Psicopatologia l

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Psicopatologia l por Mind Map: Psicopatologia l

1. Alterações “Patológicas” da Consciência

1.1. alterações qualitativas: implicam em uma modificação da qualidade (propriedade) do conteúdo da consciência

1.1.1. Alterações qualitativas

1.1.1.1. Estado crepuscular

1.1.1.1.1. Estado segundo

1.1.2. “Estreitamento transitório do campo da consciência, afunilamento da consciência (que se restringe a um círculo de idéias, sentimentos ou representações de importância articular para o sujeito acometido), com a conservação de uma atividade psicomotora global mais ou menos coordenada, permitindo a ocorrência dos chamados atos automáticos (Peters, 1984). O estado crepuscular caracteriza-se por surgir e desaparecer de forma abrupta e ter duração variável, de poucos minutos ou horas a algumas semanas (Sims, 1995). Durante esse estado, ocorrem, com certa freqüência, atos explosivos violentos e episódios de descontrole emocional (podendo haver implicações legais de interesse à psicologia e à psiquiatria forense). Geralmente ocorre amnésia lacunar para o episódio inteiro, podendo o indivíduo se lembrar de alguns fragmentos isolados.” decorrentes de enfermidades tóxicas e infecciosas (ex.: encefalite); quadros de embriaguez, síndrome de Korsakov (carência de B1); epilepsia; histeria;

1.2. alterações quantitativas: implicam em um rebaixamento (mais comum) ou elevação (mais raro) do nível de consciência

1.2.1. Alterações quantitativas (rebaixamento da consciência)

1.2.1.1. Obnubilação da consciência: leve rebaixamento da consciência. de responder a perguntas simples, dificuldade de integraLentidão de compreensão e dificuldade de concentração. Capacidade r informações sensoriais do ambiente.

1.2.1.2. Sopor: intenso rebaixamento da consciência, interrompido apenas por estímulos fortes, frequentemente dolorosos. Paciente sonolento com psicomotricidade reduzida.

1.2.1.3. Coma: Grau mais profundo de rebaixamento da consciência, não há atividade consciente. Ausência de atividade psicomotora.

1.3. Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível de consciência

1.3.1. Delirium: diz respeito, portanto, aos vários quadros com rebaixamento leve a moderado do nível de consciência, acompanhados de desorientação temporoespacial, dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus variáveis, agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico e confuso e ilusões e/ou alucinações, quase sempre visuais. Estado onírico (ou delírio oniróide): ocorre no curso de doenças febris-infecciosas, intoxicações crônicas e enfermidades cerebrais orgânicas; síndromes de abstinência. Assemelha-se a um sonho vívido.

1.3.1.1. Atenção: Não confundir delirium com delírio.

1.3.1.1.1. Delirium: estado de alteração da consciência causado por disfunção orgânica. Delírio: alteração do juízo da realidade.

1.4. Além das alterações quantitativas que comportam uma diminuição da intensidade do campo da consciência (ou hipovigilância), há ainda a possibilidade da amplificação deste campo:

1.4.1. HIPERVIGILÂNCIA: vemos aqui a elevação e exaltação do nível da consciência. Acompanha-se de agitação psicomotora, taquipsiquismo, expressões afetivas intensas, baixo rendimento em tarefas e enorme dificuldade de síntese. É um forte indício de quadros orgânicos ou uso de drogas (anfetaminas, cocaína, álcool, LSD). Mas também pode ser observada em estados maníacos, aura epilética e em algumas formas iniciais de esquizofrenia.

2. Campo do conhecimento que visa o estudo do 'adoecimento mental'. Doença mental (Dalgalarrondo, 2019) é genuína e ao mesmo tempo relacionada ao que é considerado normal. O estudo dos sintomas psicopatológicos costumam dividi-los em forma e conteúdo: Forma:estrutura básica que é relativamente semelhante em diversos pacientes. (relação de índice) Conteúdo: é o que há de singular (relação de símbolo)

3. Objetivos:

3.1. Compreender o que é semiologia patológica

4. Questões iniciais

4.1. O que é saúde méntal? Qual a importância do estudo da psicopatologia?

5. SEMIOLOGIA

5.1. Semiologia é a ciência que estuda os sistemas de relações dos signos.

5.2. Signo: representação de algo a que se atribui sentido; relação entre significante e significado da qual resulta o processo de significação.

