1. 3 tipos de diagnóstico segundo o método utilizado
1.1. Clínico
1.1.1. Sinais de presunção
1.1.1.1. Naúsea, aumento da sensibilidade mmária, polaciúria, tubérculos de Montgomery, rede de Haller, sinal de Hunter e atraso menstrual < 14 dias
1.1.2. Sinais de probabilidade
1.1.2.1. Atraso menstrual > 14 dias, alteração da consistência uterina (Hegar e Goodell), alteração da forma uterina (Piskacek, Nobile-Budin), alteração da coloração genital (sinais de Jacquemier e Kluge), aumento do volume abdominal (útero palpável acima da sínfise púbica)
1.1.3. Sinais de certeza
1.1.3.1. Batimentos cardíacos fetais auscultáveis
1.2. Laboratorial
1.2.1. Deteção de hCG no sangue ou na urina
1.3. Ultrassonográfico
1.3.1. Visualização de saco gestacional, embrião e batimentos cardíacos
2. 4 tipos de diagnóstico segundo o tipo de condição ginecológica/obstétrica
2.1. Clínico-cirúrgico
2.1.1. Cesárea prévia, gravidez ectópica
2.2. Ginecológico
2.2.1. Infecções, câncer
2.3. Obstétrico de normalidade
2.3.1. Gestação de evolução normal, parto fisiológico
2.4. Obstétrico patológico
2.4.1. Aborto, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional
3. Classificação da gravidez
3.1. A termo: gestação entre 37 e 42 semanas (sendo a última semana incompleta)
3.2. Pré-termo: gestação com 37 semanas incompletas
3.3. Pós-termo: gestação a partir de 42 semanas completas
4. Alterações hormonais
4.1. Hormônios originados pelo corpo lúteo
4.1.1. Estão ativos principalmente no primeiro trimestre e em altas concentrações até que a placenta assuma a produção, o que ocorre entre a 10ª e a 12ª semana
4.1.1.1. Progesterona: relaxamento uterino, inibição das contrações, estímulo ao desenvolvimento glandular das mamas e espessamento do endométrio
4.1.1.2. Estrogênio: proliferação endometrial, aumento da vascularização uterina e estímulo ao crescimento uterino
4.2. Hormônios produzidos pela placenta
4.2.1. Ativos durante quase toda a gestação
4.2.1.1. hCG: mantém o corpo lúteo até a placenta assumir; é um marcador de gravidez. Tem pico entre a 8ª e a 10ª semana e depois sua concentração é reduzida
4.2.1.2. hPL: antagonista da insulina para estimular o crescimento fetal e a lactogênese
4.2.1.3. Progesterona: após a 12ª semana, a progesterona é produzida pela placenta a partir do colesterol materno para fazer manutenção do endométrio e inibição das contrações
4.2.1.4. Estrogênio: após a 12ª semana, é produzido a partir de precursores adrenais fetais para permitir o crescimento uterino, o aumento do fluxo sanguíneo uteroplacentário e a maturação mamária
4.3. Hormônios produzidos pela hipófise anterior
4.3.1. Prolactina: apesar de ser inibida pela progesterona e pelo estrogênio, sua concentração aumenta durante a gravidez para desenvolver a glândula mamária para a lactação
4.3.2. GH hipofisário: é substituído pelo GH placentário na metade da gestação e estimula o crescimento e a adaptação metabólica
4.4. Hormônios produzidos pela hipófise posterior
4.4.1. Ocitocina: maior produção ao fim da gestação; estimula contrações uterinas e a ejeção do leite
5. Alterações imunológicas na gestante
5.1. Imunidade inata mais ativada
5.1.1. Aumento de células NK uterinas: remodelam as artérias uterinas para permitir a implantação
5.1.2. Aumento de neutrófilos e monócitos: maior resposta inflamatória local
5.1.3. Macrófagos da decídua participam da tolerância imunológica e fagocitose de restos celulares fetais
5.2. Imunidade adaptativa regulada e reduzida
5.2.1. Diminuição da resposta Th1 para reduzir o risco de rejeição fetal
