1. Pressupostos do estatuto da Psicologia Escolar e Educacional
1.1. educação
1.1.1. prática social humanizadora, transmitindo a cultura historicamente construída pela humanidade.
1.1.2. Processo pelo qual o ser humano se torna humano através do pertencimento ao mundo histórico-social e da incorporação desse mundo em si mesmo, com a educação desempenhando um papel crucial.
1.2. escola
1.2.1. instituição originada das necessidades de sociedades complexas, destinada inicialmente a uma parcela privilegiada da população para desempenhar funções específicas alinhadas aos interesses dominantes.
1.2.2. Hoje A escola é vista como uma instituição fundamental para a democratização e o estabelecimento da plena cidadania para todos. Sob essa perspectiva, a escola tem como finalidade promover a universalização do acesso aos bens culturais produzidos pela humanidade, criando condições para a aprendizagem e o desenvolvimento de todos os membros da sociedade.
1.3. pedagogia
1.3.1. A pedagogia é definida como a fundamentação, sistematização e organização da prática educativa.
1.3.2. Ela atravessa a história, sustentando-se em diferentes concepções filosóficas e bases teóricas variadas.
1.3.3. Com o desenvolvimento das ciências a partir da modernidade, o conhecimento científico tornou-se a principal base de sustentação da pedagogia.
1.3.4. A pedagogia é essencial para orientar e estruturar a ação educativa, sendo influenciada por diferentes abordagens teóricas e filosóficas ao longo do tempo.
1.4. Psicologia
1.4.1. A Psicologia é definida como um dos fundamentos da educação e da prática pedagógica.
1.4.2. Contribui para a compreensão dos fatores presentes no processo educativo por meio de mediações teóricas "fortes".
1.4.3. Deve estabelecer uma relação indissolúvel entre teoria e prática pedagógica cotidiana.
1.4.4. Propicia a compreensão do educando a partir da perspectiva de classe e em suas condições concretas de vida.
1.4.5. Reconhece o educador/professor como sujeito do processo educativo.
1.4.6. Enfatiza a necessidade de mudanças nas políticas de formação inicial e continuada do educador.
1.5. Psicologia Educacional
1.5.1. A Psicologia Educacional é uma sub-área da psicologia dedicada à produção de saberes sobre o fenômeno psicológico no processo educativo.
1.5.2. Considerada como um dos fundamentos científicos da educação e da prática pedagógica.
1.5.3. Contribui para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e sua relação com o desenvolvimento humano.
1.5.4. Busca fornecer categorias teóricas e conceitos para compreender os processos psicológicos que constituem o sujeito do processo educativo.
1.5.5. Essencial para a efetivação da ação pedagógica e para a formação dos educadores.
1.5.6. foco de interesse tanto de pedagogos como de psicólogos
1.6. Psicologia Escolar
1.6.1. A Psicologia Escolar é definida como um campo de ação profissional específico, relacionado ao processo de escolarização e às relações estabelecidas na escola.
1.6.2. Fundamenta sua atuação nos conhecimentos produzidos pela Psicologia Educacional, por outras sub-áreas da psicologia e por outras áreas de conhecimento.
1.6.3. Diferencia-se da Psicologia Educacional, que se dedica à produção de saberes sobre o fenômeno psicológico no processo educativo.
1.6.4. Atua no espaço escolar, focando nas relações que se estabelecem na escola e no processo de escolarização.
1.6.5. Historicamente, houve uma tendência para uma atuação mais clínico-terapêutica da Psicologia Escolar, afastando-se do foco na educação e nas classes populares.
