1. Depressões
1.1. cuba
1.1.1. Algumas depressões, embora raramente se apresentem isoladas e sem escoamento para as águas, têm forma de cume invertido
1.2. Vales
1.2.1. nome genérico de depressão que serve de leito para escoamento das águas, com a forma de sulcos alongados e sinuosos, de profundidade e largura variáveis.
1.3. Desfiladeiro
1.3.1. é uma passagem mais ou menos longa, entre duas elevações, cujas vertentes se prestam a uma organização do terreno capaz de barrar a progressão inimiga, por ser uma passagem natural de tropas, ou ainda suscetível de ter essa passagem impedida por uma posição defensiva localizada em um movimento do terreno que a enfie. As elevações que o formam são de difícil acesso.
1.4. Corredor
1.4.1. é caracterizado por uma passagem entre elevações de extensão apreciável, podendo as elevações que o forma serem ou não acessíveis à tropa. Se prestam excelentemente para defesa dada a canalização do movimento para o seu interior.
1.5. garganta
1.5.1. é uma passagem estreita e curta entre elevações
2. Planícies
2.1. Várzea
2.1.1. quando cultivadas ou a isso se prestarem;
2.2. Charneca
2.2.1. quando além disso falta água e vegetação;
2.3. Descampados
2.3.1. quando muito extensas
2.4. Brejo ou Charco
2.4.1. quando baixas, sujeitas às invasões das águas pluviais
2.5. Baixada
2.5.1. quando situada entre as cubas de grandes elevações e o mar
2.6. Pampas
2.6.1. são vastas planícies, quase sem relevo, monótonas, cobertas por leivas, revestidas de prados, baixas e desabrigadas dos ventos
3. Leis do Modelado
3.1. a) Regras dos talvegues e cursos d’água
3.1.1. lei da continuidade dos declives
3.1.1.1. De um ponto qualquer do terreno pode-se chegar ao mar sem nunca subir
3.1.2. Declividade de uma linha de talvegue
3.1.2.1. declividade de uma linha de talvegue ou de um curso d’água decresce de montante para jusante.
3.1.3. Desenvolvimento de uma curva de nível
3.1.3.1. Desenvolvendo-se num mesmo plano o perfil de um curso d’água e de seus afluentes, a curva perfil desse curso d’água envolverá todas as de seus afluentes, como consequência um rio corre mais em um certo nível que seus afluentes.
3.1.4. Declives em relação a um curso d’água sinuoso
3.1.4.1. declividade nas curvas exteriores de um rio é maior que nas interiores. De fato, em uma curva de rio a massa d’água agindo sob a influência da força centrífuga corrói a margem exterior, alargando o leito desse rio e, não raras vezes, rasgando-lhe novo leito. Na margem interior, a velocidade do rio sendo muito menor, ocasiona a sedimentação de aluviões e o consequente abrandamento do declive nessa margem. Assim, as curvas de nível que envolvem uma sinuosidade são habitualmente mais próximas umas das outras que as envolvidas pelo curso d’água. Logo a margem situada na parte exterior tem comandamento sobre a interna.
3.1.4.1.1. Vale largo e talvegue pouco acidentado
3.1.4.1.2. Vale estreito e talvegue muito pronunciado
3.1.5. Direção da corrente de um rio
3.1.5.1. O ângulo formado por dois talvegues na sua confluência será sempre menor que 90º. Essa regra permite indicar a direção da corrente de um rio.
3.1.6. afluente muda a calha principal na sua direção.
3.1.6.1. Uma confluência é assinalada geralmente por uma inflexão do curso d’água principal no sentido do afluente. Esta inflexão será tão mais pronunciada quanto mais importante for o afluente
3.2. b) Regra referente às vertentes
3.2.1. Lei da continuidade das vertentes
3.2.1.1. As curvas de nível de mesma cota se fazem seguir sobre as duas partes de uma mesma encosta (vertente), separadas, uma da outra por um vale lateral. É a lei da continuidade das vertentes.
3.3. c) Regras referentes às linhas de festo
3.3.1. Continuidade de uma linha de festo
3.3.1.1. Uma linha de festo se ligará sempre a uma outra e esta a outra e assim sucessivamente.
3.3.2. Linha do festo em relação a dois cursos d’água
3.3.2.1. Quando uma linha de festo separa dois cursos d’água ela se abaixa quando eles se aproximam (confluência) e se eleva quando se afastam. A distância máxima corresponde geralmente a um mamelão ou esporão e a mínima a um colo.
3.3.3. Cursos d’água em níveis diferentes
3.3.3.1. Se uma linha de festo separa dois cursos d’água que correm em altitudes diferentes, ela estará mais próxima do mais elevado.
3.3.4. Formação de colos
3.3.4.1. Se existirem duas nascentes opostas a uma mesma linha de festo, sobre a linha entre as nascentes ocorrerá um colo.