5.3. Os signos podem ser classificados segundo a relação que estabelecem com o objeto que representam em ícones, índices, símbolos.

6. PSICOPATOLOGIA

7. ÍNDICES:

7.1. Guardam relação de continuidade em relação ao objeto representado, necessita de aprendizado.

8. A CONSCIÊNCIA E SUAS ALTERAÇÕES

8.1. Importante!

8.1.1. Não existem funções psíquicas isoladas, é sempre uma pessoa em sua totalidade que padece. Além disso, é inadequado tomar os indivíduos sem considerar as relações inter-pessoais e sociais nas quais se inserem.

8.2. Definição Geral

8.2.1. Latim: Cum (com) + Scio (conhecimento) conhecimento compartilhado acerca do mundo e de si mesmo

8.3. Campo da consciência

8.3.1. Na interação com a realidade, a consciência delimita um foco. O campo é o somatório do foco da consciência, mais sua margem (franja ou umbral).

8.4. Estado de consciência lúcida

8.4.1. “No estado de consciência lúcida funcionam adequadamente a capacidade de atenção ou de concentração, as faculdades de fixar novos fatos e de rememorar o vivido e o aprendido, a capacidade de compreender ou de dar-se conta das coisas, a capacidade de refletir sobre as questões objetivas e subjetivas e os complexos dispositivos de orientação autopsíquica, alopsíquica e temporoespacial.” (ALONSO-FERNANDEZ, F. Fundamentos de la psiquiatria actual. Madri: Paz Montalvo, 1972, p. 401)

8.5. Alterações cotidianas da consciência

8.5.1. Sono/ sonho

9. SEMIOLOGIA PATOLÓGICA

9.1. Semiologia psicopatológica: campo de estudos ligado à investigação dos sinais e sintomas dos transtornos mentais. Sinal:objetivo, relação de índice Sintoma:subjetivo, relação simbólica Semiotécnica: conjunto de técnicas relacionadas à coleta de informações e observação de sinais e sintomas Semiogênese: campo de investigação ligado à formação e ao sentido dos sinais e sintomas

10. O que é normal?

10.1. Normalidade como bem-estar: definido pela OMS (1958) como bem-estar físico, mental e social. Sendo uma utopia, pois parte da subjetividade.

10.2. Normalidade como processo: Mudanças, conflitos e perturbações fazem parte do processo de amadurecimento.

10.3. Normalidade como liberdade: Transitar no mundo com liberdade e com senso de realidade.

10.4. Normalidade como ausência de doença: interpreta o indivíduo de acordo com o que ele não possui.

10.5. Normalidade estatística: Normal é aquilo que se observa com maior freqüência.

10.6. Normalidade funcional: O fenômeno é considerado patológico a partir do momento em que é disfuncional, produz sofrimento para o próprio indivíduo ou para o seu grupo social.

10.7. Normalidade ideal Utopia do indivíduo sadio e evoluído. Aqueles indivíduos adaptados às normas morais e políticas de determinada sociedade

10.8. Normalidade subjetiva: Interpretação própria sobre sua saúde.

10.9. Normalidade operacional: Trabalha com o que normal e patológico definidos por meio de manuais.

11. Ícones

11.1. Guardam relação de semelhança com o representado

12. Simbolos:

12.1. Signos mais complexos, não guardam nenhuma relação de semelhança ou contiguidade com o representado. Relação convencional e arbitrária.

