1. Objetivos
1.1. Analisar a influência da gravidade da doença hepática na qualidade de vida dos pacientes antes e depois do transplante de fígado.
2. Introdução
2.1. Insuficiência Hepática Terminal
2.1.1. Características da doença
2.1.1.1. Condição patológica que gera importantes impactos na vida do indivíduo ao nível biológico, psicológico e social.
2.1.1.2. Patologia com necessidade de transplante para reversão do quadro terminal.
2.1.2. Transplante e sua influência na qualidade de vida do paciente
2.1.2.1. O transplante hepático é um procedimento de alto risco, e a gravidade da doença tem impacto na qualidade de vida do paciente após o transplante.
2.1.2.2. Critérios para o Transplante: Score Meld e Classificação CTP.
2.1.2.3. Métodos para avaliação da qualidade de vida do paciente após o transplante: Medical Outcomes Study Short-Form 36 (SF-36), World Health Organization Quality of life Instrument (WHOQOL), sua versão abreviada WHOQOL-bref, Hepatitis Quality of Life Questionnaire (HQOLQ), Chronic Liver Disease Questionnaire (CLDQ) e o Liver Disease Quality of Life (LDQOL).
3. Métodos
3.1. Características: estudo descritivo com abordagem qualitativa.
3.2. Local: realizado no Centro de Transplante de Fígado do Ceará/ Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).
3.3. Amostra: 150 pacientes
3.3.1. Metodologia de cálculo da amostra: cálculo para a amostra finita, com o coeficiente de confiança de 95% e um erro amostral de 4%. Amostra inicial de 439 pacientes.
3.3.2. Critério de inclusão: pacientes submetidos ao transplante hepático há no mínimo seis meses, com idade a partir de dezoito anos e em acompanhamento regular no serviço de transplante.
3.3.3. Critério de exclusão: receptores transferidos para outros estados, pacientes submetidos aos transplantes de fígado por hepatite fulminante ou duplo fígado-rim, pacientes com deficiência auditiva e incapacidade mental.
3.3.4. Questionários aplicados: aplicação de um instrumento produzido pelos pesquisadores, contendo aspectos demográficos (sexo, idade, raça) e clínicos (etiologia da doença, CTP e MELD) e o questionário LDQOL.
3.4. Coleta dos dados: realizada de julho de 2012 a janeiro de 2013.
3.5. Análise estatística: utilizado o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). A comparação das médias antes e depois do transplante foi realizada pelo teste t de Student ou Mann-Whitney, quando duas médias, e pela ANOVA ou Kruskal-Wallis, quando avaliadas três ou mais médias. Foi adotado o nível de significância de 0,05.
4. Resultados
4.1. Dados demográficos
4.1.1. Predomínimo pacientes do sexo masculino (H = 120; 80% e M = 30; 20%).
4.1.2. Faixa etária concentrada entre 40 a 59 anos (n=71; 47,3%), seguida de 60 a 76 (n=51; 34%) e, por último, 18 a 39 (n=28; 18,7%), com média de 52,4 anos.
4.1.3. Maior proporção de pacientes de raça de cor parda (n=90; 60%) e branca (n=45; 30%); havendo ainda negra (n=14; 9,3%) e indígena (n=1; 0,7%).
4.2. Etiologia da doença
4.2.1. O uso de álcool teve a maior prevalência no grupo pesquisado, abrangendo um total de 58 (38,7%) pacientes, seguido por hepatite C (n=42; 28%) e cirrose criptogênica (n=22; 14,7%), além de outras doenças como hepatite B, doença de Wilson e carcinoma hepatocelular (CHC).
4.3. Resultados para Escala CTP e Score MELD e comprometimento da Qualidade de Vida
4.3.1. Na escala CTP antes da cirurgia, 56 (37,3%) dos pacientes foram classificados em CTP nível C, 76 (50,7%) em B e, somente, 9 (6%) em A, havendo 9 (6%) sem registro.
4.3.2. A maioria (n=116) dos pacientes apresentou MELD igual ou maior que 15, correspondendo a 77,3% da amostra, 15 (10%) tinham MELD menor do que 15 e 19 (12,7%) pacientes não tinham registro.
4.3.3. Maior comprometimento (p< 0,05) para sintomas da doença hepática, efeitos da doença, concentração, memória, qualidade da interação social, sono e estigma da doença, indicando diferença significativa com base na comparação multivariada entre os grupos Child C e A para os domínios: sintomas (56,9 vs 80,7; p = 0,004), efeitos da doença (51,7 vs 73,7; p = 0,017), concentração (47,6 vs 77,7; p = 0,014), memória (49,3 vs 78,1; p = 0,021), interação social (62,9 vs 80,5; p = 0,023), sono (46,6 vs 67,4; p = 0,034) e estigma (49,2 vs 77,4; p = 0,043).
4.4. A análise da comparação dos domínios de qualidade de vida do escore LDQOL, antes e depois do transplante, segundo critério MELD menor ou igual a 15.
4.4.1. Indicou aumento expressivo das médias em 10 dos 12 domínios, havendo maior significância estatística (p<0,0001) nos aspectos: sintomas (68,0 vs 93,0), efeitos da doença (49,2 vs 87,2), preocupação (53,3 vs 85,3) e estigma da doença (51,1 vs 95,5), enquanto os pacientes com MELD superior a 15 apresentaram resultados significantes em todos os domínios.
4.5. Não foram encontradas diferenças significativas na avaliação da influência da gravidade da doença hepática a partir do escore MELD na qualidade de vida após o transplante, havendo homogeneidade entre os resultados.
5. Discussão
5.1. Causa de indicação ao transplante: apresentou predomínio da doença hepática de etiologia Alcoólica (38,7%) e Hepatite C (28%).
5.1.1. Resultados semelhantes aos encontrados nos estudos internacionais como a Organ Procurement and Transplantation Network (2011) e da Universidade de Pittsburg (2010).
5.2. Avaliação do escore MELD: a maioria dos pacientes apresentou valor igual ou superior a 15 (77,3%) à época da doença. Esse resultado se mostrou maior do que o encontrado em estudo brasileiro (MUCCI et al., 2010) e um estudo londrino (SUZUKI et al., 2012).
5.2.1. Os dados encontrados na pesquisa estavam alinhados com os já encontrados na literatura sobre a capacidade do escore MELD de predizer mortalidade do paciente.
5.2.2. Os dados também mostram uma relação entre os valores de MELD e seu impacto na qualidade de vida do paciente após o transplante, todavia ainda não há estudos suficientes que sustentem isso, uma vez que o MELD não leva em conta aspectos outros que impactam diretamente na percepção da qualidade de vida do paciente, como ascite e encefalopatia.