1. Classificação das cirurgias por potencial de contaminação
1.1. Limpa
1.1.1. Eletiva, sem presença de drenos e que não haja nenhum processo inflamatório ou infeccioso. São consideradas cirurgias limpas as realizadas na epiderme, sistema musculoesquelético, nervoso e cardiovascular.
1.2. Potencialmente contaminada
1.2.1. Realizadas e tecidos que possuem uma flora microbiana abundante, de difícil descontaminação. Consideram-se cirurgias contaminadas as realizadas no intestino, em cirurgias de traumatismo crânio encefálicos abertos.
1.3. Contaminada
1.3.1. Realizadas em tecidos que já possuem alguns microrganismos , em tecidos de difícil descontaminação na ausência de processos infecciosos locais. São consideradas cirurgias potencialmente contaminadas as dos tratos intestinais, histerectomia, respiratórias, cirurgias oculares.
1.4. Infectadas
1.4.1. Realizadas em tecidos que estão em processo infeccioso, com presença de pus, tecidos necrosados ou ainda com corpos estranhos. Consideram-se cirurgias infectadas as abdominais, reto e ânus.
2. Infecção de sítio cirúrgico
2.1. Infecção superficial
2.1.1. Processo infeccioso com presença de drenagem purulenta na incisão, dor, sensibilidade e edema local acompanhada de vermelhidão. Envolve apenas pele e tecido subcutâneo. Ocorre nos primeiros 30 dias após o ato cirúrgico.
2.2. Incisional profunda
2.2.1. Ocorre drenagem purulenta podendo haver deiscência parcial ou total seguida de dor, febre e presença de abcesso. Ocorre no primeiros 30 dias após a cirurgia ou até 12 meses após a realização de procedimentos de introdução de próteses e que envolvem fáscia e musculatura na incisão.
2.3. órgão ou cavidade
2.3.1. Ocorre até um ano após a realização do procedimento, quando há a abordagem de órgão ou cavidade aberta e manipulada durante a cirurgia. Há presença de abcesso, febre, dor, calafrios e alterações nos exames laboratoriais.
3. Limpeza e desinfecção da unidade de Centro Cirúrgico
3.1. Limpeza operatória
3.1.1. realizada durante o ato cirúrgico, com a remoção mecânica da sujidade em excesso, como sangue e secreções, com a utilização de um pano embebido geralmente com álcool 70%.
3.2. Limpeza concorrente
3.2.1. Geralmente após a última cirurgia programada do dia; deve-se realizar os procedimentos da limpeza terminal paredes e pisos e a limpeza de todos os equipamentos, acessórios e mobílias. Também deve ser realizada após o termino de procedimentos infectados, e periodicamente, quando não há necessidade de frequência de limpeza terminal diária devido a realização de cirurgias limpas e de menor possibilidade de infecção e sujidade.
3.3. Limpeza terminal
3.3.1. realizado sempre ao término de cada procedimento cirúrgico, com a retirada dos artigos sujos da sala e descartado após a utilização; as paredes devem ser limpas somente se houver presença de material orgânico; deve-se retirar o hamper e lixeiras
4. Protocolos de controles de prevenção de infecção
4.1. Preparo da pele do paciente
4.1.1. Utilizar solução antisséptica apropriada (Clorexidine ou PVPI).
4.1.2. Banho pré-operatório com solução asséptica pelo menos na noite anterior à cirúrgia.
4.2. Preparo da pele da equipe cirúrgica
4.2.1. Remoção de anéis, relógios e pulseiras antes de iniciar a degermação ou asséptica cirúrgica das mãos.
4.2.2. Manter as unhas curtas e limpas. Unhas artificiais são proibidas.
4.2.3. CHG não deve ser utilizado para mucosas ocular e otológica.
4.2.4. Lavar as mãos com água e sabão antes da degermação cirúrgica.
4.2.5. A degermação cirúrgica das mãos deve incluir os antebraços e cotovelo com solução antisséptica, com duração de 5 minutos na primeira degermação e 2 minutos nas demais.
4.2.6. Manter as mãos elevadas e afastadas do corpo, de maneira que a água escorra das mãos para o cotovelo. secar as mãos com toalhas estéreis e colocar aventais e luvas estéreis.
4.3. Remoção adequada dos pelos
4.3.1. Realização de tricotomia somente se necessária e imediatamente antes do ato cirúrgico com tricotomizador
4.3.2. não usar lâminas de barbear ou lâminas de bisturi.
4.4. Manter a normotermia no período perioperatório
4.5. Manter o controle da glicemia no período perioperatório em pacientes diabéticos e não diabéticos, tendo como alvo níveis glicêmicos <180mg/dl.
4.6. Profilaxia antimicrobiana adequada
4.6.1. Administrar o antibiótico somente quando indicado e no momento adequado para atingir níveis séricos e teciduais adequados durante a incisão e manipulação do sítio cirúrgico.
4.6.2. Infundir completamente o antibiótico em até 1 hora antes da incisão ou do garrote pneumático.
4.6.3. Suspender a prescrição do antibiótico em 24 horas de pós-operatório na maioria dos procedimentos 48 horas para cirurgias cardíacas.
4.6.4. Administrar a profilaxia antimicrobiana em parto cesáreo em até 1 hora antes do início.
4.7. Cuidados com o ambiente e estrutura
4.7.1. Manter a ventilação na sala cirúrgica com pressão positiva em relação ao corredor e áreas adjacentes.
4.7.2. Esterilização de todo o instrumental cirúrgico.
4.7.3. Rigor na paramentação cirúrgica e manutenção da barreira máxima no ato cirúrgico.
4.7.4. Limpeza e desinfecção concorrente entre procedimentos.
4.7.5. Limpeza terminal mecânica do piso no último cirurgia do dia.