13. Aula 3

13.1. Objetivos

13.1.1. Método de coleta de informações na qual se estabelece uma relação interpessoal, que pode sofrer variações segundo:

13.1.1.1. Características do entrevistador

13.1.1.2. Estado do eentrevistado

13.1.1.3. ambiente institucional

13.1.1.4. Objetivos da entrevista

13.1.2. As classificações diagnósticas de transtornos mentais (DSM-5 e CID10) e a entrevista psiquiátrica.

13.2. Entrevistas

13.2.1. Posturas que atrapalham o desenvolvimento de uma entrevista:

13.2.1.1. 1.Posturas rígidas, estereotipadas; 2. Reações emocionais intensas de pena ou compaixão; 3. Entrevistas excessivamente prolíxas; 4. Comentários valorativos ou emitir julgamentos; 5. Responder com hostilidade ou agressão; 6. Fazer muitas anotações durante a entrevista.

13.2.2. INÍCIO DA ENTREVISTA 1. Aspecto global do paciente (Cuidado pessoal, higiene, roupa, postura corporal, modo de olhar, iniciativa da fala) 2. Apresentação do entrevistador (nome, profissão, razão da entrevista) 3. Sigilo 4. Lembrar (caso necessário) do foco da entrevista 5. Evitar silêncios muito longos 6. utilizar perguntas curtas, abertas 7. Buscar pelo processo, não pela causa: privilegiar “como” em vez de “por que” 8. Buscar adequar o modo de entrevistar ao entrevistado específico.

13.2.3. TIPOS DE ENTREVISTA:

13.2.3.1. Aberta: o curso da entrevista é determinado pelo entrevistado. Estruturada: As sequências das perguntas e o formato das respostas é pré-determinado. Semi- estruturada: Há um roteiro que orienta o entrevistador na condução da entrevista, porém há flexibilidade na sequência ou na maneira de formular a pergunta.

13.2.4. ROTEIRO DE ANAMNESE

13.2.4.1. História Clínica Psiquiátrica Identificação Queixa Principal História da Moléstia Atual Antecedentes: História Médica e Psiquiátrica Antecedentes: História Pessoal (pré-natal, nascimento, infância adolescência, idade adulta) Antecedentes: História familiar Antecedentes: História pré-morbida

13.2.5. EXAME PSÍQUICO

13.2.5.1. Apresentação: descrição da impressão geral do paciente a partir de avaliação de sua aparência, psicomotricidade, interação durante entrevista;

13.2.5.2. Linguagem e pensamento: avaliação do pensamento é feita de modo indireto, através da fala. Observar características da fala e progressão e forma, conteúdo do pensamento e capacidade de abstração;

13.2.5.3. Senso-percepção: avalia-se a adequação das sensações e percepções aos estímulos físicos

13.2.5.4. Afetividade e humor: expressividade, controle e adequação das manifestações de sentimentos.

13.2.5.5. Atenção: Capacidade de focalizar e manter a atenção em uma atividade.

13.2.5.6. Memória: avaliar possíveis prejuízos de memória e a relação que o paciente tem com ela; Orientação: envolve aspectos em relação a si próprio e ao tempo e espaço.

13.3. Manuais de diagnóstico em saúde mental

13.3.1. DSM-V: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Criado pela APA em 2013.

13.3.1.1. 22 capítulos agrupando os transtornos relacionados;

13.3.1.2. Traz a codificação do CID 9 e CID 10;

13.3.1.3. Critérios diagnósticos: importância clínica (sofrimento significativo ou prejuízo social), presença de sinais e sintomas, duração, condição não pode ser explicada por alguma outra disfunção fisiológica, psicológica ou médica.

13.3.2. CID 10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde criada pela OMS em 1993.

13.3.2.1. CID 11 foi apresentada em reunião mundial da saúde em 2018, devendo ser adotada pelos nações-membro a partir de janeiro de 2022.

13.3.2.2. Padrão utilizado internacionalmente e adotado no SUS.

13.3.2.3. Transtornos mentais e comportamentais – Capítulo V, Letra F00 a F99.

13.3.2.4. Sistema alfanumérico

14. Atenção, orientação e vivência do tempo e espaço.

14.1. ATENÇÃO

14.1.1. Trata-se da direção da consciência, estado de concentração do estado mental sobre determinado objeto. “Minha experiência é aquilo que eu consinto em captar...” James, 1952.