3.3.5. Talvegue de um mesmo lado de uma linha de festo
3.3.5.1. Sempre ocorrerá uma ramificação separando dois talvegues que nascem do mesmo lado de uma mesma linha de festo.
3.3.6. Mudança de direção de uma linha de festo
3.3.6.1. Quando uma linha de festo muda de direção, opostamente ao ângulo formado ocorrerá uma ramificação.
3.3.7. Colo resultante de cursos d’água paralelos
3.3.7.1. Quando dois cursos d’água descem paralelamente de uma encosta e tomam depois direções opostas, a linha que separa os cotovelos indica a depressão mais profunda entre as duas vertentes e, portanto, a existência de um colo.
3.3.8. Direção única entre a linha de crista e o curso d’água resultante
3.3.8.1. Quando dois cursos d’água se encontram, a linha de crista do saliente que os separa está sensivelmente na direção do prolongamento do curso d’água que resulta da junção dos dois
3.3.9. Ponto culminante na origem de diversos cursos d’água
3.3.9.1. Quando diversos cursos d’água partindo de um ponto central seguem direções diversas, há na origem um ponto culminante.
4. Fatores da Decisão (MITMT)
4.1. Missão
4.1.1. fator básico – é o que dirige, ilumina e direciona as ações e seu planejamento
4.2. Inimigo
4.2.1. a incógnita - por mais que se busque informações não se pode conhecer sua vontade portanto, não há como saber suas intenções e mesmo que se as suponha não seria confiável raciocinar em cima delas
4.3. Tempo Disponível
4.3.1. a moldura – está ligado à própria missão e, normalmente, será imposto; finalmente
4.4. Meios
4.4.1. os braços - tudo aquilo utilizado para cumprir as tarefas impostas, sendo também bastante variáveis
4.5. Terreno
4.5.1. que será sempre constante e influenciará todos os outros fatores de uma maneira ou de outra
5. Aspectos Táticos (OCOAV)
5.1. Observação e campos de tiro
5.1.1. A observação é essencial para a realização de fogo eficaz sobre o inimigo, para o controle da manobra das tropas amigas, bem como para negar surpresa ao inimigo. Estará na faixa da observação aproximada todo o terreno do ponto estação até a distância de 1800 a 2000m (alcance médio de uma metralhadora leve). A faixa do terreno de 2000 até 4000m está no âmbito da observação afastada (distância limite para condução de fogos pelo observador de artilharia). O campo de tiro é uma área em que uma arma ou um grupo de armas pode cobrir, eficazmente, com fogo desde uma determinada posição.
5.2. Cobertas e abrigos
5.2.1. Coberta é a proteção contra a observação e abrigo a proteção quanto aos efeitos dos fogos. No ataque, serão procurados itinerários cobertos e abrigados que conduzam às posições inimigas de forma a reduzir ao mínimo o número de baixas e obter surpresa. Na defesa, as cobertas e os abrigos serão utilizados não só em benefício dos abrigos individuais como na ocultação da fisionomia da frente com vistas a surpreender (novamente) a tropa atacante.
5.3. Obstáculos
5.3.1. Os Obt impeditivos são aqueles que por suas características impedem a tropa afetada de cumprir as tarefas impostas no tempo disponível; ou seja, a tropa poderá até transpor o obstáculo, porém, calculada a cinemática das ações, concluir-se que a mesma não chegará a tempo, no local devido. Os Obt que retardam, diminuem a velocidade de avanço em maior ou menor grau. O canalizador procura fazer com que a tropa que com ele se depara escoe na direção desejada pelo inimigo e não na direção que vinha mantendo. O que ocorre é que há uma tendência natural da tropa “escoar“ numa direção paralela ao Obt até conseguir ultrapassá-lo. Diz-se que um Obt dissocia a tropa quando esta fica dividida; ou seja, parcela considerável de seu efetivo em um bordo do obstáculo e o restante no outro bordo.
5.4. Acidentes capitais
5.4.1. Acidente capital (AcdtCap) é qualquer acidente no terreno cuja posse, conquista, manutenção ou controle, assegure uma vantagem marcante a qualquer um dos contendores. Contudo, se algo no terreno ofereça vantagem somente ao inimigo, mesmo assim será assinalado como acidente capital. Convém ressaltar que a todo AcdtCap marcado deverá corresponder uma ação da tropa que o marque, haja vista que se deve, ao menos, negar ao inimigo aquela vantagem.
5.5. Vias de acesso
5.5.1. Via de acesso (VA) é uma faixa no terreno, variável com o escalão considerado, que permite ou favorece o movimento de determinada tropa em direção a um AcdtCap. As VA serão selecionadas levando-se em consideração principalmente a natureza da tropa que irá empregá-la e o efetivo que mobiliará aquela faixa do terreno. As VA são assinaladas e analisadas, em relação às peças de manobra do escalão considerado.
