sustentáveis.

7.3.1. "(...)eu também acho que a grande parte da sociedade ainda olha muito pouco para esta causa só que é aquilo de quanto mais marcas apoiarem mais pessoas irão saber e assim ela vai ir crescendo degrau por degrau."

8. O despertar do consumo consciente

8.1. Contato com a última etapa do ciclo de uso de roupas

8.1.1. Alguns dos entrevistados são funcionários de brechós, esse trabalho fez com que esses consumidores em questão tivessem contato com vestimentas que passaram por todo o ciclo de uma peça de roupa

8.1.2. O impacto que a produção de uma peça gera no meio ambiente fez esses consumidores repensarem a respeito do encerramento de "vida" da peça

8.1.2.1. "Porque aquela peça tá parada ali, é um valor que você gastou e você não usa mais e você dá oportunidade de você ir lá para um brechó e vender para outra pessoa que vai utilizar aquilo com mais de gosto, isso para mim é uma maior felicidade por conta que gira [...] não pega suas roupas e joga no lixo que fica jogado no meio ambiente."

8.1.3. A revenda de roupas usadas otimiza e estende esse ciclo de vida e desestimula a produção constante

8.2. Pandemia do COVID-19

8.2.1. O isolamento social limitou a mobilidade e saídas de casa, dessa forma o consumidor não precisa explorar a diversidade de seu guarda-roupa

8.2.2. A falta de troca de roupa contínua trouxe a tona a necessidade básica das vestimentas: a proteção contra eventos climáticos e exposição do corpo

8.2.2.1. "[...] aí agora na pandemia, gente eu tenho tanta roupa! [...] mudou muito essa coisa de, do tentar ser um pouco mais minimalista sabe?! Pegar roupas que são essenciais, [...] pegar peças que são coringa, peças que são mais fáceis de combinar com outras coisas, porque você não precisa de tantas, né!

8.2.3. O conforto se tornou prioridade, mesmo para os consumidores que estão em home office

8.3. Cadeia de Produção das roupas

8.3.1. Notícias impactantes e o acesso a informação devido a era digital fazem com o consumidor se preocupe mais com que está vestindo

8.3.1.1. "Eu lembro uma vez que vi uma reportagem de quanto de água que precisava para fazer uma calça jeans, para fazer a lavagem da calça jeans...então você consumindo consciente não exagerando jogando essas roupas todas fora sem a necessidade, você vai estar ajudando ecossistema inteiro."

8.3.2. Grandes marcas e fast-fashion passam a ser questionadas quanto aos seu métodos de produção

8.3.3. Não basta agradar o público através da peça, fatores externos ambientais, sociais e culturais devem ser considerados

8.4. As empresas e o estímulo do consumismo excessivo

8.4.1. Não somente o consumismo de roupas, mas o excesso de compras no geral foi o divisor de águas para alguns

8.4.2. O digital e seus atributos não trazem apenas benefícios, mas a comercialização e produção em massa também atingem a consciência do consumidor

8.4.3. Novamente a necessidade fisiológica das roupas é abordada, não é preciso ter muito pra suprir o necessário

8.4.3.1. "Acho que no geral as pessoas tem muito mais do que precisa ter assim sabe, a gente precisa da roupa, mas o básico da roupa é o que a gente está vestido."

8.5. Trabalho análogo a escravidão na cadeia de produção de roupas

8.5.1. Além dos impactos ambientais gerados por grandes marcas e empresas da indústria da moda, há também trabalhadores explorados e mal pagos

8.5.2. Os trabalhadores estão sujeitos a condições de trabalho degradantes como infraestruturas precárias, jornadas extenuantes e desvalorização da mão de obra.

8.5.2.1. "[...] também ver a parte da escravidão nessa produção né, quando você não compra de um local que escraviza as pessoas você já está ajudando a diminuir essa indústria."

8.5.3. O trabalho análogo a escravidão faz os consumidores repensarem suas escolhas de marcas na hora da compra

9. Pontos ponderados no processo de tomada de decisão

9.1. Qualidade

9.1.1. A grande maioria busca por um custo e beneficio, preferindo pagar um pouco a mais em roupas de qualidade e durabilidade

9.1.1.1. "Claro que o preço importa mas prefiro comprar uma roupa um pouco mais cara do que compra uma baratinha usar vez e estar tudo "zoada" "

9.2. Sustentabilidade

9.2.1. Sabem e levam em consideração a importância sobre a sustentabilidade, mas a grande maioria tem a consciência de que é algo muito pouco explorado ainda.