1.6.6. como atributo específico do profissional da psicologia que atua no espaço escolar
2. Compromissos e Perspectivas para a Psicologia Escolar e Educacional
2.1. Compromissos
2.1.1. Compromisso com a construção de uma educação democrática e inclusiva.
2.1.2. Educação democrática
2.1.2.1. A educação democrática é rigorosa e acessível a todos, sem transigir na defesa da igualdade.
2.1.2.2. Promove a universalização do acesso aos bens culturais produzidos pela humanidade.
2.1.2.3. Cria condições para a aprendizagem e desenvolvimento de todos os membros da sociedade.
2.1.2.4. Democratização dos saberes, garantindo acesso a conhecimentos críticos e participativos.
2.1.2.5. Valoriza a diversidade de saberes e culturas, promovendo inclusão e equidade no processo educativo.
2.1.3. Educação inclusiva
2.1.3.1. Transformar a escola para oferecer condições eficazes de aprendizado.
2.1.3.2. Refletir a importância de políticas públicas educacionais comprometidas com os interesses das classes populares.
2.1.3.3. Garantir a presença e continuidade de todos os educandos na escola, independentemente de suas condições.
2.1.3.3.1. Garantir pleno acesso e condições de permanência de todos os educandos na escola, independentemente de suas circunstâncias.
2.1.3.4. Conformidade com o princípio da educação inclusiva
2.2. Perspectivas
2.2.1. A Psicologia Escolar e Educacional deve assumir seu papel como um dos fundamentos da educação e prática pedagógica, contribuindo para a compreensão dos fatores presentes no processo educativo.
2.2.2. Proporcionar a compreensão do educando a partir da perspectiva de classe e de suas condições concretas de vida para construir uma prática pedagógica inclusiva e transformadora.
2.2.3. Reconhecer o educador/professor como sujeito do processo educativo, exigindo mudanças profundas nas políticas de formação inicial e continuada desse protagonista da educação.
2.2.4. A ação do psicólogo escolar deve basear-se no domínio do referencial teórico da psicologia para a educação, mediado por conhecimentos do campo educativo e áreas correlatas.
2.2.5. Superar práticas tradicionais do psicólogo escolar, muitas vezes centradas em abordagens clínico-terapêuticas, e adotar uma perspectiva mais ampla e integradora.
2.2.6. Construir currículos alinhados com objetivos educacionais que superem os "currículos mínimos" e promovam uma educação de qualidade para todos, com ênfase na gestão democrática da escola e na formação dos educadores.
2.2.7. Discutir as possibilidades e limites da Psicologia Escolar e Educacional na formulação de políticas públicas comprometidas com as classes populares, visando uma educação inclusiva e equitativa
2.2.8. Estabelecer um amplo diálogo entre diferentes posições e perspectivas na área de Psicologia Escolar e Educacional para avançar no conhecimento e aprimorar as práticas relacionadas a esse campo
3. Relações entre Psicologia e Educação no Brasil: uma breve história
3.1. No século XIX
3.1.1. ideias psicológicas relacionadas à educação surgiram em áreas de conhecimento institucionalizadas, com destaque para as escolas normais que discutiam temas como aprendizagem, desenvolvimento e ensino.
3.2. No século XX
3.2.1. temas como aprendizagem, desenvolvimento e inteligência ganharam relevância na articulação entre psicologia e educação.
3.3. 1890
3.3.1. A Reforma Benjamin Constant, transformou a disciplina de filosofia em psicologia e lógica, contribuindo para o surgimento da disciplina de pedagogia e psicologia para o ensino normal.
3.4. 1930
3.4.1. A consolidação da psicologia no Brasil teve suas raízes na educação, com campos tradicionais de atuação como a clínica e a intervenção na organização do trabalho.
3.4.2. O ensino formal de psicologia em cursos superiores estava intimamente ligado à educação, com cátedras de psicologia vinculadas aos cursos de filosofia e pedagogia, sob a denominação de psicologia educacional.
3.4.3. A educação continuou sendo fundamental para o desenvolvimento da psicologia, assim como a psicologia permaneceu como base para a educação, especialmente no campo pedagógico.
3.5. 1962
3.5.1. com a regulamentação da profissão de psicólogo e a criação de cursos específicos, a educação, que era a base principal para o desenvolvimento da psicologia, passou a ser secundária para os profissionais, que demonstraram preferência pela atuação na clínica e na organização do trabalho.