6. Formas simples ou elementares
6.1. Encostas
6.1.1. São elementos que podem exercer acentuada influência quanto à observação, aos campos de tiro ou mesmo constituírem obstáculos à progressão.
6.1.1.1. planas
6.1.1.1.1. encosta plana ou uniforme é aquela que apresenta uma declividade constante. É representada na carta por curvas de nível igualmente espaçadas. As encostas suaves têm curvas de nível bem espaçadas entre si, as íngremes, ao contrário, são próximas
6.1.1.2. côncavas
6.1.1.2.1. A encosta convexa é abaulada. A declividade aumentará à medida que o terreno na elevação perde altura. As curvas de nível são bem espaçadas na crista e próximas no sopé
6.1.1.3. convexas
6.1.1.3.1. A encosta côncava tem sua curvatura voltada para cima. Ou seja a declividade diminui à medida que se aproxima da base. Neste caso, as curvas de nível são mais próximas na crista e mais afastadas no sopé
6.2. espigão
6.2.1. é a forma do terreno em que as vertentes são íngremes e uniformes. O ângulo por elas formado é agudo, levando a uma representação das curvas de nível cuneiforme, pontuda
6.3. garupa
6.3.1. é a forma do terreno em que as encostas são convexas. O ângulo entre elas é obtuso, dando origem a uma linha de crista abaulada, sendo as curvas de nível representadas com formato arredondado
6.4. esporão
6.4.1. é a forma do terreno caracterizada por uma linha de crista com uma inflexão, ou seja, apresentando uma elevação de menor porte mais próxima ao sopé
6.5. ravina
6.5.1. é um sulco ou mordedura na encosta da elevação, provocada pela ligação lateral de duas vertentes; normalmente servirá como linha de reunião de águas.
7. Formas Isoladas
7.1. Mamelão
7.1.1. Tipo de elevação em que as vertentes são arredondadas e uniformes. Pela sua forma, suas encostas permitem, normalmente, ampla observação em qualquer direção
7.2. Colina
7.2.1. Diferentemente do mamelão, a colina se alonga segundo uma direção definida. A colina tanto se presta à instalação de armas e órgãos de defesa, como pode valorizar uma via de acesso, se utilizada em função do sentido de sua maior dimensão, quando esta se confunde com a direção de ataque, embora, algumas vezes, possa ser elemento dissociador desse ataque.
7.3. parte superior
7.3.1. pico
7.3.2. zimbório
7.3.3. platô
7.4. Quanto ao porte, as formas isoladas
7.4.1. Montes
7.4.1.1. elevações consideráveis, geralmente abruptas, destacando-se do solo circunvizinho. Graficamente são representados por curvas de nível que se fecham e mantém uma curvatura mais ou menos uniforme;
7.4.2. Morro
7.4.2.1. o mais comum, de porte mais modesto, quase sempre com a parte superior arredondada, em forma de zimbório
7.4.3. Outeiro
7.4.3.1. são ainda de menor porte que as colinas, se assemelhando, entretanto, a elas. Sua principal característica, porém, é a de se apresentar isolado nas planícies e planaltos
7.4.4. Dobras
7.4.4.1. são elevações alongadas, cuja altura não atinge a cota da menor curva de nível da carta considerada, capaz de furtar tropa da observação terrestre inimiga.
8. Formas grupadas
8.1. Montanha
8.1.1. Termo genérico que exprime um aglomerado de elevações de forma e natureza diferentes, numa extensão mais ou menos considerável, em que o comprimento excede a largura. A curvas de nível que as representam, embora também fechadas, têm altura muito variável e ocupam no desenho mais espaço que as representativas dos montes.
8.2. Cordilheira
8.2.1. É uma série de montanhas que se sucedem numa grande extensão, sempre na mesma direção, dando origem a grandes linhas de cumeada e donde, em geral, se destacam, no sentido mais ou menos paralelo ao da direção principal, montanhas alongadas denominadas contrafortes, das quais, por sua vez, se destacam, em grande número, contrafortes secundários ou espigões.
8.3. Cadeia de montanhas
8.3.1. São montanhas contíguas, de forma mais ou menos alongada, que ocupam grande superfície.
8.4. Serra
8.4.1. Montanha de forma muito alongada, em cuja parte elevada aparecem pontos salientes, culminantes, em forma de dentes de serra, denominados vértices, cumes ou cimos, em forma de picos ou agulhas.
8.5. Maciço
8.5.1. É um agrupamento de elevações que se ramificam de diversas maneiras, em qualquer sentido, apresentando o aspecto de um círculo de elevações em torno de um ponto culminante central.
8.6. Planalto
8.6.1. Superfície mais ou menos extensa e regular, situada a grande altura em relação do nível do mar, em geral ondulada, com declividades suaves e algumas vezes acidentada, porém acessíveis. Quando o planalto é de grande extensão, é chamado de chapada.