5.2.2. Predomínio da resposta Th2 para aumentar a tolerância ao feto
5.2.3. Aumento de células T reguladoras
5.2.4. Redução da atividade de células TCD8 para evitar o ataque ao antígeno paterno
5.3. Imunotolerância uterina
5.3.1. A barreira placentária e a baixa expressão de HLA pelos trofoblastos reduzem a apresentação de antígenos ao sistema imune meterno
5.4. Manutenção da produção de IgM e IgG, sendo que apenas a IgG é capaz de atravessar a barreira placentária
6. Nomenclatura Obstétrica
6.1. Classificação da gestação quanto à idade gestacional: pré-termo, termo e pós-termo
6.2. Situação obstétrica atual: gesta, para, aborto, nuligesta, primigesta, multigesta, nulípara, primípara, multípara, grandemultípara
6.3. Apresentação fetal: cefálica, pélvica e córmica
6.4. Posição fetal: situação longitudinal, transversa e oblíqua
6.5. Termos relacionados a parto e bolsa: trabalho de parto, pródromos de parto, parto, rotura espontânea da bolsa, amniotomia
6.6. Outros termos úteis: idade gestacional, DUM, DPP, gravide ectópica,
7. Alterações gravídicas no início da gestação
7.1. Cardiovasculares
7.1.1. Aumento: DC, FC, volume plasmático
7.1.2. Redução: resistência vascular, PA
7.1.3. Por conta dessas alterações, a gestante pode ter sopro sistólico funcional
7.2. Respiratórias
7.2.1. Aumento: ventilação/minuto, consumo de O2
7.2.2. Redução: PaCO2, capacidade residual funcional (diafragma mais elevado)
7.2.3. Por conta dessas alterações, a gestante pode ter sensação de dispneia fisiológica
7.3. Trato urinário
7.3.1. Aumento: TGF, filtração de glicose e proteínas, eritropoietina
7.3.2. Por conta dessas alterações, a gestante tem risco aumentado de pielonefrite e infecção urinária
7.4. Trato gastrointestinal
7.4.1. Aumento: constipação, náusea
7.4.2. Redução: motilidade esofágica e intestinal, tônus do EEI
7.5. Sistema músculo-esquelético
7.5.1. Laxidade ligamentar
7.5.2. Hiperlordose e dor lombar
7.5.3. Cãimbras
7.6. Sistema Nervoso Central
7.6.1. Aumento: sensibilidade emocional, distúrbios do sono, lapsos de memória, depressão, ansiedade
7.7. Sistema Tegumentar
7.7.1. Hiperpigmentação
7.7.2. Estrias gravídicas
7.7.3. Telangiectasias e eritema palmar
7.7.4. Aumento do crescimento de cabelos e unhas
8. Suplementação vitamínica
8.1. Ácido Fólico
8.1.1. Reduz o risco de defeito no fechamento do tubo neural
8.1.2. Idealmente, a suplementação deve começar 30 dias antes da concepção
8.1.3. A dose recomendada é de 0,4mg/dia até o final do 1º trimestre
8.1.4. Para pacientes de alto risco, a dose recomendada é de 4mg/dia até o final do 1º trimestre
8.2. Ferro elementar
8.2.1. Reduz o risco de parto prematuro, infecções, fadiga e hemorragia pós-parto, além do fato de que a gravidez aumenta a demanda de ferro
8.2.2. Indicada a partir da 20ª semana
8.2.3. A dose recomendada é de 30-40mg/dia at´r 3 meses pós-parto
8.2.4. Para gestantes com anemia ferropriva, a dosse recomendada é de 40-120mg/dia até 3 meses pós-parto
9. Adaptações endócrinas gerais na gestante
9.1. Tireoide
9.1.1. Estrogênio causa aumento de TBG por incentivar a produção hepática, o que gera aumento de T4 total, mas T4 livre normal. Com isso, o feedback é de produção de T4 pela tireoide, reduzindo TSH. Além disso, o hCG tem estrutura semelhante ao TSH e por isso pode estimular seus receptores diretamente e, por retroalimentação negativa, a produção de TSH se reduz
9.2. Pâncreas
9.2.1. hPL, GH e cortisol causam resistência periférica à insulina
9.3. Glândulas adrenais
9.3.1. Aumento de cortisol e aldosterona levam à retenção de sódio e água e, assim, causam expansão do volume plasmática