Módulo III- Introdução ao conceito de Deus

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Módulo III- Introdução ao conceito de Deus by Mind Map: Módulo III- Introdução ao conceito de Deus

1. Existência de Deus:

1.1. Conceitos teológicos: O sentido literal da palavra teologia, quer dizer “ciência que estuda Deus”. Como não é possível estudar diretamente um objeto que não vemos e não tocamos, estuda-se Deus a partir da sua revelação, no cristianismo, a partir da Bíblia, no islamismo, o Corão, no judaísmo, a Torá, e assim por diante.

1.1.1. Conceito de Deísmo: considera a razão como a única via capaz de nos assegurar a existência de Deus. É uma postura filosófica-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas rejeita a idéia de revelação divina, ou seja, uma definição específica ligada a uma religião.

1.1.2. Conceito de Teísmo: O teísmo sustenta a existência de um deus, ser absoluto transcendental, pessoal, vivo, que atua no mundo através de sua providência e o mantém. No teísmo a existência de um deus pode ser provada pela razão, não sendo necessária uma revelação; mas não a nega.

1.1.3. Conceito de Ateísmo: O ateísmo engloba tanto a negação da existência de divindades quanto a simples ausência da crença em sua existência.

1.1.4. Conceito de Agnosticismo: Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racional e cientificamente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O agnóstico pode ser teísta ou ateísta, dependendo da posição pessoal de acreditar (sem certeza) na existência ou não de divindades.

1.2. Os tipos de existências de Deus:

1.2.1. Politeísmo: A necessidade de o homem explicar eventos inexplicáveis até então exigia a existência de alguma causa. A causa era um deus, ou seja, cada fenômeno inexplicável tinha sua causa em algum ser com características humanas, mas que com superpoderes era capaz de provocá-las, ou seja, era responsável pelo seu surgimento.

1.2.1.1. São religiões e povos politeístas: seguimentos do Hinduísmo, do Jainismo, os antigos Gregos, Romanos e Egípcios; os druidas, os Escandinavos, os Incas, Máias e Astecas. Atualmente religiões como o Candomblé, o Xamanismo, Wicca e o Xintoísmo são ainda politeístas. O próprio Cristianismo até o séc. III era de certa maneira, teologicamente falando, uma religião politeísta com a visão da Santíssima Trindade. Essa visão chamada de "modalista" em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo eram manifestações distintas de um mesmo Deus foi considerada heresia a partir daquele momento.

1.2.1.2. O reconhecimento da existência de múltiplos deuses e deusas, no entanto, não equivale necessariamente à adoração de todas as divindades de um ou mais panteões (templos de adorações de todos os deuses), pois o crente tanto podia adorá-los no seu conjunto, como concentrar-se num grupo específico ou apenas um entre muitos (a isso se chama henoteísmo).

1.2.2. Monoteísmo: é a crença em um só Deus que tem todo o poder e, por isso, tudo pode, é perfeito, está em todos os lugares e tem todo o conhecimento do universo. Devido a essas qualidades que esse Deus único com "D" possui, questionamentos foram feitos e para respondê-los novos conceitos nasceram. 2 dos mais importantes foram a teoria do "acomodamento" e do "bem-maior" que estariam muito relacionados entre si.

1.2.2.1. Incialmente se faz necessário termos uma visão um pouquinho mais ampla da obra do que chamamos Deus. Antes o mundo era "até onde as nossas vistas podiam alcançar". Depois passamos a compreender melhor os limites do planeta Terra, com as grandes navegações, os avanços da tecnologia de transporte e de comunicações, mas, mesmo assim, ainda hoje não exploramos totalmente as profundezas dos mares e as regiões polares do planeta em que habitamos.

1.2.2.1.1. Agora estamos explorando o nosso universo e percebemos que estamos dentro de um sistema com uma estrela, o sol. Na nossa galáxia há mais de 100 bilhões de estrelas, para percorrermos toda a extensão dela, aquilo que chamamos Via Láctea, seriam necessários 100 mil anos-luz, ou seja, viajar 100 mil anos a uma velocidade aproximada de 300 mil km por segundo!

1.2.2.1.2. Pelas últimas descobertas já percebemos que a nossa galáxia é apenas uma dentre 200 bilhões de outras galáxias e que, possivelmente, o nosso universo não está sozinho, ou seja, ele seria apenas um dentre outros existentes.

1.2.2.1.3. Se as religiões atribuem como causa de tudo isso Deus, Ele deveria possuir todas as características de perfeição elevadas ao infinito. Mas por que encontramos certas imperfeições nos Deuses definidos por algumas religiões?

1.2.2.2. Teoria do acomodamento: Se Deus tem todas essas qualidades que muitas religiões apontam que Deus tem, então ele saberia de tudo (onisciente) e também o que irá acontecer no futuro. Mas por que, por exemplo, Ele exigiu que Abraão tivesse que provar sua fé Nele, e para isso, deveria matar o seu primogênito Isaque. Será que Ele já não sabia que Abraão era capaz desse sacrifício? Por que, segundo a Bíblia, mesmo assim Ele fez com que seu amado filho subisse ao monte Moriá para praticar tal ato e, somente no último segundo, foi impedido por um anjo do Senhor?

