1. O SABER PSIQUIATRICO A produção da loucura implica tanto um conjunto de práticas de dominação e controle, como a elaboração de um saber. - O saber, nesse caso, não funcionava no sentido de procurar alguma razão na loucura ou de determinar as formas diferenciais segundo as quais ela se manifestava, mas no sentido de apontar, de forma absoluta, se o indivíduo era ou não louco.
2. O INTERROGATÓRIO E A CONFISSÃO O interrogatório é uma das formas privilegiadas da articulação entre o poder e o saber psiquiátricos através disso tem como objetivo buscar antecedentes para a obtenção de uma confissão
2.1. Na impossibilidade de apontar um substrato material da loucura, isto é, de localizar no corpo do indivíduo a substância louca, a psiquiatria procurava esse substrato na família do louco. A loucura era doença sem corpo, ela era literalmente uma doença mental.
3. A LOUCURA EXPERIMENTAL A possibilidade de compreensão da loucura é propiciada por Moreau de Tours com seus experimentos sobre o haxixe. Já há algum tempo se faziam experimentos com o ópio no sentido de se determinar a verdade ou a falsidade da loucura do paciente. Moreau de Tours inverte o procedimento: ele aplica a droga em si próprio. O objetivo era produzir os mesmos sintomas da loucura e poder retornar ao estado normal, adquirindo dessa forma um saber direto sobre a loucura e não indireto como o obtido pela observação do outro ou pelo interrogatório. É a loucura produzida experimentalmente.
4. CHARCOT E A HISTERIA A existência ou não de lesão anatômica relativa a determinados sintomas era, para a psiquiatria do século XIX, um fator de extrema importância.
5. TRAUMA E AB-REAÇÃO A teoria do trauma psíquico vai ter profunda repercussão sobre os escritos iniciais de Freud e, paradoxalmente, vai se constituir no impedimento maior à elaboração da teoria psicanalítica. Enquanto persistir a teoria do trauma, a sexualidade infantil e o Édipo não poderão fazer sua entrada em cena, visto que nela os sintomas neuróticos permanecem dependentes de um acontecimento traumático real que o produziu.
6. TRAUMA E DEFESA PSÍQUICA foi a primeira e única paciente tratada por ele pelo método catártico, e sua retomada do problema só se deu anos mais tarde quando Freud o pressiona nesse sentido.
7. Se epistemologicamente a psicanálise pode ser apresentada como uma teoria e uma prática que rompe com a psiquiatria, a neurologia e a psicologia do século XIX, do ponto de vista arqueológico1 ela pode ser apresentada como o efeito de uma série de articulações entre saberes e práticas que constituíram o solo histórico que possibilitou sua emergência.
8. A CONSCIÊNCIA DA LOUCURA Esse é o momento em que a loucura emerge como objeto do saber e não apenas como diferença a ser segregada e asilada. Ora, produzir o saber sobre a loucura não é, como já foi dito, descobrir uma realidade oculta que se insinuava de várias formas, mas que não era identificada; produzir o saber sobre a loucura é produzir a própria loucura.
9. A HIPNOSE A hipnose foi precedida historicamente pelo mesmerismo. O pressuposto do mesmerismo era o de que os seres animados estavam sujeitos às influências magnéticas, pois os corpos dos animais e do homem são dotados das mesmas propriedades que o ímã
10. A SEXUALIDADE O fenômeno da histeria, a familiarização, a preocupação com a masturbação das crianças, a organização física e funcional dos colégios, a confissão religiosa, o controle sobre a procriação, a psiquiatrização dos perversos, e tantas outras práticas mais, falavam do sexo. Nunca se falou tanto sobre o sexo. “ A colocação do sexo em discurso” , como diz Foucault, não é uma novidade da psicanálise e sequer é uma novidade para o homem do século XIX: