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Patrística por Mind Map: Patrística

1. A patrística pode ser compreendida como um período histórico-filosófico que se estendeu do final do século I ao VIII d.C. e se caracterizou por uma ampla reflexão teológica, filosófica e ética, realizada por líderes da Igreja Católica, que buscaram conciliar a revelação cristã com os elementos filosóficos provenientes da tradição greco-romana, especialmente do platonismo e do aristotelismo. Nesse contexto, a patrística se destacou por sua preocupação em compreender a natureza de Deus, a relação entre Deus e os seres humanos, a natureza da alma humana e sua relação com o divino, bem como pela formulação de uma ética cristã, que buscava orientar a conduta dos fiéis. Além disso, a patrística também desenvolveu uma eclesiologia que enfatizava a importância da Igreja como instituição divina e como mediadora entre Deus e os seres humanos.

2. AGOSTINHO DE HIPONA

2.1. Agostinho de Hipona foi um dos principais pensadores patrísticos. Ele foi influenciado pelo neoplatonismo e desenvolveu uma teologia que busca conciliar a razão e a fé. Agostinho defendeu que a verdade é revelada por Deus, mas também pode ser alcançada pela razão humana. Ele também desenvolveu a teoria do livre-arbítrio, na qual afirma que os seres humanos são livres para escolher entre o bem e o mal, mas que essa liberdade só pode ser exercida com a ajuda da graça divina.

2.2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS

2.2.1. Fé e Razão

2.2.1.1. Na filosofia patrística, a relação entre fé e razão assume um papel fundamental. Acreditava-se que a razão era um instrumento divino que permitia ao ser humano compreender a verdade revelada por Deus, mas que também era limitada, e que a fé era necessária para transcender esses limites e alcançar a verdadeira sabedoria. Assim, a fé e a razão eram vistas como complementares, e não excludentes. A patrística também buscava conciliar a filosofia greco-romana com a doutrina cristã, enfatizando a importância da razão para a compreensão das verdades reveladas por Deus. Dessa forma, a filosofia era vista como um meio para aprofundar a fé, ao mesmo tempo em que a fé fornecia uma orientação para a razão. No entanto, a patrística também reconhecia os limites da razão e enfatizava a importância da humildade e da submissão à autoridade da Igreja e dos escritos sagrados. A fé, portanto, era vista como uma fonte de conhecimento superior à razão, mas não em oposição a ela.

2.2.2. Trindade

2.2.2.1. A patrística desenvolveu uma teologia trinitária, que explicava a doutrina da Trindade (ou seja, a crença em um único Deus em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo). Essa teologia buscou mostrar como os três aspectos da divindade eram distintos e, ao mesmo tempo, inseparáveis.

2.2.3. Ressureição e Encarnação

2.2.3.1. No âmbito da filosofia patrística, a ressurreição e a encarnação assumem um lugar de destaque no que concerne à compreensão da relação entre o divino e o humano. A encarnação, em particular, refere-se à concepção de que Deus se fez homem em Jesus Cristo, abraçando, assim, uma natureza humana plena. Esse evento tornou possível a reconciliação entre Deus e a humanidade, bem como a redenção da natureza humana. Por sua vez, a ressurreição implica na crença na vitória de Cristo sobre a morte, culminando na promessa de vida eterna para aqueles que nele crêem. Ambos os conceitos desempenham um papel crucial na compreensão do papel de Cristo na salvação da humanidade e na restauração da comunhão com Deus, concepções que encontram suas bases nas filosofias platônica e aristotélica, as quais concebem a existência de uma realidade transcendental e eterna que se manifesta no mundo material.

2.2.4. Graça

2.2.4.1. A Graça é o conceito que afirma que a salvação é um presente de Deus que é concedido aos seres humanos através da fé e do arrependimento. Esse conceito foi desenvolvido por Agostinho de Hipona, e consolidado pelo Concílio de Orange em 529 d.C. As principais obras dessa época são "Confissões" e "A Cidade de Deus", de Agostinho de Hipona.

2.2.5. Pecado Original

2.2.5.1. Na patrística, o pecado original é entendido como a transmissão da culpa e da corrupção do pecado de Adão e Eva para toda a humanidade, afetando a natureza humana e a capacidade de escolha livre. Isso resultou em uma necessidade de redenção divina por meio da encarnação de Cristo, que veio para salvar a humanidade do pecado e da morte. Essa visão é fundamentada na noção filosófica da queda do homem, que representa a perda da comunhão original com Deus e a corrupção da natureza humana.

2.2.6. Livre Arbítrio

2.2.6.1. O livre-arbítrio é o conceito que afirma que os seres humanos são livres para escolher entre o bem e o mal. Esse conceito foi desenvolvido por Santo Agostinho, que afirmou que essa liberdade só pode ser exercida com a ajuda da graça divina

2.2.7. Juízo Final

2.2.7.1. O Juízo Final consiste no momento derradeiro da história humana, no qual Deus aplicará um julgamento final e concederá a cada indivíduo a recompensa ou o castigo eterno em função de suas ações. Em linhas gerais, a perspectiva patrística do Juízo Final revela uma preocupação com a justiça divina e a necessidade de que os seres humanos estejam aptos a enfrentar esse momento decisivo. Ademais, a visão do Juízo Final reforça a importância da responsabilidade moral dos indivíduos e da adesão aos princípios cristãos.

3. VERTENTE DO PENSAMENTO PATRÍSTICO

3.1. Teologia

3.1.1. A teologia é o estudo de Deus e das verdades religiosas. Na Patrística, a teologia foi muito importante, pois os pensadores cristãos buscavam fundamentar a fé com argumentos racionais. Eles desenvolveram conceitos como a Trindade, que afirma que há um só Deus em três pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo), e a Encarnação, que afirma que Jesus Cristo é a encarnação do Filho de Deus.

3.2. Neoplatonismo

3.2.1. O Neoplatonismo é uma corrente filosófica que surgiu no século III e que teve uma grande influência sobre a Patrística. Os neoplatônicos afirmavam que a realidade é uma hierarquia de seres, na qual o Uno é o princípio último e transcendente.

3.3. Maniqueísmo

3.3.1. O Maniqueísmo propunha uma concepção dualista da realidade, segundo a qual o mundo era regido por duas forças antagônicas e inconciliáveis: o princípio do bem, personificado na luz, e o princípio do mal, personificado nas trevas. Tais princípios estavam em constante conflito, travando uma batalha perpétua pela dominação do universo. Nesse contexto, a missão do ser humano consistia em contribuir para a vitória do bem sobre o mal, em um processo contínuo de purificação e elevação espiritual.

3.3.1.1. O dualismo é um conceito filosófico que se refere à divisão entre duas realidades opostas e independentes, como o bem e o mal, o corpo e a alma, ou o espírito e a matéria. Na Patrística, o dualismo teve uma presença significativa, especialmente na obra de Tertuliano e Orígenes.

3.3.1.1.1. Por sua vez, Orígenes, outro importante pensador patrístico, desenvolveu uma teoria dualista que distingue entre o corpo e a alma. Segundo Orígenes, a alma é imaterial e divina, enquanto o corpo é material e terreno. Ele afirmava que a alma é imortal e que pode se purificar através do conhecimento de Deus.

3.3.1.1.2. Tertuliano, um dos primeiros pensadores cristãos, desenvolveu uma visão dualista do mundo, na qual o bem e o mal são realidades opostas e independentes. Segundo Tertuliano, os seres humanos são divididos em duas naturezas, a carnal e a espiritual, e devem escolher entre seguir a carne ou o espírito.