1. introduziu a noção de programa científico de pesquisa.
1.1. Um programa de pesquisa lakatosiano é uma estrutura que fornece um guia para futuras pesquisas, tanto de maneira positiva, como negativa.
1.1.1. A heurística negativa de um programa envolve a estipulação de que as assunções básicas subjacentes ao programa, que formam o seu núcleo rígido, não devem ser rejeitadas ou modificadas. Esse núcleo rígido é resguardado contra falseações por um cinturão protetor de hipóteses auxiliares, condições iniciais, etc.
1.1.2. A heurística positiva constitui-se de prescrições não muito precisas que indicam como o programa deve ser desenvolvido... Os programas de pesquisa são considerados progressivos ou degenerantes, conforme tenham sucesso, ou persistentemente fracassem, em levar à descoberta de novos fenômenos.
1.2. O núcleo rígido (hard core) de um programa é aquilo que essencialmente o identifica e caracteriza, constituindo-se de uma ou mais hipóteses teóricas.
1.2.1. Alguns exemplos. O da mecânica newtoniana é formado pelas três leis dinâmicas e pela lei da gravitação universal.
1.3. Por “uma decisão metodológica de seus protagonistas” (Lakatos 1970, p. 133), o núcleo rígido de um programa de pesquisa é “decretado” não-refutável. Possíveis discrepâncias com os resultados empíricos são eliminadas pela modificação das hipóteses do cinturão protetor.
2. Visão comum da ciência
2.1. A visão comum de ciência Constitui crença generalizada que o conhecimento fornecido pela ciência distingue-se por um grau de certeza alto, desfrutando assim de uma posição privilegiada com relação aos demais tipos de conhecimento (o do homem comum, por exemplo).
2.2. A ciência começa por observações
2.2.1. A ciência começa por observações. Bacon propôs que a etapa inicial da investigação científica deveria consistir na elaboração, com base na experiência, de extensos catálogos de observações neutras dos mais variados fenômenos, aos quais chamou “tábuas de coordenações de exemplos” (Novum Organum, II, 10).
2.2.1.1. As observações são neutras
2.2.1.1.1. As referidas observações podem e devem ser feitas sem qualquer antecipação especulativa, sem qualquer diretriz teórica.
2.2.1.1.2. A mente do cientista deve estar limpa de todas as idéias que adquiriu dos seus educadores, dos teólogos, dos filósofos, dos cientistas.
2.2.1.1.3. A pessoa não deve ter nada em vista, a não ser a observação pura.
2.3. Deve-se variar amplamente as condições em que o fenômeno se produz.
2.4. O número de observações de um dado fenômeno deve ser grande
3. Método indutivo
3.1. O método indutivo é uma forma de raciocínio que parte da observação. Somente a partir dessa análise é possível desenvolver uma teoria, na qual serão apresentadas premissas com o intuito de chegar a conclusões que podem ou não serem verdadeiras.
3.2. As leis científicas são extraídas do conjunto das observações por um processo supostamente seguro e objetivo, chamado indução, que consiste na obtenção de proposições gerais (como as leis científicas) a partir de proposições particulares (como os relatos observacionais).
3.2.1. Um exemplo é a lei segundo a qual todo papel é combustível seria, segundo a visão que estamos apresentando, obtida de modo seguro de um certo número de observações de pedaços de papel que se queimam.
4. As concepções de Karl Popper e Imre Lakatos sobre a ciência e o método dedutivo
4.1. Karl Popper
4.1.1. Karl Popper (1902-1994) foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico, que elaborou teorias que defendiam que o conhecimento científico decorre da experiência individual, e que não pode ser verificado por meio do raciocínio indutivo
4.1.2. A idéia central de Popper é a de substituir o empirismo justificacionista-indutivista da concepção tradicional por um empirismo não-justificacionista e não-indutivista, que ficou conhecido por falseacionismo.
4.1.3. Popper rejeita que as teorias científicas sejam construídas por um processo indutivo a partir de uma base empírica neutra, e propõe que elas têm um caráter completamente conjetural.
4.1.4. Teorias são criações livres da mente, destinadas a ajustar-se tão bem quanto possível ao conjunto de fenômenos de que tratam. Uma vez proposta, uma teoria deve ser rigorosamente testada por observações e experimentos. Se falhar, deve ser sumariamente eliminada e substituída por outra capaz de passar nos testes em que a anterior falhou, bem como em todos aqueles nos quais tenha passado. Assim, a ciência avança por um processo de tentativa e erro, conjeturas e refutações.
4.1.5. A cientificidade de uma teoria reside, para Popper, não em sua impossível prova a partir de uma base empírica, mas em sua refutabilidade.
4.1.5.1. Ele argumenta que somente as teorias passíveis de serem falseadas por observações fornecem informação sobre o mundo; as que estejam fora do alcance da refutação empírica não possuem “pontos de contato” com a realidade, e sobre ela nada dizem, mesmo quando na aparência digam, caindo no âmbito da metafísica.
4.1.5.1.1. Alguns dos exemplos preferidos de Popper de teorias irrefutáveis, e portanto não-científicas, são a astrologia, a psicanálise e o marxismo.
4.2. Imre Lakatos
4.2.1. Irme Lakatos nasceu no ano de 1922 na Hungria, e concluiu seu doutorado em 1958. Atuou como filósofo das ciências e da matemática. Assim como Popper, foi também professor das disciplinas como Lógica e Metodologia Científica por vários anos.Lakatos traz pela primeira vez o conceito de programa de pesquisa.
5. Objeções a visão comum da ciência
5.1. A objeção à visão comum da ciência se dá examinando a questão da indução que envolve a objeção. Podemos aceita que se uma situação, questão ou caso foi colocado como um processo de dedutível e ela estiver correta, todas as outras situações que pertencem a essa situação dedutível, todas também estarão corretas pelo uso das leis da lógica. Essas leis, no entanto não nos dá total certeza da certeza e validade do processo indutível.
5.1.1. Exemplo: pegamos alguns tipos de papéis diferentes e os queimamos. Usando a lógica, nenhum número de observações dos papéis sendo queimados, por maior e mais variados e possíveis tipos de papéis é suficiente para provar e justificar logicamente a lei que todo papel é combustível. Embora todos os papéis que foram testados pegaram fogo, esta folha, por exemplo, não é combustível.
5.1.1.1. Isso pode contrariar o senso comum, a física, química, mas não a lógica. Podemos também ver que os testes feitos não são necessários para as mais importantes teorias científicas, temos que observar que alguns dos mais fundamentais experimentos científicos não foram repetidos senão umas poucas vezes , ou até mesmo como é comum foi feito apenas uma vez.
5.1.1.1.1. Muitas situações necessitam de apenas uma observação para se chegar ao obvio ou a certeza absoluta. Quem duvida, que uma explosão de bomba atômica causa a morte de milhares de pessoas, após Hiroshima e Nagazaqui terem sido destruídas?
5.1.2. Eliminada a possibilidade de justificação lógica, resta, segundo os pressupostos empiristas dos próprios defensores dessa concepção, unicamente a justificação empírica. No entanto, os filósofos John Locke e David Hume apontaram, nos séculos XVII e XVIII, que a justificação empírica da indução envolve dificuldades insuperáveis.
5.1.2.1. Essa constatação veio a exercer uma enorme influência na filosofia, estimulando, por um lado, a retomada de doutrinas racionalistas (Kant) e, por outro, a reformulação dos objetivos empiristas, com o reconhecimento de que o ideal original de certeza e infalibilidade do conhecimento geral do mundo exterior não pode ser atingido