TEXTO 4 : LEITURA, UM DIÁLOGO SUBJETIVO - Bartolomeu Campos de Queirós

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TEXTO 4 : LEITURA, UM DIÁLOGO SUBJETIVO - Bartolomeu Campos de Queirós por Mind Map: TEXTO 4 : LEITURA, UM DIÁLOGO SUBJETIVO - Bartolomeu Campos de Queirós

1. Cada escritor mantém registrado em seu texto suas proposições singulares, sua características específicas, seus mistérios sem respostas ou seus encantamentos diante da poesia que circula no mundo.

1.1. Os valores manifestados só são "valores" por não serem definitivos, mas em constantes transformações. Nessa verdade inquestionável é a dúvida.

1.2. Todo escritor configura um texto, mas é a abertura em sua construção que vai conduzir o leitor a reconhecê-lo como literário ou não.

2. "Escrevo para perguntar ao leitor o que mais ele tem a dizer sobre minhas dúvidas."

3. Construir um texto que também me faça identificar com ele e me envolva em prazeres.

3.1. Cada leitor faz a sua leitura. Ele se envolve com o texto a partir de elementos alheios a mim.

3.2. "Não há poesia com destinatário. Assim como não há céu especial para crianças, tempestades especiais, mares, florestas para cada classe de seres humanos. fogo, terra, água e as diferentes para cada criatura, ciência diferente, Deus diferentes." - Henrique Lisboa

4. Fazer "o melhor de mim" é tanto realizar o meu exercício de escritor com prazer como o de buscar o prazer para o leitor.

4.1. Se efetiva quando inauguro uma nova linguagem, quando a liberdade se faz fio norteador, quando a inventividade se faz material indispensável de trabalho, quando não existe preconceito diante da fantasia, quando somente a sonoridade agrada aos outros.

5. Reconheço que se a escrita não permite voos aos leitores ela não é literária.

5.1. A literatura abre porta, mas a paisagem está aninhada no coração do leitor.

5.1.1. A imaginação é privilégio de todos os indivíduos.

6. As palavras não são neutras, a língua não é neutra. A ideia de que as palavras nomeiam, o sentido está dado " de que elas não são prenhes (cheias, repletas) de sentidos outros além daqueles que eu supunha tão ingenuamente", essa ideia faz com que eu seja traído pela língua, seja manipulado pela língua. (Luiz Percival Leme Brito)

7. A metáfora não apenas como figura de linguagem. A metáfora é apta para democratizar o texto, torná-lo possível a um número maior de leitores.

7.1. Elas são capazes de abrandar, diante do leitor, o peso de apenas eu conhecer pedaços das coisas.

8. O livro é o objeto e o leitor o sujeito. Nessa relação, entre objeto e sujeito, é o leitor quem deve tomar a palavra. E a metáfora da voz ao leitor.

9. A criança é, essencialmente, o ser que constrói menos manual do que imaginativamente.

10. A riqueza é fruto da soma das diferenças.

10.1. Ser preterido é uma indicação que ao outro foi permitido a liberdade. E não é fácil escolher entre isso ou aquilo.

11. Não é só a escola que alfabetiza. A presença da vida em nós faz leitores desde o nascimento.

12. Enquanto um texto didático procura uma convergência, todos os leitores chegando a uma mesma resposta, apontando para um único ponto, o texto literário procura a divergência. Quanto mais diversificadas as considerações, quanto mais individuais as emoções, mais rico se torna o texto.

13. Não existe texto literário sem qualidade. Existe textos que não são literários.

14. Ao ler um texto percebemos as possibilidades que a escrita contribui, e o movimento que ela sonha em processor no leitor.

15. Toda obra de arte é constituída de forma e conteúdo, e o equilíbrio, entre esses dois aspectos, é essencial.

16. A palavra é meu objeto de trabalho. É a palavra que revela o já inscrito em mim.

16.1. Tenho que cuidar dela com respeito necessário pelo viver o dia a dia, pois a mesma palavra que estabelece a verdade é a mesma que configura a mentira. A mesma palavra que fere, acaricia. A mesma palavra que liberta, aprisiona.

17. Um texto que tanto permita a entrada da criança como também acorde a infância que mora em todo adulto.

18. Cada sujeito adjetiva a palavra conforme a sua experiência ou falta.

18.1. Dessa forma, o leitor vai além do texto e dialoga com o escritor.

19. O que me leva a diferenciar um texto literário de um texto didático reside aí:

20. Não há que se perguntar qual a mensagem do livro, mas o que o sujeito pensa sobre o que foi lido por ele.

21. Não existe um conceito único em relação a criança. Cada criança merece um conceito distinto.

22. Uma das complicações iniciais é saber-se o que há, de criança no adulto, para poder comunicar-se com a infância, e o que há de adulto na criança, para poder aceitar o que os adultos lhe oferecem - Cecília Meireles

23. Toda leitura causa um pensamento, e pensar é um ato sempre operatório.

23.1. É pela fantasia que nos acrescentamos ao mundo e nos inscrevemos nele. fantasia é responsável pelas surpreendências do cotidiano.

23.1.1. Cada leitura é uma outra leitura.