14.1.2. Natureza:

14.1.2.1. voluntária

14.1.2.2. espontânea

14.1.3. Direção

14.1.3.1. Interna

14.1.3.2. externa

14.1.4. Amplitude

14.1.4.1. Focal

14.1.4.2. Dispersa

14.1.5. Tenacidade: Capacidade de sustentar a atenção tendo como foco uma área ou objeto.

14.1.6. Vigilância: Capacidade de deslocar a atenção de um foco para outro.

14.1.7. Hábito: Em decorrência da repetição de um estímulo, há ausência de resposta de orientação (alerta, prontidão, resposta ao estímulo).

14.1.8. Sensibilização: Em decorrência da repetição de um estímulo há progressivo aumento da resposta de orientação.

14.1.9. Anormalidades na atenção

14.1.9.1. Hipoprosexia:perda básica da capacidade de concentração, com fatigabilidade aumentada, o que dificulta a percepção dos estímulos ambientais e a compreensão; as lembranças tornam-se mais difíceis e imprecisas, há dificuldade crescente em todas as atividades psíquicas complexas, como o pensar, o raciocinar, a integração de informações;

14.1.9.2. Aprosexia:a total abolição da capacidade de atenção, por mais fortes e variados que sejam os estímulos utilizados;

14.1.9.3. Hiperprosexia: atenção exacerbada, no qual há uma tendência incoercível a obstinar-se, a deter-se indefinidamente sobre certos objetos com surpreendente infatigabilidade.

14.1.9.4. Distração ≠ distraibilidade

14.1.10. Atenção e transtornos mentais

14.1.10.1. Transtornos de humor (depressão e bipolar): Quadros depressivos: hipoprosexia. Hipertenacidade em temas depressivos. Quadros maníacos: Hiperprosexia, hipotenacidade, hipervigilância. Baixa atenção voluntária e aumento da atenção espontânea.

14.1.10.2. Transtorno obsessivo compulsivo: hiperprosexia, hipovigilância, hipertenacidade

14.1.10.3. Esquizofrenia: hipoprosexia, alta distraibilidade e dificuldade de filtrar estímulos relevantes.

14.1.10.4. TDAH: hipoprosexia

14.1.11. Orientação

14.1.11.1. Capacidade de situar-se em relação ao meio e a si mesmo, integra as capacidades da atenção, percepção e memória. Autopsíquica- relacionada a si mesmo. Alopsíquica – relacionada ao mundo (tempo e espaço).

14.1.11.2. Alterações da orientação

14.1.11.2.1. Desorientação

14.1.11.2.2. Delirante, Quanto a própria idade.

14.2. Vivência do tempo e do espaço

14.2.1. Dimensões próprias a experiência humana. Toda experiência comporta um modo próprio de perceber o tempo e o espaço. Relação com os ritmos biológicos (ciclo circadiano, ritmos mensais, estações do ano, fases da vida...) Podem ser compreendidos em uma dimensão objetiva e subjetiva.

14.2.2. Alterações da vivência do tempo

14.2.2.1. Nos transtornos de humor

14.2.2.2. Uso de substâncias alucinógenas e psicoestimulantes

14.2.2.3. Situações emocionalmente intensas e especiais

14.2.2.4. Atomização do tempo

14.2.2.5. Inibição da sensação de fluir do tempo

14.2.2.6. No estado maníaco: espaço é todo seu, espaço amplo;

14.2.2.7. Na depressão: o estado é encolhido, contraído e escuro;

14.2.2.8. Nos estados paranóides: o espaço exterior é perigoso e invasivo; o interior encontra-se sob o risco de ser invadido e ameaçado;

14.2.2.9. Na agorafobia: o espaço é percebido como sufocante e perigoso.

15. Sensopercepção

15.1. Alterações da Sensopercepção

15.2. Senssação

15.2.1. Fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, originados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores. Dimensão neuronal. Os órgãos são afetados pelo meio Implica em passividade).

15.3. Percepção

15.3.1. Percepção: tomada de consciência do estímulo sensorial. Dimensão neuropsicológica e psicológica da sensopercepção. Implica em criação.

15.4. Processamento de informação:

15.4.1. Estímulos...Senssação..Percepção

15.5. Percepção

15.5.1. integração entre as sensações e as experiências anteriores que resulta na construção de uma imagem mental do mundo.

