ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: um diálogo necessário.

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ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: um diálogo necessário. por Mind Map: ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: um diálogo necessário.

1. Como a Antropologia pode contribuir para a inserção da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” nos currículos escolares?

1.1. A inserção de conhecimentos de Antropologia nos cursos de licenciatura em Artes, História e Literatura pode vir, de certo modo, a qualificar a formação desses professores, devido à longa tradição da Antropologia em tratar de temas e conceitos como cultura, etnicidade, identidade etc.

2. Antropologia no ensino médio.

2.1. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96): se configuram como duas portas de entrada para a antropologia na educação básica.

2.1.1. Lei nº 9.394/96

2.1.1.1. Uma reflexão atualizada do papel da Antropologia na formação de licenciados em ciências sociais e na transposição didática de seus conceitos e conteúdos para o ensino médio.

2.1.1.2. Introduziu a matéria de sociologia nos ensino médio.

2.1.2. Lei n° 10.639/03

2.1.2.1. Torna obrigatório a temática "História e Cultura Afro-Brasileira" como conteúdo transversal das aulas de artes, história e literatura.

2.1.2.2. Provoca um debate do papel do conhecimento antropológico na formação dos professores responsáveis por tais disciplinas, dado que estes podem (e devem) se ocupar de temas e conceitos tradicionalmente caros à reflexão antropológica.

3. Antropologia na Educação Básica: desafios metodológicos e de transposição didática.

3.1. Com a promulgação do Parecer do CNE/CEB nº 38/2006, de 7/7/2006, o qual reintroduz a disciplina de Sociologia nos currículos do Ensino Médio, a Antropologia é convocada a refletir em torno de questões referentes ao Ensino Básico. Fato este que traz novos desafios pedagógicos e metodológicos tanto para aqueles que estão nas salas de aula de nossas escolas quanto para aqueles que trabalham na formação de docentes dentro de nossas universidades.

3.1.1. Como se constituem historicamente a profissão de sociólogo e a profissão de antropólogo?

3.1.1.1. Em termos legais, apenas a profissão de sociólogo é reconhecida no país, sendo seu exercício permitido somente a bacharéis em Ciências Sociais.

3.1.1.2. Já a profissão de antropólogo, é exercida por meio da obtenção do título de Mestre ou Doutor em Antropologia, não importando a formação de graduação.

3.2. Desafios Metodológicos

3.2.1. Cabe à Antropologia refletir sobre suas relações com a Educação, sendo que seus conceitos e temas passam a adentrar a Educação Básica

3.2.2. Desenvolvimento de metodologias de ensino que deem conta da transposição didática dos conteúdos para o referido nível de ensino.

3.2.3. A busca por uma alternativa ao ensino tradicional deve ser a tônica em todas as disciplinas na escola, mas principalmente na Sociologia, dado seu viés problematizador da realidade social.

3.3. Transpondo didaticamente os conteúdos

3.3.1. O licenciado em Ciências Sociais, ao adentrar a sala de aula do Ensino Médio, se depara com dois grandes desafios à sua frente.

3.3.1.1. Conquistar espaço nas escolas, onde egressos dos cursos de Filosofia, História e Geografia ocupam vagas destinadas a eles.

3.3.1.2. Pensar o planejamento de suas aulas em função de um público que não está ali para receber uma formação em Ciências Sociais que se destina à formação de sociólogos.

4. Antropologia e Educação: um diálogo a ser mais bem explorado.

4.1. O debate entre antropologia e educação é muito raramente explorado hoje em dia (GUSMÃO, 1997).

4.1.1. Percebe-se que, mesmo quando as pesquisas antropológicas tratam do tema da “Educação”, referem-se muito mais a aspectos percebidos em seus objetos de estudo do que a algum tipo de troca interdisciplinar de saberes com o campo próprio de estudos da Educação.

4.1.2. Não há um acúmulo de debates sobre metodologias de ensino e estratégias de aproximação com o saber antropológico em sala de aula.

4.1.3. Não se observa preocupação em desenvolver uma reflexão sobre o ofício de professor de antropologia, sendo que a formação do antropólogo é vista fundamentalmente como destinada ao desenvolvimento das habilidades de pesquisador.

4.2. Causas do distanciamento entre a antropologia e educação.

4.2.1. O peso do passado da Antropologia, constituída em meio ao projeto colonizador europeu, tem dificultado que se pense a “prática” da disciplina fora dos domínios da pesquisa acadêmica em sentido estrito (LEAL & ANJOS, 1998).

4.2.2. por ser relegado ao âmbito da intervenção civilizadora, o estatuto dos estudos sobre Educação acaba recebendo um valor menor do ponto de vista dos antropólogos.

4.3. Soluções para o fim desse distanciamento entre a antropologia e educação.

4.3.1. É necessário que os antropólogos se apropriem das produções realizadas no âmbito do campo da Educação para construir, em conjunto, novas estratégias de atuação.

4.3.2. A disciplina busque respostas no que se refere à aplicação e intervenção de seu saber, desenvolvendo novas formas de operacionalização não voltadas exclusivamente à pesquisa acadêmica.

4.4. Comentário: São poucos os que se interessam em abordar a educação na antropologia, sendo que normalmente os que fazem isso, já estão inseridos na área da educação, fazendo mais por benefício próprio do que para contribuir coletivamente.

5. Refletindo sobre o ensino de Antropologia no nível superior: a formação de licenciados em Ciências Sociais e em outras áreas.

5.1. Ausência de desenvolvimento de estratégias pedagógicas e metodológicas, de modo a contemplar as necessidades práticas dos futuros profissionais de outras áreas.

5.2. A presença da Antropologia apenas fornece um sutil “toque humanístico” aos currículos dos cursos, sem que se marque a especificidade do saber antropológico e sua relação com a futura área de atuação dos alunos.

5.3. Torna-se urgente repensar os diferentes modos de abordagem dos saberes antropológicos, adequando às necessidades dos profissionais de nível superior que não se tornarão sociólogos ou antropólogos, mas que poderão utilizar conceitos das Ciências Sociais para fundamentar sua prática docente na Educação Básica.

5.4. No âmbito das Ciências Sociais, onde o foco é a formação de futuros cientistas sociais e, posteriormente, antropólogos, o ensino de Antropologia tem privilegiado o trabalho de campo (DA MATTA, 1987). No entanto, não há um preparo dos alunos para a atuação fora dos muros acadêmicos – e isso inclui a falta de preparo para atuar no Ensino Médio (PEREIRA, 2007, p.143-144).