1. Existem várias abordagens quanto à forma como a violência é produzida pelos sistemas social, cultural, económico ou político. Uma delas é a noção de violência estrutural, ou seja, a violência produzida pela organização econômica e política das sociedades. Esta violência expressa-se na desigual distribuição do poder e, consequentemente, em oportunidades desiguais, na discriminação e na injustiça (na distribuição do rendimento, no acesso à educação, por exemplo). Johan Galtung define-a como uma violência que não é praticada por um agente concreto com o objetivo de infligir sofrimento, mas é gerada pela própria estrutura social, sendo as suas formas mais relevantes a repressão, em termos políticos, e a exploração, em termos económicos.
2. Vulnerabilidade Social
2.1. O termo vulnerabilidade social refere-se à situação socioeconômica de grupos de pessoas com poucos recursos financeiros, de moradia, educação e acesso a oportunidades para seu desenvolvimento enquanto cidadão.
2.2. A vulnerabilidade é composta por diversos fatores responsáveis pela “exclusão social” de uma parcela da população. Entre eles, podemos incluir questões históricas, de raça, de gênero e de orientação sexual. Questões como essas fazem com que diversos cidadãos sofram com a falta de representatividade e de oportunidades. Com isso, se encontram em uma situação de desequilíbrio, pois não têm o mesmo acesso a oportunidades que outros grupos sociais. Um dos principais motivos para que isso aconteça é a educação precária, que faz com que a vulnerabilidade social seja cíclica, se repetindo a cada geração. Esse cenário é comum em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que, normalmente, enfrentam problemas políticos e socioeconômicos. É importante lembrar que a situação de vulnerabilidade social não remete, necessariamente, a pobreza. O conceito caracteriza uma condição de fragilidade que determinado grupo está sujeito por conta dos fatores citados.
2.3. Por vulnerabilidade social entende-se o resultado negativo da relação entre disponibilidade dos recursos materiais ou simbólicos dos atores, sejam eles indivíduos ou grupos, e o acesso à estrutura de oportunidades sociais, econômicas e culturais oriundas do Estado, do mercado e da sociedade (Morais, Raffaelli & Koller, 2012, p. 119).
3. Ela se fundamenta no contexto de extremas desigualdades sociais, onde uma parte da população é excluída e não tem acesso a direitos, o que abre espaço para a desvalorização da vida e banalização da morte e da impunidade (Minayo e cols., 2017; 41).
4. Violência estrutural é uma deficiência evitável das necessidades humanas fundamentais (Galtung, 1969).
5. Assim a violência estrutural nega os direitos fundamentais que consistem no direito à vida, à educação, à alimentação, à moradia, à saúde, ao saneamento básico, entre outros.
6. Desigualdade Social
6.1. O termo desigualdade social é um conceito sociológico e econômico que designa a diferença existente entre as classes sociais. A desigualdade pode ser medida pelas faixas de renda comparadas (há um método de comparação de médias das faixas de renda mais ricas com as faixas de renda mais pobres). O resultado dessa comparação pode ser jogado numa fórmula desenvolvida pelo economista e estatístico italiano Corrado Gini, formando o chamado coeficiente de Gini. Outros fatores podem ser usados para medir-se a desigualdade social de um país, pois, geralmente, quanto maior a desigualdade, maior é a pobreza de uma sociedade. Então, indicadores — como o índice de desenvolvimento (IDH), a renda per capita e o nível de escolaridade — podem ser apurados e comparados com os índices de desigualdade social.
6.2. Sempre houve a construção de uma ideologia das classes dominantes que visasse a manter a dominação das camadas sociais mais baixas. As teorias de Jacques Bossuet (teórico político francês do século XVII) são a prova disso. Também houve uma tentativa pseudocientífica, no século XIX, o darwinismo social, de Herbert Spencer, de formular uma teoria que supostamente justificasse a inferioridade dos povos africanos, indígenas e orientais. Essa teoria defendia a pobreza nos continentes do sul, sem considerar o colonialismo e o imperialismo, que levaram os países africanos, americanos e asiáticos à situação de miséria à qual chegaram. As ideologias sempre foram instrumentos de dominação e, segundo Karl Marx, são as ideologias que mantêm o proletariado submetido à burguesia. No livro A ideologia alemã, o filósofo, sociólogo e economista alemão identifica a existência de uma infraestrutura (meios materiais) e uma superestrutura (ideologia, Estado, sistema jurídico, domínio da informação etc.), que suportam, ideologicamente, um sistema de dominação. Com isso, os trabalhadores continuam na situação de exploração e não se revoltam contra o sistema desigual.
6.3. Segundo um estudo realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil está entre os cinco países com maior desigualdade em sua distribuição de renda. Alguns estudiosos defendem que a desigualdade social no Brasil tem origem no Brasil Colônia. Contudo, existem diversos programas sociais, como o Bolsa Família, que serviram para reduzir a desigualdade social e ajudar milhões de pessoas a sair da pobreza absoluta.