15.6. Apercepção

15.6.1. Responsável pela significação do objeto percebido. Percepção clara e plena de um objeto por meio de reconhecimento ou identificação do percebido com o objeto preexistente.

15.7. Qualidades da imagem:

15.7.1. Nitidez (a imagem é nítida, seus contornos são precisos)

15.7.2. Corporeidade (a imagem é viva, corpórea, tem luz, brilho e cores vivas)

15.7.3. Estabilidade (a imagem percebida é estável, não muda de um momento para outro)

15.7.4. Extrojeção (a imagem, provinda do espaço exterior, também é percebida neste espaço)

15.7.5. Ininfluenciabilidade voluntária (o indivíduo não consegue alterar voluntariamente a imagem percebida)

15.7.6. Completitude (a imagem apresenta desenho completo e determinado, com todos os detalhes diante do observador).

15.8. Imagem e representação

15.8.1. Imagem: percepção presente de um objeto real

15.8.2. Representação: imagem que decorre da experiência mnêmica de um objeto que não se encontra mais presente. Trata-se de uma reapresentação, uma imagem representativa.

15.8.3. Pouca nitidez (os contornos, geralmente, são borrados)

15.8.4. Pouca corporeidade (a representação não tem a vida de uma imagem real)

15.8.5. Instabilidade (a representação aparece e desaparece facilmente do campo de consciência)

15.8.6. Introjeção (a representação é percebida no espaço interno)

15.8.7. Incompletude (a representação demonstra um desenho indeterminado, apresentando-se geralmente incompleta e apenas com alguns detalhes).

15.8.8. Subtipos de imagem representativa

15.8.8.1. Imagem eidética: representação com características semelhantes à percepção. Trata-se de processo voluntário.

15.8.8.2. Pareidolia: imagens visualizadas do ambiente a partir de estímulos imprecisos. Trata-se de processo voluntário de modificação de uma percepção.

15.8.8.3. Imaginação: atividade psíquica, geralmente voluntária, que consiste na evocação de imagens percebidas no passado (imagem mnêmica) ou na criação de novas imagens (imagem criada).

15.9. Alterações quantitativas da sensopercepção

15.9.1. Hiperestesia, no sentido psicopatológico, é a condição na qual as percepções encontram-se anormalmente aumentadas em sua intensidade ou duração.

15.9.2. Hiperpatia, no sentido neurológico, quando uma sensação desagradável (geralmente de queimação dolorosa) é produzida por um leve estímulo da pele.

15.9.3. Hipoestesia, no sentido psicopatológico, é observada em alguns pacientes depressivos, nos quais o mundo circundante é percebido como mais escuro; as cores tornam-se mais pálidas e sem brilho; os alimentos não têm mais sabor; e os odores perdem sua intensidade.

15.9.4. Parestesia: são sensações táteis desagradáveis (embora não sentidas propriamente como dor), em geral espontâneas, descritas pelos pacientes como “formigamentos, adormecimentos, picadas, agulhadas ou queimação” mais ou menos intensas. (ex. parestesia de Berger)

15.9.5. Disestesia: são sensações anômalas, em geral dolorosas, desencadeadas por estímulos externos; assim, ao estimular a pele do paciente com calor, este refere sensação de frio; e, após um leve roçar sobre a pele, refere dor.

15.10. Alterações qualitativas da sensopercepção

15.10.1. Ilusão

15.10.1.1. percepção deformada de um objeto real e presente.

15.10.1.1.1. Causas da ilusão

15.10.1.2. As ilusões mais comuns são as de tipo visuais ou auditivas.

15.10.2. Alucinação

15.10.2.1. Alucinação: percepção de um objeto, sem que este esteja presente, sem o estímulo sensorial respectivo. Alucinações verdadeiras são aquelas que têm todas as características de uma imagem perceptiva real nitidez, corporeidade, projeção no espaço exterior, constância.

