Henry Wallon Teoria Psicogenética
por Marisa da Silva Sousa
1. Afetividade e Inteligência
1.1. Aponta o organismo humano como uma primeira condição do pensamento, haja vista que toda função psíquica necessita de um pensamento orgânico.
1.2. O desenvolvimento do pensamento infantil é marcado por descontinuidade, crises e conflitos - é dialético.
1.3. Afetividade e inteligência caminhando juntas podem levar a situações de dificuldade na aprendizagem escolar
2. Estágios de Desenvolvimento
2.1. Estágio Impulsivo-emocional (0 a 1 ano)
2.1.1. Os bebês, inicialmente realizam movimentos reflexos e gradativamente passam a responder com afetividade as pessoas.
2.1.2. Até por volta de 1 ano a criança está vivenciando ao máximo sua sociabilidade, sendo totalmente dependente do contato com o outro para sobreviver.
2.2. Estágio Sensório-Motor e Projetivo (até os 3 anos)
2.2.1. Caracteriza-se pela exploração dos objetos e dos espaços físicos, que ganha maior ampliação e autonomia com a aquisição da preensão e da macha.
2.2.2. A criança se torna um ser com caráter cognitivo, ocupado com o conhecimento perceptivo e motor do mundo.
2.2.3. Aparecimento da linguagem rompe com o motor, um salto qualitativo no desenvolvimento, interioriza as condutas sensório-motoras e desorganiza-as.
2.3. Estágio do Personalismo (3 a 6 anos)
2.3.1. A criança depara-se com o conflito que envolve o anseio por autonomia e, por outro lado, o vínculo fortalecido com a sua família.
2.3.2. O pensamento está voltado quase que exclusivamente para si mesmo.
2.3.3. A afetividade passa a ocorrer num plano, mais simbólico, manifestando-se através de palavras e ideias, incorporando os recursos intelectuais.
2.4. Estágio Categorial (7 a 12 ou 14 anos)
2.4.1. Com a diferenciação simbólica da personalidade, a inteligência avança no seu desenvolvimento e a criança a utiliza cada vez mais com a manifestação de interesse na exploração, no conhecimento e nas suas relações com os objetos e com o meio.
2.4.2. Procura diferenciar o eu do não eu, o que é do seu ponto de vista do que é do outro.
2.5. Estágio da Adolescência
2.5.1. Processo de quebra no equilíbrio afetivo, com a busca do adolescente por uma nova definição da personalidade, que é influenciada pelas modificações corporais advindas das ações hormonais.
3. O Movimento e suas Dimensões
3.1. O papel do movimento da psicogenética tem duas dimensões distintas, uma afetiva e outra cognitiva.
3.2. A afetiva se relaciona aos gestos ou movimentos expressivos que têm a intenção de causar impacto sobre o outro. A cognitiva se refere à ação direta sobre o meio físico.
4. Razão x Emoção
4.1. Como elemento que possibilita o acesso ao universo simbólico do grupo social, incluindo aí a linguagem, a emoção torna-se o fundamento da razão.
4.2. "A razão nasce da emoção e vive de sua morte” (Antagonismo)
4.3. Quando a emoção prevalece, a razão se retrai.
5. Papel do Professor e da Escola
5.1. O professor enxerga o aluno em sua totalidade e completude. Para além do desenvolvimento intelectual, busca o desenvolvimento da pessoa.
5.2. A escola é considerada um importante recurso no desenvolvimento da criança, na medida em que a entrada na mesma representa um grande momento na sua vida, passando a ser o centro de suas relações, rotinas, aprendizagens, perpassando todo o seu cotidiano, de maneira a influir sobre a sua personalidade.
5.3. O papel da escola não se limita a instrução, mas envolve o desenvolvimento da personalidade como um todo, o que exige que se questione até que ponto as atividades propostas colaboram para esse desenvolvimento.
6. Biografia
6.1. Henri Paul Hyacinthe Wallon (1879-1962), nascido na França.
6.2. Graduou-se em Medicina, Filosofia e Psicologia. Em 1942 filia-se ao Partido Comunista Francês.
6.3. Na Segunda Guerra Mundial foi perseguidor pela Gestapo tendo de viver na clandestinidade.
6.4. Destacou-se por oferecer uma nova maneira de pensar o homem
6.5. Com foco na inteligência e no desenvolvimento infantil integral (dimensões afetivas, cognitivas e motoras)
7. Teoria e Interfaces
7.1. Utilizou o materialismo dialético
7.2. Conhecer o adulto por meio da criança - Perspectiva psicogenética
7.3. Quatro elementos básicos: Afetividade, movimento (dimensão motora), inteligência (dimensão cognitiva) e formação do eu como pessoa.
8. Construção do "eu" e do "outro"
8.1. A construção da pessoa acontece na medida em que a criança, opondo-se ao outro, distancia-se do meio onde está envolvida.
8.2. Wallon detalha e analisa o processo de constituição do corpo pela criança, em suas diferentes etapas, ponto de partida para a constituição do “eu” psíquico.
8.3. A construção do “eu” não tem limite temporal, acontece durante toda a vida.
9. Relação Professor - Aluno
9.1. Na relação de sala de aula com o educador, o aluno tem possibilidade de desenvolver-se como um todo, nos seus conjuntos cognitivos, motor e afetivo.
9.2. É fundamental que o professor entenda, sob esta perspectiva teórica, que o tempo em que o aluno permanece na atividade é secundário em relação ao modo como o trabalho pedagógico é organizado e aplicado. Deve evitar posturas autoritárias.