9.2.1.1. "Sim questões sobre sustentabilidade e preservação da vida e natureza sempre deve ser levada em consideração, sejam em conversas formais ou em roda de bate papo com amigos, e algo que eu pessoalmente acharia muito legal é ter mais comunicação sobre eu acho que ainda é muito pouco falado sabe"

9.3. Preço

9.3.1. Para a maioria dos entrevistados o preço é a primeira característica levada em conta na hora da compra de uma roupa,

9.4. Influência de terceiros

9.4.1. Influencia de amigos, influenciadores ou consumidores que praticam o consumo consciente.

9.4.1.1. "Então, sempre que eu fico com dúvida sobre alguma peça de roupa, eu faço uma votação entre as pessoas que converso (risos)"

10. entendimento do consumidor sobre o consumo consciente de roupas

10.1. Modelos de produção não exploratórios

10.1.1. Procuram se importar com a causa quando é um marca/empresa que é divulgado ou no caso de empresas que a produção na china sempre se é dito que existe trabalho escravo

10.1.1.1. "Não! Eu acho que assim tem algumas marcas que a gente sabe que foram feitas na china assim, meio de produção meio escravas assim né em grande escala né, é aqueles galões enormes para tingir calças jeans, dezenas de pessoas costurando, mas mais isso assim, penso em grandes marcas, pequenas assim eu não faço ideia."

10.2. Origem de fabricação

10.2.1. As pessoas na maioria das vezes não procuram saber da trajetória de produção de uma peça de uma roupa.

10.2.1.1. "Não, não entro antes pra ver, só quando é falado, quando é sabido, quando acontece alguma coisa que…. tipo essa história da ‘’Chains’’ que veio a público entendeu"

10.3. material renovável

10.3.1. Grande parte acaba não procurando saber mais sobre o material das roupas ou se ela é renovável ou não, acabam comprando sem levar esse criterio em consideração

10.4. Impactos no meio ambiente

10.4.1. Os consumidores muitas vezes tem a consciência dos impactos negativos ao meio ambiente, mas mesmo assim acabam comprando a roupa e dando pouca importância aos pontos negativos.

10.4.1.1. "As pessoas tem essa noção do quanto prejudicial pode ser a produção e o consumismo das roupas. Mas por não observarem tanta força nesse movimento, acabando deixando de lado"

10.5. reciclagem

10.5.1. Procuram passar as roupas para frente, para amigos, familiares ou doação, para que a roupa continue sendo utilizada

10.5.1.1. "A gente passa para frente, primeiro passo para parentes para ver se tem algum parente que quer na maioria das vezes acaba que não vai para lugar nenhum, vai direto ou para minha irmã para minha mãe mas no último caso daí a gente doa."

10.6. Minimalismo

10.6.1. Consumidores que praticam o minimalismo tendem a praticar o consumo consciente

10.6.1.1. "A gente não precisa de um armário com 50 calças 100 vestidos 80 par de sapatos, quase todo mundo é assim tem pilhas de roupas e acaba não precisando."

11. Sentimento durante a compra consciente

11.1. Sentimento de pertença

11.1.1. Podemos caracterizar este sentimento durante a compra consciente como um sentimento de pertença a um determinado grupo que segue algum tipo de ideologia.

11.2. Sentimento de realização

11.2.1. Foi esboçado por alguns entrevistados que ao fazerem a comprar consciente, gerava um certo sentimento de felicidade por estarem contribuindo de alguma forma com a sua parte.

11.2.1.1. "Me sinto bem, me sinto como se eu estivesse fazendo a minha parte para melhorar o planeta"

11.3. Sentimento altruísta

11.3.1. Além desse sentimento de felicidade, alguns entrevistados relataram um sentimento altruísta com o mundo, uma vez que a partir daquela ação mesmo que pequena, estivesse fazendo a diferença.

11.3.1.1. "Eu fico feliz eu gosto porque eu estou fazendo a minha parte, por mais que não seja popular esse tipo de consumo eu sabendo que estou fazendo a minha parte já da um tipo de alívio"

11.4. Economia

11.4.1. Foi relatado por alguns entrevistado que havia o sentimento de economia ao realizarem este tipo de ação, uma vez que essas comprar provinham de brechós o que lhes renderiam grandes economia.

11.4.1.1. "Às vezes você mora numa república, troca roupa tal! Tipo, às vezes isso é também possível. Tipo, é uma forma de você também, é, gerar aí, uma economia mais...economia não! Uma moda mais sustentável, um consumo mais consciente!"