O professor na sociedade contemporânea:Um trabalhador da contradição.

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O professor na sociedade contemporânea:Um trabalhador da contradição. por Mind Map: O professor na sociedade contemporânea:Um trabalhador da contradição.

1. Tradicional ou construtivista?

1.1. As professoras brasileiras, como a maioria dos docentes, no mundo inteiro, são basicamente tradicionais. Entretanto, essas professoras tradicionais sentem-se obrigadas a dizer que são construtivistas!

1.1.1. Declaram-se construtivistas para atenderem à injunção axiológica: para ser valorizado, o docente brasileiro deve dar-se por construtivista.

1.1.1.1. A representação do professor considerado “tradicional”, ainda que permaneça um tanto vaga, ajunta certo feitio e supostos métodos

1.1.1.1.1. É rotulado como tradicional o professor que confere uma grande importância à disciplina, ao respeito, à polidez, o que lhe vale a fama de ser severo.

2. Ser universalista ou respeitar as diferenças?

2.1. A escola é universalista, pelo menos nas sociedades democráticas, e não pode deixar de sê-lo. Por duas razões.

2.1.1. Primeiro, porque a educabilidade de todos os seres humanos é, ou deveria ser, o princípio básico do professor: qualquer ser humano sempre vale mais do que fez e do que parece ser.

2.1.2. Segundo, a escola não pode deixar de ser universalista porque a sua especificidade é a de divulgar saberes universais e sistematizados, ou seja, saberes cuja verdade depende da relação entre elementos em um sistema, e não da sensibilidade pessoal e da interpretação de cada um.

2.1.3. Mas, na sociedade contemporânea, o professor,trabalhador do universal e da norma, deve também ensinar às crianças respeitarem as diferenças culturais.

2.1.3.1. Na escola contemporânea, o professor deve, também, respeitar as diferenças dos seus alunos e individualizar o seu ensino.

2.1.3.1.1. A escola contemporânea não deve apenas respeitar as diferenças, ela deve, também, fazer aparecer e registrar diferenças entre os alunos.

3. Restaurar a autoridade ou amar os alunos?

3.1. Não há educação sem exigências, normas, autoridade.Educar é possibilitar que advenha um ser humano, membro de uma sociedade e de uma cultura,sujeito singular e insubstituível.

3.1.1. Não há educação sem simpatia antropológica dos adultos para com os jovens da espécie humana,aquela simpatia espontânea que nos leva a amimar e afagar os “bebezinhos”e demais “fofinhos”que têm a sorte ou o azar de cruzarem os nossos caminhos.

3.1.1.1. Na escola da sociedade contemporânea, ele toma a forma da dupla injunção para resgatar a autoridade perdida e para amar os alunos.

3.1.1.1.1. A “violência escolar” é um dos maiores problemas que os professores devem enfrentar hoje em dia. De fato, essa expressão genérica remete a fenômenos bastante diferentes: agressões físicas, ameaças graves, pequenas brigas, assédio, palavras racistas, indisciplina escolar, indiferença ostentatória para com o ensino e a vida escolar oficial, incivilidades etc.

4. A escola vincula a comunidade ou a escola lugar especifico?

4.1. A escola é um lugar específico, como já comecei a explicar quando falei de universalismo versus respeito às diferenças. A escola é um lugar que requer uma forma de distanciamento para com a experiência cotidiana.

4.1.1. A escola é fundamentalmente um espaço de palavras que possibilitam a objetivação do mundo e o distanciamento para com ele e que abrem janelas para outros espaços e tempos, para o imaginário e o ideal. Além disso, a escola é um lugar onde a própria linguagem vira objeto de linguagem,de segundo nível: na escola, fala-se sobre a fala.

4.1.1.1. Não se pode comportar-se na escola como se faz fora dela; é um mundo diferente. Em particular, os conflitos, que não podem deixar de surgir na escola, como nos demais lugares, já que ela é lugar de vida e encontro entre seres humanos, devem ser geridos pela palavra,em determinados limites, e não pela pancada e pelo insulto.

4.1.1.1.1. Os próprios professores interiorizam essa especificidade da figura docente, em particular na sua relação com o dinheiro. Por causa da sua atividade profissional, tendem a colocar o saber no topo da escala de valores e o dinheiro no mais baixo escalão.

5. A escola e o professor na encruzilhada das contradições econômicas, sociais e culturais.

5.1. Até a década de 50 do século XX, a escola primária cumpre funções de alfabetização, transmissão de conhecimentos elementares e, como diziam no século XIX, “moralização do povo pela educação”.

5.1.1. Poucas crianças seguem estudando além desse nível primário. Aliás, no Brasil, uma grande parte da população nem é alfabetizada, por não entrar na escola primária ou nela permanecer pouco tempo.

5.1.1.1. Quanto aos jovens das classes populares, saem da escola para trabalhar na roça, numa loja, etc., sejam eles bem-sucedidos ou fracassados.

5.1.1.2. Para as crianças do povo, a escola não abre perspectivas profissionais e não promete ascensão social, com exceção de uma pequena minoria que, muitas vezes, passa a ensinar na escola primária.

5.1.1.3. Os jovens oriundos da classe média continuam estudando além da escola primária, mas,na maioria das vezes, esses estudos os levam às posições sociais a que já eram destinados.

5.1.1.4. A escola não cumpre um papel importante na distribuição das posições sociais e no futuro da criança e, conseqüentemente, a vida dentro da escola fica calma, sem fortes turbulências.

5.1.1.4.1. Em tal configuração socioescolar, a posição social dos professores, a sua imagem na opinião pública, o seu trabalho na sala de aula são claramente definidos e estáveis

6. As contradições no cotidiano: a professora na escola e na sala de aula

6.1. O professor é uma figura simbólica sobre a qual são projetadas muitas contradições econômicas,sociais e culturais.

6.1.1. um erro considerar que as contradições enfrentadas pela professora no cotidiano, são um simples reflexo das contradições sociais.

6.1.1.1. Existem tensões inerentes ao próprio ato de educar e ensinar.

6.1.1.1.1. Os modos como se gerem as tensões e as formas que tomam as contradições dependem da prática da professora e, também, da organização da escola, do funcionamento da Instituição escolar, do que a sociedade espera dela e lhe pede.

7. O professor herói e o professor vítima.

7.1. O professor herói é o Eu Ideal coletivo que possibilita às professoras aguentarem o seu trabalho cotidiano.

7.1.1. o herói da Pedagogia. Por outro, a vítima, mal paga e sempre criticada.

7.1.1.1. O primeiro objetivo do professor, explica ele, é sobreviver, profissional e psicologicamente,e só a seguir vêm os objetivos de formação dos alunos.

7.1.1.1.1. Quanto mais difíceis as condições de trabalho, mais predominam as estratégias de sobrevivência.

8. “Culpa” do aluno ou culpa do professor?

8.1. Só pode aprender quem desenvolve uma atividade intelectual para isso e, portanto, ninguém pode aprender no lugar do outro.

8.1.1. Às vezes, quando um aluno não entende as explicações da professora,esta gostaria de poder entrar no seu cérebro para fazer o trabalho. Mas não pode: por mais semelhantes que sejam os seres humanos, são também singulares e, logo, diferentes.

8.1.1.1. Quem aprende é o aluno. Se não quiser, recusando-se a entrar na atividade intelectual, não aprenderá, seja qual for o método pedagógico da professora.

8.1.1.1.1. Nesse caso,quem será cobrado pelo fracasso? O próprio aluno, mas igualmente a professora. Em outras palavras,o aluno depende da professora, mas, também,esta depende daquele.