15.10.2.2. Alucinação auditiva

15.10.2.2.1. Percepção sonora sem qualquer estímulo. podem sem simples ou complexas. Simples: ruídos primários. Complexas: audioverbal – o paciente escuta vozes sem qualquer estímulo real (vozes de comando ou vozes que comentam a ação).

15.10.2.2.2. Outras alterações próximas às alucinações auditivas complexas:

15.10.2.2.3. Sonorização do pensamento: experiência de ouvir o próprio pensamento enquanto pensa.

15.10.2.2.4. Eco do pensamento: experiência de ouvir o pensamento após pensa-lo.

15.10.2.2.5. Publicização do pensamento: experiência de o próprio pensamento pode ser ouvido por outras pessoas.

15.10.2.3. Alucinação visual

15.10.2.3.1. São visões nítidas que o paciente experimenta, sem a presença de estímulos visuais. As alucinações visuais podem ser simples ou complexas. As alucinações visuais simples também são denominadas fotopsias. Nelas, o indivíduo vê cores, bolas e pontos brilhantes. As alucinações visuais complexas incluem figuras e imagens de pessoas (vivas ou mortas, familiares ou desconhecidas), de partes do corpo (órgãos genitais, caveiras, olhos assustadores, cabeças disformes, etc.), de entidades (o demônio, uma santa, um fantasma), de objetos inanimados, animais ou crianças.

15.10.2.3.2. Alucinações cenográficas: visões de cenas completas.

15.10.2.3.3. Alucinações liliputianas: percepção de personagens minúsculos entre os personagens reais.

15.10.2.4. Alucinação Tátil

15.10.2.4.1. O paciente sente espetadas, choques ou insetos ou pequenos animais correndo sobre sua pele. Também são relativamente freqüentes as alucinações táteis sentidas nos genitais, sobretudo em pacientes esquizofrênicos, que sentem de forma passiva que forças estranhas tocam, cutucam ou penetram seus genitais.

15.10.2.5. Outras alucinações

15.10.2.5.1. Olfativas ou gustativas: Relacionadas ao olfato ou ao paladar.

15.10.2.5.2. Cinestésicas: Relacionada ao movimento (do corpo, do espaço).

15.10.2.5.3. Cenestésicas: Relacionadas ao corpo e órgãos.

15.10.2.5.4. Funcionais: Relacionadas a estímulos reais, mas sem objeto.

15.10.2.5.5. Combinadas (ou sinestésicas): experiências alucinatórias nas quais combinam-se diferentes alucinações sensoriais.

15.10.2.5.6. Extracampina: alucinações fora do campo sensoperceptivo usual.

15.10.2.5.7. Autoscópica: alucinação visual (que também pode apresentar componentes táteis e cenestésicos) na qual o indivíduo enxerga a si mesmo, vê o seu corpo, como se estivesse fora dele, contemplando-o. Experiência próxima à ‘sensação de presença’.

15.10.2.6. Alucinações ligadas ao sono

15.10.2.6.1. Hipnagógicas: se manifestam no momento em que o indivíduo está adormecendo

15.10.2.6.2. Hipnopômpicas: ocorrem na fase em que o indivíduo está despertando.

15.10.3. Alucinose

15.10.3.1. Alucinações nas quais aquele que as tem reconhecem sua natureza estranha, patológica.

15.10.4. Pseudo-alucinação

15.10.4.1. apresenta semelhança com a alucinação, mas dela se diferencia pela ausência de vivacidade e corporeidade, sendo pouco nítida e imprecisa.

16. Pensamento e suas alterações

16.1. Pensamento – definições

16.1.1. Formado a partir de imagens representativas e representações, é composto por três elementos: conceitos, juízo e raciocínios.

16.1.2. Conceito: Formado a partir de representações, é um elemento puramente cognitivo, intelectivo, não tendo qualquer resquício sensorial. Dependem de eliminação da sensorialidade e generalização.

16.1.3. Juízo: Formar juízos é o processo que conduz ao estabelecimento de relações significativas entre os conceitos básicos. O juízo consiste, a princípio, na afirmação de uma relação entre dois conceitos.