1.2.2.2.1. Pela teoria do acomodamento Deus age dessa forma não por uma necessidade Dele, mas para ensinar algo a seus filhos. Se Ele, por já saber que Abraão iria até as últimas consequências para provar a sua fé, não o submetesse a essa experiência, o próprio Abraão não saberia que ele mesmo era capaz de fazer aquilo por Deus e, assim, estaria impedindo o desenvolvimento dele obtido por aquela experiência.

1.2.2.2.2. Outro exemplo: Por que Jesus teve de morrer e sofrer aos olhos de todos? Não porque Deus não poderia fazer algo por Jesus para livrá-lo! E se Jesus é o próprio Deus, como é entendido em algumas abordagens, então por que ele sofreu? Será que ele estava somente fingindo o sofrimento? Não! Segundo a teoria do acomodamento, Deus se rebaixa e passa por certas situações a fim de nos ensinar por amor, o faz se acomodando as nossas limitações para nos fazer progredir!

1.2.2.2.3. Assim, Deus se manifesta no velho testamento como um tirano, com características humanas que hoje entendemos serem traços de imperfeições. Por quê? Segundo o conceito da acomodação, naquela época essas características eram essenciais para a nossa evolução e entendimento. O estágio evolutivo que nos encontrávamos exigia que Deus se acomodasse naquela forma na consciência dos homens para produzir efeitos que permitissem que Ele fosse compreendido.

1.2.2.3. Teoria do bem-maior:

1.2.2.3.1. A manifestação maior do amor de Deus foi a de nos dar o livre-arbítrio. Com o livre-arbítrio vem a consequente possibilidade de os homens fazerem o mal a si mesmos, aos outros e a tudo que estiver sob sua influência e alcance. Mas se Deus é infinitamente bom, por que Ele permitiria o mal?

1.2.2.3.2. Segundo essa teoria o mal existiria pela ausência da percepção do amor e consequentemente pela ilusão do afastamento do homem de Deus, já que Deus é amor e onipresente. Além disso, o bem e o mal são relativos, variam segundo o nível de evolução da humanidade. Portanto, variam conforme a época dentro da história e a cultura de cada sociedade.

1.2.2.3.3. Mas se Deus é infinitamente sábio não permitiria que nada existisse sem que houvesse uma utilidade. Para que serve o mal? Segundo essa teoria o mal serve também a um bem-maior! Qual seria? Justamente mostrar o que é o bem, pois o bem só pode ser notado porque existe o mal, e, portanto, mostra para onde o homem deve direcionar os seus esforços.

1.2.2.3.4. Mas se Deus é infinitamente perfeito, ele também é infinitamente justo. Se a justiça de Deus de forma ampla leva a humanidade para o crescimento ao longo do tempo em face do bem-maior, o que dizer dessa justiça no sentido específico, em relação a casos particulares, por exemplo, em relação a casos de crianças que foram abusadas e mortas, ou de pessoas que nascem com problemas? Por mais que a gente saiba que as guerras foram necessárias para o avanço da humanidade como um todo, como justificar a justiça divina no drama individual de cada família que perdeu alguém? Como isso fica? Onde está a justiça? Onde está a perfeição se há uma injustiça nos casos específicos?

2. Objetivo: Apresentar os conceitos introdutórios a respeito de Deus.

3. Não existência de Deus

3.1. Visão Materialista:

3.1.1. Ateus

3.1.1.1. Convictos: aqueles que entendem que tudo surge como uma propriedade da matéria, por isso são chamados de materialistas. Assim, como o hidrogênio tem suas propriedades e oxigênio as suas e quando se juntam formam um elemento totalmente distinto deles a água, a fonte do nosso pensamento, por exemplo não viria do Espírito, mas de uma propriedade que o cérebro tem de possibilitar a consciência. Stephan Hawking, por exemplo, acreditava que a matéria poderia surgir "do nada".

3.1.1.1.1. Deus, para eles, seria uma necessidade humana de satisfazer respostas a questões ainda não totalmente respondidas devido a nossa incapacidade de compreensão e nível de desenvolvimento.

3.1.1.1.2. Deus também seria visto como um instrumento útil de controle e desenvolvimento social, e de uma forma de exercício de poder e submissão de classes.

3.1.1.1.3. Além disso, é defendido por boa parte da comunidade acadêmica, que a existência de Deus não é tema do método científico. Resumidamente, eles engrossam a teoria de Karl Popper que defende que o papel do cientista é buscar falhas na sua teoria – e, quanto mais genérica ela for, como no caso da “existência de Deus”, menos passível de ser tratada cientificamente.

3.1.1.1.4. Para grande parte da academia científica, portanto, o tema Deus seria apenas assunto da metafísica, parte da filosofia que não trata dos fenômenos físicos.

3.1.1.2. Não-convictos: Não acreditam por não sentirem falta ou por terem algo melhor para acreditar. Não estudaram, não se interessaram pelo assunto ou têm uma visão superficial que levam a esse tipo de crença. Assim, da mesmo forma que existem religiosos de várias crenças que dizem que acreditam em Deus, mas vivem como se não acreditassem, há ateus que o são por pura praticidade e conveniência de terem nascido dentro de grupos que lhes dão essa direção.