16.1.4. A função que relaciona os juízos recebe a denominação de raciocínio.

16.2. Sobre o processo de pensar

16.2.1. Curso: como o pensamento flui, a sua velocidade e seu ritmo ao longo do tempo.

16.2.2. Forma: sua estrutura básica, sua “arquitetura”, preenchida pelos mais diversos conteúdos e interesses do indivíduo.

16.2.3. Conteúdo: aquilo que dá substância ao pensamento, os seus temas predominantes, o assunto em si.

16.3. Alterações dos elementos constitutivos do pensamento

16.3.1. Conceitos:

16.3.2. Desintegração: conceitos sofrem um processo de perda de seu significado original.

16.3.3. Condensação: dois ou mais conceitos são fundidos, o paciente involuntariamente condensa duas ou mais idéias em um único conceito, que se expressa por uma nova palavra.

16.3.4. Juízos:

16.3.5. Juízo deficiente ou prejudicado: Os juízos são por demais simplistas, concretos e sujeitos à influência do meio social. Causado por pobreza intelectual.

16.3.6. Juízo de realidade ou delírio: julgamentos que tem valor de verdade para o sujeito que nele acredita, mas que não estão em conformidade com os fatos e objetos reconhecidos socialmente

16.4. Alterações dos elementos constitutivos: raciocínio

16.4.1. Raciocínio “normal”: orienta-se segundo a lógica, levando em consideração a realidade e os princípios estabelecidos dentro de uma perspectiva sociocultural.

16.4.2. Alterações possíveis:

16.4.3. Pensamento mágico: O pensamento mágico pressupõe que uma relação puramente subjetiva de idéias corresponda uma associação objetiva de fatos.

16.4.4. Pensamento dereístico (wishful thinking): Assemelha-se ao pensamento mágico, porém tendo como marca a distorção da realidade segundo o desejo do sujeito.

16.4.5. Concretismo: tipo de pensamento no qual não ocorre a distinção entre dimensão abstrata e simbólica e dimensão concreta e imediata dos fatos.

16.4.6. Outras alterações de raciocínio

16.4.6.1. Raciocínio inibido: diminuição da velocidade e do número de conceitos, juízos e representações utilizados no processo de pensar, tornando-se o pensamento lento, rarefeito, pouco produtivo à medida que o tempo flui.

16.4.6.2. Pensamento vago: As relações conceituais, a formação dos juízos e a concatenação destes em raciocínios são caracterizadas pela imprecisão. Há marcante falta de clareza e precisão no raciocínio.

16.4.6.3. Pensamento prolixo: O paciente dá longas voltas ao redor do tema, e mescla, de forma imprecisa, o essencial com o supérfluo. Há dificuldade em obter construção direta, clara e acabada, além de notável falta de capacidade de síntese.

16.4.6.4. Outras alterações de raciocínio

16.4.6.4.1. Pensamento deficitário (oligofrenia): É um pensamento de estrutura pobre e rudimentar. O indivíduo tende ao raciocínio concreto; os conceitos são escassos e utilizados em sentido mais literal que abstrato ou metafórico. Não há falta da generalização e da utilização da memória, sempre vinculadas às necessidades mais imediatas do sujeito. Há pouca flexibilidade na aplicação de regras e conceitos aprendidos.

16.4.6.4.2. Pensamento demencial: Trata-se também de pensamento pobre, porém tal empobrecimento é desigual, ao contrário do que ocorre no pensamento deficitário, no qual o empobrecimento é mais homogêneo.

16.4.6.4.3. Pensamento confusional: Há marcante dificuldade em estabelecer vínculos entre conceitos e juízos devido às alterações de consciência, de atenção e de memória imediata, impedindo a formação adequada do raciocínio e lançando o indivíduo em estado de perplexidade e impotência.

16.4.6.4.4. Pensamento desagregado: pensamento radicalmente incoerente, no qual os conceitos e os juízos não se articulam minimamente de forma lógica. “salada de palavras”

16.4.6.4.5. Pensamento obsessivo: predominam ideias ou representações que, apesar de terem conteúdo absurdo ou repulsivo para o indivíduo, se impõem à consciência de modo persistente e incontrolável.

16.4.6.4.6. Alterações do processo do pensar: Curso